2.4. MODERNİTE VE ÇAĞ ELEŞTİRİSİ
2.4.2. Oğuz Atay’ın Öyküler nde Modern te ve Çağ Eleşt r s Teması
A etnografia, para Geertz (2008), traz o entendimento da cultura como uma teia de significados onde, através da mesma, pode-se fazer uma ‘descrição densa’ dos acontecimentos que, anteriormente, para Malinowski, só poderiam ser alcançados pela Antropologia.
Assim, a experiência etnográfica pode ser vista como um processo de reconstrução dos fatos observados, coletados, descritos, fotografados e interpretados pela investigadora junto ao seu público alvo. Esses dados, porém, diferenciam-se da pesquisa antropológica, visto que torna a observação direta como técnica básica de informação, embora vá mais além da antropologia, quando usa a sua experiência e permanência no campo para compreender as distintividades entre os sujeitos, para poder interpretar e ter a possibilidade de intervir.
Assim, a etnografia contempla os métodos que requerem, além da ‘descrição densa’ de Geertz (2008), a investigação do real vivido numa abordagem etnográfica constitutiva em que o social se reúne, localmente, pelas práticas institucionais dos próprios membros, práticas estas constitutivas no sentido de estarem ‘em vias de se constituir’, sem, contudo, perder de vista as influências externas, e construindo uma nova realidade emergida das inter-relações das partes constituintes.
Já para Macedo (2010), a etnografia compõe uma etnopesquisa38 constitutiva que nasceu da inspiração e da tradição etnográfica, que tem como seu elemento teórico fundante a premissa interacionista, onde “as estruturas são construções sociais”, que formam o comportamento humano, isto é: possibilita a compreenção das singularidades, das ações e realizações humanas, bem como a ordem social onde estas se realizam, explana Macedo (2010).
Assim, direcionando seu interesse para entender as ordens socioculturais em organizações, sendo constituídas por sujeitos intersubjetivamente ‘edificados’ e ‘edificantes’, o autor preocupa-se com os processos que constituem o ser humano em sociedade e em cultura, num olhar ‘de dentro para fora’, na perspectiva do sujeito observado. Entende, ainda, que a organização dos acontecimentos é socialmente construída e deve-se procurar essa estrutura nas expressões e gestos dos participantes.
Sendo a cultura assim entendida, segundo este autor, como “[...] um conjunto de interpretações que as pessoas compartilham e que, ao mesmo tempo, fornece os meios e as condições para que essas interpretações aconteçam” (MACEDO, 2000, p.55) numa construção social no cenário educacional onde os sujeitos se constroem e se reconstroem mutuamente num “status construcionista” (MACEDO, 2010, p.120).
Nesta proposição pode-se inferir que os indivíduos podem compartilhar símbolos, por exemplo, embora não compartilhem o conteúdo desses símbolos, ou seja, o outro é incontornável enquanto co-construtor de diferenças e essas construções ocorrem num processo de negociação cultural onde as significações são referenciais de identidade de cada ator social dentro de determinados espaços, daí o não compartilhar do conteúdo desses símbolos.
Estas conjecturas, então, passam a possibilitar o repensar da prática pedagógica, levando a perceber que, através dela, pode-se concretizar a práxis educacional nas quais se
38 A etnopesquisa não seria outra coisa senão uma pesquisa ao mesmo tempo enraizada no sujeito observador e
no sujeito observado. Enraizada no sentido etnológico, o de dar conta das raízes, das ligações que dão sentido tanto a um quanto a outro. (MACEDO, 2010).
constituem ações do fazer da educação frente a uma metodologia que contemple o ‘real vivido’, numa ‘descrição densa’, assim como o ‘instituído e o instituinte’, o ‘edificado e o edificante’, além da ‘descrição e interpretação’ num contexto escolar mediante a Etnografia da Educação, aduz Macedo, (2000).
Assim, a rotina dos fatos ocorridos na Escola e no entorno, são os artefatos que formam a‘caixa preta’ da cultura escolar, da sala de aula, em particular, nas interações interpessoais desenvolvidas neste cenário escolar, onde os sujeitos co-construtores de conhecimentos, de diferenças e de processos de aprendizagem, percebidos como estruturantes em meio às estruturas formais e informais que compõem o nicho39 escolar, reflexivamente os configuram, tornando-os, para “o etnopesquisador crítico” dos meios educacionais, as possibilidades para a possível construção de conhecimentos no âmbito das práticas educativas, pois, não há dúvida de que as estruturas existentes dependem da ação humana inserida na sua temporalidade, constituindo, assim, o ingrediente básico de ação educativa, explana Macedo (2010).
Ficou evidente que as formas de construção dos conhecimentos, originados na vida cotidiana escolar e seus significados, mediante processo descritivo e interpretativo, foram se construindo à medida que a pesquisa foi evoluindo, uma vez que as informações foram obtidas a partir de dados coletados no concreto, ou seja, em depoimentos dos próprios atores sociais, nas observações das práticas pedagógicas em sala de aula, mediante apresentação de atividades sequenciais, conversas informais e demais circunstâncias nas dependências da escola palco, com registros no diário de campo e em imagens fotográficas.
A pesquisadora, no caso, utilizou-se da descrição para compor o cenário, bem como da interpretação para compreender o processo de aprendizagem, supondo uma situação de presença na qual os atores sociais são percebidos como estruturantes, ou seja, eles se apresentam como os artífices dos seus processos criativos e criadores, eles são os responsáveis por sua aprendizagem, conforme depoimentos dos instrutores, do alunado e das leituras imagéticas, mediante as fotos captadas nos contextos escolares e não escolares, como: teatros, ginásios e locais públicos, como o Marco Zero,40 local de referência para apresentações da Escola.
39 Entendido aqui como o tipo de local ou lugar físico normalmente habitado pelos indivíduos de uma espécie, no
caso específico, os alunos da escola palco.
40 Marco Zero - antiga Praça Rio Branco, localizada na confluência das Avenidas Rio Branco e Marques de
Olinda, reconhecida como local de fundação do Recife, Pernambuco. Possui o marco zero quilômetro, que registra o ponto inicial da contagem das estradas do Estado. Desde 1938, o espaço passou a ser denominada Praça Rio Branco, devido à fixação de uma escultura do Barão do Rio Branco no local. De lá é possível observar uma extensa muralha de arrecifes naturais, com mais de seis quilômetros de comprimento, que faz
Figura 10 Praça do Marco Zero
Fonte:http://morcegospatinscluberec.wordpress.com/2011/06/30/sabado-no-marco-zero-encontro-de- patinadores - http://maispe.blogspot.com.br/2011/05/patrimonio-historico-marco-zero-do.html Acesso em: 21 /04/2012
A abordagem etnográfica tem por começo a negociação para a inserção no local da pesquisa, no caso específico, a Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges, ocorrida no início do ano de 2010, quando foi feito o agendamento com a diretora da Escola a professora Ana Miranda e constatado que a mesma era uma antiga colega da pesquisadora. Esta coincidência promoveu um começo acolhedor, desbloqueando a questão da resistência.
Naquele período, primeiro semestre de 2010, a pesquisadora já havia encerrado os Ciclos de Seminários de Acesso à Universidade da Madeira - UMa, com o propósito de participar do Programa de Doutoramento em Educação da referida Universidade. Naquela ocasião a pesquisadora realizou uma pesquisa exploratória e trabalhou no projeto para a qualificação do mesmo e a posterior matrícula na Universidade da Madeira, no 3° Ciclo em Ciências da Educação, área de Inovação Pedagógica, fato que aconteceu em 2011.
Ao chegar à Escola de Frevo e encontrar ali uma antiga colega, a acolhida foi calorosa. Todavia, ao adentrar, notou-se certa resistência das coordenadoras, em algum momento, de
contatodiretocom o Oceano Atlântico. O ambiente é composto pelo Porto do Recife, pelo Terminal Marítimo de Passageiros e pelo Parque de Esculturas Francisco Brennand. Acesso em: 20/04/2012
alguns alunos da companhia de dança, assim como também de alguns pais e mães que a princípio pareciam desconfiados e sem entender o propósito do trabalho acadêmico, mesmo que se explicasse.
Esta resistência, porém, foi revista, pois como sinaliza Lapassade, “o acesso ao campo é preciso ser renegociado, a relação com as pessoas precisa ser negociada e renegociada ao longo da pesquisa. Nada é mais conseguido de forma definitiva e global” (2005, p.70).
Acontece que esse fato do conhecimento prévio da pesquisadora, por si só, não foi relevante, uma vez que depois de um início acolhedor aconteceram alguns momentos de resistência o que foi negociado e renegociado conseguindo-se um contorno natural do impasse surgido, buscando o procedimento adequado e a cautela necessária: posteriormente à renegociação, iniciou-se a coleta de dados e informações que foram se acumulando, paulatinamente, e assim se prosseguiu pesquisando sem maiores incidentes.
Ainda nesse primeiro momento, o instrutor e componente da Companhia de dança da Escola de Frevo, José Valdomiro, disse, literalmente, quando foi solicitado para uma entrevista ou conversa informal, que não dispunha de tempo. Quando o convite foi feito pela 3ª. ou 4ª. vez, ele revelou que sentia medo “tenho medo...”. Foi algo inesperado, e que requereu tempo para ser solucionado.
A pesquisadora não entendeu, mas mesmo assim respeitou. Acrescentou, porém, que gostaria de falar sobre o que ele fazia na Escola, sobre o frevo, os passos, o processo de criação, etc. Ele então sorriu timidamente e disse que agendaria o encontro. E cumpriu sua promessa proporcionando excelentes informações sobre o frevo com demonstração visual e tudo o mais, conforme descrição no tópico acima 4.2.
Deve ser esclarecido que, passada essa fase inicial de entendimento do trabalho e ou aceitação do mesmo, as entrevistas, conversas informais, fotos com os instrutores, alunado, coordenadoras e o pessoal de limpeza, transcorreram em clima de camaradagem. Alguns adolescentes até interagiram, espontaneamente, com a pesquisadora para falarem de seu interesse pelas aulas de frevo, como haviam chegado à Escola, o que mudou em sua vida, isso foi muito estimulador.
Assim, pode-se inferir que a inserção no campo e o grau de implicação com o cenário escolar foram satisfatórios, dentro das possibilidades do ‘real vivido’, daqui partindo-se efetivamente para a coleta de dados com instrumentos contemplados a seguir.