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Örgütsel Sessizliğin İşgören Başarımına Etkisi

2. İŞGÖREN BAŞARIMI VE ÖRGÜTSEL SESSİZLİK İLE İŞGÖREN BAŞARIM

2.6. Örgütsel Sessizliğin İşgören Başarımına Etkisi

A noção de “tempo” foi se configurando no campo do lazer como uma construção histórica da sociedade. Podemos perceber através dos vários significados e conceitos que esse termo adquiriu por amplos setores da sociedade. Em suma, está presente também no cotidiano dos sujeitos desta pesquisa.

[...] às vezes tem, às vezes não tem. Às vezes tem aquele tempo que realmente você está livre, e tem aquele tempo que não ta livre, você tem muita coisa pra fazer e vai enrolando, daqui a pouco eu faço, aí cê vai retornando nesse outro tempo que cê tinha que estar ocupado com uma coisa ali livre também. Outro dia a gente tava até combinando vão pro bar, vamos voltar e assistir a aula dele bem chapado (RS..rs..). É bem foda, vai que acontece alguma coisa que ele pegar, todo mundo vai rodar. Mas não sei, acho que é pro prazer você ficar ali doido assim, professor, cê nem aí, acho que é prazer que o pessoal faz isso. É, não tem esse tempo livre, você está sempre preocupado com outra coisa. Na verdade só depois do trabalho é que você pode fazer o que você gosta. É que nem eu falei, tem hora que não dá, entendeu, cê ta tão esgotado com uma coisa que cê fala, ah deixa pra lá, vou fazer outra coisa, sai da sala, vai tocar, vai no bosque conversar.(S.4, 27/09/2011).

Para o Sujeito 4, não existe esse tempo livre, pois estamos sempre condicionados a outras coisas, simultaneamente, mas é necessário viver outras situações que contestam o tempo da obrigação.

[...] o homem se fará livre numa sociedade [...] desde que possa atingir a superação das condições exteriores que possam limitá-lo. [...] a obrigação é um condicionamento exterior da conduta (heterocondicionamento) e a liberdade é um condicionamento interior (auto-condicionamento). [...] o homem é livre quando pode se autocondicionar e se autocondiciona. Sua condição, a condição humana, é dialética, visto que consiste na contradição entre auto e heterocondicionamento; e a conduta é humana justamente pelo fato de ter de superar essa contradição por meio da liberdade. (WAICHMAN 1997, P.81).

Para esse autor o tempo livre não implica ter liberdade, mas a possibilidade de ter acesso a ela; ou seja, um grau maior de liberdade tornará o tempo mais livre. De todo modo, pode-se definir que esse tempo livre ocorreu em função das mudanças e dos desdobramentos nos séculos passados, repercutindo no atual.

[...] a estruturação das fábricas e seu estabelecimento ao entorno das cidades, tendo em vista a facilitar a circulação de mercadorias, transformaram a urbe no novo lócus privilegiado de vivências sociais, sede das tensões que vão se estabelecer na transição entre o novo e o antigo regime.[...] a artificialização do tempo do trabalho, que progressivamente não mais seguirá o ritmo da natureza, mas, sim, as marcas do relógio, um objeto cada vez mais difundido. [...] dá origem a um mais claro delineamento do tempo livre, crescente, inclusive, em razão das reivindicações e lutas da nova classe trabalhadora, os operários. (MELO, 2010, p. 102).

Para Marcellino (2008, p. 29), o desenvolvimento do trabalho industrial capitalista separou o tempo e o espaço para o trabalho e para o lazer. Os trabalhadores da indústria perderam não só a autonomia da criação, mas também o controle do seu tempo. Talvez o símbolo da Revolução Industrial tenha sido menos a máquina a vapor e mais o relógio e a imposição do tempo da máquina.

Sobre o lazer nesse momento da história, Melo (2010, p. 102) nos lembra que a luz elétrica e o trem potencializaram o acesso aos espaços de lazer; no primeiro caso por ampliar as alternativas de atividades noturnas; no segundo, por facilitar as viagens e o alcance de novos espaços; sem falar nas novas invenções como a fotografia e o cinema.

Historicamente, a atividade laboral vai ganhando contornos diferentes, atrelados ao modo de organização da sociedade e da economia. A compreensão do tempo livre, visto como um dos tempos sociais, sempre esteve vinculado aos significados do trabalho e do tempo de trabalho e, dessa maneira, seu sentido principal prevalece como o de um tempo de não-

trabalho, embora nem todo o tempo fora da esfera do trabalho seja um tempo disponível para o lazer ou para o ócio.

[...] o tempo livre de ociosidade era condenado apenas para a classe de trabalhadores, pois os setores dominantes das sociedades industriais viam nesse tempo a possibilidade de libertação, criação e alegria. O lazer seria uma esfera do tempo livre, ou tempo liberado, que implicaria em realização de atividades, enquanto ao ócio associa-se comumente a idéia de não fazer nada, de contemplação e preguiça. (PADILHA, 2004, p.220).

Entretanto, inúmeras foram as ações implementadas com vistas ao controle da vida cotidiana, no sentido de que as atividades situadas no parco tempo livre da classe trabalhadora fossem aproveitadas para a reposição e a preparação da força de trabalho e, dessa forma, colaborassem com os mecanismos de acumulação do capital.

[...] suas habitações foram alteradas conforme modelos higiênicos, seus hábitos alimentares passaram a ser ditados por uma dieta tida como saudável e nutritiva, sua educação passou a ser orientada para uma formação técnica e profissionalizante e suas práticas de descanso e diversão foram substituídas por um conjunto de novas atividades civilizadas, disciplinadas e úteis a uma vida ativa, integrada e produtiva, para que pudessem contribuir com a pátria, cooperar com o desenvolvimento da nação e fortalecer a ordem e o progresso da sociedade. Dessa forma, é possível dizer, então, que o tempo livre é uma forma típica de ordenação das sociedades modernas e capitalistas. Surge como conquista da classe trabalhadora e, aparentemente, se opõe ao trabalho, mas hegemonicamente, é sua própria extensão, pois nele há uma reprodução dos processos de reificação, das relações capitalistas de trabalho, da ideologia burguesa e da indústria cultural. Entretanto, visto que o tempo livre é perpassado pela contradição, também há possibilidade de subversão e, assim, ele se configura como uma dimensão da vida humana em que a produção cultural se manifesta como mescla de conformismo e resistência. (MARCASSA, 2002, p. 190).

Penso em um lazer sendo inventado pelo ser humano e se faz hoje como uma dimensão da cultura, algo que perpassa a diversão, o prazer, o lúdico, a satisfação, mas que devemos continuar nos perguntando: o que fazer no presente para viver melhor o lazer no futuro? Prefiro me apoiar em Marcassa (2002, p. 194):

[...] se a invenção do lazer foi uma estratégia de cooptação da classe trabalhadora, promovida e desenvolvida através do apelo às suas necessidades básicas como alimentação, educação e diversão, então devemos hoje reinventá-lo para que se torne um espaço de contra hegemonia, no sentido de que a ética, a estética e a política articuladas a um projeto educativo correspondente aos interesses e reais necessidades de todos, ganhe organicidade e a formação humana se desenvolva no sentido da promoção da identidade sócio-cultural, do fortalecimento da consciência de classe e do estímulo à permanente resistência e luta.

Frente a essas reflexões, no próximo capítulo apresento os aspectos metodológicos deste estudo, a aproximação do pesquisador com o campo e caracterização dos sujeitos relevantes desta pesquisa.

Benzer Belgeler