2. TEORİK ÇERÇEVE
2.3 İkiz Açıklar Hipotezi
2.3.1 Geleneksel Keynesyen Görüş
2.3.1.1 Mundell-Fleming Modeli
Peter Singer é um filósofo australiano que escreveu sua primeira obra, Libertação
Animal, em 1973. Nesse texto, ele propôs, a partir dos seus pressupostos teórico-
argumentativos, um combate ao especismo, ou seja, ao preconceito perpetrado contra outros animais em virtude de sua espécie. Embora antes dessa data já tivessem sido feitas algumas discussões sobre o status moral dos animais não-humanos e a consequente obrigação humana de evitar algumas práticas e motivar outras para que a qualidade de vida e a própria vida dos animais não-humanos fossem preservadas, foi só com a publicação dessa obra que se pode ter um material sistematizado e com amplitude sobre o assunto. Nesse sentido, é impossível negar a importância do filósofo australiano para a matéria.
A proposta ética de Peter Singer em relação aos animais não-humanos foi desenvolvida e concretizada por ele em um contexto interessante, qual seja o contexto em que a sociedade ocidental buscava a “libertação de todos os seres vulneráveis à exploração, abuso e à violência individual e institucional”.46 Nesse momento, os movimentos que
combatiam a opressão à mulher e ao negro, por exemplo, estavam fortes. Nesse sentido, Peter Singer propôs a aplicação dos principais pressupostos formais do pensamento ético a todos os casos em que se tinha uma situação de conflito de interesses, a coerência e a imparcialidade. E ainda afirmou que caso esses pressupostos fossem considerados impossíveis de seres aplicados, no caso dos interesses dos animais de outras espécies, seria preciso reconhecer a situação como de nítido especismo.
A base da filosofia de Peter Singer é o utilitarismo preferencial. Para ele, a fundamental importância de algum ser poder ser considerado moralmente é a capacidade de ter interesses. Isso porque, para ele, a única forma defensável do princípio da igualdade, princípio esse tão usado na ética e na política para com os seres humanos, é a sua
46 FELIPE, Sônia. Igualdade preferencial: parâmetros da concepção ética de Peter Singer. In: Org. Maria Cecília Maringoni de Carvalho. O utilitarismo em foco: um encontro com seus proponentes críticos. Florianópolis:
concretização na proposta da igual consideração de interesses semelhantes. Sendo assim, seria incoerente e parcial não atribuir a mesma consideração aos animais não-humanos que tivessem a capacidade de ter interesses. Em suma, para o autor, o que garante a alguém a posse de interesses é a capacidade de ser senciente, o que significa experimentar o mundo com consciência.
Essas exposições teóricas de Peter Singer, as quais geraram e se propuseram, de fato, a gerar tantas consequências práticas importantes no que tange ao tratamento humano para com os animais não-humanos, não foram recebidas com aceitação unânime. Muitas críticas foram enunciadas ao filósofo. Algumas delas foram típicas de uma situação na qual se busca realizar transformações, e foram apresentadas por quem buscava ou manter as condições de utilização de animais não-humanos, como se vinha fazendo há tempos, ou por quem buscava pequenas mudanças no modo de tratá-los, mas sem pensar em alguma alteração do seu status moral. Esses filósofos podem ser chamados de conservadores, pois não estão abertos à mudança do que é tradicional ou mesmo habitual.
No entanto, há outros grupos de filósofos que não se comportaram, teoricamente, de modo a querer manter o padrão de conduta da sociedade, não sendo, portanto, conservadores, mas também se opuseram à linha de investigação teórica de Peter Singer. Esses autores ofertaram diversas razões para não concordarem, integralmente, com o referencial teórico do autor em questão. Um principal oponente é o filósofo estadunidense Tom Regan. Tom Regan tem significativos pontos em comum com o filósofo consequencialista, já que ambos denunciam o especismo e se comprometem com a perspectiva animalista47 de defesa dos animais não-humanos. No entanto, Tom Regan
assume, claramente, uma crítica ao utilitarismo e uma posição deontológica da ética, em que se busca garantir direitos morais e legais para realizar a defesa dos animais não- humanos, visto que ele não tolera a aceitação de Peter Singer, em alguns momentos, da utilização dos animais de outras espécies pelos seres humanos. Tom Regan é, na verdade, um filósofo abolicionista.
Nessa fase de introdução do trabalho argumentativo, é importante esclarecer a respeito dos paradigmas teóricos utilizados pelo autor australiano Peter Singer. Trata-se de
47 Tom Regan pode ser considerado um filósofo animalista, embora, em alguns momentos, ele faça também uma crítica ao fato de Peter Singer só considerar o meio ambiente e os outros animais, os não-sencientes, dentro da comunidade moral em virtude dos deveres indiretos para com os seres sencientes. Essa crítica que ele faz não pode levar o leitor a pensar que Tom Regan é um tipo de ecoanimalista, por isso a ressalva.
um autor que desenvolve uma habilidosa e precisa filosofia moral contemporânea, especialmente no que diz respeito à bioética dos animais não-humanos, porque estuda os casos que se relacionam com os dilemas morais de modo a proporcionar uma substituição das premissas que vinham sendo fundamentais para essa disciplina, quais sejam a da ética da virtude, de Aristóteles, e a da ética dos deveres, de Immanuel Kant, por outra base, tal qual reúne o princípio da igualdade, a consideração dos interesses de todos os envolvidos na ação e o utilitarismo, o que, por sua vez, compromete o seu processo argumentativo com uma série de indicações práticas. A visão de Peter Singer acerca da ética tradicional é a seguinte:
Some philosophers think that the aim of moral theory is to systematize our common moral intuitions. As scientific theories must match the observed data, they say, so must ethical theories match the data of our settled moral convictions. I have elsewhere argued against the inbuilt conservatism of this approach to ethics, an approach which is liable to take relics of our cultural history as the touchstone of morality. [...] Our moral convictions are not reliable data for testing ethical theories. We should work from sound theories to practical judgments, not from our judgements to our theories. [...] I think we should always try to find out as much as possible about the probable consequences of our actions. Without this information, our decisions about what we ought to do should be subject to revision in the light of more complete information.48