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5. MUHASEBE MESLEĞİ EĞİTİM SÜRECİNDE ETİK ALGISININ

5.7 Araştırmanın Bulguları ve Detay Analizi

5.7.2 Araştırma Hipotezlerinin Test Edilmesi

5.7.2.4 Meslek etiği ile ilgili değişkenler arasındaki ilişkinin

Motivados pela importância da compreensão interpessoal, em especial, do desacordo em uma reunião de trabalho realizada em uma empresa imobiliária brasileira, sediada num bairro de classe média da zona oeste de São Paulo, examinamos a expressão desse comportamento em um contexto de poder atribuído institucionalmente, a fim de verificarmos a sua função discursiva na sequência da interação e de estabelecermos as relações com a preservação da face, nos termos de Brown e Levinson (1987).

Embora o estudo apresente necessário recorte imposto pelo objetivo da pesquisa e discussão baseada em dados coletados em um único tipo de evento comunicativo – uma reunião de trabalho – permite-nos fazer considerações e atribuir algumas contribuições, apontando outros aspectos possíveis de investigação.

Uma consideração refere-se às limitações desta pesquisa em termos de triangulação de dados. A falta de acesso direto e freqüente à empresa imobiliária na qual a reunião foi realizada restringe um estudo mais verticalizado que possibilitaria a ratificação da interpretação dos dados.

Outra consideração é de natureza metodológica. Este estudo mostrou-nos a difícil tarefa de analisar a linguagem em seu espaço de ação, especificamente, a interação face a face, considerando todas as complexidades que a constituem e que, ao mesmo tempo, são fundamentais para uma análise que se pretende fiel. Em particular, analisar o desacordo é um desafio, pois a literatura existente – que não é pouca – se limita a analisar e mostrar exemplos de interação diádica ou triádica (gerenciada por um mediador), demonstrado que o desacordo é caracterizado por tipos específicos de recursos e de estrutura seqüencial. Contrariamente, analisamos o desacordo em interação com várias partes e mostramos que sua expressão pode ser materializada por diferentes recursos tanto de ordem lingüística quanto de ordem seqüencial da conversa, exigindo do analista a observação de aspectos, que num primeiro olhar, parecem insignificantes, mas na estrutura macro da interação são significativos para o entendimento de seus propósitos e para o estabelecimento das relações interpessoais em jogo na interação, necessitando, portanto, da contribuição de várias perspectivas metodológicas.

A análise cumulativa da interação na reunião veio confirmar duas teses já postuladas por estudiosos da linguagem: a primeira é a de que as escolhas

lingüísticas dos participantes revelam suas intenções; deixam à mostra suas identidades, e seus valores ideológicos (LEMKE, 1998; MARTIM, 2000; EGGINS; SLADE, 1997; GOFFMAN, 1967; 1998a etc.). A segunda é a de que a as estratégias discursivas utilizadas pelos participantes, em situações sociais de interação, são formas de perseguir metas, exercer, legitimar, representar os papéis institucionais e reproduzir as estruturas de poder e dominância social (FOWLER, 1979; 1991; FAIRCLOUGH (1989; 2001; van DIJK, 1993; 2009; KRESS, 1989 etc.). Esses fatos mostram o quão importante é estudar as relações interpessoais no discurso e o quanto a interpessoalidade pode interferir nas questões como empatia, sucesso pessoal e profissional e resolução de problemas interacionais, em quaisquer ambientes.

À guisa de contribuição, a primeira seria teórica, como possíveis sugestões de objetos de investigação, questões voltadas à relatividade do conceito e ao uso de estratégias de polidez e ao desacordo. Segundo os postulados de Brown e Levinson (1987), as pessoas com maior distância social tenderiam a ser mais polidas com as mais poderosas. Nossos dados revelaram que o mais poderoso também faz uso de polidez para com os menos poderosos, deixando claro, portanto, que a polidez é um conceito relativo e deve ser considerado à luz da situação que é analisada e dos objetivos que os participantes querem atingir. Especificamente sobre o desacordo, seria pertinente o desenvolvimento de pesquisas que envolvam a investigação da discordância em interações com várias partes e em diferentes contextos, a fim de verificar três aspectos que parecem relevantes: as características da formação de alianças; a inter-relação entre as ações de desacordo e as metas ou propósitos da interação; à forma como essa ação linguística é ouvida em nossa cultura.

O contexto educacional, especificamente a sala de aula, seria um dos ambientes propícios à pesquisa dessa natureza, tendo em vista que a aula é uma interação com vários interlocutores, em que o desacordo entre professores e alunos são frequentes e geram conflitos que, muitas vezes, um ou outro precisa afastar-se da sala por sentirem suas faces ameaçadas. Acreditamos que muitas seriam as contribuições dessas pesquisas na formação do professor, pois saber a relevância das questões interpessoais na interação pode contribuir para o sucesso da aula e, por conseguinte, facilitar o desenvolvimento de competências e habilidades outras no processo de ensino e de aprendizagem.

A segunda é de natureza prática. Apesar de o estudo não ter foco explicitamente aplicado – entendendo por aplicado o tratamento de uma questão em contexto particular com vistas a propor soluções/modificações/ caminhos alternativos para o cumprimento e de uma determinada meta –, acreditamos que na área da Lingüística Aplicada, o trabalho pode subsidiar a oferta de consultorias estruturadas para atender problemas comunicacionais e cursos de aperfeiçoamento específicos a empresas, visando a tornar consciente o papel que a linguagem exerce, tanto para atingir metas relacionais, quanto objetivos organizacionais e transacionais, e nesse sentido, contribui também para a expansão do campo de trabalho do lingüista aplicado.

Este trabalho também faz uma contribuição para os projetos Recursos para a realização do ato de fala indireto: suas implicações no trabalho de face e na persuasão através da avaliação implícita; “DIRECT: Em direção à linguagem dos negócios” e Análise Crítica e Linguística Sistêmico-Funcional (ACLISF), somando a suas investigações e reflexões os resultados aqui encontrados.