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Mutlak Bozma Sebebi Olarak Savunma Hakkının Kısıtlanması

O assentamento rural Horto Aimorés localiza-se na divisa entre os municípios de Bauru e Pederneiras, centro-oeste do estado de São Paulo, cuja área total equivale a 5.262,13 hectares e o perímetro a 42.246,5 metros. O ponto central compreende as coordenadas: latitude 22º 15’45’’S a; longitude .e 50º38’56’’ W e tem uma altitude média de 534,8 metros (INCRA, 2010).

Quanto à geomorfologia o assentamento está localizado, de acordo com a classificação de Ross e Moroz (1997), sobre a Unidade Morfoestrutural da Bacia Sedimentar do Paraná, Unidade Morfoescultural Planalto Ocidental Paulista, e na Unidade Geomorfológica Planalto Centro Ocidental, essa última caracterizada por formas de relevo denudacionais, com colinas amplas e baixas com topos convexos, aplanados ou tabulares. A altimetria varia entre 300 a 600 metros e, predominam vertentes com declividades médias entre 10 a 20%. Essas características foram observadas durante os trabalhos de campo, e estão ilustradas na Figura 14 a;b.

Figura 14 a;b - Configuração das formas de relevo da Gleba I do Assentamento Rural Horto Aimorés, demostrando o predomínio de vertentes com baixas declividades.

Fotos: Zaher (2013)

No que tange à litologia dos municípios, predominam em Bauru os arenitos do Grupo Bauru, Formação Marília (Km) e Formação Adamantina (Ka). Em Pederneiras prevalecem as rochas intrusivas basálticas do Grupo São Bento, Formação Serra Geral (Jksg), havendo

manchas do arenito do Grupo Bauru, Formação Adamantina (Ka) (IPT, 1981). De acordo com Freire (2006), os arenitos contêm mais de 50% de quartzo na fração areia, resultando em solos de textura grossa, bem arejados, profundos, permeáveis e geralmente, de fertilidade média a baixa. São também mais vulneráveis à erosão, mais ácidos e com menor aporte de matéria orgânica.

Os arenitos da Formação Marília (Km) são definidos segundo o Mapa Geológico do estado de São Paulo (IPT, 1981, legenda), como:

Arenitos de granulação fina a grossa, compreendendo bancos maciços com tênues estratificações cruzadas de médio porte, incluindo lentes e intercalações subordinadas de siltitos, argilitos e arenitos muito finos com estratificação plano-paralela e freqüentes níveis rudáceos. Presença comum de nódulos carbonáticos.

De acordo com o referido mapa (IPT, 1981, legenda), os arenitos da Formação Adamantina (Ka), são:

Depósitos fluviais com predominância de arenitos finos e muito finos, podendo apresentar cimentação por nódulos carbonáticos, com lentes de siltitos arenosos e argilitos, ocorrendo em bancos maciços. Estratificação plano-paralela e cruzada de pequeno a médio porte.

Os solos característicos dos referidos municípios, provenientes dessas rochas são, segundo Oliveira, J. et al. (1999), os Latossolos (LV) e Argissolos (PVA). Entretanto, na área de estudo, de acordo com o mapa pedológico (IAC, 1999), ilustrado na Figura 15, há a ocorrência somente dos Latossolos, nas subordens: Latossolos Vermelhos Distróficos (LV45) e os Latossolos Vermelhos-Amarelos Distróficos (LV56). Cumpre destacar que a escala do mapa é de 1:500.000, ou seja, reconhecimento de baixa a média intensidade, o que compromete o nível de detalhamento desejado.

Figura 15 - Mapa Pedológico dos municípios de Bauru e Pederneiras.

Fonte: IAC (1999)

Os Latossolos (FIGURA 16 a;b) são típicos das regiões equatoriais e tropicais, distribuídos normalmente em relevo plano e suavemente ondulado. São os solos de maior representatividade no Brasil, ocupando cerca de 40% do território, ou seja, 300 milhões de hectares (IBGE, 2001). Ocorrem nas extensas áreas das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

Figura 16 a;b. Perfis de Latossolos. (A) Latossolo Vermelho; (B) Latossolo Amarelo

Foto: Nunes (2011)

Originam-se das mais diferentes variedades de rochas e sedimentos, sob condições de clima e tipos de vegetação dos mais distintos. São muito profundos, sendo a espessura raramente inferior a um metro. Os horizontes têm sequência A, Bw e C; e são pouco diferenciáveis entre si com transições difusas ou graduais (EMBRAPA, 2006). Segundo a Embrapa (2006, p. 82), os Latossolos são definidos, como:

[...] solos constituídos por material mineral, com horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer um dos tipos de horizonte diagnóstico superficial, exceto hístico. São solos em avançado estágio de intemperização, muito evoluídos, como resultado de enérgicas transformações no material constitutivo [...].

Por estarem intensamente intemperizados, nesse tipo de solo, os constituintes minerais secundários são profundamente alterados, havendo na maioria deles, concentração apenas de argilominerais, óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio. Outra característica é a baixa Capacidade de Troca Catiônica (CTC) da fração argila, inferior a 17cmolc/kg, além de serem solos fortemente ácidos (EMBRAPA, 2006). As propriedades físicas constituem-se na textura relativamente uniforme em todo o perfil, que varia entre média a muito argilosa; estrutura composta de agregados subangulares, fracamente desenvolvidos, que se desfazem em outros

muito pequenos; são também porosos, permitindo uma alta permeabilidade classificados entre fortemente a bem drenados (LEPSCH, 2011). De acordo com o referido autor, os latossolos eram considerados como deficitários para a agricultura por seu baixo teor de nutrientes. Todavia, atualmente são utilizados para as atividades agropecuárias, como resultado do avanço tecnológico que permite o uso de fertilizantes químicos, adubos e corretivos para a acidez do solo.

Esses solos são subdivididos pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos em quatro subordens: Latossolo Bruno, Amarelo, Vermelho-Amarelo e Vermelho (EMBRAPA, 2006). Como salientado anteriormente, no assentamento predominam os Latossolo Vermelho Distrófico e Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico.

O Latossolo Vermelho possui “matiz 2,5YR, ou seja, é mais vermelho a partir dos primeiros 100 cm do horizonte B (inclusive BA).” (EMBRAPA, 2006, p. 161), devido aos altos teores de óxidos de ferro presentes no material originário em ambientes bem drenados; textura e estrutura uniforme em profundidade, é propicio para um bom desenvolvimento radicular em profundidade, caso sejam eutróficos e apresentam baixos níveis de fósforo (AGEITEC, s/a).

Já o Latossolo Vermelho-Amarelo é classificado pela EMBRAPA (2006, p. 164), como: “outros solos de cores vermelho-amareladas e amarelo-avermelhadas, que não se enquadram nas classes anteriores”, esses apresentam características físicas e químicas semelhantes aos Latossolos Vermelhos e são recorrentemente utilizados para a agropecuária, tendo limitações de ordem química em profundidade ao desenvolvimento do sistema radicular se forem álicos, distróficos ou ácricos. Outra limitação ao uso desta classe seria a baixa quantidade de água disponível às plantas (AGEITEC, s/a).

Ambos caracterizam-se pelo seu perfil distrófico (solos de baixa fertilidade), com horizonte A moderado, textura média (OLIVEIRA, J. et al., 1999), e baixa saturação por bases (V% <50%) na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B latossólico (EMBRAPA, 2006).

Conclui-se, desta maneira, que a estrutura pedológica característica do assentamento apresenta naturalmente, condições limitantes à produção agropecuária, que associada ao manejo inadequado do solo, representado pela adoção de técnicas conservacionistas anteriores à implantação deste pelos grileiros, pode ter agravado ainda mais a situação, afetando a fertilidade do solo.

No mais, os municípios são classificados, segundo as condições climáticas, por estarem numa região com clima tropical alternadamente seco e úmido (MONTEIRO, 1973).

A precipitação média anual do município de Bauru é de 1.331 mm, tendo janeiro como mês mais chuvoso (precipitação média de 226,6 mm) e agosto o mês mais seco (precipitação média de 25,5 mm). A temperatura média anual é de 22,6ºC, sendo a temperatura média do mês mais frio (julho) de 12ºC e a temperatura média do mês mais quente (março) de 31°C (CEPAGRI, s/a).

O município de Pederneiras tem temperatura média anual de 22,5°C, sendo a temperatura média do mês mais frio (julho) de 11,5ºC e a temperatura média do mês mais quente (fevereiro) de 30,8°C (CEPAGRI, s/a). A precipitação média anual é de 1.173,8 mm, tendo janeiro como mês mais chuvoso (precipitação média de 203,3 mm) e agosto o mês mais seco (precipitação média de 25,5 mm).

A alta das temperaturas e pluviosidade favorece a lixiviação do solo e consequentemente a perda de nutrientes essenciais para uma boa produtividade agrícola; também, acelera a perda de solo pela erosão hídrica que, através do transporte seletivo, carrega primeiramente as partículas coloidais, parte ativa do solo que realizam as trocas químicas, comprometendo a disponibilidade de nutrientes para a vegetação e, portanto, a produção. Essa situação é agravada pelo modelo de ocupação do território, pautado no preparo convencional do solo, que se define pela dizimação da cobertura vegetal preexistente, deixando-o exposto a ação da chuva.

A vegetação dos municípios era composta na sua maior parte pela Floresta Estacional Semidecidual Submontana, comumente conhecida como Mata Atlântica de Interior; por manchas de cerrado e; atividades agropecuárias, de acordo com o Mapa de Vegetação do Brasil (IBGE, 2004). Na Gleba I do assentamento rural Horto Aimorés, é mantida como área de reserva legal, 1.175 ha de mata nativa (INCRA, 2010).

Por fim, no que se refere à hidrografia, os municípios estão inseridos na Região Hidrográfica do Paraná, na Bacia Hidrográfica do Tietê/Jacaré. Nesta, aproximadamente 70% da água de abastecimento público é retirada de um complexo de quatro aquíferos: Cenozóico, Bauru, Serra Geral e Guarani; os 30% restantes são de captações superficiais, de acordo com o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos de São Paulo (SIGRH, 2010). Os rios principais, Tietê e Bauru, são classificados como “bom” ou “regular” pela CETESB (s/a). O assentamento é recortado pelo rio Bauru, que divide a Gleba I da II, com quatro afluentes na área: córrego Água da Prata, córrego do Galvão, córrego Benedito e córrego Vargem Limpa (IBGE c, 1973).