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NATO Üyelerinin Siber Güvenlik Strateji Belgeleri

3.5. Siber Güvenlik Strateji Belgeleri

3.5.2. NATO Üyelerinin Siber Güvenlik Strateji Belgeleri

Tendo como objetivo o estudo de Ressonâncias no discurso, havia a necessidade de se estabelecer um critério de segmentação textual que facilitasse a análise aqui proposta. Recentes estudos de língua falada têm sido feitos partindo-se de uma unidade básica de produção da fala, conhecida como “unidade entoacional” (CHAFE, 1980,1994,1998; DU BOIS, 1991, 2003). De acordo com Du Bois (2003), uma unidade entoacional é um trecho de fala que ocorre em um único e coerente contorno entoacional, é a unidade de processamento cognitivo e de interação social por excelência, e pode ser estabelecida através de uma série de pistas prosódicas específicas, tais como pausa inicial, alongamento final, mudança entoacional, mudança na intensidade e na troca dos turnos. Muitos desses critérios definidos pelo autor, porém, nem sempre são facilmente percebidos sem a utilização de aparelhos técnicos modernos que possibilitam descrever os sons com precisão.

Dessa forma, procedi à divisão dos textos utilizando alguns desses critérios sugeridos, passíveis de serem percebidos auditivamente, e levando em consideração também algumas observações de Chafe (1980) sobre as “unidades informacionais”. Segundo esse autor, o que se observa, ao ouvir trechos de fala, é que os sons são produzidos não em fluxos contínuos, mas em segmentos, “jatos de linguagem”, limitados por pausas e pronunciados com uma entoação específica. Chafe afirma que cada uma dessas unidades ou jatos de fala podem ser vistos como expressão de toda a informação que pode ser manipulada pelo falante num único foco de “consciousness”. Isso significa que há um limite quanto à quantidade de

informação que a atenção do falante pode focalizar de uma única vez e, sendo assim, cada unidade verbaliza a informação que está na mente do falante num dado momento.

Unindo as observações dos autores mencionados, realizei a divisão das unidades dos textos que constituem o corpus desta pesquisa, com base nos conceitos de unidade entoacional e unidade informacional, buscando combinar entoação e sentido. O mesmo fragmento, transcrito linearmente, em (3.1), será reproduzido a seguir, em (3.2), dividido em unidades semântico-entoacionais

(USE), para que a diferença entre os tipos de transcrição fique mais clara.

(3.1) [TA p.1]21

1. L1 – o que que você e a J. fizeram?

2. L2 – nós fomos ao shopping... o B. quis ir pra lá... 3. L1 – e o que que::... que shopping que cês foram?

4. L2 – BH Shopping... 5. L1 – BH? e tá bom lá? [

6. L2 – nós fomos almoçar ali no Belvedere 7. e... sabe ( ) Graciliano?

8. L1 – GraciliAno não conheço... bom? 9. L2 – é... médio... os doces são excelentes... bom demais...

10. L1 – e o que que cês comeram? 11. L2 – de doce?

12. L1 – não... de coMIda...

13. L2 – ah... comida lá... éh::... tem umas coisas boas outras mais ou menos... 14. suflê... tava bom... éh... filé (...)

[

15. L1 – mas é self service?

16. L2 – comida a quilo... mas lá é bem carinho... o quilo do doce é que é o mais 17. caro vinte e cinco reais (o quilo)(...)

18. L1 – NO::ssa... o quilo do Doce... vinte e cinco reais?

(3.2) [TA p.1]

1. L1 – o que que você e a J. fizeram? 2. L2 – nós fomos ao shopping... 3. o Bernardo quis ir pra lá... 4. L1 – e o que que::... que shopping que cês foram?

5. L2 – BH Shopping...

6. L1 – BH?

7. e tá bom lá? [

8. L2 – nós fomos almoçar ali no Belvedere 9. e... sabe ( ) Graciliano? 10. L1 – GraciliAno não conheço... 11. bom?

12. L2 – é... médio... 13. os doces são excelentes...

14. bom demais...

15. L1 – e o que que cês comeram? 16. L2 – de doce?

17. L1 – não... de coMIda... 18. L2 – ah... comida lá... éh::...

19. tem umas coisas boas outras mais ou menos... 20. suflê... tava bom...

21. éh... filé (...) [

22. L1 – mas é self service? 23. L2 – comida a quilo... 24. mas lá é bem carinho... 25. o quilo do doce é que é o mais caro

26. vinte e cinco reais (o quilo) (...)

27. L1 – NO::ssa... o quilo do Doce... vinte e cinco reais? O principal indicador de término de unidades foi a entoação: o contorno entoacional de final de sentença – ascendente, como em 27, descendente, como em 23, e continuativo, como em 24. Na medida em que a troca de turno delimita final de USE, em turnos maiores, foi utilizado o critério de pausas e blocos informacionais. O tamanho da pausa, não definida na transcrição, também influenciou na divisão das unidades.

Obviamente, trata-se de uma divisão mais intuitiva que rigorosa, na medida em que não foi realizada em um laboratório de fonética, medindo-se a duração das pausas, a freqüência e a intensidade dos sons produzidos pelos falantes. Contudo, acredito que, para os objetivos deste trabalho, não haveria necessidade de tanta precisão metodológica. O reconhecimento de unidades, tal como realizada, é

suficiente para a análise aqui empreendida, que tinha como maior objetivo possibilitar a visualização e a contagem de Ressonâncias. Assim, variações que pudessem ocorrer com uma divisão mais precisa teriam muito pouca influência nos resultados e observações feitas no decorrer deste trabalho. Poder-se-ia argumentar que uma divisão de textos em orações, como definidas tradicionalmente, seria um procedimento mais adequado. O que se observa, porém, é que essa proposta apresenta problemas, como já mencionados em Azevedo (1992) e Gonçalves (1999). Uma segmentação desse tipo traria dificuldades para a análise pretendida, na medida em que divide, em muitos casos, a unidade informacional do período. O exemplo abaixo mostra o turno do falante – L2, transcrito do exemplo (3.1), dividido em unidades oracionais.

(3.3) [TBp.2]

1. L1 – o que que você e a Jolene fizeram? 2. L2 – nós fomos ao shopping...

3. o Bernardo quis

4. ir pra lá...

Como se percebe, a divisão do período – o Bernardo quis ir pra lá – em duas orações não é coerente com a realidade do uso da língua, visto que segmenta uma unidade de informação e uma mesma forma entoacional. Além disso, é preciso levar em consideração que, no discurso, muitas “unidades de fala” não são oracionais. Assim, acredito ser a USE, que alia sentido e entoação, a unidade mais apropriada e eficaz ao tipo de corpus desta pesquisa e a mais coerente com o quadro teórico ao qual se filia este trabalho. O reconhecimento de unidades entoacionais fornece uma visão melhor da estruturação do texto, servindo de pista para a construção de seu sentido. Se certas orações subordinadas encontram-se numa mesma unidade entoacional ou constituem uma nova unidade é porque exercem funções discursivas

diferenciadas, ou seja, elementos que integram um mesmo bloco informacional compartilham aspectos semânticos e formais.

A numeração contida nos exemplos (3.1) e (3.2) corresponde à contagem de unidades presentes nos trechos. Assim, em (3.1), a divisão em turnos resultou em 18 unidades; em (3.2), a divisão em unidades entoacionais resultou em 27 unidades. A contagem de unidades realizada neste trabalho, que será apresentada no próximo capítulo, segue o modelo do exemplo (3.2) acima. É necessário acrescentar que marcadores conversacionais, tais como ahã, uhn, ah, denominados por Chafe (1994, p. 63) de unidades entoacionais regulatórias, foram incluídas na contagem de USEs de cada corpus. Diferentemente de Marcuschi (1992, p. 62), que não contou os marcadores de ouvinte como turnos, a minha posição é de que esses elementos constituem uma unidade semântico-entoacional. Obviamente, trata-se de uma unidade com função diferenciada de uma outra com um conteúdo substantivo, mas, assim como são consideradas USEs certas Ressonâncias que apresentam um significado correspondente a um marcador discursivo, há de se considerar também os próprios marcadores como unidades semântico-entoacionais.

Benzer Belgeler