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Para a compreensão do paradigma emergente contemporâneo que propicia condições para obtenção de indicativos, sobre ‘como’ acontece a aprendizagem na Escola de Frevo e quais as práticas pedagógicas mediadas pela corporeidade, fazem-se necessários alguns outros conceitos basilares.

Assim, é fundamental compreender como esses conceitos influenciam nas aprendizagens, frente à diversidade do tecido social atual para que se possa finalizar esta primeira parte da sistematização epistemológica do estudo. São eles: ‘aceleração’ e ‘transitoriedade’ do autor Alvin Toffler, e ‘bricolagem’ e ‘matética’ do autor Seymour Papert.

3.4.1. Aceleração

No último século os intervalos entre os acontecimentos têm acontecido de forma mais intensa, significando que as mudanças estão ocorrendo mais rápido do que jamais se pensou, e não se tem como medir esse tempo. Não se sabe, por exemplo, medir a taxa com que flui um boato na sociedade, como se mede a taxa de sangue do corpo humano.

Os fatos acontecem numa fluidez e ritmo de sequência exponencial, onde cada episódio de hoje amanhã já é considerado passado, e o intervalo entre os acontecimentos é totalmente relativo devido ao crescente número de ocorrências. Isto deixa a muitos bastante perplexos, pois até para assimilar a aceleração leva-se um tempo.

Como se pode entender, as mudanças estão em processo de aceleração, mas não existe um modo absoluto de medir as suas variações, dessas mudanças, até porque, na natureza, existem infinitas transformações simultaneamente acontecendo, assim, dentro dessa mobilidade pode-se inferir que a alteração é sempre relativa e ao mesmo tempo desigual, dependendo das variáveis implicadas como ritmo, fluidez e duração da ocorrência.

Segundo Toffler (1970), a vida humana pode ser pensada como um grande canal através do qual a experiência flui; este fluxo de experiências consiste na vivência de inúmeras situações. A aceleração da mudança, na sociedade, altera drasticamente o fluxo dessas situações através desse canal experiencial.

Assim, não existe uma definição clara para uma situação, podendo, todavia, cada situação ser dividida mentalmente em alguns componentes básicos identificáveis como ‘coisas’ que são cenários físicos formados por objetos naturais ou elaborados pelo ser

humano, artificialmente. Cada situação ocorre num ‘lugar’ que é uma locação ou palco, no qual a situação ocorre, podendo também ser uma sala de aula, ou um escritório, uma cidade, um estado ou país. Por outro lado, cada situação social também é composta por um elenco, que são as ‘pessoas’.

As situações também envolvem uma localização na ‘rede organizacional’ da sociedade, num contexto de ‘ideias’ e ‘informações’. Infere-se, assim, que qualquer situação pode ser analisada em termos desses cinco artefatos: as coisas, os lugares, as pessoas, as ideias e a estrutura organizacional.

Estes componentes analisados, isoladamente, contemplam a dimensão do espaço- tempo em que as situações ocorrem (5 minutos ou 1 hora). O tempo representa um papel crucial alterando o significado ou o conteúdo das situações.

Ao se procurar entender o tecido da experiência social em que medida ocorre a aceleração na sociedade, as situações tornam-se reduzidas ao ‘caleidoscópio do tempo’, portanto, há que se entender ‘como’ esses relacionamentos estão acontecendo e em quais situações ocorrem. Assim, entende-se que:

O tempo é a medida comparativa para grandes e diversificados processos. Sem o tempo a mudança não tem significado. E sem a mudança o tempo para. Assim o tempo pode ser concebido como os intervalos durante os quais os eventos ocorrem (TOFFLER, 1970, p. 31).

O indivíduo que consegue incorporar o ‘princípio de aceleração’, que compreende no próprio corpo como também na sua mente que as coisas estão se movendo mais depressa no mundo em sua volta, realiza essa compreensão automática, inconsciente para o entendimento do tempo. Prevendo que certas situações durarão mais ou menos tempo, ele não costuma ser surpreendido, de guarda baixa. Já as pessoas cujas expectativas de duração se congelam, pois não previram em seu cotidiano a diminuição da duração das situações, sentem-se surpreendidas frente às rápidas e até frustradas mutações.

As mudanças, na razão entre o velho e o novo, provocam um impacto elétrico nos hábitos, nas crenças e na autoimagem de milhões de indivíduos. O ritmo de vida influencia profundamente o comportamento provocando reações fortes e contrastantes nas pessoas.

O nível de mudança é também uma força psicológica, uma vez que a taxa crescente das mudanças no mundo é um fato concreto e, em torno do ser humano, esse fato perturba a vida interior de cada um, alterando a própria existência já que a aceleração externa implica em

aceleração interna, fato, às vezes, ignorado pelos psicólogos, ocasionando transtornos funcionais ou situacionais.

Em meio a tantas mudanças encontra-se um ponto mais delicado que é o ‘impulso de aceleração’ quando uma sociedade ampla se choca contra a experiência diária comum do indivíduo contemporâneo, funcionando assim como uma mola propulsora para a celeridade social.

Com a aceleração da mudança acontece a redução da duração de muitas situações além de alterar seu significado e acelerar a passagem pelo canal da experiência, isto é, alterar todo o meio ambiente intelectual do homem e o modo como ele pensa, sente e vê o mundo.

Estas são questões indeléveis da contemporaneidade que com o advento da escrita, depois com a criação da imprensa de Gutemberg e com os livros, foi aumentando a taxa de crescimento e nos últimos anos, por volta de 1950, com o advento do computador, irrompeu- se uma aceleração sem precedentes com uma aquisição de conhecimentos sem igual.

A tecnologia exerce também um papel preponderante como poderoso ‘agente acelerador’ onde o conhecimento passa a ser o seu combustível. A velocidade com que o homem armazena conhecimento útil sobre si mesmo e sobre o universo cresceu de modo exponencial. Outras ferramentas analíticas de crescente poder para observar o universo, até então invisível surgiram, dentre elas o telescópio, no sentido macro, e o microscópio para o micro, aumentando de forma célere e potente, a taxa de conhecimento e geometricamente numa velocidade do impulso de aceleração muito pujante. Algo realmente de grande magnitude!

Toda essa carga de mutações converge para questões sociais de relevância. Assim, Francis Bacon29 afirmou: ‘conhecimento é poder’, podendo-se atualmente inferir que no cenário social ‘conhecimento é mudança’ e acelerar a aquisição de conhecimentos é um fato que alimenta o grande império da tecnologia. Consequentemente isso significa acelerar as transformações e o poder, ou seja, quem se mantém no poder.

Não alheio a este impulso acelerativo da mutação em que o conhecimento se traduz em poder, e que, consequentemente, este muda de mão, um fato passa ao lado, como adquirir conhecimento mais rápido, num panorama onde é preciso compreender e assimilar as mais diversas informações de modo rápido, onde qualquer demora torna a compreensão obsoleta, pois a informação já é outra.

Um exemplo típico, observado na Escola de Frevo, foi a demonstração de como acontecem esses fenômenos na prática entre os estudantes.

Uma aluna comentou, em sala de aula, que o professor iria faltar à aula seguinte por estar num congresso sobre dança típica nordestina, na capital de São Paulo. Informação falaciosa, que não procedia aos fatos, sendo prontamente retificada pela direção. Há que salientar que a celeridade da direção não foi suficientemente veloz para barrar a velocidade da informação, que teve uma repercussão distorcida pelos alunos no clicar dos seus celulares, lépidos, efervescentes e em grande profusão. Assim, a narrativa inverídica venceu e fluiu como se verdadeira fosse.

No dia seguinte, pela manhã, ligaram para a diretora da Escola de Frevo sobre a provável ausência do professor e, mais uma vez, foi ratificada a informação: ‘a turma da tarde terá aula’, disse enfaticamente a direção. O professor lecionava nos períodos tarde/noite. Os alunos do turno da manhã, que não tinham aula com esse professor, também indagaram sobre a existência do congresso e, mais uma vez, foi passada a informação da inexistência da participação do professor no congresso sobre a dança e que todos deveriam encaminhar-se para a sala de aula.

Pode-se observar, claramente, o fenômeno da ‘aceleração’ com que a notícia se espalhou, cresceu e replicou para os outros estudantes, inclusive de outros turnos, embora se tentasse explicar que o professor viria dar a aula.

À tarde, quando o professor finalmente chegou, esse assunto que tinha sido tão polêmico depressa se esvaiu sendo rapidamente substituído por outro na pauta do alunado.

Não houve nenhum questionamento sobre o surgimento do assunto, pois tal fato já fazia parte do passado e não mais interessava a ninguém. Desse modo, o tema agora em evidência foi o planejamento para os ensaios de uma próxima apresentação que aconteceria em junho de 2010. Pode-se, assim, verificar a celeridade dos acontecimentos na Escola de Frevo.

Infere-se, assim, que a percepção que o homem tem do tempo está intimamente ligada aos seus ritmos internos, mas suas respostas para o tempo são culturalmente condicionadas já que parte desse condicionamento consiste na construção de hábitos desde a infância, de uma série de expectativas a respeito da duração de eventos, processos e/ou relacionamentos, explica Toffler, (1970).

De fato, uma das mais importantes formas de conhecimento que se fornece a uma criança é o de ‘quanto as coisas duram’, por exemplo: um almoço, em média, não dura menos de 15 minutos e nem mais de uma hora. Esse conhecimento é transmitido de forma sutil,

informal e frequentemente inconsciente, no entanto, sem uma série bastante rica de expectativas socialmente convincentes da duração das coisas, nenhum indivíduo poderia funcionar satisfatoriamente.

Em face deste desafio, indaga-se: como a Escola de Frevo poderá acompanhar essa rotatividade e fazer frente a esses fenômenos atuais, do tipo relâmpago? Como atender a essa ‘expectativa de duração’ que está cada vez mais rápida? Isso reflete o desafio existente. Os professores e pais que levam vidas de relativa ‘baixa transitoriedade’ cujos relacionamentos tendem a ser duradouros possuem ‘expectativas de duração’ que estão sendo sacudidas pelo ritmo dos acontecimentos.

Neste contexto, o alunado, principalmente os mais jovens, vive numa condição de ‘alta transitoriedade’, uma categoria em que a duração dos relacionamentos é radicalmente reduzida e a sua reposição extremamente rápida, ou seja, as ‘coisas’ acontecem rapidamente e logo dão lugar a outras coisas, atividades, fatos, com a mesma velocidade, de acordo com Toffler, (1970).

Na medida em que a mudança acelera e as complexidades se multiplicam é possível esperar maiores cortes nos relacionamentos entre pessoas e coisas, pessoas e lugares, pessoas e ideias, pessoas e pessoas e até de pessoas com a estrutura organizacional devido ao processo instalado na sociedade atual. Falar sobre essa transitoriedade como “acontecimentos que se movem rapidamente numa época de produtos temporários para servir às necessidades temporárias” (TOFFLER, 1970, p.70) requer novas visões de mundo.

A aceleração do ritmo de vida entra como uma ‘variável psicológica’ de crucial importância que foi sempre ignorada. Urge, agora, a necessidade de se rever essa variável associada à crescente velocidade de amplas mudanças científicas, tecnológicas e sociais que se fazem sentir na vida do indivíduo. Grande parte do comportamento humano é motivada pela atração ou pelo antagonismo em relação a esse ritmo de vida.

Segundo Toffler, compreender esse ‘princípio’ requer rever a capacidade e/ou incapacidade da educação em preparar pessoas para enfrentarem essa ‘sociedade superindustrializada. ’ Frente a essa aceleração observam-se esforços no sentido de promover mudanças, embora surjam os entraves e as pessoas resistentes. Tem-se, por um lado, a perspectiva da permanência e, por outro, já se pode vislumbrar a possibilidade da mudança como um dínamo propulsor.

Um exemplo disso é o depoimento de uma aluna da Escola de Frevo, estudante de uma faculdade local. Ela revelou que na graduação passou por três cursos, em apenas um semestre:

primeiro, prestou vestibular para o curso de geografia, depois se transferiu para letras e finalmente foi para pedagogia.

Esclareceu, ainda, que, vendo no primeiro período que o currículo básico da área de ciências humanas era integrado, sendo comum a todos os cursos desta área, já no meio do semestre solicitou transferência para o curso de pedagogia, alegando que não se identificara com os dois cursos anteriores. A Escola precisa abalizar-se para entender e conviver com essa nova estrutura social, esse ‘princípio da aceleração’ em que a expectativa de duração foi comprimida em tempo veloz, aduz Toffler, (1970).

Esse acontecimento narrado pela própria estudante (M.S.S. 19 anos), na Escola de Frevo, ilustra bem os pressupostos dos princípios de aceleração e transitoriedade. Tais pressupostos atingem tanto os alunos ao requererem mudanças, trocando experimentos, quanto a instituição educacional ao aceitar esses experimentos. Vale destacar que a instituição tem um currículo que propicia essas trocas, postura que indica novos pressupostos.

Frente a esta abordagem chega-se à conclusão que os relacionamentos estão cada vez mais frágeis, descontínuos, na medida em que existe essa inconstância de procedimentos acadêmicos, o relacionamento (instituição/aluno) torna-se débil. Então, na sociedade verifica- se essa mesma inconstância com os componentes básicos que constituem o ‘tecido da experiência social’, isto é, o relacionamento das pessoas com coisas, lugares, ideias, organizações e as próprias pessoas tornam-se tênues.

Assim, os relacionamentos vêem-se reduzidos no telescópio do tempo, tal como seus valores e normas. Essa redução provoca sentimentos que demonstram a necessidade de se perceber que a inovação não é apenas uma mudança qualquer, ela tem um caráter intencional, profundo, que tenta afastar do seu campo de ação as mudanças produzidas pela evolução ‘natural’ do sistema, infere Toffler (1970).

É impressionante o desenvolvimento da tecnologia da informação no cenário contemporâneo constituindo-se numa das mais importantes e menos conhecidas forças sociais. Mediante a compreensão desse conceito vai-se complementar com o próximo tópico outro relevante conceito.

3.4.2. Transitoriedade

A transitoriedade fornece um laço que há muito faltava para unir as teorias sociológicas das mudanças e a psicológica dos seres humanos enquanto indivíduos.

Interligadas, estas teorias permitem analisar o problema das mudanças em alta velocidade e o comportamento dos indivíduos com outro olhar, numa nova abordagem.

Ray Kurzweil (2001), o inventor e futurólogo americano em seu ensaio A Teoria das Mudanças Aceleradas, prevê que mudanças de paradigmas foram e continuarão a se tornar cada vez mais comuns ao ponto de levar a mudanças tecnológicas tão rápidas e profundas que representam uma ruptura no tecido da história humana.

Ele acredita que a Teoria das Mudanças Aceleradas implica que uma singularidade tecnológica irá ocorrer, onde a taxa de progresso técnico vai aumentando exponencialmente, na medida em que se vai descobrindo maneiras mais eficientes de fazer as coisas, de apreender com os diversos instrumentos tecnológicos e computacionais.

Assim, a sociologia das mudanças possibilita uma modificação de hábitos sem precedente, não apenas no âmbito tecnológico, como já se verifica, mas também como a taxa de avanço técnico, entre os seres humanos, na medida em que se foi descobrindo modos mais eficazes de fazer às coisas, como também encontrando formas mais eficientes de aprender a linguagem, a escrita, à filosofia, os números, o método científico, os instrumentos de observação, os dispositivos de computação, calculadoras mecânicas, computadores, aparelhos dos mais diversos e cada vez mais sofisticados.

Estes grandes avanços da tecnologia indicam as capacidades para dar conta das diversas informações que chegam às pessoas, cada vez mais próximas entre si objetivando construir uma sociedade informatizada, globalizada e acelerada.

Assim, a sociologia da mudança investiga e demonstra que existem mais pessoas envolvidas, mais inventores em potencial com crescimento mais rápido nas áreas tecnológicas, científica, médica, empresarial, e outras. Diversificando esse crescimento desde a década de 1970 quando o sistema mundial vem se desenvolvendo de modo exponencial e não linear, como vinha acontecendo antes, esse crescimento leva a um torvelinho que promove uma avalanche de transformações nem sempre assimiláveis por todos.

No panorama da contemporaneidade, algumas pessoas se sentem atraídas por esses movimentos que geram variações, acelerando o ritmo de vida a ponto de se sentirem ansiosas, tensas, pouco a vontade quando esse ritmo diminui. Essa atração, essa necessidade de estar no centro do movimento é ocasionada por uma força motriz e que algumas pessoas precisam estar no centro das oscilações rápidas para sentirem-se bem vivas, não importando muito o movimento.

Segundo o professor James A. Wilson da Universidade de Oxford, essa atração por um ritmo de vida acelerado é uma das forças motivadoras ocultas por trás do ‘êxodo das

inteligências’ que foi e ainda é a migração em massa de cientistas europeus para os EUA e Canadá. Segundo aquele professor pesquisador, após entrevistar 517 cientistas e engenheiros ingleses, concluiu que não foi só o alto salário que atraiu estes cientistas e engenheiros, mas “o ritmo mais rápido, a celeridade dos acontecimentos na área urbana e no campo da pesquisa norte americana” (TOFFLER, 1970, p.44).

Outra força motriz que leva pessoas para o centro dos movimentos mutacionais é a preferência por um ritmo de vida urbana acelerada, onde certas pessoas já não conseguem se fixar em lugares mais tranquilos. Assim, o aparente ímpeto de viajar sempre é, segundo o professor Wilson, um mecanismo compensatório.

A psicologia contemporânea conduz à compreensão sobre a poderosa atração que um determinado ritmo de vida exerce sobre uma pessoa, isso ajuda a esclarecer comportamentos que, de outra forma, não fariam sentido. A atração dessas pessoas pela rotatividade de acontecimentos, por um movimento rítmico mais frenético não é uma homogeneidade na sociedade, pois há pessoas que preferem um ritmo mais lento, como a vida no campo dispensando assim o burburinho das grandes metrópoles. Na verdade há grupos que se sentem psicologicamente mais tranquilos em meio às grandes variações rítmicas atuais e outros que preferem a tranquilidade que a vida campestre ainda proporciona.

É evidente que estar em uma ‘sociedade emergente superindustrial’ significa engajar- se num mundo que se movimenta de modo muito rápido, que requer, no mínimo, um entendimento célere do que acontece e como acontecem as situações.

As pessoas que se sentem desconfortáveis diante do frenético ritmo de vida, desenvolvem uma verdadeira aversão pela tecnologia das civilizações contemporâneas, essas pessoas, geralmente mais idosas, reagem com violência contra a aceleração e as mudanças, comumente a idade está associada ao conservadorismo se bem que a história de vida dessas pessoas também conta nesses casos, pessoas que sempre viveram no campo ou em cidades pequenas, calmas para os padrões atuais, sentem certo desconforto nos cenários urbanos conturbados, agitados.

Sejam quais forem às razões, qualquer aceleração das mudanças que tenha o efeito de acumular mais situações no canal da experiência, num dado intervalo de tempo relativamente pequeno é ampliada na percepção da pessoa mais velha, ou mais calma, mais resistente ao novo, que sente agudamente esta diferença.

Outras tensões também surgem entre gerações - pais e filhos - entre pessoas - marido e mulher, patrão e empregado, estas tensões podem estar relacionadas a diferentes respostas à aceleração e mudança do ritmo da vida. Pode, também, ocorrer com relação ao choque entre

culturas, no caso especifico do frevo, música frenética, ágil, colorida, em som e movimentos, pode causar rejeição em pessoas acostumadas à música lenta, dócil, de movimentos contritos como a música erudita ou sertaneja, por exemplo.

Como o exemplo de Seymour Papert (1994), no livro ‘A máquina das crianças’ quando demonstra o estilo dançante lento da classe social elitizada, distante, corporalmente falando, respeitosa, acontecida nos salões do hotel, retratada no filme ‘Dirty Dancing’30 e a

dança realizada pelos empregados do hotel, em outro ambiente, no mesmo hotel em andar distinto onde a sensualidade, o dançar frenético, rápido, o volume do som, a junção dos corpos eram componentes explosivos do ritmo célere.

Isso demonstra que numa mesma cultura e mesma época a diversidade de classe social interfere na aceitação do ritmo musical. Com isso, pode-se pensar a influência da cultura nas situações em que surgem as mudanças. Assim, tanto a população como a elite às vezes resistem ativamente a uma mudança de ritmo devido às questões não só culturais como sociais e comportamentais.

As questões socioculturais estão no bojo da sociologia das mudanças, onde perpassam

Benzer Belgeler