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OCAK, PAZAR İsmet Paşa'dan randevu alarak saat 22'de kendisini ziya

Como ‘problema’ climático as intempéries da seca devastavam plantações animais morriam, pessoas, por vezes, morriam também. Posteriormente, quando de fato o problema da seca modificou os paradigmas até então estabelecidos, novas estratégias e novas abordagens para encarar a situação foram colocadas em prática. Surgiram

teorizações e conjecturas sobre o problema desde estudos focados nas causas para seca

a medidas de contenção do flagelo, através de programas assistencialistas.

Assim, as causas para o surgimento do flagelo das secas eram discutidos entre as

entidades governamentais, através de seus técnicos e cientistas; até membros das mais

diversas religiões entre si, buscando uma causa espiritual, um ‘castigo de Deus’ para

seu povo pecador. Almejando perscrutar as diversas manifestações sobre as secas em questão, neste tópico buscaremos discutir e analisar tais manifestações na historiografia tradicional sobre o tema.

Sabe-se que por séculos a Igreja Católica manteve (e ainda mantém) um poder

considerável sobre a população, através do controle ideológico-social, mantendo um discurso por vezes voltado para os próprios interesses e de seus correligionários. A História mostra o envolvimento da Igreja em diversos movimentos sociais, políticos e econômicos, reforçando e justificando desde o sistema escravista ao monopólio da salvação, sendo este de forma espiritual.

Em outra reflexão32 procurou-se analisar, através da memória oral, como os

dispositivos mnemônicos mantinham significados religiosos ou sobrenaturais que pudessem reverberar ou explicar as “causas” da seca na Região, buscando, pois, não se ater, necessariamente, aos significados presentes no discurso dos sujeitos que presenciaram as secas, mas entender como as memórias eram constituídas e difundidas por estes sujeitos ao longo dos tempos. Neste sentido, a pesquisa de campo foi

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Ver: SOUSA, B. H. SEM CHUVA, SEM GOVERNO E SEM COMIDA: memórias sobre a seca de 1970 em Farias Brito – CE. In: I Seminário Nacional de História e Contemporâneidades. Anais eletrônicos: http://historiaecontemporaneidades.files.wordpress.com/2013/04/caderno-de-resumos-i- snhc.pdf, acesso em 10/09/2014.

indispensável, e através da metodologia da história oral conseguimos perceber a difusão sistemática de um imaginário religioso bastante complexo que identificava as “causas” para as grandes secas como sendo um “castigo divino”, enviado por Deus para “corrigir” seus filhos.33

No próximo capítulo veremos que as narrativas engendram representações sobre os “possíveis motivos” para a ocorrência de crises climáticas. As memórias foram, segundo se observa, uma espécie de herança, perpassada de pai para filho, através da tradição oral. Reflete, ainda, o quão forte é a predominância do religioso, da figura paternalista de um Deus que busca “corrigir seus filhos terrenos.” O discurso religioso perpassa a historiografia sobre as secas. Em outra reflexão, Durval Muniz analisa o comportamento da Igreja nos períodos de seca, notadamente em 1877:

A igreja, no entanto, acreditava que sua atuação nestes momentos não deveria se restringir ao campo da ajuda material, mas principalmente da “assistência

espiritual” evitando que o desespero nascido da “perda de confiança em Deus” fossem responsáveis pela prática de atos que ferissem a moralidade.

As práticas e os discursos da Igreja tentam infundir a “confiança em Deus” e ao mesmo tempo justificar o porquê de tanto sofrimento, para que as pessoas pudessem se resignar (ALBUQUERQUE, 1988, p 161).

Como vimos, o discurso da igreja aparece como uma justificativa ou punição para os pecados humanos. Apresenta uma situação de conforto, de esperança, um flagelo pregado como sendo por vezes necessário, em cuja instância final visava imprimir o sentimento de resignação nas consciências espirituais. No estudo em questão

o autor busca analisar como a Igreja adentrava no mundo do poder imaginário

constituído. Neste sentido, a religião era vista como amenizadora de sofrimentos, pelo

menos espirituais, aonde a população buscava apoio e conforto para as suas “almas”. Os

padres, segundo o autor, visitavam diversos acampamentos, ajudavam no cuidado de distribuição de alimentos e no tratamento de doenças para com o flagelado. Condenavam, ainda, os preceitos imorais de uma população que se reduzia à barbárie, pois, durante a seca de 1877, muitos foram os casos de prostituição, antropofagia, banditismo, etc.

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No próximo capítulo voltaremos a esta questão quando a memória procura estabelecer paralelos representativos para possíveis explicações de ocorrência do fenômeno da seca, desde as estruturas fundamentais para o funcionamento político-social, às representações que se baseiam em questões religiosas de explicação.

De certa forma compreendemos que a igreja se posicionava a favor do Estado, no que diz respeito a manutenção da ordem pública. Funcionava (e ainda funciona)

como amenizadora dos sofrimentos psicológicos dos fiéis que estavam no epicentro do

flagelo, constituindo-se, pois, como expressão paternalista-espiritual, situação esta que aos poucos escapava do Estado. Esta situação de paternalismo espiritual e representação dos padres e bispos persistiram (em tempos de secas) ao longo dos anos, em todo o século XX aos dias atuais. Basta analisar as folhas de jornais, as constantes cartas de bispos e padres das regiões do interior para perceber o qual denso são as questões que envolvem o imaginário religioso sobre as secas, desde a apelações à oração e

arrependimento dos pecados, à constantes pedidos de ajuda dirigidos aos governantes.34

Durval Muniz argumenta que o discurso da Igreja também era usado para de certa forma, combater o discurso técnico das causas da estiagem. Tal discurso, como

sabemos, buscava explicar à seca como uma causa natural, um fenômeno meramente

climático, e não sobrenatural. Assim, ainda que a Igreja se posicionasse a favor do Estado como mantenedora da ordem publica, objetivando contornar ou simplesmente amenizar o desespero da população diante do flagelo da seca, através do monopólio espiritual, não se pode negar que havia certos embates e disputas por ideológicas sobre a explicação para as estiagens. Novamente, segundo o autor:

Diante do avanço do discurso cientifico que punham em xeque muitas das

“verdades eternas” da Igreja, esta reage as vezes entrando em confronto

direto com o discurso cientifico, reafirmando suas “verdades” ou procurando mostrar que a ciência esta descobrindo apenas aquilo que já tinha dito a igreja, só que com outras palavras (ALBUQUERQUE, 1988, p. 171).

Desta forma, o que se observava era uma tentativa de monopolização das explicações, uma vez que a igreja não somente procurava fazer suas próprias considerações sobre o fenômeno da seca, mas combater os discursos que fossem contrários ou tergiversados às suas pretensões. Assim, a igreja procurava associar todo e qualquer comportamento humano como sendo a explicação para um fenômeno tanto de bonança quanto de miséria.

34

Na região do Cariri cearense, por exemplo, existe o Jornal A Ação, órgão da Diocese de Crato, que veiculou o Cariri entre a década de 30 e 80 do século passado. Neste jornal podemos perceber as constantes providencias e solicitações de padres e bispos da região, algumas cartas enviadas e publicadas, entre outros documentos, que tinha por finalidade não somente acalmar a população e trazer uma possível explicação para o fenômeno, mas também chamar a atenção do poder público.