2.6. İlgili Araştırmalar
2.6.1. Öğretimsel Liderlik ile İlgili Yapılmış Olan Araştırmalar
2.6.1.2. Yurt Dışında Yapılan Araştırmalar
O objetivo da presente seção é explorar a crítica de Adorno e Horkheimer à coisificação. Para tanto, julgou-se producente tomar como principal referência o autor Alvaro Valls10 e suas reflexões já desenvolvidas sobre o assunto. Valls realizou um estudo visando o surgimento desse conceito nas origens do pensamento adorniano, sendo por esse motivo que se fará menção a seu trabalho ao longo de toda essa seção. Um dos importantes apontamentos feitos pelo autor indica que a primeira aparição legítima do conceito, em sua significação definitiva, ocorre com a obra intitulada Kierkegaard:
Com a dissertação definitiva para a habilitação, que foi logo após publicada em forma de livro. Essa tese foi apresentada em 1931, de modo que se pode dizer que antes de 1931 o conceito próprio de “coisificação” não existe em Adorno[...] Uma referência central a Karl Marx, nessa obra, identificando, sem mais, coisificação e alienação, nos fornece a fonte de onde brota o seu conceito de coisificação. Tanto a discussão da figura da mercadoria como também as diversas referências a Lukács e Benjamin afastam qualquer dúvida sobre a nova direção do seu pensamento (VALLS, 2002, p. 127-128). Coisificação11 é um conceito constante nas obras de Adorno e Horkheimer, podendo também ser expresso por reificação. De maneira geral, pode-se dizer que ele designa o fenômeno da metamorfose do valor em si de algo – relações sociais, obras de arte, alimentos, roupas, etc. – em objeto ou coisa que só tem valor enquanto puder ser trocada. Segundo os autores, esse fenômeno é típico da época industrial sob a permanente dominação da mercadoria.
Nessa perspectiva seria mais importante ter o poder para trocar esse algo – vender ou comprar – do que de fato utilizá-lo para algum fim ou enquanto fim em si mesmo no caso das obras de arte. Nisso consiste a substituição do valor de uso pelo valor de troca. Adorno, porém não está falando da simples substituição de um pelo outro. No capitalismo moderno o valor de troca toma do valor de uso o seu lugar perante os indivíduos, assumindo ficticiamente suas funções. O indivíduo acredita na necessidade de adquirir determinado produto para algum fim, quando, na verdade, encontra-se inquieto pelo desejo de consumir.
Segundo Adorno e Horkheimer, a ideia de valor de uso de algum modo relaciona-se com a situação problemática vivida pelas singularidades na época do capitalismo avançado.
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Estudos de estética e filosofia da arte numa perspectiva adorniana (2002).
11“Já tivemos oportunidade de dizer que o termo “coisificação” nem sempre ou necessariamente
designa um fenômeno negativo. Esta categoria tem também uma significação pelo menos neutra ligada à palavra ‘obra’. No sentido mais amplo, todas as obras são coisas” (VALLS, 2002, p. 118- 119, grifo do autor). O termo, porém, conforme é empregado na teoria da Indústria Cultural mantém sentido de desvirtuamento.
Em termos de valor de uso cada produto terá suas características específicas servindo a um determinado fim. Porém com a sua substituição pelo valor de troca não é a singularidade do produto que estará em questão, apenas a mera troca. Aos sujeitos já não interessam muito as especificidades do que se está sendo trocado. A substituição do valor de uso pelo valor de troca colabora com o processo de liquidação das subjetividades e coisificação dos indivíduos. Segundo a teoria estudada, as ideias de substituição do valor de uso pelo valor de troca e coisificação estão intimamente atreladas às ideias de alienação e fetichismo12. Ao discorrer sobre o texto O fetichismo na música e a regressão da audição de 1938, Valls demonstra bem essa relação:
Nesse terceiro ensaio, Adorno caracteriza a coisificação como o fetichismo (caráter de fetiche) da música: a transfuncionalização da música em mercadoria atira-a no fetichismo. Música coisificada é sempre música fetichisada. O núcleo da teoria de Adorno poderia ser descrito assim. Se Marx define o fetichismo da mercadoria como “veneração do que é autofabricado”, e que se aliena, como valor-de-troca, ao mesmo tempo dos produtores como dos consumidores – portanto, se aliena dos homens – então isto também se aplica à música na atualidade (VALLS, 2002, p. 119-120, grifo do autor).
Nos escritos de Adorno e Horkheimer transparece a preocupação com a influência exercida pelo processo de industrialização e produção em massa dos bens de consumo sobre a sociedade. Segundo eles esse processo afetou muitos setores incluindo – o que mais interessa ao presente trabalho – a produção artística e a experiência estética. Quando fabricada pela indústria, pode-se dizer que a manifestação artística não foi concebida no fluxo espontâneo de algum processo artístico de criação e experimentação, mas sim, da mesma forma que todas as outras mercadorias, mecanicamente produzida. Produzida, reproduzida, vendida e consumida. O indivíduo que toma contato com essa manifestação artística não é um simples espectador, ele é antes de tudo um consumidor.
Além de filósofo, Adorno foi conhecedor da arte musical, tendo aprendido a tocar piano quando ainda jovem, e posteriormente, estudou música com Arnold Schönberg (1874- 1951). Adorno desenvolveu reflexões acerca da coisificação da música e consequências para o ouvinte. Segundo Valls, Adorno considera que a coisificação da música:
É uma conseqüência evidente de uma constelação que apresenta a tendência, de acordo com a figura do rei Midas, de transformar todos os objetos em valores, no sentido de valor-de-troca. Uma tendência fundamental pode, porém, construir um sistema inteiro, quando ela consegue despertar forças reais e objetivas suficientes, que atuem em sua direção. Assim, a coisificação
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da música é predominantemente a transfuncionalização das relações humanas num determinado terreno da cultura, uma transfuncionalização da vida do espírito segundo as leis da economia. A alienação provém da organização econômica capitalista. O capitalismo se desdobra como sistema total e imprime sua forma a todos os fenômenos espirituais, inclusive a música. Com isso a música se transforma em mercadoria; os ouvintes só se ‘relacionam’ agora com mercadorias, cuja abstratidade e tediosa igualdade produzem, na consciência do ouvinte, indiferença, desconcentração e sentimento de impotência, confirmando assim a impotência social do indivíduo (VALLS, 2002, p. 129).
Em 1936 Adorno escreve um artigo sobre o Jazz – manifestação musical oriunda das comunidades negras norte-americanas. Na época em que surgiu, esse tipo de música era considerada uma manifestação artística não alienada por seu caráter de improvisação. Porém Adorno afirmou exatamente o contrário. Segundo ele, além de alienado o Jazz reforçava a alienação social, por ser um produto industrializado com função ideológica. Inicialmente percebia apenas o Jazz como manifestação musical metamorfoseada em mercadoria da indústria, mas o pensamento amadurecido constata que a música em geral se tornou mercadoria.
Adorno discute também a questão do ouvinte. Segundo ele, o contato permanente do ouvinte com esse tipo de música – música coisificada – resultaria no que ele chama de regressão da audição. Isso porque, além de ser coisificada a arte produzida pela Indústria Cultural coisifica:
Mas o público não reage apenas com desconcentração à música de massas. Embora ela se tenha transformado em “música de fundo”, ela ainda tem um grande poder sobre ele, um poder comercial: tudo o que esta música exigir dele, ele vai automaticamente, passivamente, desejar. Isto é, o público exige precisamente aquilo que dele se exige. Isso prova sua passividade, sua impotência, sua coisificação, seu estar coisificado (VALLS, 2002, p. 123). Coisifica também porque contribui com os processos de manipulação da percepção efetuados pelo sistema como um todo. Segundo a teoria estudada o público acaba se habituando a receber aquilo que lhe é constantemente oferecido, que é sempre o mesmo disfarçado de novidade. Adorno afirma que o ouvinte torna-se impotente diante de um produto musical que lhe é imposto, e com o qual, acaba por fim se identificando, pois não conhece nada diferente daquilo que lhe é oferecido.
Ao discorrer sobre o ouvinte de música reificada Adorno, consequentemente, toca na questão da “regressão da audição”, e quando se fala em regressão da audição fala-se também em “coisificação do juízo de gosto”. É possível relacionar a teoria adorniana, no que ela se refere à coisificação da música, ao processo de transformação em mercadoria de outras
manifestações artísticas fabricadas pela indústria. O público da indústria cultural não é formado apenas por ouvintes, mas também por fiéis telespectadores de cinema e televisão.
A indústria cultural exerce influência sobre a experiência estética dos sujeitos de uma maneira geral. O consumo da arte é também o fim da experiência estética genuína. Se Kant defendia o gostar desinteressado como medida de julgamento estético, Adorno já não acredita mais que os sujeitos sejam capazes de gostar.
No que diz respeito ao conceito de “coisificação”, os aspectos que mais interessam ao presente trabalho foram estes acima expostos. Na sequência imediata desse texto será abordada a questão da produção em massa dos bens de consumo, e transformação da arte também em bem imaterial de consumo, assunto que se relaciona diretamente com a coisificação. Gostar-se-ia de salientar que a “coisificação” não é o foco de investigação desse trabalho – mas a sua compreensão é algo necessário – e, por esse motivo, não houve uma exploração profunda de toda a potencialidade teórica desse conceito. Seria possível problematizá-lo ainda mais, obtendo inúmeros desdobramentos, seria possível, inclusive, construir uma segunda dissertação de mestrado caso ele fosse tomado como objeto de investigação. Porém, o objetivo dessa pesquisa é manter a atenção centrada na ideologia que ronda a encenação pseudorrealista.