3- Araştırma Sahası İle İlgili Önceki Çalışmalar
1.5. BİTKİ ÖRTÜSÜ
2.1.3. Nüfusun Sosyal ve Ekonomik Özellikleri
2.1.3.2. Nüfusun Eğitim ve Kültür Durumu
As discussões feitas até aqui demonstram que as famílias atuais são plurais e que nelas a procriação, os vínculos de parentesco e de conjugalidade não necessariamente coincidem. Nas formações multiparentais, conforme já salientamos, mais de duas pessoas criam os filhos. Ao caráter próprio dessas
estruturas cumula-se o fato delas agruparem pais biológicos e pais sociais, isto é, pessoas que se conduzem como pais, mas que não têm essa função jurídica. As famílias homoafetivas, portanto, inscrevem-se nessa pluralidade de modelos familiares. Elas próprias reúnem várias formas e se conjugam também segundo os modelos biparental ou multiparental recorrentes na sociedade contemporânea (GROSS, 2005).
Os critérios normalmente utilizados para se definirem os sistemas de parentesco e filiação ainda adotam referenciais ligados aos laços biológicos e, de modo geral, preceitos que dão ênfase a uma visão naturalizada, pois desprezam as mudanças históricas, sociais e jurídicas que se moldaram ao longo do tempo ao se qualificarem as relações de parentesco e filiação. Uziel (2005) observa que, quando se pretende afastar o homossexual da intenção de parentalidade, principalmente os sujeitos masculinos, normalmente os argumentos se baseiam em três aspectos: na biologia, na lei e no desejo. No que tange à biologia, enfatiza-se que a homossexualidade é antinatural, que pares do mesmo sexo não podem procriar. Do ponto de vista da lei, os argumentos se concentram em uma interpretação rígida da legislação, respaldada na declaração explícita de que o reconhecimento da união estável somente pode ser considerado na relação entre um homem e uma mulher, sendo necessário, portanto, dois sexos distintos para formar uma família. Agora, quanto ao desejo dos homossexuais por um filho, os argumentos contrários não são tão contundentes.
Em relação a tais aspectos, Uziel (2005) salienta que o sistema de filiação se sustenta na bilateralidade e na ideologia do sangue, pois a bilateralidade (masculino e feminino) está na base da sua formação, muito embora ela não seja garantida na vida do sujeito. É o que acontece, por exemplo, em uma separação conflituosa, em que os laços afetivos se rompem e o filho fica afastado do pai ou da mãe.
Na adoção, os laços de sangue não existem, seja ela pleiteada por pais homossexuais ou heterossexuais. Portanto, por mais que duas linhagens de sangue constituam simbolicamente a filiação, não existem garantias de que elas se mantenham. Dessa maneira, o que produz a filiação é o biológico, mas o que a garante é o legal, mas trata-se, ainda, de uma ficção, tendo em vista que o que a sustenta (filiação) é o plano do desejo, instância sobre a qual não se pode ter uma ingerência. Assim, “a filiação é um ato voluntário, uma realidade social e psicológica,
marcada pela transmissão e pelo pertencimento a uma linhagem construída” (UZIEL, 2005, p. 117).
Concordamos com os aspectos problematizados pela autora, pois fixar os argumentos em uma das três dimensões: em torno da biologia, da legislação ou do desejo, é desconsiderar a complexidade que marca a constituição de vínculos filio- parentais na sociedade atual. Seria validar, conforme defende Uziel, argumentos que referendam as bases que normalmente colocam a própria adoção como uma filiação de segunda categoria, independentemente da orientação sexual dos pais adotivos.
Não se pode desprezar, portanto, o fato de que as modificações incidentes sobre os modelos atuais de família foram iniciadas por um novo paradigma de sexualidade que ainda está em processo de mudança. Esse modelo se assenta na valorização do prazer e não mais especificamente na procriação. Desse modo, os arranjos familiares emergentes também são influenciados pelo sistema conjugal hétero ou homossexual, uma vez que ele está bastante afetado por ideais ligados ao respeito às individualidades e não mais por ideais de procriação ou da manutenção da autoridade, em que há o domínio de um membro do casal sobre o outro (OSÓRIO, 2002).
Do ponto de vista psíquico, considera-se que as famílias homoafetivas atingem maior visibilidade quando conseguem colocar em prática seu projeto narcísico de formar família, alicerçado pelo desejo de continuidade de sua genealogia, quer por meio da adoção, quer por meio da reprodução assistida. Passos (2005) alerta que os critérios de análise das famílias homoafetivas e seu desejo de adoção precisam se fundamentar em outras bases. Para tanto, propõe que tais arranjos familiares sejam considerados a partir de uma ética relacional que leve em conta os padrões emocionais dos sujeitos concernentes às diferentes formas de conjugalidade, parentalidade e filiação que podem caracterizar um contexto familiar. É por meio de tais referências que a fundação de uma família na contemporaneidade não se assenta somente na diferenciação dos sexos, mas também nos aspectos emocionais possibilitados pela vivência familiar.
No que tange às especificidades da família homoafetiva, é importante pensar em alguns elementos concernentes à sua estrutura e funcionamento, conforme expõe Passos (2005, p. 8):
1. Ausência de papéis fixos entre os membros. Isso significa que a estrutura do grupo familiar deve suportar trocas e deslocamentos de papéis e lugares.
2. Prevalência de uma horizontalidade nas relações internas, marcada pela inexistência de hierarquias e por uma circulação permanente das lideranças no grupo.
3. Múltiplas formas de composição familiar e, consequentemente, de formação dos laços afetivos e sociais, o que possibilita distintas referências de autoridade, tanto dentro do grupo como no mundo externo.
4. Tendência a uma constituição de sujeitos que se filiam não só à família, mas também a grupos onde preponderam os laços de amizade.
As características acima são presumidas às configurações familiares homoafetivas, porém, não podemos afirmar se tais atributos fazem parte de todos os grupos familiares homoafetivos. Conforme analisamos nesta pesquisa, ainda opera nesses arranjos, apesar de sua originalidade, a influência dos modelos tradicionais de família, além dos atravessamentos da homofobia, que podem interferir nesses modelos.
Ao lado das características comuns que podem circunscrever a família homoafetiva, Passos (2005) considera importante tomar como referência outros elementos que podem auxiliar na compreensão da constituição subjetiva da família homoafetiva, tais como:
1 - Considerá-la a partir de um contexto mais amplo levando em conta as relações sociopolíticas de uma dada realidade;
2 - Observar a ação de uma ética relacional que pode dar sustentação às transformações que ocorrem nos pequenos grupos regidos pelas redes de afeto;
3 - Compreender que uma ética relacional pode garantir as manifestações das singularidades de cada contexto familiar, de modo que em futuras gerações o efeito de ações preconceituosas não recaia sobre os sujeitos, tendo em vista que não atenderão às regras e valores preconizados pelos grupos hegemônicos.
A autora considera ainda que os atributos da família homoafetiva não devem transmitir a ideia de que a autoridade parental se perdeu. Nesse sentido, é importante admitir que ocorreram, sim, deslocamentos de funções e papéis nesse arranjo familiar. Isso impõe, além de uma nova concepção de autoridade, o reconhecimento de que tal poder pode ser apoiado por outras instâncias associadas a pessoas que estão fora do núcleo familiar ou a instituições que podem exercer um significativo papel na subjetividade da criança. Nessa linha de argumentação,
Alizade (2010 apud LEVY, 2011, p. 9) defende que “grupos ou pessoas produzem efeitos de uma ‘função família’, presente na base da construção de uma família interna suficientemente satisfatória para o desenvolvimento simbólico de uma criança”.
As questões de ordem emocional que afetam a constituição psíquica da família homoafetiva são aprofundadas por Levy (2011) e Passos (2005). Retomamos alguns elementos das discussões propostas pelas autoras quando elas analisaram as questões emocionais da parentalidade exercida por pessoas do mesmo sexo. Em artigos referentes ao tema, as autoras procuraram destacar os aspectos tradicionais de autoridade e diferenciação que historicamente estiveram ligados ao complexo de Édipo e à aquisição da alteridade e suas repercussões em um modelo familiar composto de pessoas do mesmo sexo. Por meio dessas discussões, encontraram- se algumas ferramentas para a análise da constituição dos vínculos na família homoafetiva. Desse modo, pudemos explorar mais profundamente a questão básica por nós proposta neste estudo: os processos subjetivos encontrados na família homoafetiva, em que procuramos analisar se nesse arranjo familiar haveria um ataque contundente à família tradicional e supressão dos seus valores morais e educacionais.
Segundo Passos (2005), os casais homoafetivos que desejam filhos se deparam com o desafio de encontrar uma forma menos dolorosa de realizar o desejo parental. A impossibilidade de gerar filhos vivenciada por pessoas do mesmo sexo impõe um duplo trabalho psíquico: o primeiro refere-se às contradições vivenciadas pelos membros do casal, que deseja ter filhos, mas que se sente impedido de gerá-los. Essa vivência suscita a elaboração de um luto, tendo em vista que há a expectativa de continuidade de sua genealogia projetada em um filho, mas para tanto é preciso recorrer a um agente externo, um terceiro, representado por pessoas e instituições, tal como ocorre na reprodução assistida e na adoção. Uma segunda dificuldade a ser enfrentada é encontrar uma forma menos ameaçadora para conceber/ter o filho. Segundo a autora, ela é ameaçadora porque sempre haverá, seja qual for a forma escolhida, uma incompletude e uma impossibilidade de geração.
Além das particularidades do luto, e de outros aspectos afetivos que compõem a parentalidade homoafetiva, os estudiosos debatem atualmente a dinâmica psíquica da família que segue este modelo, com especial atenção para a
natureza da interdição ou a conotação edípica de duas pessoas de mesmo sexo quando se dispõem a criar uma criança.
Nas considerações de Rotemberg (2010, apud LEVY, 2011, p.9), “a releitura do complexo de Édipo sugere que a atribuição da função paterna ao pai de família deve considerar que a criança não se identifica com o objeto real, mas com os modos representacionais com os quais o captura”. Nesse sentido, o debate não se concentra na homossexualidade ou na heterossexualidade, mas sim no reconhecimento da alteridade, pois nem a heterossexualidade é garantia do narcisismo extremo e da tentativa de domínio do outro, nem a homossexualidade representa uma falha no reconhecimento da castração.
Tomando como referência estas questões de Perelson, Levy (2011) destaca:
[...] É possível a instituição de uma diferença entre os dois pais do mesmo sexo a partir da construção de laços sociais, do estabelecimento de códigos sociais claros e da simbolização de pontos de referência. O risco de indiferenciação entre os dois pais “não resulta da situação homoparental, mas da recusa em reconhecê- la, de instituir papéis sociais distintos entre os dois pais do mesmo sexo [...] (p.9).
Apoiada nos autores citados, Levy (2011) defende que se deve considerar em uma avaliação para adoção o modo como a saúde psíquica dos pais e as determinações inconscientes se relacionam ao desejo de ter um filho, e não o sexo biológico dos adotantes, fatores que serão privilegiados tanto na edificação de um desejo de parentalidade homoafetiva ou de casais heterossexuais. Assim, na visão da autora os atravessamentos indicam que o contexto social no qual se formam as estruturas de parentesco exigem uma interpretação mais apurada visando privilegiar os elementos psicodinâmicos que determinam a constituição da família e a vivência parental. Concordamos com a professora Lídia Levy (2011) 27, que dá destaque à análise da experiência subjetiva da parentalidade, quando se trata da família homoafetiva (comunicação verbal). Ou seja, deve-se dar ênfase ao processo de tornar-se pai e mãe, uma vez que ele estará associado às determinações inconscientes carregadas pelos parceiros que desejam se tornar pais e os
27 Comunicação apresentada pela autora no I Encontro Brasileiro da Associação Internacional de
conteúdos fantasmáticos que alimentam o desejo de filho, tal como ocorre em qualquer experiência familiar, independentemente da orientação sexual dos pais.
A respeito do projeto narcísico elaborado por pais de mesmo sexo, Passos (2005, p.7) considera importante levar em conta os seguintes aspectos:
A família hoje impõe, no lugar da hegemonia dos papéis e dos lugares fixos, uma maior flexibilidade na constituição de posições e funções dos membros do grupo. Assim, ganha muito mais força a forma como os pais do mesmo sexo, cada um à sua maneira, representa este filho como um outro que atualiza seu desejo de transmissão e continuidade, investindo-o, portanto, de um afeto fortemente narcísico.
Com tais afirmações, Passos (2005) conclui, nessa perspectiva de interpretação, que não importa se a triangulação é constituída por dois homens e um filho ou por duas mulheres e uma filha, a dinâmica dos afetos se opera numa circunstância em que a identificação entre os pais e os filhos não impõe mais os contornos de antes; ou seja, o jogo especular da triangulação edipiana – no qual a identificação com o igual exigia a presença do diferente – condição que perde a sua força na atualidade. Desse modo, parece ganhar mais relevância no jogo entre iguais o processamento psíquico dos desejos dos pais associado à ressignificação que a criança faz do material percebido. É por meio dessa condição que o filho adquire cada vez mais um estatuto de ordenador de sua herança, edificada em um ambiente no qual se reconhece como autor de sua própria história. Em um contexto em que as referências da família patriarcal se enfraquecem, enaltece-se o princípio do reconhecimento, não como compensação pelo abrandamento das identificações no modelo edipiano clássico, mas como um elemento fundamental do processo de filiação. Apoiada nos conceitos de Kaës sobre transmissão psíquica, a autora salienta que os processos supracitados podem ser compreendidos na constituição de qualquer projeto parental na atualidade. Porém, em se tratando de pais do mesmo sexo, é preciso considerar uma negociação em torno da funcionalidade do grupo como tal, das suas posições internas, o que parece supor que, nesta configuração e funcionalidade, adquire-se o sentido do fantasma do outro – pais biológicos responsáveis pela concepção do filho. Portanto, nessa rede fantasmática, o outro passa a ter uma função simbólica que não poderá ficar ausente do processo de subjetivação da criança adotiva. Logo, na adoção por casais homoafetivos, o trabalho de revelação das origens da criança tem sua importância redobrada (ou
reforçada), tendo em vista que ajuda o sujeito adotivo a integrar elementos presentes em sua história de vida. E, ainda, a atuar como um terceiro elemento simbólico a favorecer a alteridade, o controle sobre os fantasmas a despeito das origens, portanto a reconstituição da malhagem que dará sustentação aos processos vinculares entre pais e filhos.
As constatações de Levy (2011) e Passos (2005) vão ao encontro das reflexões por nós propostas neste estudo, pois indicam que as famílias homoafetivas podem se constituir por meio de um projeto biparental ou de co-parentalidade para firmar concretude à sua experiência de parentalidade. Conforme veremos na análise e na discussão dos dados no capítulo quatro, os adotantes cuidam dos filhos por meio de estratégias tradicionais, e, apesar de promoverem mudanças nas regras tradicionais de parentesco, seus valores e padrões morais se mostram conservadores e apegados aos valores tradicionais que regem a família. Portanto, a família homoparental pode se reconstruir a partir das expressões relacionais que se instalam em sua estrutura, sem que esteja refratária à sociedade ou impermeável a ela (LEVY, 2011; PASSOS, 2005).
Berenstein (2011) afirma a possibilidade de, no futuro, o rol das funções de parentesco – que alcançaram maior densidade no século XX – ser modificado em razão do cruzamento entre gênero e sexualidade e entre gerações e técnica, bem como pela incidência das modificações nas condições laborais dos pais, com decorrentes mudanças dos lugares que convencionalmente se têm atribuído à masculinidade e à feminilidade.
Nessa direção, Hamad (2002) afirma que nada pode impedir que casais homossexuais se casem e se tornem pais recorrendo às diversas técnicas que o progresso científico colocou à disposição do cidadão. Para o autor, as dúvidas levantadas em relação à educação de uma criança por uma família homoafetiva são rebatidas com o argumento de que é o amor que propicia estruturas significantes no psiquismo do indivíduo. Assim, um casal homossexual pode ser considerado tão dotado de sentimentos paternos e maternos quanto um casal heterossexual. Argumentar o contrário seria afirmar que a estruturação psíquica da criança promove-se apenas mediante referência à diferenciação dos sexos. Segundo o autor, a rejeição, por parte dos especialistas, à parentalidade homoafetiva pode revelar graus de homofobia. O debate sobre o tema, quando suscita algumas
divergências, deve ser aprofundado; mas sempre qualificado por meio das contribuições das diferentes áreas do conhecimento científico (HAMAD, 2002).
Roudinesco (2003) enfatiza que, para além do ridículo das cruzadas – que estimulam preconceitos contra a parentalidade de gays e lésbicas – é preciso admitir, efetivamente, que os filhos de pais homossexuais carregam, como outros, o traço singular de um destino próprio. Será preciso, também, admitir que esses pais e mães carregam singularidades próprias. Para tanto, as sociedades contemporâneas devem aceitar que pais e mães gays e lésbicas existem tais como são. A eles devem ser reservados os mesmos direitos de todos, sem a exigência de que se encaixem em padrões normativos para provar sua aptidão para criar filhos. O fato de os pais homossexuais assumirem consciência de que não tornarão seus filhos gays ou lésbicas não os absolve de ficarem marcados internamente por tal imposição, arriscando-se a ofertar aos filhos uma imagem desastrosa de si mesmos. Abordaremos tal aspecto nas análises das entrevistas, cujo conteúdo é expresso nas falas dos participantes deste estudo.
A produção de subjetividade na criação dos filhos estará garantida, segundo Roudinesco (2003), apesar do incômodo dos setores mais reacionários da sociedade, pois todos os pais têm o desejo de que seus filhos sejam ao mesmo tempo idênticos e diferentes deles. Daí uma situação irremediável na qual a revolta e a separação são tão necessárias quanto a adesão a valores comuns e a nostalgia de um passado de união familiar idealizado. Portanto, nesse processo subjetivo, os filhos herdam em seu inconsciente elementos provindos da infância de seus pais ou ainda de seu próprio desejo e história, além daqueles que os ajudam a entender a diferença sexual. “E quando são adotados ou oriundos de uma procriação assistida, que dissocia a reprodução biológica do ato sexual e do parentesco social, não saem incólumes das perturbações ligadas ao seu nascimento” (p.195). Tais efeitos ocorrem em razão da indefinição dos genitores biológicos que podem fazer parte dessas histórias.
Roudinesco (2003) parece comunicar que, apesar da variação nos arranjos familiares e da perspectiva de que indivíduos do mesmo sexo se tornem eficientes criadores, sempre os filhos carregarão uma herança simbólica oriunda de suas histórias de vida e de seus conteúdos fantasmáticos. A singularidade da parceria formada pelo casal não necessariamente irá apagar a diferença entre os sexos, nem impedirá que os pais transmitam aos filhos seus conteúdos psíquicos.
Posição semelhante é assumida por Hamad (2002). Creditando papel especial à diferenciação dos sexos para o desenvolvimento psíquico, o autor salienta que a condição da diferenciação precisa ser garantida também em uma família homoafetiva. O importante para o autor é o lugar ocupado pelo pai ou pela mãe no discurso do pai ou da mãe na realidade cotidiana. A referência ao genitor do outro sexo como sendo o homem ou a mulher na direção de quem vai o desejo no momento em que se concebe um filho é simbolicamente estruturante para a criança. Nesse caso, a criança é criada dentro dos significantes pai e mãe referidos ao
homem e à mulher que a conceberam – genitores biológicos, sendo que representam e continuam a representar um papel importante na sua vida psíquica.
Em relação ao aspecto da diferenciação dos sexos, observa-se que no
processo de remalhagem dos vínculos afiliativos – na adoção – no momento da revelação das origens, a criança será confrontada com tal diferenciação (BENGHOZI, 2010). Assim, a remalhagem adquire certa peculiaridade nos casos de