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A medição da distância referencial (DR) é um dos métodos utilizados para a

especificação do grau de ativação ou acessibilidade de um dado referente. Ela é feita

através da contabilização da distância textual, ou seja, da quantidade de orações que se

encontram interpostas no texto, entre a expressão em questão e a menção anterior do

mesmo referente.

Assim, o valor dessa distância é inversamente proporcional à acessibilidade do

referente das entidades discursivas – quanto maior a distância, menor a acessibilidade e

vice-versa, como se vê no Quadro 2

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, a seguir:

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QUADRO 2 - Relação entre carga léxica, distância referencial e acessibilidade Carga descritiva

ou léxica

Distância

referencial Acessibilidade

- carga léxica - distância referencial + acessibilidade

+ carga léxica + distância referencial - acessibilidade

Com relação ao método de medição, Givón (1983) estabelece que a DR tem

como valor mínimo 1 e como valor máximo 20 (valores acima desse são contabilizados

como 20, para não causar grandes distorções na média final).

Benítez Rosete (2011, p. 109-111) apresenta uma lista com especificações sobre

os elementos que são considerados como oração e também os que não são, para se

realizar o cálculo de DR:

a) Unidades contabilizadas na DR: orações simples; infinitivos; cada uma das

orações coordenadas (por conjunção ou justaposição); perífrases verbais;

orações começadas por quando, porque, para, mesmo que, já que, por, dado

que, mas, pois, senão, nas quais, nas que, os que, se, não obstante, contudo,

etc.

b) Unidades não-contabilizadas na DR: orações relativas começadas com que;

estruturas sem elementos predicativos; gerúndios e particípios; marcadores

discursivos; construções que recuperem a atenção do falente-ouvinte como

olhe, digamos, etc; repetição de predicado por dúvida ou ideias incompletas.

Observe-se o seguinte exemplo:

(60) Antes de doblar el cabo de Buena Esperanza, permanecimos nueve semanas frente a él, arriadas las velas, por el viento occidental y mistral en la proa, y tempestades pavorosas; cabo que ocupa los 34 ½ grados, y a 1.600 leguas el de Malaca.  Es el mayor y más peligroso del mundo. Algunos de entre los nuestros - así enfermos, como sanos - querían refugiarse en una factoría portuguesa por nombre Monzambich: por la nave, que hacía mucha agua; por el intenso frío; y, especialmente, por no tener qué llevarnos a la boca, salvo agua y arroz, ya que la carne que traíamos, por no haber dispuesto de sal, estaba enteramente putrefacta. Pero algunos de los otros, con más avaricia de su honor que de la propia vida, determinaron, vivos o muertos, encaminarse a España. Por fin , con la ayuda de Dios, el 6 de mayo doblamos el cabo aquel manteniéndonos a unas sus cinco leguas.” (Antonio Pigaffeta, Primer viaje alrededor del mundo, 1507; sublinhados meus)

Analisando a cadeia tópica referencial existente nesse trecho, o valor da DR

entre a expressão referencial él e seu antecedente (el cabo de Buena Esperanza) é de 1,

uma vez que ele se encontra na oração anteriormente adjacente. Já entre a PAD el cabo

aquel e o antecedente referencial (a anáfora zero, representada pelo símbolo ), tem-se

uma DR de valor 8, ou seja, neste caso há 8 orações entre os dois elementos (cf. verbos

querían, hacía, hacía (elíptico), tener, llevarnos, haber dispuesto, estaba e

determinaron).

Este modelo funciona bem quando se tem relações anafóricas claras, em que os

antecedentes podem ser bem delimitados no contexto linguístico anterior. Entretanto,

nos casos em que a referência não é de simples identificação no contexto linguístico,

como em referências dêiticas exofóricas, de conhecimento compartilhado ou anáforas

escuras, Givón (1992, p.13) atribui sempre um valor máximo, de 20, à DR nesses casos.

Portanto, se se computar esses dados em conjunto com os outros, haverá, seguramente,

uma distorção no valor final, com sua elevação. Por causa desse problema, Vázquez

Rozas (2004, p.41) propõe que a DR deve ser calculada de forma a agrupar somente os

SNs de rastreamento anafórico, separando-os das chamadas “anáforas indiretas”

(anáforas escuras, ou seja, referências dêitico-discursivas) e das “não anafóricas” (omo

exófora e casos anamnésicos).

Sendo assim, far-se-á a contabilização da DR das ocorrências de rastreamento

anafórico do corpus na PAD e na PND, buscando-se estabelecer as possíveis diferenças,

tanto entre os tipos de posposição, quanto com relação às categorias semânticas entre si.

Com relação à PND, analisar-se-á também a influência da DR na aparição de

referências ana-catáfóricas.

4.5.2.1 Posposição articulada

A seguir, nas tabelas 30 e 31, são mostrados os valores da DR

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no EE e no EL

através dos séculos:

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O valor foi obtido pela soma das DRs em cada categoria semântica (rastreamento anafórico e rastreamento ana-catafórico) por século dividida pelo número de ocorrências da categoria semântica do século. Assim, no caso de rastreamento anafórico em espanhol europeu no séc. XX, houve 13 ocorrências dessa categoria semântica, sendo que a soma das DRs de cada uma dessas 13 ocorrências resulta em 72. O valor médio é, portanto, 5,5 (= 72/13).

TABELA 30 - Distância referencial na posposição articulada em espanhol europeu

TABELA 31 - Distância referencial na posposição articulada em espanhol latino-americano

O rastreamento anafórico aparece no corpus do espanhol só a partir do séc. XIV

e expressando o valor mínimo de DR, igual a 1. Contudo, nos próximos séculos, vê-se

que é utilizado também, principalmente a partir do séc. XIX, para a expressão de um

valor médio de DR, em 7,1 no EE e 8,4 no EL, e um pouco mais baixo no séc. XX, em

5,5 no EE e 6,2 no EL. Apesar da discrepância de a DR ser 8 no séc. XVI no EL e de ser

apenas 1 no EE, pode-se falar em uma grande correspondência nos valores de ambas as

variantes do espanhol.

Assim, modernamente, vê-se que a PAD é utilizada em espanhol quando há um

rastreamento anafórico de uma entidade a uma distância referencial média

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, o que faz

com que se utilize essa estratégia linguística com mais carga lexical. Tal afirmação

também é importante para explicar o maior uso de F2 no séc. XIX no EL e no séc. XX

no EE e no EL, uma vez que a forma de 2ª pessoa teria justamente essa característica de

representar uma distância medial.

Quanto às ocorrências de rastreamento ana-catafórico, do mesmo modo é

possível se observar a consonância entre os dados do EE e do EL, os quais surgem com

um valor altíssimo de DR no EE (19,3) e com o valor máximo no EL (20) no séc.

XIX e mantêm um valor considerado alto de DR no séc. XX, em 13,2 e 13,6 no EL e no

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Levando em conta o quadro de valores proposto por Givón (1992, p. 21), considera-se aqui uma DR média de 1 a 2,5 como pequena distância referêncial, de 7 como média, e de 10 a 17 como grande.

Espanhol europeu Séc. XIII Séc. XIV Séc. XV Séc. XVI Séc. XVII Séc. XVIII Séc. XIX Séc. XX Rastreamento Anafórico - 1 (1/1) 4 (4/1) 1 (1/1) 4 (4/1) - 7,1 (198/28) 5,5 (72/13) Rastreamento Ana-catafórico - - - - 19,3 (251/13) 13,6 (136/10) Espanhol latino-americano Séc. XVI Séc. XVII Séc. XVIII Séc. XIX Séc. XX Rastreamento Anafórico 8 (8/1) - 1 (1/1) 8,4 (42/5) 6,2 (218/35) Rastreamento Ana-catafórico - - - 20 (40/2) 13,2 (371/28)

EE, respectivamente. Sendo assim, propõe-se que, pelo fato de possuírem um alto valor

de DR, sempre acima de 13, os referentes têm um baixo grau de acessibilidade, o que

gera uma incerteza no falante sobre o desempenho de seu interlocutor em identificar

corretamente o referente, como prega o princípio de indexicalidade. Por isso, além da

própria PAD, é utilizada também de uma segunda estratégia de identificação referencial,

que, no caso, é o uso de um dos modificadores (oração relativa, complemento

adnominal ou aposto), gerando, dessa forma, as ocorrências ana-catafóricas.

Já as outras categorias semânticas (catafórica, dêitico-discursiva, anamnésica,

situacionalmente acessível e dêixis ad oculos), que perfazem um terço dos dados, se

enquadrariam sempre no grau máximo de DR, conforme dito anteriormente,

demonstrando também um grau de acessibilidade muito reduzido.

Percebe-se que, do ponto de vista histórico, a PAD começou com a expressão de

pequena distância referencial, passando em seguida por um intenso processo de

ampliação da distância (cf. valor da distância no rastreamento anafórico no séc. XVII

para séc. XIX do EE e no séc.XVIII para XIX no EL). Nesse novo momento, começa a

aparecer o rastreamento ana-catafórico, em que a distância é a maior. Resulta dessas

mudanças que modernamente a PAD expressa valores maiores de distância

referencial: médio com rastreamento anafórico e grande com rastreamento ana-

catafórico e com as demais categorias semânticas (dêitico-discursivas, anamnésicos

e exofóricas).

4.5.2.1 Posposição não-articulada

A PND em espanhol é categórica, uma vez que em todos os casos, conforme a

Tabela 32, abaixo, a DR é a menor possível, com valor 1, tanto no séc. XIX quanto no

séc. XX, o que significa que o referente sempre está contido na oração imediatamente

anterior.

TABELA 32 - Distância referencial na posposição não-articulada em espanhol Espanhol europeu Espanhol latino-americano Séc. XIX Séc. XX Séc. XIX Séc. XX Rastreamento Anafórico - 1 (6/6) 1 (1/1) 1 (1/1)

Já em português, nota-se uma sutil elevação, no séc. XX, dos valores mínimos da DR

também encontrados no PE e no PB no séc. XIX, como mostra a Tabela 33, a seguir.

TABELA 33 - Distância referencial na posposição não-articulada em português Português europeu Português brasileiro Séc. XIX Séc. XX Séc. XIX Séc. XX Rastreamento Anafórico 1 (3/3) 1,2 (41/33) 1 (3/3) 1,1 (47/42)

Percebe-se que a PND expressa essencialmente o valor mínimo de DR ao longo

dos séculos no rastreamento anafórico. Isso é sinal de um alto grau de acessibilidade.

Já a única outra categoria semântica (dêitico-discursiva), que perfazem

aproximadamente metade dos dados, se enquadrariam sempre no grau máximo de DR,

conforme dito anteriormente, demonstrando um baixo grau de acessibilidade.

CAPÍTULO 5

Benzer Belgeler