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2.3. Mesleki Gelişim Modelleri

2.3.6. Okul Müdürü Merkezli Mesleki Gelişim Modeli

Embora a administração, enquanto ação humana, esteja presente ao longo da história das civilizações, o ensino de administração propriamente dito, isto é, um conjunto de conhecimentos e competências profissionais que podem ser ensinados e aprendidos por meio do processo de escolarização, é relativamente novo. Tem-se como marco o final do século XIX, período que os historiadores do pensamento econômico definem como capitalismo industrial, quando houve o florescimento das grandes corporações que, para serem administradas, demandavam profissionais especializados e com formação adequada (HUNTER e SHERMAN, 2000).

É, portanto, para atender a essa necessidade que são criadas em 1881 as duas primeiras instituições de ensino voltadas exclusivamente para a formação desses profissionais: uma na França, a HEC - École des Hautes Études Commerciales, fundada pela Câmara de Comércio e Indústria de Paris (HEC, 2009)

e a outra, nos Estados Unidos da América, a Wharton Business School, vinculada à Universidade da Pensilvânia (BERTERO, 2006).

No entanto, por diferenças nas políticas e nos sistemas de ensino, a escolarização do ensino de Administração se desenvolveu de maneira diferente nas duas regiões. Na Europa, apesar de a França ser um dos primeiros países a criar o curso de Administração, e de ter os diplomas emitidos pela HEC reconhecidos pelo Estado desde 1890, ocorre, de acordo com Bertero (2006, p. 2), uma “resistência às escolas de administração no interior da secular universidade [o que] só foi superado depois do final da Segunda Guerra Mundial”.

Já, nos Estados Unidos, de acordo com este mesmo autor, as business schools surgem ora como desdobramento dos departamentos de economia, ora como novas escolas no interior dos campi universitários, que criaram cursos nos níveis de graduação e de pós-graduação. Estes últimos foram organizados como mestrado profissionalizante, dando origem aos reconhecidos e, atualmente, muito disputados MBA - Master of Business Administration.

No entanto, as grandes universidades norte-americanas logo encerraram as suas atividades no nível de graduação e se concentraram apenas no da pós- graduação oferecendo, inicialmente, o MBA e, posteriormente, os cursos de doutorado em Administração, denominados na maioria das universidades de DBA - Doctor of Business Administration, sendo que somente a Universidade de Harvard oferecia o DCS - Doctor of Commercial Sciences. Posteriormente, estes dois títulos foram abolidos e adotou-se para o Doutorado em Administração o tradicional Ph.D – Philosophy Doctor.

Com esta decisão das grandes escolas nos Estados Unidos da América, o ensino de Administração no nível de graduação passa a ser oferecido apenas, de

acordo com Bertero (2006, p. 2), nas “universidades de menor prestígio e produção científica, bem como nos Junior e community colleges”.

Apesar disso, nos Estados Unidos da América há um crescimento com maior vigor do ensino de Administração, o que pode ser considerado como um dos fatores que explicam a supremacia da produção científica originária daquele país, pois de acordo com Bertero (2006, p. 3),

pelo menos dois terços da produção científica são de autores norte- americanos e o impacto sobre o ensino é simplesmente impressionante. Livros-texto e casos para o ensino de administração escritos nos Estados Unidos acabam por ser traduzidos em diversas línguas e são mundialmente adotados.

Além disso, esse fato contribui, também, para uma percepção de que o que se reconhece como management4 seja visto como uma criação norte-americana.

O método do caso é outro elemento que também pode ser considerado como uma contribuição para o ensino de Administração, com a mesma origem norte- americana. É considerado por muitos docentes desse curso como a metodologia de ensino mais adequada para o ensino de administração por entender que permite o desenvolvimento da capacidade de gerenciar ou resolver problemas em uma área funcional ou em uma organização. Esta crença fundamenta-se no pressuposto que, de acordo com Gomes (2006, p. 17), “gerenciar é muito mais um conjunto de habilidades do que uma coleção de técnicas ou conceitos desprovidos de emoção e sensibilidade”.

4 Expressão utilizada na língua inglesa como equivalente a administration. Na língua portuguesa, embora os conceitos de administração e gestão sejam utilizados como sinônimo, em geral, considera- se gestão uma ação na qual há menor grau de previsibilidade do resultado do processo a ser gerido (Fischer, 2002). Com isso, a expressão administração passa a referir-se às teorias Clássicas da Administração. Nos países de língua francesa utiliza-se a expressão gestion com o mesmo sentido da palavra administração em português, mas reserva-se para a palavra administration o mesmo significado da adotado para gestão em português. Além disso, em Educação a noção de gestão é entendida com um significado diferente do atribuído nos estudos organizacionais. Sobre este assunto ver: Fischer, (2002) e Chanlat (2000) e Lück, (2006).

O uso dessa metodologia no ensino de Administração tem a sua origem na Universidade de Harvard que é conhecida desde a fundação da sua Escola de Negócio por adotá-la como a principal estratégia de ensino. Naquela universidade há um banco com cerca de 8.000 casos disponíveis para serem utilizados, é comum serem distribuídos aos alunos, em alguns momentos do curso, três casos por dia. Um, às 14 horas, para ser lido e discutido com colegas em pequenos grupos no horário do jantar. Outro, às 19 horas, para ser lido e discutido no horário do chá noturno; o terceiro é entregue no final da noite para ser lido e discutido com os colegas no café da manhã. Às nove horas da manhã, começa a discussão do primeiro caso distribuído no dia anterior (MARION e MARION, 2006).

Essa sistemática de trabalho só é possível em uma organização do ensino superior com curso em período integral e que tenha alunos residindo no próprio campus universitário; além disso, deve contar com professores que atuam em jornada integral de trabalho, uma vez que a metodologia de desenvolvimento de casos voltados para o ensino requer, de acordo com Marion e Marion (2006, p. 81),

visitar várias vezes a empresa-alvo, enriquecer com material suplementar, fazer proposta de consulta bibliográfica, entrevistar, descrever cenários, trabalhar com documentos confidenciais e, depois de pronto, apresentar à empresa analisada e obter permissão para aplicação na academia.

É evidente que outras estratégias de ensino como aula expositiva, jogos de empresa, simulação gerencial e seminários são utilizadas no ensino de Administração (MARION e MARION 2006), mas o método do caso, além de ser citado com muita frequência, pode ser considerado, também, como um dos aspectos do ensino norte-americano que marcam o curso de Administração no Brasil, a ponto de algumas poucas IES brasileiras manterem convênios com a Universidade de Harvard para capacitar parte do corpo docente, na utilização desse método de ensino. Além disso, em um seminário sobre ensino de Administração, realizado em

2005, pelo Conselho Regional de Administração do Estado de São Paulo, foi sugerida a criação de um banco de casos para ser utilizado por docentes das várias IES.

A importância atribuída ao estudo de caso como uma das estratégias para o ensino de Administração, além de refletir uma concepção de ensino, começou a ser questionada nesta década, como explicita Aktouf (2005, p. 154),

o método de ensino de administração não poderia estar dissociado do conteúdo. Se o conteúdo e a meta do ensino de administração são os de reprodução do fazer dos administradores, o método vai se impor por si mesmo. Se continuarmos a observar o que fazem os administradores, a escrever seus discursos, a sintetizar o que dizem, o que pensam, teremos a formação do futuro administrador. É isso o que se chama de método de caso. Se, ao contrário, o conteúdo da formação do administrador estiver a serviço de um objetivo mais social, de uma visão coletiva e comunitária, o método vai ser radicalmente diferente. Porque não se trata de reproduzir o pensamento da minoria que são os

businessmen, de descrever o que fazem, mas de dar a esta profissão um sentido

compatível com um projeto social. O método, então, estará adaptado a um conteúdo totalmente diferente do que aquele ensinado na maioria das escolas de administração.

Mais do que um questionamento do método do caso, este autor critica uma determinada concepção de ensino de administração, que prevalece em alguns países, em especial nos Estados Unidos da América, e que impregnou fortemente os programas de MBA. Esse posicionamento repercutiu nos meios acadêmicos norte-americanos e, por isso, a Business School da Universidade de Yale modificou a orientação do seu MBA e passou a utilizar outras estratégias de ensino que, no entendimento dos seus dirigentes, têm a finalidade de formar profissionais reflexivos e capazes de encontrar soluções inovadoras para os problemas administrativos da sociedade contemporânea.

Naquela universidade, a organização do curso gira em torno de três projetos temáticos, envolve a realização de pesquisas em países classificados como pobres ou em desenvolvimento, sendo que a partir da análise dos dados coletados os alunos devem elaborar propostas de intervenção e encontrar soluções de natureza administrativa para as situações-problema orientadoras de tais projetos temáticos.

A crítica ao método do caso e a decisão da Universidade de Yale em adotar uma estratégia diferente na sua Escola de Negócios indicam que há mais de uma concepção para o ensino de Administração, as quais foram se configurando ao longo deste pouco mais de um século de existência desse curso.

De fato, na literatura pesquisada, encontraram-se duas concepções de ensino: uma denominada estudos organizacionais e, a outra, aprendizagem gerencial (HANDY, 1995) ou educação gerencial (FRIGA; BETTIS; SULLIVAN, 2004). Estudo organizacional é definido como um conjunto de conhecimentos que permitem uma compreensão geral das organizações. A aprendizagem gerencial ou educação gerencial é entendida como a formação de pessoas que possam auxiliar as organizações a moldar o seu futuro e aproveitar ao máximo os seus próprios bens.

Diante dessas possibilidades, de acordo com Handy (1995, p.161), “diferentes instituições se concentrarão em um ou outro [modelo de ensino], reconhecendo talvez uma ligação entre eles, mas que não são de fato iguais”.

No entanto, um outro olhar sobre a história do ensino de administração deixa evidente que as diferentes concepções de ensino desenvolvidas podem significar a adoção de estratégias diferenciadas dessa área do conhecimento para atender a duas demandas distintas: formar profissionais especializados para administrar empresas e produzir conhecimentos e, com isso, se credenciar para fazer parte da comunidade científica. Esse movimento culmina com o desenvolvimento de uma organização acadêmica e modos de ensino diferentes, conforme demonstra o estudo conduzido por Friga; Bettis; Sullivan (2004), que identificam três períodos com características distintas para o ensino de administração, conforme mostra o Quadro 1

Quadro 1 – Concepções do Ensino de Administração CONHECIMENTO

Baseada nas Empresas Baseada no Corpo Docente Baseada nos Estudantes

Criação Lições práticas

Profissionais Teórico / empírico Professores PhDs Unidades modulares Corpo docente misto Assimilação Bibliotecas limitadas Livros e periódicos de

gestão Bibliotecas digitais

Distribuição Geográfica Local Regional / nacional Global

Fonte: Adaptado de Friga; Bettis; Sullivan (2004).

O período baseado nas empresas vai da fundação das primeiras escolas de negócios até os anos de 1950, caracteriza-se pela maioria de os professores serem gerentes empresariais, em atividade ou aposentados, os quais tinham como objetivo principal compartilhar as lições aprendidas no local de trabalho. A principal crítica a esse modelo era a ausência de uma base científica consistente (PFEFFER; FONG, 2003).

O período baseado no corpo docente prevaleceu dos anos de 1950 até o final dos anos de 1990. Estabeleceu-se a partir de um esforço de reforma que impulsionou as escolas de negócios em uma trajetória contínua para alcançar o respeito acadêmico e a sua legitimação no interior dos campi das universidades. Nesse movimento, as Business Schools tornam-se departamentos de Ciências Sociais ou de Ciências Aplicadas. Para viabilizar este projeto modificou-se o perfil do seu quadro de docentes com a contratação de profissionais com capacitação para realizar pesquisas gerenciais.

O período baseado nos estudantes surge em decorrência das críticas ao segundo modelo, que podem ser sintetizadas, de acordo com Pfeffer; Fong (2003, p.10), da seguinte forma: “adotar os caminhos dos outros departamentos de Ciências Sociais produziu um novo conjunto de problemas, incluindo as preocupações quanto à relevância das escolas de negócios e da educação em administração para o mundo empresarial”.

A característica desse modelo é ter um corpo docente composto por pesquisadores e profissionais com experiência em funções gerenciais e pela integração das escolas de administração com as empresas, pois, de acordo com Friga; Bettis; Sullivan (2004, p. 99),

mesmo que a criação de conhecimento seja sempre uma missão importante para as escolas de administração, outras organizações estão desenvolvendo programas mais formais de gerenciamento e ‘criação de conhecimento’, o que pode causar uma mudança estratégica, uma vez que as escolas estão mais focadas em colher e partilhar, em vez de somente criar conhecimento.

Assim, indica-se um modelo de ensino, centrado no aluno, que deve buscar compatibilizar uma base sólida de conhecimentos com a capacidade de aplicá-los, e até ampliá-los, nas situações profissionais, uma vez que, como assinala Santos (2000, p. 197), “a acelerada transformação dos processos produtivos faz com que a educação deixe de ser anterior ao trabalho para ser concomitante deste”.

São os cursos de Administração desenvolvidos nos Estados Unidos da América que são utilizados como referência para a criação dos primeiros cursos de Graduação nessa área que foram criados no Brasil, no início dos anos de 1940.