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3. EDEBİ KİŞİLİĞİ

1.3 NÜSHA İNCELENMESİ

A Aprendizagem Cooperativa, pelas suas características, é facilitadora do desenvolvimento do trabalho por projeto que naturalmente precisa de ser desenvolvido por um grupo de alunos no intuito de verem respondidas algumas questões em torno de um assunto ou problema. Reis e Alves (2010) destacam o papel dos alunos que pela metodologia do trabalho por projeto, se torna ativos e construtores do seu conhecimento. Kagan (1994) salienta a importância da realização de projetos na Aprendizagem Cooperativa como, provavelmente, uma das formas mais puras de coordenação dos esforços dos alunos na consecução do seu trabalho e dos objetivos do grupo da seguinte forma: “Cooperative learning reaches its full power as all students work together, each making an important individual contribution toward a group goal. Perhaps the purest form of cooperative learning occurs as all students coordinate efforts to complete a cooperative project.” (p.15:1)

O trabalho por projeto surge como alternativa ao ensino instrucionista, na medida em que os alunos são os construtores do seu conhecimento através das descobertas que realizam durante o projeto. Para Cortesão, Leite e Pacheco (2002), o trabalho por projeto distancia-se do ensino expositivo pelo “sentido que possui, pela intencionalidade que o orienta, pela organização que pressupõe, pelo tempo de realização que o acompanha e pelos efeitos que produz.” (p. 24)

Torna-se necessário, então, explanar um pouco mais o conceito de projeto. Para Serrano (2001) projeto “é um plano de trabalho com carácter de proposta que consubstancia os elementos necessários para os objectivos desejáveis. Tem como missão prever, orientar e preparar bem o caminho do que se vai fazer, para o seu posterior desenvolvimento.” (p. 16)

De acordo com Castro e Ricardo (2003), o trabalho por projeto é “(…) uma metodologia investigativa centrada na resolução de problemas. Estes deverão ser pertinentes para quem procura resolvê-los, deverão constituir ocasião para novas aprendizagens e ter uma ligação à sociedade na qual os alunos vivem.” (p. 11)

O trabalho por projeto vem contrariar a padronização de um currículo uniforme baseado na instrução direta e acumulação de conceitos, dando ênfase à singularidade de cada escola e dos alunos. Cortesão, Leite e Pacheco (2002) definem projeto como um trabalho em conjunto levado a cabo por diversas pessoas, que ao se envolverem ativamente na construção dos seus conhecimentos e ao darem o seu contributo, vão desenvolvendo o projeto. Como referem os autores supracitados, o trabalho por projeto

“está associado ao reconhecimento da importância do envolvimento dos alunos e dos professores nos processos de construção de saberes significativos e funcionais.” (p.23)

Esta metodologia de trabalho aplica-se quando se pretende desenvolver competências sociais, estabelecer uma ligação interdisciplinar na abordagem dos assuntos, estabelecer um paralelo entre a teoria, a prática e a realidade vivida pelos alunos e desenvolver, ainda, a capacidade de resolução de problemas. Os autores (idem, 2002) centram o trabalho por projeto no problema que se quer ver resolvido, apresentando dois tipos de problemas: os que requerem respostas (problemas intelectuais, de conhecimento, de curiosidade) e os que requerem soluções (problemas sociais, de espaço, relacionais, de funcionamento).

A metodologia de trabalho por projeto de acordo com Castro e Ricardo (2003) permite que o aluno se desenvolva em várias vertentes e propicia “(…) um processo de dinamização e interacção de diferentes domínios de actividade (intelectual, motora, afectiva, criadora, comunicativa).” (p. 13)

Esta metodologia permite que os alunos experienciem papéis que normalmente não têm oportunidade de desempenhar nas aulas mais expositivas e que surgem de acordo com os contextos e em função da interação dos alunos no seio do grupo. É necessário haver uma relação de interdependência entre os elementos de cada grupo e entre os diferentes grupos e as tarefas que desempenham, no sentido de se complementarem e de cada um deles contribuir para o produto final.

Castro e Ricardo (2003), Johnson e Johnson (1998), Lopes e Silva (2009) referem que um grupo não é apenas um conjunto de pessoas que se juntam para desempenhar tarefas. Castro e Ricardo (2003) salientam que, para além do grupo ser um conjunto de pessoas que desempenham tarefas diferentes, é necessário que o projeto a desenvolver seja encarado como coletivo por cada membro do grupo. A este propósito, e corroborando esta posição, Kagan (1994) salienta que “Cooperative projects involve a product which

is a unique creation to which all team members have contributed.” (p.15:1)

Segundo Castro e Ricardo (2003) o professor tem oportunidade de experienciar papéis diferentes, mais no sentido de orientador, de conselheiro, de facilitador de aprendizagens que o desenvolverão e o dotarão de ferramentas profissionais.

A metodologia de trabalho por projeto é constituída por várias fases que estão interligadas e que determinam o percurso do grupo e o resultado do trabalho. Todas as fases são relevantes, no entanto, desde a escolha do tema e passando pela planificação do trabalho, pelo trabalho de campo, pelo tratamento e apresentação da informação, o ponto

da situação e o balanço final surgem como extremamente importantes, pois permitem que os alunos reflitam sobre aspetos essenciais como a qualidade do trabalho, o percurso do grupo, o envolvimento individual, as aquisições feitas, as dificuldades sentidas e as tomadas de decisão. Serrano (2001) refere que a avaliação, a análise e a reflexão são essenciais para identificar a trajetória do projeto e mudar de direção se for necessário. “Devemos ter em conta a avaliação do projecto desde o início, dado que a garantia de sucesso de um projecto radica na eficácia e especificação com que se analisa a situação considerada como problema” (Serrano, 2001, p. 94)

O trabalho por projeto apresenta vantagens a vários níveis, segundo Cortesão, Leite e Pacheco (2002) “A utilidade do projecto está, em síntese, na formação do aluno, no estabelecimento de relações entre a comunidade, os saberes e competências que a escola tradicionalmente exige, na exploração de saberes de contextos profissionais e de vida (…)” (p.38)

A metodologia de projeto aliada à Aprendizagem Cooperativa surge como forma de trabalho que responde à necessidade premente do saber fazer, pôr em prática, em colaboração com os outros, o que se aprende na teoria estabelecendo, assim, relações de significância entre os conhecimentos e a aprendizagem profunda e contextualizada dos mesmos.

Benzer Belgeler