2. İŞGÖREN BAŞARIMI VE ÖRGÜTSEL SESSİZLİK İLE İŞGÖREN BAŞARIM
2.3. İşgören Başarımını Etkileyen Faktörler
2.3.1. Moral
Como ponto de referência mais amplo, para entender esse marco histórico de criação de uma escola, faz-se necessário compreender o que se passava no Brasil, no período da segunda metade do século XIX e início do século XX, em se tratando da produção de força de trabalho. Sabe-se que a emancipação dos escravos e o movimento migratório foram os dois processos que, ao longo de várias décadas, forjaram o homem livre. Para Chalhoub (2001, p.46), esse homem livre da propriedade e meios de produção, isto é, despossuído, que será a figura essencial da formação do mercado capitalista de trabalho assalariado.
Com isso, o conceito de trabalho como princípio regulador da sociedade, aos poucos se veste de uma roupagem dignificadora e civilizadora, despertando nosso sentimento de nacionalidade, de superação das rotinas associadas a uma sociedade colonial e abriria portas do país à livre entrada de costumes civilizados e do capital das nações européias mais avançadas. É dentro dessas aspirações que foram se constituindo as cidades e os novos sujeitos trabalhadores do início do século.
O final do século XIX e início do XX é fortemente marcado pela crise do escravismo e mais precisamente, nos anos entre 1917 a 1920 na história do Brasil temos registros do movimento operário na República.
As cidades vão se constituindo como modernas, mas os problemas sociais também se diversificam, forçando a classe dominante a buscar alternativas de controle social e, ao mesmo tempo, de tornar a população mais qualificada para atender esse capitalismo que avançava.
Segundo Chalhoub (2001, p. 51), em seu ensaio histórico do inicio do século, é nesse período que a preocupação com o controle do trabalhador deve-se se estender em todas as esferas da vida:
[...] todas as situações possíveis do cotidiano, pois esse controle se exerce desde a tentativa de disciplinarização rígida do tempo e do espaço na situação do trabalho até o problema da normatização das relações pessoais ou familiares dos trabalhadores, passando, também, pela vigilância contínua do botequim e da rua, espaços consagrados ao lazer popular.
Nesse contexto histórico nasce a escola que mais tarde vem se constituir no CEFET- MG - Centro Federal de educação Tecnológica de Minas Gerais, autarquia vinculada ao
Ministério da Educação. Essa instituição teve o seu início em 08 de setembro de 1910 (CHAMON, 2008), com a criação da Escola de Aprendizes e Artífices, passando por várias denominações e missões até a implantação do CEFET-MG, em 1978. Do objetivo inicial de promover o ensino profissional primário gratuito, passou a ministrar ensino técnico; oferecer cursos de tecnologia, engenharia industrial e pós-graduação lato-sensu e stricto sensu; graduar professores, visando atender às necessidades de docentes para o ensino profissionalizante; promover cursos de especialização e aperfeiçoamento e desenvolver pesquisas nas áreas técnicas e industrial, prestando serviços a empresas mediante convênio.
Devido às demandas de crescimento das cidades do início do século, consequentemente o aumento constante da população e da necessidade da formação de uma mão-de-obra mais qualificada para atender a recém criada indústria nacional, fez com que o então presidente da República dos Estados da União do Brasil, Nilo Peçanha, criasse, mediante o decreto de número 7.566, de 23 de setembro de 1909, em todas as capitais, por intermédio do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, as chamadas Escolas de Aprendizes-Artífices (LEAL, 1910), voltadas para o ensino profissional primário e gratuito.
A medida visava facilitar o acesso da classe proletária à educação profissional, propiciando-lhes meios para enfrentar as dificuldades sempre crescentes da luta pela existência já naquele período da história brasileira. Para isso, portanto, era necessário não só habilitar os filhos dos desfavorecidos da fortuna com indispensável preparo técnico e intelectual, como fazê-los “adquirir hábitos de trabalho profícuo, que os afastaria da ociosidade ignorante, escola do vício e do crime, sendo este um dos primeiros deveres do Governo da República comprometido com a formação de cidadãos úteis à Nação” (CHAMON, 2008).
Assim, estavam criadas em todo o território nacional as Escolas de Aprendizes- Artífices e, em 8 de setembro de 1910, foi instalado, em um prédio doado pelo Estado à Nação, situado à Avenida Afonso Pena, 1533, aquele que seria mais tarde, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, o CEFET-MG.
Mas é dentro desse cenário de crescimento e desenvolvimento das cidades no início do século, que destacamos o espaço de lazer tido como popular, o botequim, ou o bar, o qual também se faz presente no desenrolar da história das cidades na República. Muitas vezes, os trabalhadores frequentavam esses estabelecimentos nos intervalos da jornada de trabalho, quebrando assim a rotina da produção, algo que não era desejado pelos donos do dinheiro. Por outro lado, esses estabelecimentos se configuravam também como venda, desempenhando
papel importante na distribuição de alimentos para a população de baixa renda, mas, não podemos deixar de destacar que para a classe dominante da época, esses botequins eram também postos populares de vigilância constante sobre a força de trabalho, além de ser um ritual do lazer circunscrito a quatro paredes de um botequim, uma maneira de salvar as aparências de civilização das cidades. O controle social seria mais facilitado, pois envolveria o proprietário do botequim, um mediador, ou um aliado da ordem vigente:
[...] o botequim é um estabelecimento com uma área interna espaçosa, onde se encontram não só o dono e seus caixeiros e fregueses, mas [...] estoque de mercadorias do proprietário. [...] tem de zelar pela ordem em seu estabelecimento, do contrário verá ameaçada a integridade do capital investido no pequeno empreendimento econômico. (CHALHOUB, 2001a, p. 260).
Esse controle seria mais eficaz dentro dos estabelecimentos a aqueles que devem ser submetidos à condição de assalariados, dentro de um processo civilizador.
Restringir os hábitos populares de conversar e bebericar ao espaço interno do botequim significa, então, tornar mais explicito o antagonismo entre o pequeno proprietário e seus fregueses, transformando o primeiro num aliado mais efetivo da força policial na vigilância continua que se quer exercer sobre os homens pobres. (CHALHOUB, 2001b, p. 260).
O botequim, um espaço com vários papéis, no ensaio de Chalhoub (2001, p. 312), é considerado um verdadeiro “observatório popular”, um cenário para o surgimento e desenrolar de rixas e conflitos pelos variados motivos, desde os problemas ligados ao trabalho e habitação, passando pelas questões de amor e de relações entre vizinhos, até as contendas por motivos mais especificamente ligados ao lazer, como os jogos, o carnaval ou a bebida. Além de um centro aglutinador e difusor de informações entre os populares, muito mais, um ponto privilegiado, uma espécie de janela aberta para o estudo de padrões de comportamento dos homens pobres da época.
Assim a história vai se constituindo, com a criação das modernas cidades, as formas de controle social e as demandas de ordem capitalista do momento. Podemos ressaltar os novos ideais da arquitetura que marcam os períodos da história, os prédios, escolas, determinantes da modernidade.
Porém, as Escolas de Aprendizes-Artífices, em sua primitiva instalação, onde mais tarde viria a ser construída em 1925 a sede do Conservatório Mineiro, que até hoje preservada pelo Patrimônio Histórico, não permitia uma expansão futura, dada a sua acanhada construção. Por isso, seu primeiro diretor, o professor Augusto Cândido Ferreira Leal, propôs,
sem sucesso, a mudança de local. Mas, com a formação da Comissão para Remodelação do Ensino Profissional no Brasil, foi construído, em 1922, no quarteirão compreendido entre as ruas Guajajaras, Timbiras e Avenida Olegário Maciel - na época, São Francisco, o prédio para onde seria transferida, três anos mais tarde, a Escola de Aprendizes.
Com o desenvolvimento da jovem capital mineira e a especulação imobiliária, provocando a valorização da área em que estava instalada a escola, o Governo do Estado, alegando necessidades de ordem administrativa, propôs uma “permuta” por outra área – à época considerada “afastada e fora dos limites urbanos”, compreendida pelas ruas Tobias Barreto, Alpes, José de Alencar e Avenida Amazonas, onde seria construída uma nova escola.
Com a permuta, a escola se viu na contingência de voltar às adaptações. Saía de um prédio que fora construído de acordo com as normas pedagógicas da época, para se instalar provisoriamente no prédio da Avenida Augusto de Lima com Avenida do Contorno, que hoje serve ao Instituto São Rafael, para deficientes visuais.
Nos anos de JK, o imóvel da Avenida Olegário Maciel foi demolido, anos depois, ali se construiu o conjunto JK, na Praça Raul Soares. Depois de alguns anos, instalada à Avenida Augusto de Lima, a escola, sempre com dificuldades de espaço, conseguiu, em 1942, um projeto para a sua futura sede, localizada à Avenida Amazonas. O projeto arrojado previa abrigar cerca 800 alunos. A obra se iniciou no mesmo ano, tendo como diretor da escola, o engenheiro Hermano Lott Júnior.
Porém, após várias paralisações, por falta de recursos e por desentendimentos entre a Empreiteira e o Governo Federal, a escola somente veio a ser inaugurada 16 anos depois, em 1958, pelo então diretor Abelardo de Oliveira Cardoso, tendo na cerimônia de inauguração o então presidente da República, o mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira, e o Ministro da Educação e Cultura, Clóvis Salgado.
Em 16 de fevereiro de 1959, pela Lei de número 3.552, a escola adquiriu sua autonomia didática, financeira e administrativa. Em 30 de junho de 1978, a então Escola Técnica Federal de Minas Gerais foi elevada à condição de Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, pela Lei de número 6.545, regulamentada pelo Decreto 87.310, de 21 de junho de 1982.
Enfim, nessa linha do tempo apresento uma escola do início do século, juntamente com a emergência do espaço do botequim analisado também em estudos históricos do mesmo período, compreendendo trabalho e lazer como categorias que se tencionam ao longo da vida
dos sujeitos que se constituem como históricos. No próximo tópico, pretendo trazer entendimentos de como se deu a construção das concepções do lazer.