BÖLÜM 1: ELEŞTİREL JEOPOLİTİK: MEKAN TAHAYYÜLLERİNİ
1.2. Muhalif jeopolitik (dissident geopolitics)
Sempre seguindo o discurso da leveza, vemos a partir de “Paolina” um núcleo narrativo dentro do livro, são exatamente quatro poemas em seqüência em que se vê o desenrolar – com início, meio e fim – de uma singela história de amor, sua paixão por Paolina, um amor intenso e fugaz, mas vero amore. Existe, ao longo de toda a coletânea, referência direta ou indireta a essa moça, mas, se verificarmos mais estritamente, os poemas em que se dá o desenrolar efetivo da história são: “Paolina”, “L‟ultimo amore”, “L‟addio” e “Dopo un mese”. A imagem delineada ao longo desses poemas é a de um amor ingênuo, puro como a mocinha, mas ao mesmo tempo com um quê de sensualidade, nunca contudo uma sensualidade carregada, e sim instintiva e não maliciosa, como a sensualidade de uma moça que está no limite entre a mulher e a menina. Vale ressaltar que esse amor não foi correspondido. Poder-se-ia imaginar ou esperar um tratamento carregado de certo pesar pela não correspondência; em vez disso o que temos é sempre um retrato repleto de carinho e doçura.
A começar por “Paolina”, temos uma louvação que introduz a história e apresenta a moça, delineada sempre como uma figura com contornos meio esfumados, angelical, um pouco nos moldes de uma certa tradição que remonta ao longínquo dolcestilnovismo e que procura louvar a mulher aproximando-a de elementos associados à pureza. Aqui a imagem dessa figura feminina nos chega de forma indireta, por meio de associações a tudo aquilo que é puro e imaculado, configurando-a ao mesmo tempo ingênua e áulica, ou, se quisermos, aproximando-a da figura de uma espécie de virgem imaculada, mas com um certo tom de sensualidade, ou seja, com um tom que oscila entre o gracioso/sensual e o angelical/religioso. Vamos ao poema:
Paolina, dolce
Paolina,
Raggio di sole entrato nella mia vita improvviso;
chi sei, che appena ti conosco e tremo se mi sei presso? tu a cui ieri ancora <<Il suo nome – chiedevo – signorina?>>; e tu alzando su me gli occhi di sogno rispondevi: << Paolina>>.
Paolina, frutto natio,
fatta di cose le più aeree e insieme le più terrene,
nata ove solo nascere potevi, nella città benedetta ove nacqui, su cui vagano a sera i bei colori, i più divini colori, e ahimè! sono nulla; acquei vapori.
Paolina, dolce Paolina,
che tieni in cuore? Io non lo chiedo. È pura la tua bellezza;
vi farebbe un pensiero quel che un alito sullo specchio, che subito s‟appanna. Qual sei mi piaci, aureolata testina, una qualunque fanciulla e una Dea che si chiama Paolina.
Temos uma estrutura anafórica no início de cada estrofe que aproxima o poema, como já dito, de uma oração, ou louvação: Paolina dolce Paolina, Paolina frutto natio, Paolina
dolce Paolina. Paolina é raggio di sole, tem occhi di sogno, é associada às divinas cores que
vagam sobre Trieste ao entardecer e que no entanto são efêmeras, i più divini colori, divinas mas efêmeras, acquei vapori; Paolina tem uma beleza pura, que encanta, é capaz até mesmo
de se admirar com um simples espelho embaçado pelo hálito, cujo efeito fugazmente desaparece; Paolina portanto é feita das coisas le più aeree, no sentido de pureza - tem até mesmo a testina aureolata, quase uma Madonna - mas também le più terrene, sua figura oscila sempre entre o sacro e o sensual, mas nunca profano. Paolina é uma Dea, mas também é uma qualunque fanciulla, terrena e divina, angelical e sensual, ingênua mas sensual. Todavia, como já dito, ela não é nunca marcada pela sensualidade maliciosa, mas sim pela sensualidade instintiva, própria de moças que começam a maturar, a sair da infância, mas que ainda conservam muito de menina. Paolina menina e moça, faceira.
Tal oscilação entre o puro, ingênuo e o sensual se verifica em todos os poemas em que se trata de Paolina. Assim é em “L'ultimo amore”, em que, como resposta à pergunta Che mi
vorrebbe ad essere felice?, vemos hipotizada uma singela e romântica cena cuja descrição é
repleta daqueles diminutivos e termos ligados ao universo infantil, tais quais stanzetta,
tazzine, piccole tazzine, piccina, testina; tal doce cena, entretanto, nos sugere um malicioso
pedido feito pelo eu-lírico, pedido este que é negado por Paolina com um tenro e saboroso
sfacciato, que nos encanta justamente por sua ingenuidade faceira. Ou mesmo as passagens
citadas por Portinari, as quais repletas de maliziosità sorridente72, como nos poemas igualmente intitulados “Favoletta”, dos quais citamos abaixo as estrofes que nos interessam:
Certa notte mi parve esser falchetto, e colomba eri tu.
Alte strida... ma poi chi più diletto ne avesse io non so più.
ou nesta outra passagem:
Ah foss'io una capretta, e mordicchiassi altri germogli!
Ou ainda no poema “Forse un giorno diranno”, em que à pergunta Ma chi era questa Paolina,
che le scrisse Saba versi d'amore?, ele responde que ela era muito bela, mas pouco diferente
de outras garotas de Trieste, e que ela non aveva che la sua cosetta. Cosetta esta que no
Canzoniere de 1921 aparece bem mais explícita e se lia non aveva che la passeretta73. Exemplos, contudo, que apenas reforçam a impressão de leveza que se tem ao ler a coletânea, já que até mesmo o aspecto sensual aqui aparece sobremodo risonho e trigueiro.