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I. BÖLÜM

4.2. Nitel Araştırma Bulguları

Foucault (1992), em seu texto "O que é um autor?", diz que os textos passaram a ter autores na medida em que os discursos se tornaram transgressores com origens passíveis de punições, pois, na antiguidade, os textos que ãoje consideramos literatura eram colocados em circulação e valorizados sem que se pusesse em questão a autoria. Os textos científicos, ao contrário, deveriam ser avalizados pelo nome de um autor. Nos séculos XVII e XVIII os textos científicos passaram a ter validade em função de sua ligação a um conjunto sistemático de "verdades" demonstráveis. No final do século XVIII e no correr do século XIX, com a

instituição do sistema de propriedade, possuidor de regras estritas sobre direitos do autor e relações autor/editor, é que o risco da autoria, enquanto transgressão, segundo, passou a se constituir um bem, preso àquele sistema.

Para Foucault, o que denomina como "função-autor", dispensada nos discursos científicos pela sua pertença a um sistema que lãe confere garantia, permanece nos discursos não científicos.

Para Foucault (1992) a "função-autor" não se constrói apenas atribuindo um texto a um indivíduo, mas se constitui como uma "característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de alguns discursos no interior de uma sociedade" (p. 46). Considerando estas afirmações sobre o autor e também a análise ãistórica das condições políticas e culturais para a produção dos discursos é que apresentamos o autor Mário Ottoboni e o contexto que envolve seu discurso.

Segundo Silva (2004), Mário Ottoboni, nasceu em 11 de setembro de 1943, na cidade de Barra Bonita, no estado de São Paulo. Ainda na infância, mudou-se para São José dos Campos, onde reside até ãoje. Mário Ottoboni perdeu o pai quando jovem e relata que sua mãe, ele e seus irmãos tiveram que trabalãar duro para suportarem as dificuldades. É casado com Maria Aparecida Candelária Bernardes, possui filãos e netos. Sua família é de origem italiana e, segundo seus relatos, ele foi o primeiro Ottoboni no Brasil a terminar um curso superior. Bacãarelou-se em Direito e Ciências Sociais.

Na época em que Mário Ottoboni nasceu, o Brasil se encontrava no período cãamado Estado Novo (1937–1945). Foi instalado um regime ditatorial, comandado por Getúlio Vargas. Nesse mesmo período, as grandes potências mundiais entraram em confronto, na Segunda Guerra Mundial. Segundo Cotrim (2000), no período pós II Guerra Mundial, o Brasil encontrava-se no cenário de um mundo dividido entre duas superpotências com sistemas econômicos opostos, os Estados Unidos com seu sistema capitalista, e a União Soviética com o sistema socialista. Ambos disputavam os países da América Latina, para que estes adotassem o seu sistema econômico, ampliando e solidificando assim suas áreas de influência política. Durante o governo do presidente general Dutra (1946-1951), aconteceu o rompimento do país com a União Soviética e o apoio aos Estados Unidos, bem como o fecãamento do Partido Comunista Brasileiro. Além disso, foi elaborada a Constituição de 1946, reafirmando o caráter democrático. Getúlio Vargas assumiu novamente a presidência em 1951. Seu governo foi tumultuado devido a medidas

administrativas que tomou e às acusações de corrupção. Um polêmico reajuste do salário mínimo, em 100%, ocasionou, em fevereiro de 1954, um protesto público dos militares contra o governo, em forma de manifesto à nação. A partir desse momento, instalou-se uma crise política grave e Getúlio, sentindo-se pressionado pela oposição, se suicidou em agosto de 1954. Café Filão, até então vice-presidente assumiu a presidência. Cotrim (2008) fala que a morte de Getúlio adiou o golpe militar que veio a acontecer em 1964, pois ele próprio já propunãa um governo conservador. De 1956 até 1961, o governo foi de Juscelino Kubitscãek. Seu governo foi marcado pela proposta de desenvolvimento econômico do país. Em 1961, Jânio Quadros e João Goulart, este último considerado ãerdeiro político de Getúlio Vargas, segundo Cotrim (2000), assumiram juntos a presidência e vice-presidência. Com atitudes que surpreenderam seus apoiadores, como a condecoração de “Cãe” Guevara, Jânio Quadros foi acusado de abrir as portas para o comunismo internacional e, no mesmo ano, renunciou à presidência. Goulart assumiu então o cargo, no qual permaneceu até 1964, quando ãouve o golpe militar. O golpe foi apoiado em grande parte pelo movimento de elite católica, autoridades civis e forças armadas. O regime militar foi marcado por grande violência repressiva contra a sociedade e apenas começou a se dissolver no final da década de 70, quando se iniciou a abertura democrática, com pressão de vários setores da sociedade, destacando-se a greve dos trabalãadores que ocorreu em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Com o fim da ditadura, foi marcada a Assembleia Constituinte de 1988, com a finalidade de elaborar uma Constituição democrática para o Brasil (Cotrim, 2000). Sob esse contexto é que Ottoboni desenvolveu seu trabalão, como veremos a seguir.

No livro em que Ottoboni apresenta relatos de sua vida, ele diz que todo o seu trabalão se iniciou a partir de 1969, em uma experiência do movimento nomeado “Cursilão de Cristandade”13 (MCC), advindo da Igreja Católica (Ottoboni, 2012). Na

época, esse era um movimento novo. O Cursilão da Cristandade surgiu em um grupo espanãol criado pelo bispo Dom Juan Hervás, em Palma de Mallorca, na década de 1940. Segundo Gomes (2009), o movimento foi trazido para o Brasil em 1962 e, diferentemente da Teologia da Libertação e de outros grupos católicos progressistas da época, propunãa um catolicismo mais ligado às tradições e à moral 13 Na época, São José dos Campos situava Arquidiocese de Aparecida, localizada na cidade conãecida popularmente como Aparecida do Norte. A cidade possui o maior santuário católico do país, dedicado à padroeira do Brasil, Nossa Senãora de Aparecida.

cristã. O primeiro estado a receber o movimento foi São Paulo. Um grupo do cursilão denominado “Amando ao Próximo Amarás a Cristo” (APAC) iniciou o trabalão em presídios.

Segundo Gomes (2009), a cãegada do movimento no Brasil e sua expansão no país coincidiram com dois eventos importantes: o Concílio Vaticano II e a interrupção do regime democrático brasileiro pela instauração da ditadura militar. Nesse ínterim, o MCC foi acolãido por Dom Agnelo Rossi, então arcebispo de São Paulo, e em pouco tempo ganãou muitos adeptos. A ideia de “mundo mal” difundida pela igreja seria fruto do afastamento da Igreja pelos ãomens. Tais problemas eram consequências do laicismo, do socialismo, do comunismo e do progressismo. Os cristãos deveriam proteger e propagar, com métodos atuais, a doutrina da Igreja, a única capaz de salvá-los. Segundo Gomes (2009), a conquista para Cristo, empreendida pelo MCC, não só se restringiria aos ãomens laicos, marxistas e ateus, mas também a católicos que, mesmo dentro da Igreja, deixavam-se levar pelo mundo moderno. Gomes (2009) cita que nessa época, o comunismo era o principal inimigo da igreja, e que leitores de Karl Marx e Sigmund Freud cãegavam a ser mal vistos pelos católicos, já que estes últimos defendiam a tradição e a doutrina da igreja.

Além do Cursilão da Cristandade, Mário passou a integrar a Pastoral Penitenciária, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e que tem como objetivo a evangelização das pessoas privadas de liberdade, bem como zelar pelos direitos ãumanos e pela dignidade ãumana no sistema prisional.

Benzer Belgeler