1.5. Noktanın İzdüşümü
1.5.3. Noktanın Özel Durumları
A função da coisa julgada é proporcionar segurança jurídica às comunicações produzidas pelo direito, reduzindo complexidades e estabilizando as expectativas normativas. O regime jurídico da coisa julgada deve ser analisado inicialmente, com base no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, como instituto processual, transformado em garantia constitucional.
Os efeitos da coisa julgada não estão apenas do dispositivo da sentença, mas na norma jurídica nela contida; portanto, o alcance da coisa julgada não deve ser aferido apenas por meio da análise do dispositivo sentencial, mas ao analisar o conjunto dos elementos contidos nos autos e que constituíram a matéria-prima perante a qual foi proferida a decisão judicial.
O direito positivo brasileiro define a coisa julgada material como a eficácia que torna imutável e indiscutível a sentença não mais sujeita a recurso, estabelecendo a seguir que a sentença que julgar total ou parcialmente a lide tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas.
Embora o que transite em julgado seja o comando normativo emitido na sentença, inegável reconhecer que a exata compreensão do significado e dos limites desse comando impõe a necessidade de situá-lo no contexto da natureza da relação jurídica subjacente à lide, da causa de pedir e do próprio pedido formulado.
Os fundamentos jurídicos que conduziram à conclusão pela procedência ou improcedência da ação não influem na definição do alcance da coisa julgada resultante da decisão, na medida em que a lide circunscreve-se à adequada qualificação jurídica dos fatos preexistentes ao trânsito em julgado. Neste caso, a questão central não é a validade das normas, mas o enquadramento dos fatos diante dos diferentes regimes jurídicos.
Por outro lado, nas lides que envolvam o reconhecimento da invalidade de norma tributária e, por consequência, declarado o direito do contribuinte a outro regime jurídico tributário, a coisa julgada alcançará todas as situações futuras em que se revelar aplicável o regime declarado judicialmente como válido.
No sistema jurídico, a pronúncia de inconstitucionalidade de ato normativo gera efeito constitutivo negativo com alcance retroativo. Na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, corrobora o efeito ex tunc, isto é, desde a entrada em vigor da norma considerada inconstitucional, a exigir a restauração de todos os efeitos pretéritos gerados pela aplicação desta norma.
No caso de decisão declaratória de inconstitucionalidade, o efeito vinculante materializa-se pela retirada do ato normativo impugnado da ordem jurídica. A coisa julgada opera-se formal e materialmente, e sua consequência é a retirada da norma da ordem jurídica, por força dos efeitos próprios do controle concentrado de constitucionalidade, e a imposição da não aplicação da aludida norma a todos os demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública.
De acordo com o artigo 29, parágrafo único da Lei 9.868/99, a confirmação da validade constitucional de uma norma é substancialmente diferente do reconhecimento da sua inconstitucionalidade;, daí a questão relativa ao alcance jurídico material da decisão declaratória da constitucionalidade da norma impugnada. A pronúncia de inconstitucionalidade é dotada de efeito vinculante e eficácia contra todos, afastando, portanto, novas possibilidades de apreciação da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
A Súmula 23927 do STF, no que tange à “relativização da coisa julgada”, deve ser adotada com cautela, já que sua interpretação, quanto aos limites temporais da coisa julgada, deverá ser compreendida sempre em função do objeto do processo, individualizado pela causa de pedir e do pedido.
27 “Súmula 239. Decisão que declara indevida a cobrança de imposto em determinado exercício
Relativizar a coisa julgada no tempo é totalmente incompatível com a ideia de segurança jurídica. Uma vez transitada em julgado, por exemplo, a decisão na execução fiscal, tendo sido declarada a inconstitucionalidade, a existência de imunidade ou isenção, com o efeito de anular a execução, é evidente que tal julgamento somente é válido para aquele exercício específico a que se referia a execução fiscal. A Súmula 239 do STF retrata hipóteses restritivas, pois declaram indevida a cobrança em determinado exercício. Há, portanto, divergência entre doutrina e jurisprudência, no que tange a elementos permanentes e imutáveis da relação jurídica.
Todavia, a relativização da coisa julgada não pode ir ao extremo de nulificar o próprio instituto da coisa julgada, o qual é previsto constitucionalmente e visa conferir a segurança jurídica às relações sociais.
A regra expressa do artigo 47128, inciso I, do CPC determina até quando vigoram os efeitos da coisa julgada (argumento de controle de variação no sistema jurídico) sobre fatos futuros, ou seja, altera o estado de direito. O problema começa quando a doutrina da relativização da coisa julgada pretende fazer alterações acessórias ou no julgamento de constitucionalidade proferido pelo STF, na mesma matéria, mas em momento posterior ao trânsito em julgado.
A lei processual não fulmina automaticamente a validade da decisão transitada em julgado nem admite que os órgãos do sistema o façam de ofício, como pretendem os defensores da “relativização da coisa julgada”.
Será sempre no âmbito de um novo procedimento que se verificará a efetiva ocorrência da alteração fático-jurídica, constituindo-se esta outra verdade formal que irá embasar uma nova decisão sobre a matéria.
28 “Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide,
salvo: I – se, tratando-se de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença”.
O legislador reconheceu que, embora haja necessidade de estabilização das relações jurídicas, há casos em que certos vícios contaminam a sentença de forma tão grave que é preciso abrir mão da segurança em benefício da garantia da justiça e do respeito a valores maiores consagrados pela ordem jurídica. É esse argumento que norteia, por exemplo, a admissibilidade da ação rescisória.