C. Özgürlüğün Sınırlandırılması
II. KİŞİ ÖZGÜRLÜĞÜ ve GÜVENLİĞİ HAKKININ KISITLANMASININ
O projeto apresentado fez uso de poucos suportes de simulação que funcionaram como objetos intermediários no processo de concepção. Basicamente
foram utilizados como instrumentos o CAD 2D e 3D e, já na fase final do projeto, a
Game Engine e a Simulação Humana Digital. Tal opção pela tipologia adotada de
suportes tem relação com a natureza da demanda (e da solução dada). No presente caso a demanda fez referência à uma série de dificuldades relacionadas com o deslocamento de operadores em um parque de tanques. Desta forma, o espaço a ser analisado e (re)projetado foi caracterizado como uma situação de trabalho da qual o operador faz um uso breve (considerando toda a sua rotina) porém com frequência razoável.
Outro ponto que influenciou na utilização dos suportes de simulação deste projeto foi o objeto central da solução (plataformas e escadas de acesso) ser bastante conhecido e dominado pelos operadores, gerências, engenharia (incluindo as normas internas e externas), equipe de ergonomia, enfim, por todos os envolvidos. Tais estruturas fazem parte do dia-a-dia de uma refinaria e facilmente podem ser exploradas e avaliadas em termos de suas vantagens, desvantagens, exemplos bem- sucedidos e malsucedidos. Assim, desde o início considerou-se que a aplicação de suportes como modelagem e simulação humana ou ainda prototipagens físicas adicionariam pouco ao desenvolvimento do projeto (fato este comprovado pelo pouco uso da simulação humana dinâmica criada em paralelo com a simulação em Game
Engine).
Tal lógica de domínio sobre o artefato em projeto foi quebrada apenas devido ao fato da atividade do operador ter tido espaço desde o início, assumindo papel de protagonismo na concepção do conceito. A discussão envolvendo a possibilidade de acesso ao talude pelo operador e, consequentemente, a presença ou não de um vão na plataforma, gerou uma situação clara de conflito e confrontação de diferentes lógicas existentes no mundo do trabalho.
Após tal situação se manifestar a equipe de ergonomia optou por fazer uso de um suporte de simulação ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento: a
Game Engine. Ao contrário do CAD, que se desenvolveu desde o início como
ferramenta de apoio ao projeto e está completamente incorporado nos ambientes de projeto, trata-se de uma ferramenta nova, com uso quase que exclusivo para a indústria de entretenimento e com poucas experiências relacionadas a processos de concepção, e em especial, ao projeto do trabalho.
A opção por esta técnica, em detrimento das outras, pode ser explicada pelos seguintes pontos:
Não havia a necessidade de uma análise detalhada da interface homem- ambiente, sendo portanto irrelevante para a discussão pretendida questões de ordem antropométrica ou biomecânica (itens nos quais a modelagem e simulação humana possui larga vantagem);
A amplitude do espaço e da rotina exercida não poderia ser facilmente explorada com uso de protótipos ou maquetes, pelo contrário, seria interessante que a dimensão territorial da refinaria e a necessidade de deslocamentos com veículo e a pé fossem exploradas nas simulações; A variabilidade presente na situação de trabalho dos operadores do parque
de tanques faz com que não haja um “roteiro” bem definido do que deve ser feito, em termos de posturas, caminhos, uso de equipamentos ou acessórios, entre outros e dificilmente poderiam ser exploradas as diferentes estratégias com uso de um suporte inflexível (que tende a seguir um roteiro fechado definido pelo projetista durante o desenvolvimento da simulação, como uma animação ou simulação humana dinâmica);
A possibilidade de representar o ambiente de forma realística, incluindo texturas, formas e tempo de deslocamento e ações pré-programadas acionadas por gatilhos (abrir a portinhola ou acessar o veículo apenas quando fosse desejado pelo controlador do manequim player, por exemplo).
De qualquer forma, importante destacar que tal suporte não foi utilizado como parte das especificações do projeto conceitual entregue para a empresa contratada para o detalhamento e implantação das plataformas e escadas. Para este objetivo é de fundamental importância a precisão das especificações e a linguagem técnica já dominada, em especial o uso de software CAD.
Analisando-se os suportes de simulação aplicados ao longo do desenvolvimento de projetos do caso apresentado, pode-se classificá-los conforme os eixos Comissionário-Mediador e Fechado-Aberto (JEANTET et al., 1996). A Figura 23 apresenta os suportes e as funções e objetivos pretendidos durante a concepção das plataformas de acesso ao parque de tanques.
Figura 23 Análise do uso de suportes de simulação para o Caso 1
Fonte: Elaborado pelo autor.
Evidencia-se nesta análise a flexibilidade da função e objetivo da aplicação de um mesmo suporte durante as etapas de concepção de uma situação produtiva. Neste caso específico, pode-se destacar a ação dos esboços manuais em papel (EP) como objeto intermediário do tipo mediador aberto, isto é, não objetivou explicitar uma solução ou configuração pré-concebida e que permitiu uma ampla gama de ações (com novas proposições, inclusive). O uso de Game Engine (GE) pôde ser classificado com dois objetivos diferentes: aberto e fechado. Em um primeiro momento aberto, visto que a solução proposta estava em discussão e aberta para novas soluções e/ou configurações. Posteriormente, o uso dos cenários virtuais buscou a validação da solução proposta e antecipação de possíveis constrangimentos que pudessem surgir a partir da implantação das portinholas nas plataformas de acesso; em ambas situações o objeto foi do tipo comissionário, pois transmitiam uma representação bem definida da solução proposta. A função mediadora do CAD se deu em situações específicas onde o projeto foi discutido e alterado durante os encontros, dando suporte para simulações da atividade futura.