Sem dúvida, o progresso das organizações empresariais e da humanidade como um todo depende de lideranças sóbrias e equilibradas, que consigam perceber as necessidades de seus liderados, compreender suas dificuldades e sonhos, dar-lhes apoio e conduzi-los a uma situação de estabilidade social, com princípios e valores pautados em relações de ética e respeito.
Toda mudança, em qualquer aspecto da sociedade, é conduzida por líderes que influenciam a forma de pensar dos trabalhadores e de outros membros da sociedade, tornando-se assim líderes de movimentos sociais.
Líderes como Sam Walton, no varejo; Henry Ford, mentor do fordismo; e Taiichi Ohno e Eiji Toyoda, mentores do toyotismo, são pessoas carismáticas que através da compreensão da realidade, visão de futuro, atitudes, ideias e comportamentos revolucionários traduzem os diferentes momentos e/ou insatisfações das diversas esferas da sociedade na busca de soluções para crises econômicas e sociais, e, por isso, além de líderes de organizações empresariais também podem ser considerados líderes de movimentos sociais, como foram Martin Luther King, Wisnton Churchill e Tancredo Neves.
Para maior aprofundamento no tema, tomemos como base a definição dada por Maria da Gloria Gohn sobre movimentos sociais:
Nós os encaramos como ações sociais coletivas de caráter sócio - político e cultural que viabilizam formas distintas de a população se organizar e expressar suas demandas (cf. Gohn, 2008). Na ação concreta, essas formas adotam diferentes estratégias que variam da simples denúncia, passando pela pressão direta (mobilizações, marchas, concentrações, passeatas, distúrbios à ordem constituída, atos de desobediência civil, negociações etc.) até as pressões indiretas. Na atualidade, os principais movimentos sociais atuam por meio de redes sociais, locais, regionais, nacionais e internacionais ou transnacionais, e utilizam-se muito dos novos meios de comunicação e informação, como a internet. Por isso, exercitam o que Habermas denominou de o agir comunicativo. A criação e o desenvolvimento de novos saberes, na atualidade, são também produtos dessa comunicabilidade. Na realidade histórica, os movimentos sempre existiram, e cremos que sempre existirão. Isso porque representam forças sociais organizadas, aglutinam as pessoas não como força-tarefa de ordem numérica, mas como campo de atividades e experimentação social, e essas atividades são fontes geradoras de criatividade e inovações socioculturais. (GOHN, 2011, p. 335-336)
Vários fatores se combinam para que uma mobilização social aconteça ou para que seja formada uma organização empresarial, ou seja, um contexto propício, grupos articulados, o compartilhamento de uma identidade coletiva, etc.
A liderança, na maioria das vezes, é fator preponderante para a existência de um movimento social ou de uma organização empresarial, pois o carisma do líder afeta não somente a emergência, como a dinâmica e resultados dos movimentos sociais e também das empresas.
Em organizações empresariais e nos movimentos sociais, o líder atua enquanto inspirador, administrador, mobilizador, coordenador, representante ou estrategista político. A ação dos líderes norteia o surgimento de movimentos, sua dinâmica e resultados obtidos.
Os movimentos sociais, dentro e fora das organizações empresariais, são vistos como o desdobramento de oportunidades políticas, de recursos que se tornaram disponíveis e até de um movimento inerente à realidade que opõe grupos entre si, mas, independentemente da origem teórica, sabiamente, alertam-nos para o fato de que, em última instância, não são as estruturas que têm vida própria, que imaginam, criam estratégias ou tomam decisões. Ou seja, são os protagonistas humanos que, navegando nas estruturas sociais, realizam essas atividades. É a partir dessa concepção que compreendemos a existência dos líderes nos movimentos sociais e empresariais – como protagonistas cuja atuação faz a diferença dentro de contextos e momentos particulares. A liderança existe como um fator que, em associação a outros, impacta nas ações coletivas.
Por seu lado, organizações empresariais surgem para atender ou criar demandas sociais, relacionadas à satisfação de necessidades por produtos ou serviços, em conformidade
com o momento específico da sociedade. Nelas ocorrem inovações em produtos ou serviços, ou são combatidas ações da concorrência através da maior eficiência produtiva. Nesse contexto, líderes influenciam os trabalhadores a criar e /ou produzir soluções em produtos e/ou serviços que atendam as demandas de uma sociedade quanto a preço e qualidade. Por outro lado, ao dividir sua história pessoal, crenças e valores com trabalhadores e a sociedade, lideres empresariais transmitem mensagens relacionadas à sua própria ideologia, valores e crenças, tornando-se também um líder social.
Um líder empresarial não é somente responsável pela produção eficaz de bens e serviços. Isso pode ser controlado por chefes. Um líder empresarial necessita de sensibilidade para compreender os anseios dos trabalhadores e da sociedade que pretende atender e, com isso, mobilizá-la em torno de sua visão de futuro, como o fez de maneira brilhante Henry Ford.
Ford mudou a história do capitalismo no mundo ao reverter, nos Estados Unidos, os danos causados pela quebra da bolsa de valores em 1929. O fordismo teve um papel fundamental que propiciou os anos dourados da economia. Ele talvez seja o maior exemplo de liderança empresarial e social combinada num único indivíduo. Criou milhões de empregos dentro e fora dos Estados Unidos da América, pagou altos salários aos trabalhadores, oferecendo-lhes também assistência médica, alimentação no trabalho e horários regulares de descanso; barateou o custo na produção em série do automóvel, tornando a aquisição desse bem acessível aos trabalhadores de suas indústrias, designadas como Ford Motor Company.
Morris e Staggenborg (2004, p. 171) definem os líderes de movimentos como “tomadores de decisões estratégicasque inspiram e organizam os demais a participarem nos movimentos sociais”. Para eles, os líderes desempenham funções críticas: inspiram comprometimento, mobilizam recursos, criam e reconhecem oportunidades, traçam estratégias, etc.
Dentro do movimento, o líder mobiliza e inspira e também age como articulador conectando o movimento à sociedade. Os líderes influenciam o próprio perfil e a constituição do movimento, sendo ao mesmo tempo influenciados por ele, ou seja, trata-se de uma relação de influência recíproca. O estilo da liderança atua no grau de centralização ou delegação dos processos decisórios, na divisão do trabalho e na organização do movimento, e de forma semelhante, conecta as bases da liderança às características organizacionais e aos resultados alcançados pelos movimentos.
Enfim, o estilo do líder exerce profunda e decisiva influência sobre o caráter de suas respectivas entidades representativas, assim como o estilo do líder empresarial exerce profunda influência na gestão das empresas.
O perfil das lideranças está diretamente associado às experiências de vida do líder. Dessa maneira, importa saber sobre as diferentes vivências que teve em outras organizações, instituições, sua instrução formal. Em outras palavras, deve-se conhecer seu background, ou seja, os elementos que contribuíram para a sua formação, fornecendo-lhe competências e, algumas vezes, até mesmo o conhecimento e o interesse pela causa defendida ou organização liderada. Ao utilizar neste texto o termo competência, refiro-me em stricto senso à definição de Zarifian “Competência é a tomada de iniciativa e o assumir de responsabilidade do indivíduo sobre problemas e eventos que ele enfrenta em situações profissionais” (2003, p. 139).
Morris e Staggenborg (2004) afirmam que os contextos estruturais também formam o líder e citam Morris e Braine, que identificam três tipos de movimento: movimentos de liberação (ex.: o Movimento dos Direitos Civis Americano); por demandas de grupos específicos (ex.: a favor do aborto) e movimentos pela responsabilidade social (acerca de condições que afetam a população em geral).
Nos dois primeiros tipos de movimento, em que se originam de uma causa histórica/social, as pessoas geralmente possuem experiências anteriores de participação (no caso do primeiro exemplo citado, nas igrejas negras; no segundo, a participação em outros movimentos, em geral feministas), sendo influenciadas por eles. No último caso, há possibilidade de não haver uma organização anterior, sendo a criação do movimento motivada por situações impostas (ex.: acidentes nucleares, catástrofes naturais). Os autores citam, para exemplificar, um movimento contra ingerir bebidas alcoólicas e dirigir, que surgiu nos Estados Unidos na década de 1980, iniciado por Candy Lightner, o qual, apesar de não possuir experiência em movimentos, iniciou uma luta pela conscientização em função da morte da filha, atropelada por um motorista bêbado.
Como vemos, há líderes que aprendem a liderar na prática, sem experiências anteriores de participação política, o que pode acontecer também nas organizações empresariais, como é o caso da Microsoft, criada e liderada por Bill Gates, que tem todas as características do líder carismático anteriormente descritas (ROBBINS, 2002, p. 318). Gates transformou a Microsoft num gigante da área de tecnologia sem ter dirigido antes outra organização e tendo abandonado os estudos em Harvard no início da graduação.
Sem sombra de dúvida, deve-se mencionar a influência da Igreja Católica nos movimentos populares urbanos por meio das Comunidades Eclesiais de Base, as quais, ao articularem princípios religiosos com a prática política, recrutaram participantes e lideranças.
Capacitadas por essas experiências prévias, as pessoas que saíram desses ambientes passaram a atuar em movimentos, sindicatos, conselhos gestores, organizações empresariais e outros espaços da sociedade civil, ou até mesmo dentro de órgãos do Estado.
Entretanto, não são apenas essas experiências propriamente políticas que contribuem para a formação dos líderes, mas também atividades da prática cotidiana, como dirigir uma empresa, coordenar um campeonato de tênis, atuar em arrecadação de fundos para populações atingidas por enchentes, participar de comitês para a organização de eventos, etc.
A efetividade da liderança não pode ser relacionada diretamente a títulos acadêmicos e riqueza financeira, ou seja: líderes da classe trabalhadora têm a vantagem de dividir interesses com sua classe, gerando identificação e usufruindo de inserção nas redes sociais, e mais, lideres desenvolvem um grande conjunto de competências, as quais aplicam na prática, sendo exímios articuladores de relações dentro de grupos, entre grupos e com a sociedade, conectando e aplicando seus conhecimentos na prática, trazendo inovações, visão de futuro e quebra do status quo.
Outro ponto que desejo levar em consideração na análise sobre a liderança nos movimentos sociais e organizações empresariais é sobre a origem do líder: se ele provém do grupo organizado em questão ou se ele pertence a outro grupo.
Como lembram Morris e Staggenborg (2004), membros de grupos privilegiados muitas vezes ocupam posições de liderança dentro de movimentos de grupos oprimidos. Isso tende a acontecer quando elites intelectuais se envolvem nas lutas populares. Esses líderes podem agregar novos pontos de vista, contatos, competências e a atenção de outros grupos, enriquecendo o debate. Por outro lado, sua participação apresenta a desvantagem de haver uma tendência a conflitos por discordâncias ideológicas, preconceitos e hostilidade, em função da tensão latente na interação com os líderes anteriormente presentes no movimento.
As organizações empresariais vivem também seus dilemas ao ter que decidir por convidar líderes externos ou valorizar a liderança interna. Isso se torna uma dura decisão principalmente em momentos de crise.
No começo dos anos 70, quando a Chrysler estava à beira da falência , foi preciso um líder carismático como Lee Iacocca, com ideias não convencionais, para reinventar a empresa. Por outro lado, o fracasso da General Motors em resolver seus problemas na década de 90 – como sua
incapacidade de lançar novos modelos em tempo, sua enorme aversão às mudanças e o péssimo desempenho financeiro – é geralmente atribuído ao presidente John Smith Jr e sua falta de carisma. (ROBBINS, 2002, p. 319)
Não há um formato único de organização dos movimentos sociais e de organizações empresariais, nem uma forma ideal para que a liderança seja exercida de modo a levar um movimento ou uma organização empresarial a serem bem-sucedidos, alcançando seus objetivos. Cada caso é específico, e o que é adequado para uma situação pode não ser para outra. Assim, há movimentos onde a liderança está diluída, não havendo uma definição clara dos papéis e das funções assumidas pelos participantes. Nesse tipo de movimento, todos tendem a participar e todos desenvolvem algumas competências de líder, como ocorre também na forma toyotista de organização do processo de trabalho, onde os operários ora assumem a liderança na produção em determinadas células de trabalho, ora são liderados em outras células de trabalho, conforme a demanda a ser fabricada.
Nessa modalidade de movimento, é necessária atenção para que seja mantido o equilíbrio grupal, a fim de minimizar atritos quanto às definições de ação e quanto à distribuição dos papéis, sob a pena de desmantelamento e rachas dentro do movimento, conforme o ocorrido nos recentes movimentos sociais no Brasil.
Em junho de 2013, um milhão e meio de pessoas, em 19 capitais, e aproximadamente cem cidades brasileiras foram às ruas no maior movimento popular da história do Brasil. Tudo começou com o Movimento Passe Livre São Paulo (MPL), que conclamou as pessoas para saírem em passeata pela revogação do aumento da tarifa de ônibus. Mas naquele momento, a multidão vinha com outras diversas motivações e reivindicações para as ruas. Foram apresentadas reivindicações de cidadania, partilha nas decisões do Estado, uma vida com mais saúde, moradia, educação, etc.
Tal movimento obteve grande número de participantes. Em poucas horas, através das redes sociais, milhares de pessoas puderam se unir e combinar horário, local e instrumentos de protesto.
O espaço estava aberto para que a multidão apresentasse, explicitamente, seu grande elenco de inconformismos em outros movimentos que surgiram como o “Vem Pra Rua”, “Change Brazil” e “Acorda Brasil”, responsáveis por ampliar, demasiadamente, as pautas de luta do movimento, ou seja, ocorreram simultaneamente vários movimentos, com diversas pautas e estruturas.
Sugerimos que a resposta esteja na ausência de uma liderança que pudesse coordenar ideias e necessidades numa única direção de maneira estratégica e com otimização de recursos, como fazem os líderes empresariais quando dispõem de poucos recursos e conseguem mobilizar os trabalhadores a desenvolver um ambiente de altíssima produtividade.
Em vários momentos, pode-se observar que os participantes saíram às ruas com diferentes motivações e intenções. Protestos motivados por causas legítimas ocorreram, mas também houve a depredação do patrimônio público, enfrentamentos com a polícia, saques a lojas, ocorrência de oportunistas, etc.
Nesse movimento surgiram lideranças isoladas, mas nenhuma que agrupasse os manifestantes em torno de poucos temas em comum. O que ocorreu é que milhares de pequenos grupos quiseram voz sobre seus interesses particulares ao mesmo tempo. Isso fez com que os movimentos perdessem sua força de coalização interna, possibilidades de conseguir aliados, legitimidade e espaço na mídia.
Em outras palavras, para que movimentos sociais possam almejar e concretizar mudanças, não basta somente influenciar as pessoas a saírem pelas ruas para demonstrarem seu descontentamento de diversas formas, com cartazes, caras pintadas, gritos, coros, faixas, interrupção do trânsito, invasão do Congresso Nacional, lançamento de bombas, etc. É necessária, acima de tudo, a existência de uma liderança que possa articular uma sequência de ações de curto, médio e longo prazo, que possa avaliar suas repercussões em diferentes cenários, e que saiba articular os interesses nesses diferentes cenários em momentos diversos. Portanto, é vital uma liderança que inspire, que leve o movimento à sociedade em geral, que dialogue com essa sociedade e com esferas do poder fora ou contrárias ao movimento. É necessária uma liderança que avalie quais reivindicações devem constar da pauta do movimento social e quais não devem constar naquele momento, assim como é feito pelos líderes empresariais ao discutirem assuntos prioritários com os trabalhadores, deixando para outra ocasião assuntos de menor importância. Ora, líderes de movimentos sociais também necessitam de sensibilidade ao ambiente, sendo “capazes de fazer avaliações realistas das limitações ambientais e dos recursos necessários para a realização da mudança” (ROBBINS, 2002, p. 318).
Ademais, em movimentos sem estruturas e hierarquia, e onde as responsabilidades não estão definidas, corre-se o risco de se desenvolverem lideranças operando de maneira desvinculada às estruturas de responsabilidade. Nesse caso, onde aparentemente não há hierarquia, com frequência constata-se o domínio de certos grupos, ou seja, foi o que aconteceu em São Paulo e demais cidades participantes: houve a infiltração daqueles que são
pagos para manifestar ou criar desordem e que nada têm em comum com os princípios do protesto.
Outra possibilidade de organização em movimentos sociais é a burocrática e de tipo bem estruturado, muito diferente dos movimentos ocorridos recentemente no Brasil. Nessa organização burocrática, a estrutura interna tende a beneficiar a atuação do movimento. Contudo, há grande risco de afastamento entre as bases e a cúpula. Além disso, há a possibilidade de a liderança se tornar autocrática e perseguir seus próprios interesses, deixando em segundo plano os objetivos iniciais do movimento, o que limita sua possibilidade de sucesso efetivo.
Movimentos sociais organizados dessa forma podem ser comparados a empresas com grande quantidade de níveis hierárquicos, típicas da era fordista, que têm como um dos motivos relacionados à sua inaplicabilidade ao mundo moderno, a dificuldade de comunicação entre os diversos níveis hierárquicos, sanada pelas estruturas horizontais de comunicação com a liderança da era toyotista.
Vale incluir a citação sobre a existência da liderança intermediária, isto é, líderes que mediam a relação entre os da alta cúpula e a comunidade, sendo responsáveis, entre outras coisas, por mobilizar os participantes para as ações coletivas. Essa mesma situação pode ser observada nas organizações empresariais, quando líderes de diferentes setores ou células de trabalho, intermedeiam relações com líderes que tenham maior autoridade para a tomada de decisões.
Esse tipo de liderança foi verificado em várias mulheres participantes do Movimento dos Direitos Civis Americano. Essas mulheres, em sua maioria, excluídas das posições de liderança formal (ocupadas pelos pastores), atuavam mobilizando redes e reforçando os laços grupais, bem como conquistando simpatizantes e novos participantes para o movimento.
Finalmente, há os movimentos liderados por um grupo de indivíduos e não somente por um. Nesse caso as estratégias são geralmente produto de um time de líderes. A diversidade de líderes poderá gerar maior compartilhamento de ideias e experiências, produzindo soluções mais ricas do que as pensadas por um único líder, por outro lado, poderão ser gerados conflitos internos por divergências ideológicas ou mesmo pessoais entre líderes. Tal formato requer para seu funcionamento um alto nível de maturidade das lideranças.
A mesma estratégia é adotada por líderes de grandes organizações como a Siderúrgica Gerdau, WEG, Hewlett Packard, Microsoft, Google, dentre outras, que necessitam conhecer diversas culturas e necessidades locais específicas para otimizar suas decisões e evitar erros
estratégicos que possam comprometer suas ações de mercado e relações de liderança com os trabalhadores.
Gohn (2008) afirma que os líderes atuam no framing process, que é o processo pelo qual os frames são criados e utilizados. Os frames consistem na estrutura mental que orienta a percepção dos sujeitos acerca da realidade social, tratando de um quadro interpretativo, que pode ser forjado estrategicamente pela direção do movimento. Diferentemente das ideologias formais e de sistemas culturais mais amplos, os frames não são as ideias em si, mas as interpretações e representações feitas de uma realidade concreta a partir dessas ideias.
Líderes podem utilizar os frames de forma ética ou manipulá-los de acordo com os seus interesses, conforme o ocorrido na Alemanha nazista, quando o Führer do Terceiro Reich, comandante Adolph Hitler, afirmava que o extermínio de judeus levaria à purificação do povo germânico: isso configurou em uma tentativa de tratar o holocausto como algo aceitável e necessário à sociedade, ou seja, uma manipulação perversa dos direitos humanos.
Lideres de movimentos sociais e empresariais reconhecem e aproveitam as oportunidades políticas ou mesmo criam-nas através de estratégias de formação de coalizões, da promoção de uma boa imagem na mídia e na busca por importantes aliados (políticos, artistas e intelectuais de renome). Como exemplo, cito o movimento social pelas eleições diretas no Brasil, na primeira metade dos anos 1980, onde existiram inúmeras coalizões políticas a favor das “Diretas já”.