2.4.1. Öğretimsel Liderliğin Davranış Boyutları
2.4.1.1. Okulun Amaçlarının Yönetimi
Como já foi dito anteriormente, a atividade teatral na Escola Estadual Berilo Wanderley começou como uma prática de ensino do curso de licenciatura em Educação Artística, da UFRN, realizada de maio a agosto de 1999. Para se tornar uma atividade extracurricular sistemática foi necessário formalizar as oficinas de teatro junto a Escola através de um projeto de trabalho voluntário.
A pedido da direção da Escola escrevi duas propostas, uma de teatro e a outra de capoeira33. Era objetivo da direção, inserir a Escola em um projeto da Secretaria de Educação denominado “Programa viver juntos o desafio das drogas” 34, estimulando atividades extracurriculares que promovessem ações educacionais alternativas para crianças, adolescentes e jovens das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
Embora o Berilo Wanderley não estivesse, naquela época, entre as escolas estaduais consideradas em áreas de risco quanto ao uso de entorpecentes, o seminário promovido pela Secretaria de Educação 35 trazia dados sobre a rápida difusão do crack pelo Brasil e apontava a necessidade de trabalhos educativos sistemáticos nas escolas, com objetivo de trazer alternativas para os adolescentes e jovens, estimulando-os para as práticas artísticas e desportivas.
Como eu era a professora de Arte da Escola participei do seminário junto com a orientadora pedagógica. Ao término do mesmo ficamos com a responsabilidade de pensar alternativas para a implantação da Escola no Programa. Até então não havia nenhum projeto de Esporte ou Arte na Escola, e foi exatamente no final daquele mês de
33 A capoeira era ministrada por um aluno da EEBW, integrante do Grupo Cordão de Ouro. O aluno ficou estimulado a desenvolver suas aulas de capoeira quando viu que estavam acontecendo aulas de teatro depois das aulas do turno vespertino. Apresentou sua proposta a direção, que me solicitou incluir a capoeira como projeto extracurricular, alternando os dias com as atividades de teatro.
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O programa foi apresentado aos gestores, coordenadores e professores da rede estadual de ensino através de um seminário de prevenção ao uso indevido de drogas, o objetivo era o desenvolvimento de ações nas escolas que estimulassem os estudantes para práticas desportivas e artísticas.
35
Seminário de prevenção ao uso indevido de drogas, realizado de 18 a 21 de maio de 1999, no auditório Angélica Moura, SECD – Secretaria de Educação Cultura e Desportos, com apoio do CEDUSU – Centro de Estudos de Drogas da universidade Santa Úrsula/RJ.
maio que a graduanda de Educação Artística, da UFRN, se apresentou na Escola para desenvolver sua Prática de Ensino.
Foi nesse contexto que sugeri a ela que consultasse seu professor sobre a realização de oficinas de teatro, como atividade prática em horário extracurricular. Como era uma disciplina obrigatória do curso de licenciatura tínhamos dúvidas quanto à regularidade, deixei claro também que eu não era da área de Artes, que não me sentia com competência para supervisionar o estágio docente, mas que acompanharia a graduanda durante todo o processo. Assim, com a devida autorização do professor e da direção da Escola, teve inicio as atividades de teatro na EEBW. A proposta extracurricular seria uma experiência de ensino sem a intencionalidade de se tornar uma prática regular na escola.
O primeiro Projeto, intitulado “A Arte Dramática na Construção da Cidadania” 36
foi elaborado já no final do ano letivo do ano de 1999, após a realização da Semana da Cultura da Escola, quando os adolescentes-atuantes, que fundaram o Grupo de Teatro, estavam totalmente estimulados a dar continuidade às atividades teatrais. Era um projeto bem simples, lembro-me que constava apenas de objetivo, justificativa e plano de trabalho. Posteriormente, no início do ano letivo de 2001, elaborei um outro projeto, “O Teatro na Escola: A Arte Dramática Construindo Cidadania” (Anexo I), mais detalhado e com a inclusão do Grupo de Teatro Facetas, Mutretas e outras Histórias como equipe de apoio. O projeto foi entregue diretamente por mim e pela diretora da EEBW, Mirtes Varela, na Secretaria de Educação, juntamente com um projeto de construção de um ginásio e um anfiteatro.
O segundo projeto tinha também o objetivo de contabilizar as horas de trabalho voluntário, três horas semanais, dentro da minha carga horária de ensino regular, mas esse propósito nunca foi alcançado, bem como a construção de um espaço para atividades artísticas e desportivas.
O projeto de atividade extracurricular se insere no contexto educacional do início do novo milênio, quando se buscavam espaços de participação juvenil e os grupos culturais nas escolas atendiam a essa demanda.
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O primeiro projeto de teatro não foi encontrado nos arquivos da Escola. Nem há cópia nos arquivos da pesquisadora, apenas algumas referências nos cadernos de registro de 2001 e da memória da pesquisadora.
A Cientista Social Regina Novaes37 coloca que os grupos culturais, tais como os de teatro e dança, entre outros, desempenham um papel de crescente importância entre os jovens porque lhes dão visibilidade e voz, em uma entrevista ao Boletim da Democratização Cultural ela diz,
São grupos que, por meio de ritmos, gestos, rituais e palavras instituem sentidos e negociam significados, buscando visibilidade pública e disputando adesões de jovens. Eles inventam e reinventam estilos que se tornam formas de expressão e comunicação entre significativos contingentes juvenis. 38
É, portanto, dentro desse contexto que uma centena de jovens, crianças, adolescentes e adultos, estudantes de escolas publicas da zona sul de Natal/RN, se aventuraram como atuantes, juntamente com a professora-coadjuvante e vários colaboradores39, se reuniram regularmente durante seis anos com o objetivo de “produzir” arte, de partilhar sonhos e perspectivas de futuro, criando espaços de participação social, cultural, política e educacional, articulando identidades e estabelecendo novas formas de pertencimento e canais de expressão e criatividade.
37
A Antropóloga Regina Celia Reyes Novaes é referência no tema juventude. Foi professora do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia, do IFCS, da Universidade Federal do Rio de Janeiro até o ano de 2005. Foi Secretaria Nacional de Juventude -Adjunta e presidente do Conselho Nacional de Juventude de 2005 até março de 2007. Entre março de 2007 e setembro de 2009, como consultora do Instituto Brasileiro de Análises Socio-Econômicas (IBASE), participou da coordenação geral da pesquisa Juventude e Integração Sul Americana, desenvolvida simultaneamente em seis países vizinhos. Em 2009 também atuou como consultora senior do PNUD/Nações Unidas para a realização do Informe Juventude e Desenvolvimento Humano nos países do Mercosul. Nos últimos anos tem realizado pesquisas e atuado em consultorias sobre politicas públicas de juventude junto à UNESCO e em colaboração com grupos de pesquisa da UNIRIO e UFBA.
38 Disponível em: http://www.blogacesso.com.br/?p=75 (Acesso em: 04/02/14)
39 Os colaboradores foram mães de atuantes que produziam figurinos e acessórios e acompanhavam as apresentações; professores da EEBW que davam opiniões críticas; professores da UFRN que avaliavam e colaboravam com seus conhecimentos técnicos; e muitas outras pessoas que cruzaram nosso caminho e