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BÖLÜM 5: EĞİTİMİN GAYELERİ AÇISINDAN SÛRENİN TAHLİLİ …

5.2. Mutlu Kılma

O grupo social é um tema de importância em Sociologia, e uma das classificações possíveis é aquela de grupos primários e grupos secundários. Os primeiros podem ser caracterizados com relacionamentos “íntimos, pessoais, individuais, informais e descontraídos”; e os segundos com relacionamentos “impessoais e não permanentes”. (DIAS, 1999, p.123 e 126).

Em complemento a essa caracterização, Bernardes (1995, p.110) afirma que “o grupo primário satisfaz a necessidade humana de compartilhar experiências, temores e esperanças, bem como a de ser reconhecida como pessoa; no grupo secundário, os relacionamentos caracterizam-se por serem impessoais, baseados nos contratos psicológicos de trocas (por isso são utilitários), com exclusão da expressão de sentimentos e sendo, portanto, racionais”. Bernardes e Marcondes (2003) exprimem essas principais diferenças no quadro 10.

Quadro 12 - Características do grupo primário e do grupo secundário Fonte: Bernardes e Marcondes, 2003, p. 84

Variáveis GRUPO PRIMÁRIO GRUPO SECUNDÁRIO

Relacionamentos Pessoal e íntimo Impessoal e utilitário

Metas dos Membros Cooperativas Competitivas e co-orientadas Controle Social

Informal e exercido pelos membros

Formalizado e exercido pela organização

Regras e

Normas Tradicionais Contratuais

Variável

Predominante Expressão de sentimentos Tecnologia Personalidade

Envolvida

Totalidade do indivíduo Segmentada, apenas para o

Segundo Vila Nova (1985, p. 74-5), “as relações nos grupos primários caracterizam-se pela intimidade, informalidade e espontaneidade. Os grupos secundários são precisamente o oposto dos grupos primários onde “os participantes não estão todos necessariamente próximos, os contatos não são muito freqüentes e as relações entre eles não têm o mesmo grau de permanência” É possível referir-se ao grupo primário simplesmente como grupo – amplamente usado na literatura administrativa – e ao grupo secundário como organização, pois “o conceito de organização refere-se àqueles grupos secundários nos quais as relações inter-pessoais são, ao menos originalmente, contratuais, tal como, por exemplo, uma empresa” (VILA NOVA, 1985, p. 93).

A palavra organização não tem um sentido único, ela “é usada correntemente em dois sentidos. O primeiro está ligado à idéia de método, de ordem, de sistematização; é o antônimo de desordem. O segundo sentido designa uma entidade em que se engajam pessoas para um trabalho coordenado” (NOVAES, 1981, p.97). Da mesma forma, Motta e Pereira registram que “a palavra “organização” não é unívoca: tem pelo menos dois sentidos. Em sua primeira acepção, organização é a forma pela qual determinada coisa se estrutura, enquanto que, no segundo sentido, organização é um tipo de sistema social, é uma instituição objetivamente existente” (MOTTA e PEREIRA, 1983, p.19). A organização aqui estudada é um tipo de sistema social, é a entidade em que se engajam pessoas para um trabalho coordenado.

A precisa conceituação de organização é relevante para compreensão do significado da administração e de suas mudanças recentes. Scott e Mitchell (1976) já tinham observado que muitos autores falam da mudança, mas esquecem da continuidade; a idéia de organização persiste embora a forma de organização mude.

Autores contemporâneos parecem economizar espaço na discussão do conceito de organização e apresentam uma definição simples - contudo não esclarecedora - algo como: “duas ou mais pessoas trabalhando juntas e de modo estruturado para alcançar um objetivo especifico ou um conjunto de objetivos” (STONER e FREEMAN, 1999. p.4); os autores parecem retornar de forma imperfeita à idéia pioneira de Chester Barnard. De modo análogo, para outro autor, “uma organização é um arranjo sistemático de duas ou mais pessoas que cumprem papéis formais e compartilham um propósito comum” (ROBBINS, 2000. p.31). Apesar dos autores citados falarem em

“trabalhar de modo estruturado” ou “em um arranjo sistemático”, inegavelmente uma característica da organização, ainda persistem com a idéia de que a organização é “formada por duas ou mais pessoas”.

Autores lembram que o tamanho é uma característica importante da organização (PFIFFNER e SHERWOOD, 1965, p. 29; CARAVANTES, 1998. p. 28). A definição a seguir, “uma organização é um grupo de pessoas trabalhando juntas visando alcançar um propósito comum” (SCHERMERHORN JR, 1999. p.6), - embora possa ampliar “a idéia de tamanho” com a especificação de “um grupo de pessoas”, mantém a inadequação de caracterizar um grupo de pessoas como uma organização.

O depoimento de Schein (1980, p.114) é bastante esclarecedor para diferenciar grupo de organização. De acordo com o autor, “um grupo psicológico é um conjunto de pessoas que:

1. interagem umas com as outras;

2. são psicologicamente conscientes umas das outras, e; 3. percebem-se como um grupo”.

Afirma, também, que “o tamanho de um grupo é limitado, pois, pelas possibilidades de mútua interação e mútua percepção consciente. Uma organização não é um grupo, apesar das pessoas pensarem em si mesmas como “nós”, porque elas geralmente não interagem e não têm consciência uma das outras” (SCHEIN, 1980, p.114).

Fica assim esclarecido que reconhecer a existência da organização é reconhecer a existência de uma entidade autônoma com relação aos indivíduos e aos grupos que dela fazem parte. Portanto, a organização é uma nova entidade de análise e uma nova variável de estudo, ela não se confunde nem com as pessoas nem com os grupos que dela fazem parte.

Schein destaca a característica impessoal da organização: “porque uma organização é fundamentalmente um conjunto de funções e um esquema pelo qual se rege a coordenação dessas funções, é que ela existe independentemente de determinadas pessoas em particular e pode sobreviver mesmo que seus membros sofram uma rotatividade de cem por cento” (SCHEIN, 1980, p.13). E continua, é importante destacar “que o objeto da coordenação é as atividades, não as pessoas” (SCHEIN, 1980, p.12). Inclusive, de acordo com Hall, “se as organizações têm características próprias e se essas características afetam o comportamento de seus membros, é preciso

compreender as características organizacionais caso se pretenda compreender o comportamento humano” (HALL, 1984, p.28).

Muitos pensariam na família ou entidades de trabalho voluntário como organizações e, no entanto, esses dois exemplos não combinam com as características anteriormente apresentadas. Em uma referência à família e às tribos, Etzioni (1980. p.10) observa que outras unidades sociais também são conscientemente planejadas, intencionalmente estruturadas e reestruturadas, mas em muito menor grau do que as organizações.

Para bem diferenciar as entidades com esquema sistemático de coordenação centrado nas atividades, elas serão aqui denominadas de organizações formais, exemplificadas pelas empresas, escolas, hospitais, igrejas, sindicatos, prisões, exércitos, partidos políticos e outras.

Complementando a diferenciação, as entidades com “padrões de coordenação que surgem espontaneamente ou implicitamente das interações das pessoas sem envolver coordenação racional para a consecução de objetivos explícitos comuns serão denominadas de organizações sociais” (SCHEIN, 1982, p.13), exemplificadas pela família, tribo, associação de bairro, comunidade étnica e outras.

Assim, “uma organização formal é a coordenação planejada das atividades de uma série de pessoas para a consecução de algum propósito ou objetivo comum, explícito, através da divisão de trabalho, da função e da hierarquia de autoridade e responsabilidade” (SCHEIN, 1982, p.12).

Uma outra definição destaca quatro elementos: “organização formal é um sistema de atividades coordenadas de um grupo de pessoas trabalhando cooperativamente em direção a um objetivo comum e subordinado à autoridade e à liderança” (SCOTT e MITCHELL, 1976, p.29). Os elementos constituintes são:

1. um sistema de atividades coordenadas: Este elemento enfatiza o fato de todas as organizações formais serem compostas de partes e relações. As “partes” referem-se às atividades ou funções desempenhadas. O sistema formal aparece quando estas atividades ajustam-se dentro de relações precisamente planejadas;

2. um grupo de pessoas: Embora uma organização formal seja definida como um esquema impessoal de coordenação planejada de atividades, ela necessita de pessoas para darem “vida”; são as pessoas que implementam as atividades;

3. cooperação para um objetivo: Cooperação é uma atividade especialmente humana e realizada por um propósito consciente; as organizações formais são unidades sociais artificiais que precisam estabelecer objetivos para proporcionar propósito às ações das pessoas em desempenho de atividades e funções;

4. autoridade e liderança: Organizações formais são estruturadas com base no relacionamento superior–subordinado, na autoridade do superior e na obediência do subordinado. Novas formas de controle na organização formal permitem a substituição parcial da autoridade pela liderança.

As organizações formais são esquemas de comportamentos padronizados “sem os embaraços do status socialmente herdado ou da contaminação da personalidade. Os papéis desempenhados pelas pessoas são “moldes” de atividades prescritas e padronizadas em que as regras definem a conduta esperada” (KATZ e KAHN, 1975. p.66).

Portanto, uma organização é um sistema de atividades precisamente planejadas para a consecução de objetivo estabelecido. Este esquema organizado de atividades não entra em funcionamento por si mesmo, ele depende das pessoas, embora não dependa

de alguma pessoa em particular. No entanto, as pessoas trazem idiossincrasias13

contrárias à racionalidade da organização. Para submeter a disposição pessoal do ser humano de pensar seus valores e interesses particulares ao propósito da organização, esta precisa submeter as pessoas a um objetivo comum.

Embora comum, o objetivo não é, necessariamente, coletivo e democraticamente estabelecido; na maior parte dos casos, ele é imposto, de maneira legítima, pela direção. Legítima aqui tem o sentido weberiano de dominação, diferente de poder. Por isso que a organização se estrutura em torno de uma hierarquia de autoridade e responsabilidade, onde os diretores detêm o direito legítimo de aplicar sanções aos comportamentos desviantes dos subordinados.

Aquelas pessoas que prezam em resguardar seus valores de liberdade e autonomia têm grande dificuldade em permanecer em organizações. Eric Hobsbawn fala no anarquista como aquele cujo “mundo é o mundo em que os homens são regidos

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disposição do temperamento do indivíduo, que o faz reagir de maneira muito pessoal à ação dos agentes externos.

puramente pelas exigências da consciência moral; onde não há outra obrigação e disciplina senão aquelas ditadas pela luz interior” (LÖWY, 2001, p.17). Um anarquista é um homem livre de restrições sociais impostas; daí sua luta contra esse tipo de grupo social.

No desenvolvimento do Pensamento Administrativo, durante boa parte do século XX, os autores empenharam se em estabelecer e aprimorar uma definição de organização. Dado o predomínio e a importância dos grandes sistemas sociais, compreender claramente a organização foi uma obsessão dos estudiosos da Administração com o estruturalismo e com os sistemas. Isso estava de acordo com o permanente crescimento no tamanho das organizações. No esforço de elaborar uma “teoria” da pequena empresa, não é a organização formal e seus conceitos que merecem atenção; a “pequenez” está mais apropriadamente voltada para o que se denomina grupo social ou organização social, pois faltam lhe os aspectos de ter conscientemente planejadas suas atividades e intencionalmente estruturadas suas decisões. A voluntariedade de seu dirigente expressa a espontaneidade do planejamento e das decisões.

Benzer Belgeler