2. AVRUPA VATANDAŞLIĞI
1.1. Ombudsman Kavramı ve Tarihsel Gelişimi
Há uma (re) construção da realidade, à qual se propõe tanto o texto quanto a imagem, ao tentarem interpretar e representar a sociedade. De acordo com Berger e Luckmann (2001) há hoje uma “sociedade como realidade subjetiva”, onde várias vozes tentam se fazer ouvir em meio a derrocada de discursos pretensamente objetivos que emanam nos meios de comunicação.
Nesse texto sobre a sociedade e a subjetividade dos autores anteriormente citados, devemos refletir que a realidade é dialética, ao mesmo tempo objetiva e subjetiva, o que garante ao homem a possibilidade de se inserir no meio social de acordo com determinados aspectos que o rodeiam e que fazem parte de sua realidade. Como dizem os autores: “estar em sociedade significa participar da dialética da sociedade” (BERGER e LUCKMANN, 2001, p. 173).
Temos, portanto, que entre o texto e a imagem há discursos que podem emanar do mesmo fato, mas que se tornam subjetivos e diferentes no contato com o sujeito e em cada tipo de linguagem. O que faço é interiorizado por outro homem que produz algo interiorizado por mim e por outros, como dizem Berger e Luckmann (2001, p. 174):
o ponto inicial desse processo é a interiorização, a saber a apreensão ou interpretação imediata de um acontecimento objetivo como dotado de sentido, isso é, como manifestação de processos subjetivos de outrem, que desta maneira torna- se subjetivamente significativo para mim.
Há, dessa maneira, diversas formas de se expressar ou se trabalhar um texto, seja ele verbal ou não verbal, a partir das considerações que fazemos acerca da realidade em que estamos. Ao absorver a realidade em que vivemos e tentarmos nos socializar em meio a ela, nos tornamos passíveis de novas produções de sentido através de novos discursos.
Existe a pretensa função de um jornalismo objetivo, que se mascara como informativo nos veículos de comunicação, pela afirmação de que existe uma realidade estática provedora de ações e acontecimentos publicados no cotidiano do jornal. Por outro lado, o jornalismo opinativo, ou podemos dizer, subjetivo, busca a proposta de se desenvolver com o aspecto de trazer, no mesmo espaço, diferentes informações, ou melhor, opiniões sobre os fatos.
Portanto, há duas maneiras de ler a informação no meio impresso: pelo jornalismo informativo e pelo jornalismo opinativo. O primeiro busca informar o público sobre os acontecimentos e o segundo criticar os fatos sociais ao emitir a opinião do autor (ROMUALDO, 2000, p. 5).
A questão dos gêneros não é o enfoque dessa pesquisa, mas é necessário que se estabeleça alguns apontamentos desses para que se compreenda melhor a relação texto e imagem, mesmo porque os gêneros estão diretamente implicados na questão da subjetividade. Melo (1985, p. 16) tece algumas considerações sobre a proposta de diferenciar o gênero opinativo do gênero informativo:
Para não cair num tipo de discussão bizantina, é preciso deixar claro que essa distinção entre a categoria informativa e a opinativa corresponde a um artifício profissional e também político. Profissional no sentido de contemporâneo, significando o limite em que o jornalista se move, circulando entre o dever de informar (grifo meu) (registrando honestamente o que observa) e o poder de opinar (grifo meu), que constitui uma concessão que lhe é facultada ou não pela instituição em que atua. Político no sentido histórico: ontem, o editor burlando a vigilância do Estado, assumindo fiscos calculados nas matérias cuja autoria era revelada; hoje desviando a vigilância do público leitor em relação às matérias que aparecem como conotativas, mas na prática possuem viezes ou conotações.
As diferentes linguagens existentes na relação do homem com o mundo se concretizam em uma realidade necessariamente humana, permeada pela subjetividade exacerbada do homem em relação ao seu outro “eu”, ou seja, o outro.
Mais do que a percepção da subjetividade, se tem nesse confronto entre a realidade e o que dela se extrai, uma proposta de inserção no mundo, de comunicação propriamente dita, onde o homem busca meios de se expressar em uma realidade caótica e desterritorializada, na qual a identificação com o outro, em sua interpretação em texto ou em traço, caracterizam uma possibilidade de comunicação.
Costa (2002, p. 11) discorre acerca da função da linguagem nessa realidade permeada por novas configurações sociais:
as diversas formas de discurso e os diferentes usos da linguagem buscam criar simultaneidade e sintonia entre o homem e o mundo que o rodeia e entre ele e os outros homens, como pontes capazes de unir realidades autônomas e isoladas.
Essas realidades isoladas se caracterizam na voz do emissor das crônicas e das ilustrações que busca, subjetivamente, considerar o homem e o mundo a partir de seus conflitos e dilemas dialéticos, que movem a sociedade e suas relações sociais.
A escrita subjetiva passa pela necessidade imanente de se caracterizar no discurso em primeira pessoa, no qual o narrador é o próprio sujeito do discurso. O “eu” se apresenta como um ponto de partida para que o discurso seja fruto de reflexões internas, mesmo que essas sejam permeadas por outros discursos já existentes.
Sobre as escolhas pessoais de uma palavra ou do próprio discurso, Saramago (1992) nos apresenta reflexões pertinentes que coincidem com o que queremos dizer sobre o conceito de subjetividade. Diz o autor: “[...] Mas escrever (aí está o que já aprendi) é uma escolha, tal como pintar. Escolhem-se palavras, frases, parte de diálogos, como se escolhem cores ou se determina a extensão e a direcção das linhas” (SARAMAGO,1992, p. 263).
Dessa maneira, a subjetividade se torna inerente ao homem e à sua concepção social, na busca incessante por algo que o represente e o interprete, em diferentes linguagens mesmo que haja uma determinada intenção.
Voltando a relação do jornalismo opinativo com a subjetividade do homem, pode-se destacar que tanto as crônicas quanto as ilustrações fazem parte do mesmo, pois existe a liberdade dada pelo “poder de opinar” através de desenhos como charges, cartum, história em quadrinhos e também a fotografia.
Para pensar a relação entre o texto verbal e não verbal e sua característica subjetiva, convém situar a relação entre o jornalismo impresso e a ilustrações, destacando quando essas surgiram no meio de comunicação e como passaram a fazer parte do cotidiano dos leitores.