• Sonuç bulunamadı

Me’mun’un Horasan’daki Faaliyetleri (193-202/808-818)

II- MERKEZİ İDARENİN DOĞUYA KAYMASI (194-262/810-875)

1. Me’mun’un Horasan’daki Faaliyetleri (193-202/808-818)

Os anos 90 marcam o predomínio, em nível mundial, da necessidade de se pensar um modelo de desenvolvimento que equacionasse a relação entre meio- ambiente e crescimento econômico. Essa preocupação já se fazia presente desde a década de 1970, porém, como os indicadores econômicos se mantinham em patamares elevados no período de vigência do intervencionismo desenvolvimentista, não se tinha espaço para o questionamento do modelo economicista-quantitativo adotado pelo desenvolvimentismo, o que só veio a ocorrer a partir da década seguinte, com o arrefecimento da economia mundial e a emergência de novos

indicadores para mensuração dos processos de desenvolvimento, que substitui uma visão centrada no crescimento econômico a qualquer preço por outra visão, centrada agora na ampliação das capacidades individuais das pessoas e no respeito aos limites da natureza.

Havia já desde a década de 1970, segundo Camargo (2003:66), duas visões dominantes a esse respeito: a visão dos partidários do “crescimento zero”, que apontavam para o esgotamento dos recursos naturais e a incapacidade do progresso técnico-científico para superar esses limites; e a visão dos partidários do “crescimento selvagem”, que confiavam cegamente na capacidade ilimitada de superação dos problemas de escassez em decorrência dos ajustes tecnológicos. Desde esse período, a ONU promoveu conferências internacionais para debater o binômio ecologia-desenvolvimento, sendo a Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, a primeira dessas oportunidades.

Percebe-se, então, que a primeira preocupação com o surgimento de uma nova visão de desenvolvimento estava pautada na dimensão ambiental da sua realização. Parte daí, portanto, a expressão “ecodesenvolvimento” que Sachs, citado por Camargo (2003:67) definiu com um “desenvolvimento socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente prudente” que visava, segundo o autor, amenizar a polêmica entre o “crescimento econômico” e a “conservação ambiental” referida anteriormente.

Os princípios básicos dessa nova visão de desenvolvimento foram definidos também por Sachs, devendo estes guiar os caminhos do desenvolvimento. São eles: a) a satisfação das necessidades básicas; b) a solidariedade com as gerações futuras; c) a participação da população envolvida; d) a preservação dos recursos naturais e do meio-ambiente em geral; e) a elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas; e, f) programas de educação (CAMARGO, 2003:66).

Apesar do forte apelo ecológico da proposta de ecodesenvolvimento, percebe- se a partir da análise da definição e dos princípios do novo modelo de desenvolvimento, uma grande integração existente desta com outras dimensões não estritamente ambientais ou econômicas, sobretudo a social, a política e a cultural, o

que seria responsável por garantir a efetividade do novo modelo ou, mais simplesmente, a sua sustentabilidade.

A sustentabilidade passou a ser vista, então, como pré-condição a ser perseguida em todas as políticas de promoção de desenvolvimento, incorporando-se nos discursos de governantes, empresários e de setores da sociedade civil. Assim, esse adjetivo (sustentabilidade) aliado ao substantivo “desenvolvimento”, dá origem à expressão (desenvolvimento sustentável) que designa um modelo de desenvolvimento que assegure ao mesmo tempo crescimento econômico, inclusão social e proteção do meio-ambiente.

Há na atualidade, várias definições e elaborações sobre o termo desenvolvimento sustentável, dispostas em Camargo (2003:71/ 73), que vão desde as mais visionárias: “modelo de desenvolvimento que satisfaz às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”; até as mais técnicas: “o desenvolvimento sustentável significa, fundamentalmente, discutir a permanência ou a durabilidade da estrutura de funcionamento de todo o processo produtivo sobre o qual está assentada a sociedade humana contemporânea”.

Das várias definições apresentadas por Camargo (2003), duas chamam a atenção: a de Dália Maimon (1996) e a do Center of excellence for sustainable

development (2001). Percebe-se nas definições abaixo, a importância da mudança

institucional para a efetivação do desenvolvimento sustentável (colocada na primeira), e o papel protagonista que as comunidades devem assumir na sua operacionalização (ressaltada na segunda).

O desenvolvimento sustentável busca simultaneamente a eficiência econômica, a justiça social e a harmonia ambiental. Mais do que um novo conceito, é um processo de mudança onde a exploração dos recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento ecológico e a

mudança institucional devem levar em conta as necessidades das gerações futuras (MAI MON citado por CAMARGO (2003:72).

O desenvolvimento sustentável é uma estratégia através da qual

comunidades buscam um desenvolvimento econômico que também beneficie o meio ambiente local e a qualidade de vida. Tem-se tornado um

importante guia para muitas comunidades que descobriram que os métodos tradicionais de planejamento e desenvolvimento estão criando, em vez de resolver, problemas sociais e ambientais. Enquanto os métodos tradicionais podem levar a sérios problemas sociais e ambientais, o desenvolvimento sustentável fornece uma estrutura através da qual as comunidades podem usar recursos mais eficientemente, criar infra-estruturas eficientes, proteger e melhorar a qualidade de vida, e criar novos negócios para fortalecer suas economias. I sso pode nos auxiliar a criar comunidades saudáveis que possam sustentar nossa geração tão bem quanto as que vierem CENTER OF EXCELLENCE FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT citado por CAMARGO (2003:73).

Para Camargo (2003:74), “apesar da diversidade de abordagens, todas parecem buscar traduzir o espírito de responsabilidade comum e sinalizar uma alternativa às teorias e aos modelos tradicionais de desenvolvimento, desgastados numa série infinita de frustrações”. Ou seja, o desenvolvimento sustentável é, antes de tudo, uma alternativa aos modelos tradicionais de desenvolvimento, sendo muito mais uma “declaração de como deveríamos viver sobre o planeta e uma descrição de características físicas e sociais que deveriam existir no mundo” do que um modelo para ser seguido e/ ou copiado. Portanto, mais que um novo conceito, pode-se dizer que com a incorporação do adjetivo “sustentabilidade” vê-se emergir uma nova filosofia sobre desenvolvimento5.

O ponto comum destas discussões sobre desenvolvimento sustentável está no entendimento de que: a) não existe um modelo pronto e cada comunidade deve construir o seu caminho; b) deve ser um processo endógeno, portanto, construído de baixo para cima e de dentro para fora; c) a sua base não deve ser apenas econômica e/ ou ambiental; d) deve estar voltado para o atendimento das necessidades básicas de todos os indivíduos e não apenas de alguns setores privilegiados.

I nstaura-se, portanto, um novo paradigma de desenvolvimento, que amplia as discussões de sua promoção para além da esfera econômica do crescimento quantitativo e incorpora a participação da sociedade civil na discussão e operacionalização das políticas de desenvolvimento, que passou a ser uma condição

5 Filosofia: Concepção do mundo que explica cientificamente a natureza e a sociedade, estabelecendo as leis de

indispensável para a sua sustentabilidade, que por sua vez deve ser entendida para além das dimensões econômica, social e ambiental (que formam o tripé do novo paradigma), mas que deve inserir também a preocupação com as dimensões política e cultural, condição necessária para garantir que o discurso “aconteça” de fato.

A primeira questão levantada frente ao novo padrão de desenvolvimento refere-se aos atores sociais responsáveis pela sua promoção, uma vez que a nova proposta rompe com o “modelo economicista-tecnológico, representando uma quebra de interesses e práticas fortemente sedimentadas nas instituições públicas e privadas” (ANDRADE, 2001:30).

Ao se considerar que os interesses dos representantes do capital sempre tiveram à frente dos processos do padrão anterior de desenvolvimento e que a nova proposta procura corrigir essas distorções, propondo uma redefinição de prioridades e formas de atuação, bem como o fato de que, historicamente a sociedade civil brasileira sempre esteve afastada de toda a discussão e implantação das políticas de desenvolvimento, fica ainda mais distante a identificação de possíveis atores responsáveis pela promoção de uma proposta de desenvolvimento sustentável.

As questões levantadas acima, dão conta da dificuldade de se aderir a essa nova proposta de desenvolvimento, “principalmente para o Estado, principal ator no processo de alavancagem do desenvolvimento da América Latina e tradicionalmente atrelado aos padrões anteriores de intervenção” (ANDRADE, 2001:31).

É por essa razão que, para a autora, a ocorrência do desenvolvimento sustentável precisa estar atrelada a uma reforma do próprio Estado, reforma essa que não pode ficar restrita ao aparato burocrático das organizações públicas, mas que englobe a sociedade como um todo, que em última instância é quem define o próprio Estado. Essa “reforma geral” torna-se necessária uma vez que, na nova proposta, não será nem apenas o aparelho burocrático do Estado, nem tampouco somente as leis do mercado que serão capazes de regular os mecanismos de funcionamento de um padrão de desenvolvimento baseado na sustentabilidade, cabendo ao conjunto da sociedade, através de suas organizações, ser a força propulsora indispensável para fazer valer a nova realidade.

Como visto, um dos elementos diferenciais do desenvolvimento sustentável em relação ao padrão anterior, é justamente o fato de sua base não ser apenas econômica, mas também ambiental, social, política e cultural. A cultura local aparece nessa proposta como um elemento importante na busca da sustentabilidade, cuja concretização só é possível num processo crescente de participação social e de valorização das tradições e histórias locais.

2.4.1. A operacionalização do princípio da sustentabilidade: a estratégia de desenvolvimento local

O desenvolvimento local vem aparecendo com muita freqüência nos discursos acadêmicos, políticos e econômicos, como sendo a estratégia mais eficiente para a implementação de uma nova proposta de desenvolvimento em bases mais sustentáveis, com ênfase na participação social. Nestes discursos, o local é comumente apresentado como o entorno econômico-sócio-territorial (município ou Região) onde, aproveitando-se as vantagens competitivas locais, busca-se construir as múltiplas dimensões do desenvolvimento sustentável (econômico, social, ambiental, político e cultural).

Nas ciências sociais, existe uma ampla diversidade de definições sobre o local, mostrando que não se trata absolutamente de um discurso unívoco. Para Bourdin (2001), o local pode ser definido como uma circunscrição projetada por uma autoridade, em razão de princípios que vão desde a história a critérios puramente técnicos; em outros casos, o conceito exprime a proximidade, o encontro diário; e em outros, ainda, a existência de um conjunto de especificidades sociais, culturais bem partilhadas.

A concepção de desenvolvimento local vivenciada no Nordeste do Brasil, identifica-o como uma estratégia de intervenção social que busca, diante dos impactos da globalização, novas alternativas de desenvolvimento, mais sustentáveis, mais protagonistas, que respondam, no âmbito do espaço territorial, aos desafios do desemprego, da exclusão social, da cidadania e da melhoria da qualidade de vida (ZAPATA, 1997).

Não se trata, entretanto, de uma visão reducionista; que exclua a importância das macro-políticas nacionais e/ ou regionais, mas sim de um outro enfoque sobre a problemática do desenvolvimento. É, portanto, um olhar sistêmico que contempla a interseção entre o local/ global, global/ local, rearticulando um novo compromisso social onde o crescimento econômico e a eqüidade social possam caminhar juntos.