• Sonuç bulunamadı

Modigliani ve Miller’in Sermaye Yapısı Teorisi ve EVA TM

FİNANS BAKIŞ AÇISIYLA EKONOMİK KATMA DEĞER

Uygulama 1.2.: Yatırım Kararları ve EVA TM

1.4. FİNANSLAMA KARARLARI ve EKONOMİK KATMA DEĞER

1.4.1. Modigliani ve Miller’in Sermaye Yapısı Teorisi ve EVA TM

O fim da ditadura militar fez despontar no povo brasileiro um sentimento de ufanismo e brasilidade; portanto, houve a necessidade de se resgatar valores nacionais até então esquecidos (por conveniência). É fato que a frustração de não se poder, de imediato, eleger, diretamente, o presidente que sucederia os 22 anos de ditadura frustrou um pouco as expectativas dos brasileiros, que estavam engajados em prol de uma mudança completa. Contudo, apenas os ares da abertura política já foram suficientes para que alguns autores do Brasil passassem a escrever tendo como cenário as cidades brasileiras e considerando as temáticas nacionais, abrindo espaço para uma literatura territorial. Nesse contexto, diferentemente do que ocorria na literatura dos anos 1980, em que as ambientações se davam em locais específicos e de fácil reconhecimento, na literatura dos anos 1990, elas são desterritorializadas, ou seja, o cenário pode ser uma rua qualquer, uma cidade qualquer ou cidade nenhuma, colocando, nessa temática citadina, as mazelas da sociedade, que não eram vistas nem exploradas nos textos por várias razões:

Nessa tendência, o não lugar é o espaço de redimensionamento das relações humanas, do encontro do eu com o outro na busca de si mesmo e na constatação de que a identidade nunca é absoluta: a alteridade é sempre constitutiva da individualidade. [...] O aspecto da territorialidade, ou essa forte tendência a valorizar a cor local é importante nesses autores, mas também se expressa na prosa de temática urbana, que [...] põe a nu as mazelas da sociedade. (GOMES, 2005, p. 39-40)

Evidencia-se que também a violência entra na literatura de modo mais austero, uma vez que os cidadãos passam a vivê-la em seu cotidiano e a vê-la banalizada no cinema e na televisão. Segundo Resende (2008a), essa violência é uma tendência mundial, contudo, o que aparece de interessante nessa abordagem “à brasileira” é a “dicção local em relação à global”, quando a voz da periferia passa a ser ouvida. Conforme já visto anteriormente, a Literatura Brasileira contemporânea não tem características delineadas, diferentemente do que ocorreu em outras épocas. No entanto, essa dificuldade em se traçar um perfil dessa literatura já é, ainda de acordo com Resende (2008a, p. 18, grifo nosso), uma de suas três características: “Não existe um estilo dominante. É a multiplicidade em convívio. [...] Multiplicidade é a heterogeneidade em convívio, não excludente”. A

multiplicidade na literatura contemporânea explica-se pela ocorrência de vários tons e temas, além das diferentes convicções do que seja literatura. Um traço que pode ser tomado como um dado a mais sobre a Literatura Brasileira atual é o fato de a presença do mediador poder ficar em segundo plano, uma vez que o autor pode se servir da Internet para que ele próprio divulgue seu trabalho. Em entrevista à Revista on-line Olhar Virtual, edição 221, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a autora esclarece:

A segunda (característica) é a fertilidade. O fator novo que contribui para este momento é a Internet. É a literatura que se depara pela primeira vez com um novo suporte – o espaço virtual. Nessa perspectiva, o autor não precisa esperar mais pelo mediador. Ele divulga seu trabalho e discute com seus pares, colegas e amigos através da rede. (RESENDE, 2008b, grifo nosso)

Com certeza, essa informação não diz respeito, diretamente, à literatura como obra, mas toca muito de perto no resultado do texto: uma vez que o autor, podendo ele mesmo tomar suas decisões sem influências diretas de terceiros, patrono ou mecenas, consegue fazer de seu trabalho o que ele deseja que realmente seja, isto é, ele imprime ali sua marca, seus valores, suas verdades e suas denúncias. E, nesse caso, o autor ao qual nos referimos não é o autor consagrado pela academia ou aquele que segue o cânone, muito pelo contrário, pois, agora, ele se insere no conjunto das novas vozes que surgem, pleiteando um lugar na sociedade, ocupando espaços que até então se encontravam afastados do universo literário: “Usando seu próprio discurso, vem hoje, da periferia das grandes cidades, forte expressão artística que, tendo iniciado seu percurso pela música, chega agora à literatura” (RESENDE, 2008a, p. 17). Finalmente, como última possível característica, Resende (2008b) faz referência à “qualidade” do trabalho dos autores contemporâneos, esclarecendo, ainda, o sentido dessa palavra: “A terceira é a qualidade da ficção desses autores contemporâneos. Por qualidade entende-se originalidade, nova dicção (vozes da periferia) e erudição de alguns desses autores”. E sobre erudição, a autora enfatiza: “[...] ao lado da experimentação inovadora, a escrita cuidadosa, o conhecimento das muitas possibilidades de nossa sintaxe [...] e um surpreendente repertório de referências literárias [...]” (RESENDE, 2008b, p. 17, grifos nossos). Tanto a multiplicidade quanto a fertilidade e a qualidade vão ao encontro de um mesmo produto final, aquele dos discursos anti-hegemônicos, de

resistência à globalização da cultura. Assim, a criação literária atual consiste em uma pluralidade (por acúmulo de manifestações diversas):

[...] apropriação irônica, debochada... irreverência diante do politicamente correto, a violência explícita despida do charme hollywoodiano, a dicção bastante personalizada, voltada para o cotidiano privado... a arrogância de uma juventude excessiva... a escrita saída da experiência da academia [...]. (RESENDE, 2008a, p. 20)

Ainda que haja a recorrência dos cânones na literatura dos anos 1990, o trabalho literário no Brasil, nessa década, já fez despontar inúmeros autores até então desconhecidos, e muitos deles já foram honrados com o Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário brasileiro, criado em 1959, pela Câmara Brasileira dos Livros.

Com a abertura econômica e política começada na década de 1980 e a retomada da liberdade de pensamento, a Literatura Brasileira dos anos 1990 se permitiu um experimentalismo estético, através da composição de vários estilos, formas e ideologias. Com características tão diversas entre si, tornou-se inviável atribuir-lhe um rótulo. Assim, a título de definição de uma época, passou-se a chamá-la de literatura pós-moderna:

Fragmentação, colagem, montagem conceitual e fusão presidem a composição das obras. Com a desritualização e dessacralização das formas canônicas, faz-se a entronizacão de formas ancestrais de experiências narrativas, por conseguinte, mais caóticas. No entanto, pela consciência de linguagem com que entram em operação esses elementos, engendram-se, pelas vias da arte, em novas ordenações, formas mais rebuscadas. (CUNHA, 2011, p. 138)

Iniciados na década de 1980 e perdurando até hoje, os grandes investimentos feitos pelo governo brasileiro no setor educacional, como programas de incentivo à leitura, estímulo a instituições parceiras, campanhas publicitárias, entre outros, levaram a uma considerável ampliação da circulação de livros e elevaram o país ao oitavo mercado editorial do mundo. A ênfase dada à habilidade leitora aqueceu o mercado com aquisições pessoais e, principalmente, com as compras de livros feitas pelo próprio Governo Federal, com intenção de abastecer as salas de aulas (livros didáticos) e as bibliotecas escolares (paradidáticos). Também a Internet tornou-se uma aliada na divulgação e no contato com a literatura: publicidades constantes e a

facilidade com que se pode ter acesso aos livros, através de downloads pagos ou não e também com as possibilidades de compras on-line.

Acreditamos que o rótulo “pós-moderno” traz algumas implicações teórico- práticas: teóricas – porque remonta a estudos filosóficos, sociológicos e antropológicos sobre a modernidade e as identidades – e práticas – porque percebemos a ebulição das inúmeras tentativas de inovação e o fervilhar das tendências, todas, a uma só vez, presentes nas formas vivas dos textos, nas temáticas trazidas pelos autores, na linguagem escolhida. E, em todas elas, a incerteza. Na obra O mal-estar da pós-modernidade, Bauman (1998, p. 137, grifo do autor) apresenta a difícil situação de um artista moderno, no nosso caso, pós- moderno:

Os artistas pós-modernos estão condenados a viver, pode-se dizer, a crédito. A prática produzida por suas obras ainda não existe como um fato- social, deixa intocado o valor estético, e não há nenhum modo de decidir antecipadamente que algum dia haverá de tornar-se isso. Afinal, só se pode acreditar no futuro dotando o passado de autoridade que o presente é obrigado a obedecer. Não sendo isso verdade, só resta aos artistas uma possibilidade: a de experimentar.

Certamente, o escritor de literatura na atualidade está em busca de sua(s) identidade(s) e da(s) identidade(s) da própria época, incluindo aí seu público, e isso o leva a tentativas que podem ou não resultar em aceitação por parte dos leitores. Parece que a noção de cânone não carrega em si a mesma significância de antigamente, isto é, sua importância está contemporizada. Então, agora, o que se pretende é inovar, criar, experimentar. Algumas novas tendências da Literatura Contemporânea para adultos foram detectadas e apresentadas no II Encontro de Ciência da Literatura, da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 200240:

[...] o humor (corrosivo ou descompromissado) ao invés da sátira, o corpo- sexo em exposição (nunca erotizado) em detrimento do corpo-em-falta dos anos 80 (mutilado ou doente), o esvaziamento psicológico das histórias em prol da teatralização das narrativas, da dramatização de pequenas esquetes cotidianas de vidas e fatos, a indecidibilidade entre o vivido e o inventado, tornando híbridos os gêneros narrativos e os sujeitos, múltiplos, do texto e um impulso pela reinvenção da capacidade de criar histórias, novos jeitos e manhas. (AZEVEDO, 2002, p. 6)

40 Disponível em: <http://www.letras.ufrj.br/ciencialit/encontro.htm>. 2º Encontro de Ciência da

Em relação à LIJ, Gregorin Filho (2011), por meio de estudos de algumas obras infantis dos anos 1980 e 1990, sintetiza as mudanças ocorridas tanto na concepção quanto no fazer dessa literatura ao comparar suas características no correr do tempo. A seguir, apresentamos o Quadro 1, comparativo, que une contribuições de Gregorin Filho (2011) às de Coelho* (2000):

Paradigmas Tradicionais Paradigmas Emergentes

Individualismo Individualidade consciente Obediência absoluta Descrédito da autoridade Hierarquia de classes Antigas hierarquias em desagregação

Moral dogmática Moral virtual

Racismo Antirracismo

*Sistema social fundado na valorização

do ter e do parecer, acima do Ser *Sistema social fundado na valorização do fazer como manifestação autêntica do Ser *Sociedade sexófoba *Sociedade sexófila

*Reverência pelo passado *Redescoberta/reinvenção do passado *Concepção de vida fundada na visão

transcendental da condição humana.

Concepção de vida fundada na visão cósmica/existencial/mutante da condição humana.

*Racionalismo *Intuicionismo fenomenológico

Linguagem literária mimética Linguagem literária como invenção Criança como adulto em miniatura Criança como um ser em formação

Recurso pedagógico Arte

Quadro 1: União das contribuições de Gregorin Filho (2011) às de Coelho* (2000).

Ou seja, a partir do momento em que a criança deixou de ser vista como um adulto pequeno e os valores se modificaram:

a) a voz da criança passou a ser levada em consideração; b) o descrédito na autoridade conferiu certa autonomia no agir;

c) a linguagem, mais próxima do falar da criança, aproximou o texto de sua realidade;

d) as hierarquias são constantemente questionadas, assim como toda temática abordada;

e) a identidade, outrora concebida como imutável, tornou-se maleável.

No entanto, ainda segundo Gregorin Filho (2011), a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional e que deu origem aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e, por conseguinte, aos Temas Transversais (ética, meio ambiente, racismo, entre outros), estimulou o

mercado editorial a produzir literatura que atendesse a essas novas propostas educacionais. Entretanto, apesar da grande produção dessa época, constatou-se que muito do que fora feito era de baixa qualidade e não apresentava a literalidade esperada para ser considerada “leitura recomendada”.

Outra característica bastante importante e fecunda da nova LIJ é a intertextualidade, quando temáticas de outras obras são inseridas no texto com o objetivo de produzir novos e diferentes olhares e novos e variados questionamentos, quando o diálogo entre textos direciona o jovem leitor para uma nova sensibilização e concepção da arte (GREGORIN FILHO, 2011). Também a metalinguagem, a confluência de código (mistura do verbal com o não verbal), o jogo das formas e do tempo, a polifonia e a mistura de gêneros são algumas das novas características. É possível resumir essa realidade por meio da seguinte afirmação de Costa (2008, p. 71):

A associação de textos verbais a linguagens visuais, a incorporação de estruturas de composição narrativas e estilos expressivos não-literários (reportagens, documentários, publicidade, letras de canção) à literatura e a combinação dos diferentes gêneros literários (a narrativa, a poesia e a peça teatral), em salutar e renovadora expressividade verbal, são aquisições marcantes da produção literária do final do século 20.

Nessa nova proposta de literatura, encontram-se obras arquitetadas de modo não linear, “não necessariamente acabadas, que existem em estado potencial, pressupondo, assim, o trabalho de finalização provisória por parte do leitor ou espectador ou usuário” (CUNHA, 2011, p. 126, grifo do autor), o que pressupõe a existência de várias leituras possíveis que vão justificar os inúmeros finais imaginados e construídos pelo leitor. Essa realidade atrevida, questionadora, emancipadora, que se apresenta na Literatura Infantojuvenil contemporânea, leva- nos a entender esse momento como um período crítico, frágil, em busca permanente de identidade, de definição, cujas respostas serão sempre múltiplas e nunca (mais) definitivas.

A LIJ ainda está (ou deveria estar) ligada à moral, aos bons costumes, ao pedagógico? A dupla LIJ/Pedagogia ainda suscita muitos incômodos que se ancoram no preconceito de elas comporem, juntas, uma arte “menor”. Mas o fato é que, diante de tantas inovações presentes na LIJ contemporânea, diante de tantas provas de amadurecimento e responsabilidade social, algo não pode deixar de ser

notado e levado em consideração: a existência de uma forte presença da intenção de dividir com o leitor a responsabilidade do texto, a elaboração de seus diversos sentidos possíveis, a construção de uma narrativa pessoal. Nesse ponto, é importante lembrar que assim como a tradução na visão da Abordagem Funcionalista não pode ser considerada mais certa ou mais errada, também a LIJ não precisa mais ser questionada ou julgada em relação a seu aspecto didático/pedagógico ou de entretenimento, ou mesmo de ambos. Tudo fica mais claro se levarmos em consideração o escopo de seu texto. Assim sendo, a LIJ não deveria mais se preocupar em buscar reconhecimento social ou recusar-se a fazer parte desta ou daquela proposta, mas, sim, assumir que ela já é uma arte dentro da grande arte da Literatura: a Arte da Literatura Infantojuvenil.

E, ao lidarmos com Literatura Infantojuvenil, um assunto que diz respeito à criança e que toca diretamente a criança, não podemos nos limitar a, simplesmente, expor esse assunto. Cremos ser relevante mostrar os direitos que esse novo cidadão adquiriu com o passar do tempo, desde quando sequer era reconhecido como um ser com especificidades em relação aos adultos, até os dias de hoje, quando mobiliza as atenções das três esferas do governo no que diz respeito a sua saúde, educação e bem-estar, além de ser objeto, ainda que não se dê conta disso, do surgimento de um mercado totalmente voltado para seus interesses no qual se inserem vestuário, brinquedos, comida... e os livros, objeto de pesquisa desta tese.