1.6. Hata Sınıflandırması
1.6.4. Oluşma Nedenlerine Göre Hata Sınıflandırması
Antiprograma Programa
Parada Parada da parada
Inibição, estase Ardor, arroubo
Tempo Cronopoiese Cronotrofia
Espaço Fechamento Abertura
Tabela 12: Remissivo e emissivo
A apresentação dessas tabelas, ainda que sem maior exploração do conceito de emissividade - outros pesquisadores já o fizeram: Pietroforte (2009), Lopes (2005), Tomasi (2012) etc. - pretende apenas ilustrar algumas propriedades dos sujeitos e discutir a existência de um sujeito intermediário entre a emissividade e a remissividade. Vejamos.
No estado remissivo, encontramos o sujeito vitimado pelo acontecimento estésico. Ele ignora o que lhe sobrevém e, por isso, é tomado pelo espanto. Uma vez vitimado, ele não mais quer, apenas deve e, portanto, ainda que contra a própria vontade, interrompe-se. O cotidiano vê-se interrompido, portanto, o programa narrativo remissivo é a parada, cabendo ao sujeito a inibição e a estase, o tempo dilata-se e o espaço fecha-se. O estado emissivo é reservado ao sujeito em pleno domínio de suas aptidões modais; não será preciso re-expor o percurso contrário já apresentado.
O que nos intriga é que, uma vez estabelecidos dois modos de estados subjetais, surge a questão: poderia o sujeito que goza de sua plena emissividade propor a si próprio um estado artificial de remissão? Poderia colocar-se "sujeito a" em uma ação controlada de remissividade?
Essa é, em nossa forma de ver, a resposta à equação "cotidiano + acontecimento = estesia". Porém, como prevê o modelo tensivo, o próprio acontecimento permitiria maior ou menor grau de penetração e impacto. Esse acontecimento estético configura-se, portanto, com menor cifra tensiva, e todas as propriedades remissivas do sujeito são modalizadas por um
menos-mais. Juntamente com o menos intenso, menos único e menos marcante, ele apresenta também, em relação ao sujeito, menos ignorar, menos dever, menos espantar-se e menos interromper-se.
Há outro caminho a ser percorrido ainda. Aquele da estetização ou do cotidiano e não da estesia do acontecimento. A estetização pode, portanto, promover ora o restabelecimento de um cotidiano de pura emissividade em um pequeno ato inserido no programa narrativo previsível de um sujeito, ora, como vimos, a atenuação de um acontecimento estésico.
Ilustremos tensivamente tal proposta: atenuação Acontecimento estético menos-mais minimização Cotidiano - passância mais-menos restabelecimento Estetização do cotidiano menos-menos recrudescimento Acontecimento - saliência mais-mais
Tabela 13: Atenuação, minimização, restabelecimento e recrudescimento E onde encontramos essa estetização cotidiana que nos tira da completa imperfeição e nos garante breves momentos de perfeição ao longo da rotina dos sujeitos?
Greimas nos aponta uma resposta em Uma estética exaurida. A ideia de pequenos flashs do acontecimento no cotidiano por meio da cultura vestimentar:
[...] se tentássemos compreender um pouco como esta certa coisa da qual não temos senão uma vaga ideia e que a língua recobre com o termo estrangeiro e estranho de “estética” está presente em nossos comportamentos de todos os dias, poder-se-ia tomar como exemplo [...] a cultura vestimentar [...] e interrogar-nos sobre as práticas cotidianas mediante as quais a estética se manifesta (Greimas, 2002, p. 75).
A estética cotidiana é, por sua vez, subordinada aos fazeres práticos do dia-a-dia. Não pode irromper o percurso narrativo do sujeito sob pena de tornar-se antissujeito. A fratura do cotidiano reserva-se a momentos mais raros, mais únicos. Isso nos permite também realizar uma análise dos próprios objetos artísticos, segundo seu maior ou menor poder de ruptura em dado programa narrativo. Curiosamente, os compositores detestam seguir scripts preestabelecidos de composição, quando sua pretensão é deixar marcas. Regras e programas fazem parte do cotidiano e lançam a obra de arte para uma "pequena estética", uma espécie de "música de elevador". Assim, os pequenos acontecimentos estéticos cotidianos não rompem a rotina, apenas a ornamentam.
A exemplo disso, retomemos nosso próprio trabalho anterior:
Numa vestimenta é desejável certa dose de exclusividade, porém, a exclusividade completa desloca a própria peça para um nível de alta-costura e, portanto, obra de arte. Já uma peça totalmente comum, como uma camiseta branca ou um jeans, pode esvaziar-se quase totalmente de sua função estética e carregar apenas a função prática.
Já a vestimenta que tenha o poder de ser “marcante” recebe uma dose de estetização que foge ao cotidiano e ressalta sua presença por ser, novamente, única (Fernandes, 2012, p. 41).
A partir disso, podemos construir o seguinte gráfico:
Gráfico 4: Sócio-estética e cotidiano
Naturalmente, a curva tensiva do modelo é, por definição, contínua, não discreta. Infinitas possibilidades intermediárias podem ser propostas entre os polos dos eixos apresentados, acontecimento e cotidiano. As operações de triagem levarão os objetos estéticos para mais próximo da estesia e as operações de mistura o farão no sentido do cotidiano.
Acontecimento Estésico • intenso • único • marcante • inesperado e incontrolável
• fratura da vida prática e cotidiana • “mais mais” Acontecimento Estético • menos intenso • menos único • menos marcante • espera do inesperado
• escapatória da vida prática e cotidiana • “menos-mais”
Sócio-Estético
• menos extenso
• menos múltiplo
• menos passante (saliente)
• menos previsível e menos controlado
• escapatória da vida prática e cotidiana • “mais-menos” Cotidiano • extenso • múltiplo • passante • previsível e controlado
• centrado na praticidade do uso • “menos-menos”
Tabela 14: Resumo dos modos de percepção
As formulações apresentadas nesta tese pretendem, de certo modo, discutir a natuzera do fato musical enquanto evento estético e situar o sujeito da apreensão estética, principal elemento no nível estésico do modelo tripartite, em relação ao seu modo de interação com a música.