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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.1. Balıkesir’de Faaliyet Gösteren Tarikatlar

4.1.3. Nakşibendiyye Tarikatı

Pichon-Rivière (1988a), embora não tenha apresentado uma definição específica da crise, traz uma visão dialética do adoecimento psíquico importante para este estudo, por ter como centro a noção de vínculo e a complexidade das relações envolvidas. A interação indivíduo, família, grupo esociedade é avaliada pelo autor nos processos psicodinâmico, psicossocial, sociodinâmico e institucional, o que caracteriza uma análise sistêmica, a que chama intra e extra-sistêmica. Considera como interatuantes na saúde e doença psíquica os

processos de aprendizagem da realidade, os mecanismos adaptativos a partir dos mecanismos de defesa e o processo de comunicação. Ele entende o vínculo como uma configuração complexa, comportando um sistema transmissor-receptor, uma mensagem, um canal, signos, símbolos e ruído. Inclui a relação terapêutica neste movimento dialético de interinfluência mútua e contínua. O autor comenta que estes entremeados devem ser vistos na sua totalidade, formando uma gestalt. Critica a concepção organicista da etiologia da doença mental, e defende a lógica dialética e a noção de conflito “onde os termos não se excluem, mas estabelecem uma continuidade genética sobre a base de sínteses sucessivas” (PICHON-RIVIÈRE, 1988a, p.2). Ensina que a terapêutica é voltada para o vínculo em espiral, e não linear, com o objetivo de resolver as contradições entre as diferentes partes do sujeito.

O autor indica que o adoecimento e seu curso são explicados a partir dos princípios de policausalidade, continuidade genética e funcional, mobilidade das estruturas e pluralidade fenomênica, que trazem esclarecimentos em relação ao tempo, espaço, contexto e mudanças esperadas e inesperadas.

Na descrição da policausalidade da doença mental, o autor utiliza o referencial freudiano para o adoecimento mental centrado na inter-relação de três fatores: fator constitucional, relativo ao genético (genótipo) e à experiência de vida intrauterina que se manifestamem um código biológico (fenótipo); fator disposicional, ligado às experiências infantis precoces no grupo familiar; e fator atual ou desencadeante referente a um determinado montante de privação, perda, frustração ou sofrimento. Explica que o fator desencadeante interagindo com os outros dois provoca uma inibição no sujeito e detém seu processo de aprendizagem da realidade. Observa que no momento de maior tensão e ansiedade, o indivíduo recorre então a mecanismos mais arcaicos pertencentes aos fatores

disposicionais para lidar com a angústia, que tendem a ficar estereotipados fornecendo o grau de inadaptação à realidade.

Atribui a gênese da doença mental a situações de perda, privação e dor, subjacentes às quais encontra sentimentos de culpa, ambivalência provocadas pela dissociação entre as experiências gratificantes do vínculo bom e frustrantes do vínculo mau dirigidas ao mesmo objeto. O autor informa que utiliza postulados de Freud, Melaine Klein e Fairbain a partir dos quais elabora sua teoria da doença única, com um núcleo patológico de natureza depressiva e seu principio de continuidade genética e funcional em que está implicada a passagem da posição depressiva para a esquizoparanóide no adoecimento psíquico e o retorno à posição depressiva na recuperação. Acredita assim que para se desligar do processo depressivo o sujeito recorre ao mecanismo central de cisão e a outros que daí decorrem, como projeção, introjeção, idealização, controle onipotente etc., pertencentes à posição esquizoparanóide. Sai assim da ansiedade ligada ao medo da perda, culpa, ambivalência para a ansiedade paranóide, do medo do ataque. Para o autor, a neurose e a psicose são técnicas defensivas contra as ansiedades básicas, sendo as da psicose menos bem sucedidas. Enfatiza ainda que a loucura provém da incapacidade para suportar e elaborar um nível determinado de sofrimento e nesse ponto lembra Freud (1919) quando este se refere ao estranho, ao sinistro, proveniente de complexos afetivos infantis que passaram pelo processo de repressão e no adoecimento mental retornam como assustadores e apavorantes.

Para Pichon-Rivière (1988a) as defesas mal sucedidas e estereotipadas provocam um recuo em relação ao autoconhecimento e em relação à adaptação ativa à realidade, onde o processo de aprendizagem fica estagnado. Explica que o bloqueio do afeto, da fantasia e do pensamento interfere no processo dialético de transformação entre sujeito e

realidade. Denomina de “depressão iatrogênica” aquela resultante do processo corretivo ou terapêutico em que há uma passagem da posição paranóide para o momento depressivo com integração do ego, do objeto e da estrutura vincular. Adquire assim uma capacidade de aprendizagem e adaptação ativa à realidade e de enfrentamento de problemas:

A adaptação ativa à realidade e a aprendizagem estão indissoluvelmente ligadas. O sujeito sadio, à medida que apreende o objeto e o transforma, também modifica a si mesmo, entrando em um interjogo dialético, no qual a síntese que resolve uma situação dilemática transforma-se no ponto inicial ou tese de outra antinomia, que deverá ser resolvida neste contínuo processo em espiral. A saúde mental consiste nesse processo, em que se realiza uma aprendizagem da realidade por meio do confronto, manejo e solução integradora dos conflitos. Enquanto se cumpre este itinerário, a rede de comunicações é constantemente reajustada, e só assim é possível elaborar um pensamento capaz de um diálogo com o outro e de enfrentar a mudança (PICHON-RIVIÈRE, 1988a, p.3).

A referência do autor às estruturas esquizoparanóide e depressiva tem um caráter de relatividade, sendo “instrumentais e situacionais em cada aqui e agora do processo de interação” (PICHON-RIVIÈRE, 1988a, p.14). Argumenta que em cada situação e com diferentes vínculos o mesmo sujeito, no mesmo período, pode apresentar estruturas diversas. Afirma também que mesmo que atribua um único núcleo patogenético de natureza depressiva, o sujeito pode apresentar diferentes defesas e distintas técnicas de manejo de ansiedades, dependendo do vínculo em que estiver envolvido.

O autor entende que a estrutura patológica é relativa às áreas da mente em que ansiedades ou angústias são projetadas. De acordo com o princípio de pluralidade fenomênica, descreve três áreas, a saber: área um, mente; área dois, corpo; e área três, mundo exterior, devendo o diagnóstico observar o predomínio da área a receber maior nível de projeção e que apresenta maior comprometimento. Por exemplo, cita a fobia que se projeta na área três ou mundo externo, os mecanismos histéricos na área corpo, e, na esquizofrenia o objeto mau pode estar no mundo externo e o objeto bom na área mente.

Pichon-Rivière (1988a), com forte influência da psicanálise e da teoria das relações objetais, no entanto, não se limita à noção de relação de objeto e introduz o campo vincular que inclui sujeito e objeto e sua inter-relação, e que tem uma expressão no mundo externo por meio dos papéis. Reconhece a influência da teoria dos papéis de G. H. Mead (1934), proveniente das ciências sociais, em sua teoria. Com estas bases aponta que o fracasso no manejo de papéis e na consecução da tarefa leva a posições depressivas, afastando-se o sujeito dos vínculos do mundo externo e voltando-se para os vínculos do mundo interno.

O autor aponta que ao adoecer, o sujeito passa a exercer um papel no grupo social a que pertence, normalmente na família como unidade básica da estrutura social: papel de emergente, porta-voz, sendo o depositário das ansiedades e tensões do grupo familiar, com o objetivo de preservar do caos o restante do grupo. No entanto, segundo o autor, ao assumir esse papel, o sujeito passa também a ser objeto de segregação, na medida em que o grupo tem necessidade de afastar de si a enfermidade grupal. Sublinha então que cabe ao terapeuta romper com esta delegação do grupo familiar e com a assunção do papel de porta-vozpelo paciente. Concluindo, o autor indica que o prognóstico do tratamento do grupo familiar vai depender do nível de segregação existente, da imagem interna que o grupo tem do paciente, da intensidade de estereótipos envolvidos na relação e na estrutura atual do paciente com relação à dinâmica e funcionamento.

Benzer Belgeler