I- ABBASÎ KARŞITI İSYANLAR DÖNEMİ (133-194/751-810)
4. Mukanna İsyanı
A promoção da industrialização do País exigia um grande esforço para criação das condições necessárias, sobretudo em infra-estrutura e na produção de insumos básicos, não havendo no Brasil, na fase inicial do processo de industrialização nacional, nem capitais privados suficientes, nem capitalistas empreendedores dispostos a fazê-lo, em virtude de se requererem “investimentos de alto risco, elevado volume de capital, longo tempo de maturação e retorno lento e demorado” (BRUM, 2000:206).
Como no cenário internacional também não havia a disponibilidade de capitais, em decorrência da crise mundial de 1929, o sucesso de uma iniciativa destas somente poderia ser concretizado a partir da ação do Estado, que foi assumindo progressivamente o papel de principal agente do desenvolvimento capitalista brasileiro, ora exercendo a função de produtor, ora de protetor da indústria nacional frente à concorrência estrangeira.
Dada a impossibilidade de se ter no Brasil uma industrialização pela via evolutiva como ocorrido nas nações pioneiras, coube ao Estado brasileiro a tarefa de criar as condições necessárias para a sua realização: reunir os capitais indispensáveis, utilizando ao máximo a poupança interna; criar empresas estatais nos setores básicos; direcionar os possíveis investimentos privados existentes; estabelecer reservas de mercado para proteger a indústria nascente, proporcionar estímulos, subsídios, isenções e incentivos fiscais; patrocinar a formação de um mercado interno. Todos esses fatores levaram a uma tendência de estatização da economia brasileira que, através das suas empresas estatais, assumiu a função de tutelar e conduzir o processo de desenvolvimento brasileiro (BRUM, 2000).
Além desses fatores ligados às condições econômicas, outros elementos de natureza sócio-política-cultural justificavam a existência de um Estado forte na promoção do desenvolvimento nacional, dentre eles cita-se: a fragilidade da iniciante burguesia, a fragmentação cultural da sociedade, o baixo nível de coesão social, a fraca base cultural, a forte tradição paternalista/ cartorial, e a limitada consciência histórica dos vários segmentos sociais. Portanto, para Brum (2000:206/ 207), “diante da fraqueza do empresariado nacional, o Estado devia suprir-lhe as deficiências, ocupar o espaço disponível e dirigir o processo” criando, assim, “(...) as condições objetivas (econômicas, sociais, políticas e culturais), (...) indispensáveis à alavancagem do processo de industrialização e ao processo de acumulação do capital” .
No governo Kubitschek, o Estado passa a assimilar novas funções e desempenhar o papel de indutor do processo de industrialização brasileira. Atuando como empresário, ele concentrava-se no controle da indústria básica e na diversificação e modernização dos setores de infra-estrutura, buscando no mercado financeiro externo e nos mecanismos inflacionários os recursos necessários para seus investimentos. Como regulador, normatizava a entrada de capitais externos privados, estabelecendo regras quanto à utilização interna destes capitais e sua associação com os setores privados nacionais. A materialização desta modalidade de intervenção está no Plano de Metas, que consistia num programa de investimentos em setores estratégicos, onde se buscou estabelecer as relações entre o Estado e a economia
nacional através da integração dos setores público, privado nacional e privado internacional.
No governo dos militares intensifica-se ainda mais a presença do Estado na esfera econômica. I mpelido pela necessidade de ofertar infra-estrutura e bens intermediários, o Estado instala novas empresas estatais financiadas com empréstimos externos; destacando-se os investimentos em telecomunicações, energia elétrica e siderurgia. Conforme destaca Brum (2000: 303-304):
Criaram-se mais empresas estatais do que em qualquer outro período da história do país. Mesmo assim as classes econômicas, que tem um discurso contrário à intervenção do Estado na economia, apoiaram o regime. Quando favorece o capital, a intervenção do Estado é bem aceita pela burguesia.
Nesse período, de acordo com Andrade (2001), o padrão de desenvolvimento foi marcado pela preponderância do referencial tecnológico, uma vez que o avanço da tecnologia era quem propiciaria uma maior produtividade, maiores taxas de lucro e investimentos, visão que orientou as ações do Estado desenvolvimentista na América Latina.
Observa-se, portanto, que o modelo de desenvolvimento implementado no Brasil na década de 1930, e que perdurou como hegemônico até a década de 1970, era fundado sobre o seguinte tripé: abundância de recursos naturais e energéticos, aumento da produtividade do trabalho e presença do Estado desenvolvimentista, o que evidenciava uma priorização de ordem quantitativa baseada nos níveis de crescimento econômico (BUARQUE, 1999).
Dentro dessa realidade, a economia crescia de forma extensiva, sendo estimulada pelos seguintes fatores: consumo de massas, ganhos de escala e rentabilidade das empresas, consolidando um modelo econômico que parecia praticamente inabalável. Um dos resultados dessa concepção foi à ocorrência de acentuado crescimento econômico com base industrial na região Sudeste, em parte às custas da estagnação, atraso e mesmo perda de espaço político e econômico das demais Regiões, sobretudo da Região Nordeste.
Assim, percebe-se que no Brasil, principalmente durante a chamada "era de ouro" (1945 a 1973)4, o conceito de desenvolvimento era sinônimo de crescimento econômico, sendo o bem estar social uma decorrência natural deste. É relativamente recente o predomínio da compreensão de que o crescimento econômico está ligado ao aumento contínuo do produto nacional, ao longo do tempo, implicando numa melhor eficiência do sistema produtivo, e que o conceito de desenvolvimento leva em consideração o bem-estar da sociedade, entendido como a diminuição dos níveis de pobreza, desemprego e desigualdade, bem como a melhoria das condições de saúde, nutrição, educação, moradia e transporte.
Para Albuquerque (1995:130/ 138), este “modelo de desenvolvimento caracterizado pela industrialização substitutiva de importações, lastreado na integração nacional e liderado pelo Estado”, sempre esteve associado ao comando de uma parte da sociedade: as elites tradicionais (oligarquia do café e agro- exportadores) e industriais, ficando quase sempre “apartado” dos interesses e necessidades da grande maioria da população. Para o autor,
(...) este era o pano de fundo que consolidou o nacional-desenvolvimentismo, polarizado no Estado como superinstituição que prevaleceu por quase meio século, seja nos períodos politicamente fechados (1937-45 e 1964-85), seja no interregno de democratização (1945-64) (ALBUQUERQUE, 1995:138).
Percebe-se, nesse período, um “agigantamento” e uma sobreposição do Estado em relação à sociedade, assumindo aquele, com centralidade, o planejamento e a operacionalização das políticas de nacionalização da infra-estrutura e do desenvolvimento industrial brasileiro, ou então, orientando, através de estímulos fiscais e financeiros, as decisões e ações privadas consentâneas com o projeto nacional, por ele definido.
No auge dessa sobreposição, mercado e sociedade seguiram complacentes, os desígnios do Estado, que liderou, incontestavelmente, o processo de desenvolvimento quantitativo do País, tendo se transformado, nesse período, em uma gigantesca e centralizada instituição, “que tudo pretendia prever e prevenir e quase tudo procurava prover e programar, (...) seja mediante vultosos investimentos
públicos em infra-estrutura básica (transportes, energia, comunicações), seja empresariando atividades diretamente produtivas (em petróleo, em mineração, em siderurgia), chegando a responsabilizar-se por mais da metade da formação bruta de capital fixo do País” (ALBUQUERQUE, 1995:139).
Diante do exposto, pode-se afirmar que a adoção do modelo desenvolvimentista reforça uma maior intervenção governamental na economia brasileira, marcando um período de expressivo crescimento econômico. Contudo, este crescimento não se mostrou capaz de alterar a realidade de desigualdades vivenciadas no País, que continuou a ser marcado pela injustiça social, sobretudo quando se trata de variáveis como distribuição de renda e desigualdade regional, sendo esta uma das mais graves conseqüências do processo histórico através do qual se desenvolveu a economia brasileira.
2.3. Crise do modelo de intervenção estatal brasileiro e a necessidade de