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5. SONUÇ VE ÖNERİLER

5.2. Öneriler

3.3.1 Transmissão da angústia na família e diferenciação do self

Bowen (1976) nos finais dos anos 50 realizou uma pesquisa com pacientes esquizofrênicos que estavam hospitalizados juntamente com seus familiares. Tomou como base a formulação teórica da simbiose mãe-bebê. Observou que em famílias de pacientes esquizofrênicos, a influência emocional entre os membros, não só da figura materna, é enorme, passando a entender a família como uma unidade emocional. Formulou uma teoria, hoje denominada Bowen Teoria, cujo ponto principal reside no grau de diferenciação que as pessoas alcançam entre seu processo emocional e seu processo intelectual. Inicialmente percebeu que na família de esquizofrênicos essa diferenciação era deficitária, e, depois, examinando outras famílias das mais desestruturadas às mais funcionais, percebeu que todas tinham em diversos graus diferenças na forma que emoções e processo intelectual eram fusionais ou diferenciados. Este aspecto levou-o a formular a escala de diferenciação do self, o que se tornou pedra fundamental de sua teoria. Observou que os que melhor distinguem entre as emoções e o funcionamento intelectual são mais capazes de lidar com o estresse, adaptar-se às mudanças e libertar-se dos problemas. Segundo o autor, as emoções mais problemáticas para o autor referem-se às ansiedades crônicas, que levam à formação de sintomas e são contagiosas, no sentido de projetar-se sobre a família e a sociedade.

Para o autor uma parte importante da diferenciação do self refere-se ao trânsito e negociação possível entre o sólido self e pseudo self, nas vivências grupais. Explica que o pseudo self é criado a partir de tensões emocionais e compõem-se de princípios, crenças, filosofias e conhecimentos que são impostos pelos grupos ou sociedade, de acordo com seus valores aos quais o indivíduo se conforma. O sólido self, também formado de princípios e crenças, provém, no entanto, das experiências de cada um. Quanto mais diferenciado o self, mais pode apresentar o sólido self, ficando menos suscetível à fusão, distinguindo melhor entre emoções e funcionamento intelectual.

Este autor considera o distúrbio emocional como o mais profundo processo que envolve a vida humana, e o nome doença emocional deveria ficar no lugar dos termos doença mental ou doença psicológica. Questiona o termo normalidade usado em psiquiatria, e por meio de sua pesquisa com famílias, concluiu diferentemente da psicanálise freudiana que psicose e neurose não são entidades diferentes, mas diferem apenas de grau na escala de diferenciação do self, fazendo parte do mesmo continuum.

Com estas bases e a partir de sua experiência clínica, elabora os oito conceitos de sua teoria: processo emocional da família nuclear, escala de diferenciação do self, triangulação, processo de projeção familiar, processo de transmissão multigeracional, posição entre irmãos, rompimento emocional, e processo emocional da sociedade (BOWEN, 1976).

Segundo Papero (1998) e Gilbert (2006) o processo emocional da família nuclear refere-se a conflitos no casal, distanciamento emocional, projeção do problema sobre um dos filhos ou disfunção de um dos cônjuges, quando um deles passa a assumir as funções do outro. Explicam que o distanciamento emocional, por sua vez, quando intensificado

chega ao processo de rompimento emocional, que tanto pode ser físico e real como por meio de mecanismos de evitação do contato apesar da presença física.

De acordo com Gilbert (2006) o nível de projeção familiar é relativo ao grau de angústia vivenciado, é automático e inconsciente, e, no caso de projeção de angústia para os filhos, muitas vezes os pais foram recipientes de angústia de seus pais, e em certo grau acontece em todas as famílias. Indica que quanto mais livre das projeções parentais mais a criança pode alcançar diferenciação do self. Papero (1998) aponta que quando angústias não elaboradas e indiferenciação do self passam para outras gerações, ocorre a transmissão multigeracional. Assim, cada família nuclear recebe como legado um determinado nível de ansiedade vinda das gerações anteriores, que pode ser amenizada ou intensificada dependendo de seus recursos emocionais. O autor mostra que quanto melhor o grau de diferenciação do casal em relação a sua família anterior melhor sua capacidade de formar uma família com bom grau de diferenciação e menores as ligações emocionais não resolvidas, o que determina o nível do processo emocional da família.

Gilbert (2006) apresenta outro fenômeno resultante da ansiedade familiar chamado por Bowen de triangulação. O autor lembra que o triângulo representa a unidade básica do sistema emocional, sendo a menor unidade emocional estável, de forma que a díade é estável apenas no momento de tranqüilidade. Assim que a ansiedade surge, imediatamente uma pessoa mais vulnerável é envolvida. Papero (1998) acrescenta que se o triângulo não contiver a ansiedade, outros triângulos vão se formando em relação à mesma situação ou conflito, resultando em triângulos imbricados. Aponta que quanto maior a ansiedade mais triângulos imbricados se formam, potencializando as dificuldades ou distorcendo-as, e que os triângulos podem estabilizar-se, formar novos triângulos, a ponto de envolver toda uma família ou organização que passa a criar polarizações.

A ansiedade familiar também pode ser proveniente das diferentes posições que os irmãos ocupam uns em relação aos outros, com diversas características e diferentes graus de conflitos, como também pode resultar do processo emocional da sociedade (BOWEN, 1976).

A terapia proposta por esse autor tem como objetivo ajudar os membros da família a superar esse estado emocional fusionado, imbricado, em que sua individualidade está presa. O autor considera inatos tanto a força para a diferenciação como os impulsos emocionais contrários. Indica que cabe ao terapeuta motivar a família a alcançar um maior nível de diferenciação, tarefa difícil, sendo as forças fusionais e a tendência para manter o status quo muito elevadas. O autor conclui que esse trabalho torna-se mais importante do que a resolução de conflitos, que por si só não significa que a família alcançou um maior nível de maturidade. Ao contrário, o autor afirma que quando no trabalho terapêutico um dos membros consegue se diferenciar, novas luzes são lançadas, o que facilita o movimento nos outros membros, mudando o sistema emocional familiar e assim o estado regressivo de fusão é desfeito.

3.3.2 Família como geradora de mérito e débitos e como fonte da individuação e gratificação

Ivan Boszormenyi-Nagy, citado por Ducommun-Nagy (1998), fundador da terapia contextual, trouxe elementos da psicanálise, das teorias da relação de objeto e teoria dos sistemas. Formulou conseqüentemente uma visão ampla da realidade relacional, que deve incluir a dimensão psicológica do aparato psíquico e seu funcionamento, a dimensão dos fatos referentes aos determinantes biológicos e sócio-históricos, a dimensão transacional ou sistêmica, e incita um novo olhar sobre a dimensão ética na relação.

Para Ducommun-Nagy (1998) a terapia contextual não se define como terapia de base analítica nem terapia sistêmica, embora utilize seus aportes teóricos. O autor pontua

que na dimensão transacional, o termo contexto é utilizado diferente do uso corrente de sistema, designando especificamente o “conjunto de indivíduos que se encontram em uma ligação de expectativa e de obrigação, cujos atos têm impacto sobre o outro” (DUCOMMUN-NAGY, 1998, p.106). O autor comenta que Boszormenyi-Nagy enfatizou a dialética das relações, após ter encontrado apoio e confirmação de suas teorias na filosofia dialógica de Buber, introduzindo a seguir o conceito de lealdade.

A terapia contextual vai além dos aspectos analisados pela teoria sistêmica como papéis, funções, complementaridade, entre outros, e procura compreender os significados subjetivos das relações íntimas e de suas implicações para o processo de formação da identidade (BOSZORMENYI-NAGY, 1993). O autor aponta que na experiência pessoal com sua natureza dialética, o eu necessita de um outro como referência exterior ou como base para a existência. Acrescenta que a necessidade de relação pode direcionar-se no sentido de ter um objeto para a satisfação do próprio impulso de formação da identidade e de necessidade de segurança, passando o indivíduo a ser no processo de expressar-se com o outro. Indica que a privação do contato com o outro, privação do objeto, leva à privação do significado do eu. Concebe “o eu como algo que surge frente aos outros antiteticamente complementares, ainda que seja o outro uma pessoa real ou uma réplica internalizada, como, por exemplo, o superego” (BOSZORMENYI-NAGY, 1993, p. 86).

O autor delimita seis fases ou modos de relação diádica, a partir das formas de eleição do outro e direção dos vínculos, conforme descrições e ilustração a seguir:

a) Vivência centrada nos limites do intra-sujeito: quando não há delimitação do ego e os vários “eu” não estão integrados, o que ocorre na fragmentação esquizofrênica ou nas preocupações hipocondríacas. b) Diálogo interno: estágio em que o eu se vê confrontado com os outros

superego se comporta como sujeito sendo a pessoa o objeto de seus ditames, até às alucinações e delírios, com estrutura do ego como objeto interno.

c) Fusão: onde não há limites entre eu e o outro.

d) Ser um objeto: o indivíduo converte-se em objeto frente ao outro, sendo um contexto para a auto-afirmação, formação de identidade e significados do outro.

e) Ser um sujeito: capacidade de eleger objetos e designar papéis aos outros.

f) Diálogo: capacidade de em uma relação experimentar a posição de

objeto e sujeito ao mesmo tempo, havendo complementaridade e relações simétricas.

Figura 9 – Fases da relação diádica

Fonte: Boszormenyi-Nagy (1993, p. 93)

Boszormenyi-Nagy (1993) aponta que esta última fase do diálogo supera a parcialidade, onde apenas um membro da díade é sujeito, o que propicia explorações e eleições de bode expiatório. Considera o diálogo como estruturante do processo de individuação, relacional baseado em autonomia aceita, e liberdade existencial.

O objetivo da terapia contextual é facilitar o processo de autonomia, que é inseparável do compromisso pessoal assumido nas suas relações e do reconhecimento das necessidades dos outros (GOLDENTHAL, 1996; DUCOMMUN-NAGY, 1998). Para os autores a questão da justiça é inerente à compreensão dos conflitos e às intervenções do terapeuta, e está presente desde a avaliação inicial. Apontam que a terapia contextual mobiliza os recursos relacionais, elucidando questões de justiça, levando, no caso de díades ou famílias, a escutar e entender as várias posições de cada um, na busca de novas posições na configuração relacional. Assinalam que o terapeuta tem como função desenvolver o senso de justiça entre os membros da família, favorecer o trabalho com as emoções escondidas e os débitos e obrigações ocorridos ao longo do tempo.

Quando não há reciprocidade no dar e receber, estabelece-se uma relação de dívida e mérito entre as pessoas, podendo abalar a confiança familiar e trazer conseqüências inclusive para a geração futura (DUCOMMUN-NAGY, 1998; ELKAÏM, 1998). Os autores pontuam que essas motivações ligadas à balança de equidade são pontos elucidativos de muitos conflitos e formação de sintomas. Lembram que as lealdades intergeracionais também chamadas de lealdades invisíveis, geradoras de legados, devem ser elucidadas e ter outro caminho para sua resolução. E mostram que quando há uma motivação para o dar que não esteja direcionada apenas para a troca, mas para a posição de poder dar ao outro, isto gera uma legitimação construtiva, favorecendo atos de generosidade; ao contrário, quando a pessoa que se sentiu lesada busca nas suas relações a quitação da dívida, constitui a legitimidade destrutiva. Por exemplo, uma mãe que não recebeu atenção e cuidado suficiente dos seus pais pode cobrar interminavelmente atenção dos filhos e maridos que passam a ser desconfirmados nas suas ações.

O conceito de lealdades invisíveis tem relação com o conceito de delegação de Stierlin, como citado por Elkaïm (1998). Delegação significa enviar, confiar uma missão. Este fenômeno observado nas famílias pode ter um aspecto positivo de transmissão de valores e de identidade familiar. Neste caso, cumprir a missão ou função delegada origina sentimentos de auto-estima (STIERLIN, citado por COSTA, 1990). No entanto, a delegação pode tomar uma forma patológica quando incompatível com a idade ou interesse do indivíduo, ou quando confundida por uma mensagem de duplo vínculo. Isto pode gerar nos filhos, por questões de lealdade, aprisionamento nos papéis e funções que lhe foram incumbidos (ELKAÏM, 1998).

Benzer Belgeler