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Tablo 10.Turner sendromlu hastalar ile kontrol grubu olgularının korelasyon değerlendirmeler

4.8. Multiple regresyon analiz

A imprensa exerce um grande poder na sociedade. Isso nos faz pensar nas conseqüências do controle de informações, pois uma notícia circulada na imprensa adquire maior credibilidade do que em fatos comentados que circulam fora dela, em forma de boato. Até porque um jornal tem responsabilidades pelo que ele veicula, podendo o autor ser processado em caso de emissão de inverdades.

Certamente, os meios de comunicação, em geral, decidem o que o público deve saber sobre os acontecimentos do mundo. Esse controle é exercido pelos diretores das empresas de comunicação, autoridades políticas e pessoas de grandes influências na sociedade. Pois sabemos que não é incomum os políticos possuírem emissoras de rádios ou serem donos de jornais e emissoras de televisão, para poder também controlar os discursos, manipulando-os sempre de acordo com os seus interesses.

Prova de que o controle da imprensa existe há muito é o fato de que a imprensa no Brasil só surgiu a partir de 1808, porque, desde o colonialismo, Portugal proibira a criação da imprensa com receio de correr o risco de uma ameaça ao seu poder sobre o Brasil (Barbosa, 2001). Outro momento muito marcante, ainda, foi a censura dos meios de comunicação pelo governo, após a revolução de 31 de março. O decreto AI-5 (Ato Institucional Número Cinco), de dezembro de 1968, limitava a liberdade de imprensa, instituindo censores na imprensa em geral. Desde então, era determinado o que poderia ou não ser publicado, fato esse que levou a

muitas desavenças e atos de revolta. E, só em 1979, a extinção da censura na imprensa veio a ocorrer. Tudo isso é prova de que existe uma rede de relações e um complicado jogo de interesses por trás da imprensa.

Mas, não apenas o governo age como sensor da imprensa. Aqui, incluem-se também os proprietários dos jornais e emissoras de rádio e TV, pois sabemos que uma matéria escrita por um jornalista repórter, que foi à busca de informações, nem sempre foi uma escolha sua. Na maioria das vezes, ele segue uma pauta determinada pelas chefias dos jornais, definindo os assuntos a serem noticiados. O repórter produz o texto notícia que passa pela vistoria dos editores que são chefes de seções ou cadernos. Os editores exercem também um papel de sensores, cuja atividade é definir o que vai ser editado e o que deve ser cortado, adequar o título, dar o enfoque. E, finalmente, a notícia passa pelo editor-chefe, quem deverá aprovar ou reprovar a matéria. Dessa forma, todos os setores seguem uma linha de pensamento do jornal.

Certamente, sendo o jornalista um indivíduo que sofre as influências do meio social, detentor de idéias e crenças, ele também pode ser a causa da informação tendenciosa, deixando entrever a sua visão de mundo.

O exemplo de Van Dijk (2000) é oportuno; o autor faz um comentário sobre a suposição de “imparcialidade” das representações da notícia (de companhias radioemissoras públicas como a BBC) que é posta em questão pela descrição tendenciosa das greves, favorecendo àqueles que estão no poder, por meio de viés, detectáveis em pequenos e sutis detalhes do relato noticioso (estilo, turnos em entrevistas, tomadas de câmeras, etc.).

Dessa forma, apesar da aparente neutralidade, então, o jornalismo apresenta a forma tendenciosa de apresentar suas notícias, omitindo determinadas informações, o que vai contra a ética do jornalismo. Isso, principalmente quando ocorre intencionalmente. Mas a urgência em lançar uma notícia poderia também conduzir a uma falha na investigação ou à omissão de dados. Isso sem contar a utilização da linguagem para impedir a comunicação de informações. Nesse sentido, Gnerre (1991) afirma que a linguagem é utilizada de forma que grandes setores da população não tenham acesso a ela. As notícias políticas de um Jornal Nacional, por exemplo, são pouco entendidas pelas camadas de baixa escolaridade. A linguagem usada e o quadro de referências dado como implícitos servem de filtro das comunicações de informações; certamente, só a classe que já tem contato com a linguagem padrão e conteúdos a ela associados pode, por assim dizer, compreender melhor as informações circuladas pela mídia.

Tudo isso que acabamos de constatar, levam a crer que não existe uma total neutralidade, a imparcialidade, defendida no meio das informações. Aliás, a própria neutralidade já é considerada uma opção, uma escolha, portanto, ideológica.

Exemplo de não-neutralidade do jornalismo são as pesquisas de Ibope a respeito dos candidatos ao governo municipal, estadual ou federal em épocas de eleição. Pela maneira de divulgar os resultados, de manejar a linguagem, observamos a forma tendenciosa, manipuladora que existe nos meios de comunicação. Para ilustrar isso, tomemos o exemplo citado por Clóvis Rossi apud Barbosa (id. ibid), em O que é o jornalismo, sobre o resultado apurado pela pesquisa de Ibope quanto à avaliação da atuação de Collor como Presidente da República.

8% achavam o governo ótimo 27% achavam o governo bom 44% achavam o governo regular 8% achavam o governo ruim 11%achavam o governo péssimo 2% não responderam.

A Rede Globo somou os conceitos ótimo, bom e regular e informou que 79% da população aprovavam o governo Collor, 19% não aprovavam e 2% não respondiam. Como comenta o autor, o conceito regular não é indicação de aprovação ou desaprovação.

Desse modo, o discurso apresentado por diferentes jornais produz diferentes efeitos, intencionalmente, através da manipulação da linguagem.

É preciso, pois, que busquemos o relato de um fato em diferentes jornais, revistas e meios de comunicação, através de uma leitura crítica, para que possamos nos aproximar mais da veracidade dos acontecimentos.

Embora a neutralidade apregoada nos meios jornalísticos não exista na realidade, alguns jornais buscam a imparcialidade em maior ou menor grau.

Para Mosca (2002), também, ao referir-se a essa questão, a realidade é que os profissionais se vêem cada vez mais pressionados pelas coerções econômicas ligadas à concorrência e à necessidade de atingir recorde de audiência. Condicionados pela rapidez das transmissões via satélite e pela preocupação com o noticiário instantâneo, resta-lhes pouco tempo para analisar a abundância de informações e verificar as fontes. Havendo de incluir aí, ainda, as pressões do poder e dos partidos políticos. Além disso, a conivência de muitos organismos da imprensa com os partidos políticos supre-lhes o direito de exercer a legítima função que lhes cabe: a resistência.

Ainda, para a autora, a questão da neutralidade cede espaço à pluralidade de opiniões, a não ser em se tratando de “grandes temas”, que têm um auditório universal, campo das idéias largamente aceitas, não sendo passíveis de desacordo ou toquem os interesses da maioria envolvida.

Pelo fato de transmitir informações ser uma das funções da linguagem, isso não torna a mídia um veículo dessa função; aliás, para que isso se dê, ocorre uma elaboração conjunta dos participantes do ato de comunicação.”Há, pois, que contar com um jogo de subjetividade cujo produto final não se assenta especificamente em uma das partes consideradas” (Mosca, 2002, p. 14). “O enunciador-jornalista não é um simples mediador em relação ao leitor, aquele que ausculta a voz da coletividade para interceder por ela, para representar o seu universo. A

opinião pública torna-se, hoje, tão forte...” (Id. p. 14), que ao leitor cabe o controle da situação na maior parte.

Segundo Faria (1994, p. 48), o jornal que conhecemos hoje originou-se na França no século XV (Gazette de France), quando, pela primeira vez, falou-se da neutralidade e da objetividade da informação jornalística. O Jornalista Théophraste Renaudot pretendia, segundo a autora, fornecer informações de fatos despojados de conotações afetivas, através de uma “exposição seca”, o que nem sempre foi de agrado dos leitores. E, apenas no século XIX, com a emancipação da comunicação jornalística, com as grandes agências internacionais de notícias, nasceu definitivamente a informação com pretensões de neutralidade, factual, desprovida de condições ideológicas ou partidárias (Paillet apud Faria, 1994). Essa impessoalidade e objetividade, porém, são desmentidas pelo fato de essas agências internacionais pertencerem a grandes grupos econômicos, como as de países capitalistas ou de governos socialistas, que filtram as notícias que lhes interessam e utilizam tipos de discurso que servem aos seus propósitos ideológicos e políticos (id.ibid.). Para Paillet, há duas linguagens nos jornais: a da notícia e a jornalística; naquela, o discurso referencial é utilizado para informar os dados essenciais dos fatos; nesta, a linguagem é crítica, ideológica, adotada pelo jornal ou pelo redator do texto. É preciso, então, segundo ele, advertir sobre essas duas linguagens para que o leitor não caia nas armadilhas do texto ideológico (não necessariamente de assunto político).

Existem diferentes jornais em circulação, desde aqueles que procuram maior sensacionalismo (uso de escândalos, atitudes de chocar) até aqueles mais sérios, destinados a diferentes públicos e de diversas camadas sócio-econômicas e culturais.

Véron (1980, p.226), quanto a isso, fala sobre dois tipos de semanários da França: o popular, que privilegia acontecimentos que alguns chamam de faits divers (crônicas de

acontecimentos); e o semanário burguês, que “não apresenta, habitualmente, acontecimentos

singulares identificados no seu enquadramento, mas expressões que não informam acerca de acontecimentos singulares”. Para o autor, há uma grande disparidade entre esses dois jornais, desde o conteúdo, entre os acontecimentos evocados num e nos outros e mesmo quanto ao campo semântico.

Há diferentes jornais, nos quais neles se entrevêem diferentes linguagens e funções diversificadas, conforme o público a quem se destina e aos objetivos

pretendidos. É procurando sensibilizar ou causando emoções que jornais

sensacionalistas procuram envolver seus leitores. Geralmente esse tipo de jornal atinge a classe menos prestigiada e menos letrada que os jornais mais

conservadores e austeros, que têm como leitores a elite cultural e a classe média e alta da sociedade. Um exemplo a citar é o Grupo Folha, cujos diretores controlavam três jornais, conhecidos pelo país todo: Folha de São Paulo (FSP), Notícias

Populares (NP) e Folha da Tarde (FT). Atualmente, há apenas A Folha de São Paulo e Agora São Paulo (substituindo em alguns aspectos a Notícias Populares). A FSP, por exemplo, se enquadraria no dominante referencial e é destinado a leitores de classe mais escolarizada ou especializada em diferentes áreas de conhecimento (economia, política, cultura, etc.); já as NP são direcionadas a um público mais popular, enquanto que a FT dirigida à classe média sem grandes pretensões

intelectuais, mas interessada em se informar sobre as principais notícias, apresenta a função referencial e/ou expressiva.

Esses diferentes jornais têm como objetivo principal atender a diferentes tipos de leitor, cada qual com um estilo diferente, atendendo a leitores de diferentes perfis, para aumentar conseqüentemente o potencial de vendas.

Benzer Belgeler