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Nükleer Apolipoprotein B (APOB) Gen Bölgesi Verileri

4. ARAŞTIRMA BULGULARI

4.2 Nükleer Apolipoprotein B (APOB) Gen Bölgesi Verileri

A partir de uma breve descrição memorialística acerca do surgimento, institucionalização, avanços e expansão da Psicologia no Brasil, como também das preocupações de Tourinho e Bastos (2010) no que versa o lugar e papel da Psicologia, em especial dos PPGP no Brasil, se percebem duas questões: a) as teorias e aplicações da Psicologia eram utilizadas como mecanismos para ajustes dos sujeitos à ideologia e projeto social pensado e posto em prática por uma elite; b) há uma preocupação que configura a Psicologia como sistema de conhecimento na atual conjuntura que atenda as exigências das problemáticas sociais e multiculturais.

As questões supracitadas, em especial a segunda, vão de encontro aos fenômenos que emergem dentro de um sistema de conhecimento que sofre perturbações, anomalias, críticas, crises e quebra de paradigmas.

Por sistema de conhecimento se entende um conjunto metódico de proposições que agregam as práticas investigativas, estudos e reflexões técnicas, métodos e experiências; regras, normas e princípios – e às vezes dogmas;

conhecimentos epistemológicos, teóricos, técnicos e práticos legitimados por sujeitos situados em um campo do saber (FERREIRA, 2001).

A ciência Psicológica dentro de sua evolução como sistema de conhecimento tem passado por processos de reconfigurações, o que inclui perturbações e anomalias que podem implicar em crises e rupturas teóricas e metodológicas.

De acordo com Minayo (1996), as críticas podem ser entendidas como a alma, consciência ou psique de uma ciência. Para Bachelard (1996, p. 29) a crítica é “[...] necessariamente, elemento integrante do espírito científico.” E ainda afirma que “[...] nenhuma crítica pode dissolver certas afirmações primeiras. No máximo, as experiências primeiras podem ser retificadas e explicitadas por novas experiências.” (BACHELARD, 1996, p. 52). Ainda com Minayo (1996), entendemos que as contribuições das críticas são importantes para o processo de validade de um uma determinada área do conhecimento pois, no campo científico, as críticas sempre emergem por quatro pontos, seja em qualquer paradigma científico: a) coerência – a propriedade do discurso logicamente construído no sentido teórico- metodológico e do afastamento de uma determinada ciência da natureza especulativa; b) consistência – a qualidade argumentativa do discurso que vai situar a pesquisa no campo científico; c) originalidade – que são as contribuições para o avanço científico e para própria área em questão e; por fim, a d) objetivação - que são as teorias e metodologias e tecnologias que dão conta do fenômeno (objeto de pesquisa) (MINAYO, 1996).

Uma crítica pertinente no âmbito da Psicologia é feita por Leitão e Nicolaci- Da-Costa (2003) no texto ‘Psicologia no novo contexto mundial’. Os autores revelam que a produção científica no campo da Psicologia continua utilizando as teorias clássicas na interpretação dos impactos ou fenômenos psicológicos originados na atual conjuntura. Para estes autores, os psicólogos analisam novos construtos comportamentais como distintas manifestações de velhas e conhecidas

tendências. Assim, deixando de buscar o novo que está intrínseco na subjetividade do sujeito da atualidade. Sugere ainda que os psicólogos atentem para correntes teóricas contemporâneas como as teorias pós-modernas, as teorias da modernização reflexiva e a teoria da Revolução da Tecnologia da Informação. Neste sentido, a crítica pode suscitar a crise no epicentro das relações científicas. Alguns psicólogos atentam para uma reconfiguração no que refere as teorias e práticas psicológicas. Vale destacar que a crítica em relação à utilização das teorias clássicas não implica o abandono das mesmas.

As crises têm seu papel fundamental na ordem de uma unidade científica, uma vez que elas podem implicar nos insights quanto a uma ‘configuração paradigmática’ que não dá mais conta de um contexto social, ideológico e epistemológico. Para Bachelard (1996, p.20):

[...] as crises de crescimento do pensamento implicam uma reorganização total do sistema de saber. Ela muda de espécie. Opõe-se à espécie anterior por uma função decisiva. Pelas revoluções espirituais que a invenção científica exige [...]. (BACHELARD, 1996, p. 20).

Destacando a crise como uma das perturbações da unidade identitária científica, Kuhn (2016, p. 107) afirma que ela é uma pré-condição, sobretudo, para a emergência de novos discursos teóricos dentro de um contexto científico em crise. O autor vai mais além, levantado uma questão sobre anomalias prolongadas e graves que promovem as crises. Quando os cientistas percebem ou detectam anomalias no seu habitat científico, tendem em não renunciar o paradigma científico onde eles estão situados, pois:

Rejeitar um paradigma simultaneamente substituí-lo por outro é rejeitar a própria ciência. Esse ato se refere não no paradigma mas no homem. Inevitavelmente ele será visto por seus colegas com o “carpinteiro que culpa suas ferramentas pelo seu fracasso”. (KUHN, 2016, p. 109-110).

Portanto, concordamos com o autor, em que não se deve abandonar ou tornar inválido, mas sim fazer as reflexões acerca do fato e buscar as alternativas, estratégias, propostas de uma reconfiguração identitária. Não obstante, as referidas reflexões sejam em relaçãoàs teorias, procedimentos e também dos conhecimentos epistemológicos, implicam, sobretudo, na reconfiguração de uma unidade identitária científica.

Vale ressaltar que naturalmente as perturbações, anomalias, críticas e crises são inevitáveis. Elas sempre surgiram de diversas naturezas, dimensões e forças, pois uma unidade orgânica, institucional, organizacional não são instâncias estáticas. Transcender as perturbações, anomalias, críticas e crisessignifica, sobretudo, fechar as Gestalts científicas, não apenas no sentido da reestruturação das teorias absolutas e fechadas, mas, sobretudo, na reestruturação da unidade identitária científica. Esboçar novos contornos uma unidade identitária científica, significa fazer reflexões em tempos em tempos.

4.3 Psicologia Contemporânea e Pós-Graduação em Psicologia

A ciência Psicológica dentro de sua evolução como sistema de conhecimento tem passado por processos de reconfigurações. Os argumentos desta mudança incidem além das questões teóricas e práticas, políticas, relações de poder, mas também a partir de questões de infraestrutura e tecnológicas (CASTAÑON, 2004).

A Psicologia de base teórica contemporânea é tratada por Gergen (1989), no artigo ‘Pós-modernismo e política científica na psicologia contemporânea: uma revisão crítica’. Nele o autor cita os pressupostos epistemológicos abraçados pelo Construcionismo Social. Apoiado no discurso de Gergen (1989), Castañon (2004) configura a psicologia contemporânea no âmbito da Epistemologia Social. Para

Gergen (1989), o Construcionismo Social é um achado para a Psicologia, pois, ele se opõe ao Cognitivismo cuja epistemologia é comprometida com as premissas básicas de uma metafísica dualista cartesiana em que a psique funciona como espelho do mundo.

A mudança das práticas da psicologia se dá através de três argumentos: Como o abandono da teoria de que a localidade do conhecimento não é mais visto como sendo a mente individual. Assim o foco se incide nas proposições de nossa psique que são elaboradas por meio da linguagem escrita e falada.

Uma vez que a linguagem não é privada, mas por definição deve permitir a comunicação e, portanto, é social, Gergen conclui que as proposições de conhecimento não são conquistas da mente individual, mas conquistas sociais. (CASTAÑON, 2004, p. 41)

O segundo argumento incide na crítica à epistemologia dualista cartesiana, a qual indica não haver resposta para a questão de como a psique pode fazer as reflexões com garantias acerca da natureza da realidade. Portanto, para Gergen (1989), não existem meios de verificar como o sujeito se estabelece no processo de aquisição de conhecimento apurado, e como ele poderia eleger entre duas teorias mais adequadas para compreender a verdade. A partir deste argumento, Gergen (1989) acredita que se modifica o foco da mente para a linguagem.

O significado não se baseia nos objetos, nem no processo mental ou em entes ideais; adquire-se através do contato social com outros membros da cultura em questão. Como nós denominamos e classificamos as coisas, e mesmo o que nós elegemos como coisas, em qualquer ocasião não é uma questão de fidelidade com o mundo como ele é, é antes uma questão de que relações sociais particulares nós queremos coordenar eficientemente. (GERGEN, 1989, p.158)

Para Gergen (1989), as teorias científicas não representam a forma mais apurada da realidade elaborada por um sujeito.

Teorias científicas não derivam sua utilidade da sua capacidade para estocar informações úteis sobre o mundo e por fazê-las disponíveis para predições futuras. Antes, essas teorias derivam sua utilidade da sua posição dentro das práticas da comunidade científica. Elas habilitam os membros dessas comunidades a coordenar suas ações umas com as outras. (GERGEN, 1989, p.473)

A mudança do local do conhecimento da mente para os padrões das narrativas sociais é discutida na terceira questão. Com a adoção da epistemologia social, os pontos referentes à verdade, objetividade e realidade imergem na escuridão. Pois, a objetividade é figurada como qualidade de representar de forma válida, clara e apurada a realidade, por meio das experiências de qualidade. No que versa à verdade e objetividade Gergen (1989) assevera que são estratégias retóricas e úteis para ceder aprovações ou provocar culpa.

Gergen (1989) abraça a Epistemologia Social que é uma espécie de Pragmatismo Epistemológico da obra de Richard Rorty (1979). Ele avalia essa posição como emancipatória, discursada em favor da retórica da pesquisa empírica,pois ela pode fornecer os caminhos da força literária que concerne às diversas representações da realidade, que por sua vez é utilizada no sentido de abrir as possibilidades para mudança. Gergen (1989) acredita que se apropriar das questões no que versa à Epistemologia Social significa ter o domínio dos valores humanos. Neste sentido, a questão epistemológica fundamental não diz respeito a como a realidade é representada, e sim como ela deve ser; não se figura epistemológica, mas axiológica. Sendo essa uma das premissas básica da Psicologia Social, enquanto prática transformadora da sociedade.

Contudo, mesmo situado no contexto atual de corte e escassez de recursos de infraestrutura e tecnológicos, Tourinho e Bastos (2010) revelam que existem vários indicadores quantitativos de crescimento da pós-graduação em Psicologia no Brasil que acompanha os avanços qualitativos. Assim, os PPGP têm narrado

uma produção mais expressiva em periódicos bem avaliados no âmbito nacional e estrangeiro. O intercâmbio para o Brasil e, sobretudo, para o exterior com maior atuação, tem sido também importante seja no aspecto quantitativo e qualitativo. Outro avanço da pós-graduação em Psicologia o movimento de classificação de conceitos dos Programas da área e de criação de um número significativo de cursos que começam suas atividades (TOURINHO, BASTOS, 2010).