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ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

ÜSTÜNYETENEK /ÜSTÜN ZEKÂ

2.1.6 Okuma Alışkanlığı

No Brasil, parece não haver um consenso a respeito do que seja um sistema de ensino, a começar pelas leis maiores do país, que referem-se a sistemas de ensino, demonstrando não haver um único sistema.

A Constituição da República no seu Artigo 211, que posteriormente foi alterado pela Emenda Constitucional nº 14 de 12/09/96, diz que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. Assim não se pode afirmar que exista um sistema único, embora todos estejam submetidos à mesma normatização.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei maior que rege a educação brasileira, em seus Artigos 11 e 18 também refere-se na forma plural à sistemas de ensino.

As leis falam em diferentes sistemas – como sistema federal, sistema estadual, sistema municipal – não caracterizando assim um único sistema nacional de educação. As referidas Leis parecem usar o termo no sentido de sistemas administrativos e não no sentido de um sistema unívoco de educação para todo o país.

Finalmente, dentre as instâncias administrativas, o não entendimento parece continuar, como mostra o Ofício nº 50/00 da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação e Outros que se dirige à Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, solicitando deste órgão uma definição de sistema de ensino dentro do ordenamento jurídico- administrativo, tendo-se como referência a organização da educação nacional.

Em resposta é emitido o Parecer CNE/CEB 30/2000 de 12/9/2000 que teve como relator o prof. Dr. Carlos Roberto Jamil Cury que esclarece coexistirem de fato três sistemas, o federal, o estadual e o municipal e que não caberia a consideração dos dois últimos como subsistemas, uma vez que estamos diante de um pacto federativo:

Percebe-se, pois, que ao invés de um sistema hierárquico ou dualista, comumente centralizado, a Constituição Federal montou um sistema de repartição de competências e atribuições legislativas entre os integrantes do sistema federativo, dentro de limites expressos, reconhecendo a dignidade e a autonomia próprias dos mesmos (MEC, CNE, CEB, Parecer 30/2000 de 12/9/2000).

Em relação à definição dos sistemas de ensino, isto significaria que:

Os sistemas de ensino da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, desde logo, passaram a ter existência constitucional, usufruindo de existência legal. Isto quer dizer que estes entes públicos integrados à Federação podem se organizar, respectivamente, como sistemas de educação. Sua organização e o seu modo de funcionamento ficariam sob a esfera da autonomia dos entes federativos, evitando antinomias entre órgãos normativos e executivos, obedecendo ao princípio da colaboração recíproca e das normas gerais da lei de diretrizes e bases da educação nacional (idem, idem).

Após a discussão do conteúdo constitucional e da LDB, que versa sobre a organização da educação nacional, o relator apresenta a seguinte conclusão:

Assim sendo, dado o que já se disse sobre a Constituição e o que agora está posto na LDB, pode-se começar a definir o sistema de ensino. Esse compreende instituições escolares responsáveis pela oferta da

educação escolar dentro de níveis e etapas

discriminadas, com normas educacionais que, isentas de antinomias, dêem organicidade e unidade ao conjunto sob o influxo dos princípios, finalidades,

valores e deveres da educação postos na Constituição

e na LDB e sob o competente órgão executivo. Cabe aos poderes públicos, sob o princípio da gestão democrática, montar as regras e normas dos seus sistemas de ensino, capazes de dar sustentação ao seu dever constitucional e legal e, segundo o art. 209 da Constituição e art. 9º da LDB, cabe também autorizar a presença da iniciativa privada e do setor público na educação escolar. De acordo com a LDB, Estados e Municípios autorizam, credenciam e supervisionam os estabelecimentos dos seus respectivos sistemas de ensino. Aos Estados cabe também avaliar as instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. Mas, de acordo com a Constituição Federal, nos incisos I e II do art. 30, cabe aos municípios suplementar a legislação federal e estadual, no que couber. Esta possibilidade está reconfirmada pelo artigo 11, III, da LDB. Este conjunto de elementos articulados

entre si e visando fins a serem atingidos pela educação

perfaz um sistemade ensino (idem, idem).

O parecer parece confirmar a suspeita de que a concepção de sistema utilizada tem um caráter mais administrativo e de divisão de tarefas de gestão do que de “uma disposição das partes ou de elementos de um todo, coordenados entre si, e que funcionam como estrutura organizada ou ainda um conjunto de regras e princípios sobre uma matéria, tendo relações entre si, formando um corpo de doutrinas e contribuindo para a realização de um fim (...) o regime, a que se subordinam as coisas”. Estas são definições citadas pelo relator no próprio parecer, a primeira é proveniente do dicionário Aurélio da língua portuguesa e a segunda do vocabulário jurídico de Silva (1991) 3.

A questão da existência de um sistema educacional no Brasil tem sido objeto de análise de estudiosos como Saviani (2000). Para o autor, os termos sistema e estrutura são muitas vezes usados indistintamente, levando a um emprego incorreto do termo sistema. Ao abordar a noção de sistema educacional, Saviani assim se manifesta: “sistema é a unidade de vários elementos intencionalmente reunidos, de modo a formar um conjunto coerente e operante”. Ou ainda, “sistema implica uma ordem que o homem impõe à realidade. ...agindo sobre a estrutura de modo a lhe atribuir um sentido” (SAVIANI, 2000, p.82).

Segundo o autor, “sistema – já que implica em intencionalidade – deverá ser um resultado intencional de uma práxis intencional” (....) e portanto “o sistema educacional deverá ser o resultado de uma atividade intencional comum” (SAVIANI, 2000, p.85).

O autor defende a idéia de que a construção de um sistema educacional para o Brasil não seria possível com a atual configuração da sociedade brasileira onde vige a estrutura de classes com interesses inconciliáveis. Segundo ele, a construção de um sistema educacional para o Brasil deverá coincidir com a tarefa de transformação estrutural da sociedade brasileira.

Além disso, Saviani (2000) verificou que as críticas que os educadores faziam à educação brasileira era a de que ela se baseava em “teorias”,

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métodos e técnicas importados ou improvisados, o que significaria que o Brasil não possui sistema educacional próprio.

Especificamente em relação à LDB, o autor diz que “o conceito de sistema aparece não só como indefinido, mas como equívoco e, por vezes, contraditório”. (SAVIANI, 2000, p.101). Assim, devido à falta de articulação entre os vários sistemas de ensino existentes nas esferas administrativas, não existiria um sistema nacional.

O autor aponta três condições básicas para a construção de um sistema educacional numa situação histórico-geográfica determinada: o conhecimento dos problemas educacionais, o conhecimento das estruturas da realidade e uma teoria da educação. Esta teoria refere-se à condição de realizar a passagem da intencionalidade individual à intencionalidade coletiva. Ela indicará os objetivos e meios de uma atividade coletiva intencional.

O autor conclui que:

(...) embora se denomine a organização educacional brasileira de “sistema”, a verdade é que não existe sistema educacional no Brasil. O que existe é estrutura. E é preciso que se tome consciência disso, pois é a partir das estruturas que se poderá construir o sistema (SAVIANI, 2000, p.112).

Chegaríamos então a quatro hipóteses explicativas para a ausência de sistema educacional no Brasil. A primeira seria a existência da estrutura da sociedade de classes, que ao gerar um conflito de interesses, torna difícil a práxis intencional comum, sem a qual é impossível a construção do sistema. A segunda consiste na existência de diferentes grupos em conflito, tais como os que defendem os interesses da escola pública e os privatistas, pois estas diferenças obstaculizam a definição de objetivos comuns. A terceira hipótese está relacionada com o “transplante cultural”, que consiste na importação da cultura de outros países, sem levar em consideração a sociedade brasileira. Por fim, a quarta hipótese é chamada de insuficiência teórica dos educadores e refere-se à falta de fundamentação teórica na formação dos educadores, que muitas vezes permite que eles sejam vítimas de flutuações pedagógicas e de modismos que impedem a formação de uma consciência verdadeiramente crítica.

Bray & Kai (2007) fazendo um estudo dos trabalhos em Educação Comparada de vários países, confirmam as conclusões de Saviani (2000) e apontam ainda, que este fenômeno é comum nos diversos países onde se realizaram estudos comparativos sobre o assunto. Salientam que o foco em sistemas educativos tem tido uma longa história no campo da Educação Comparada, contudo, muitas vezes, os próprios estudiosos não têm uma noção clara do que querem dizer com sistemas de ensino.

Bray & Kai (2007) afirmam que muitos dos trabalhos no campo da Educação Comparada tomam o Estado-nação como unidade de análise e que muitos autores usam o termo “sistema”, por se referirem aos sistemas nacionais de educação. Entretanto não há uma definição do que entendem pelo termo sistema. Dentre os trabalhos que os autores analisaram,

(...) muito poucos exploraram os limites do conceito daqueles sistemas nacionais de educação ou investigaram até onde outros sistemas co-existiam dentro ou além das fronteiras nacionais. Muitos dos autores apresentaram sistemas nacionais de educação como se as nações em questão tivessem apenas sistemas únicos. (BRAY, M.; KAI, J., 2007, p.124).

Isto pode significar que muitos dos autores de trabalhos no campo da Educação Comparada parecem tomar como evidente que os leitores sabem do que se trata quando se usa o termo sistema. Para Bray & Kai (2007), estas generalizações representam não somente equívocos, mas também constituem oportunidades perdidas de entendimento conceitual. Sugerem que estas diferenças entre sistemas devem ser consideradas não como um problema, mas como uma oportunidade para pesquisa, uma arena para desafios teóricos e empíricos e uma fonte de lições para a política e a prática.

Podemos concluir que embora os sistemas de ensino venham sendo há muito tempo objeto de estudo e de análises comparativas, poucos são aqueles que se aventuram a definir o que entendem por sistemas de ensino.