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Ağırlıklı Ortalama Sermaye Maliyetinin Hesaplanması

EKONOMİK KATMA DEĞERİN HESAPLANMASI

2.1. BASİT EVA TM ’NIN HESAPLANMASI

2.1.3. Ağırlıklı Ortalama Sermaye Maliyetinin Hesaplanması

A assimetria, na tradução de LIJ, segue os mesmos passos da concepção de um trabalho de LIJ, isto é, adultos escrevendo (ou traduzindo), revisando, editando, criticando não para a criança como “ser”, mas para uma “ideia de criança” que cada um deles possui e, mais sério ainda, para um ideal de criança, muitas vezes, determinado pela editora. Para a realização de seu trabalho, os profissionais implicados tomam como referência as ideologias que permeiam seu modus vivendi, sejam elas idiossincráticas ou pertencentes à sociedade como um todo, seja de maneira consciente ou inconsciente. E quando se imagina que, uma vez editado, publicado e distribuído, o texto-alvo está, finalmente, pronto para chegar às mãos de seu público, percebe-se que ele ainda precisa passar pelo crivo de algum adulto – pais e/ou professores que o analisam sob sua ótica adulta – para só, então, chegar às mãos dos pequenos leitores.

Azenha Junior (2005, p. 378), ao tratar da “assimetria” em seu trabalho, usa o termo “processo interativo” para explicar as relações entre os agentes envolvidos no processo de tradução de LIJ, pois, segundo ele, cada pessoa que participa do processo tradutório desempenha a função de um “agente controlador das leituras e projeções dos outros”. Nesses termos, o texto-fonte, que já foi controlado em sua origem, vê-se novamente subordinado e vinculado a interesses direta ou indiretamente ligados ao processo tradutório. Os agentes controladores opinam, persuadem, dissuadem, ordenam, ou seja, regulam fases importantes do processo

tradutório. Essa interferência é refletida nas estratégias escolhidas pelo tradutor, que nem sempre vê no resultado de seu trabalho um reflexo do que seria, de fato, sua obra. Como “traduzir” é “estabelecer uma comunicação entre duas culturas diferentes” (AZENHA JUNIOR, 1991, p. 55), é possível perceber a existência de inúmeras “variáveis relacionadas ao emissor, ao receptor, à situação de comunicação, à mensagem em si e a seu objetivo” (Ibid.) e compreender que cada uma dessas instâncias possui suas próprias variáveis com o poder de influenciar o projeto tradutório. A Teoria do Escopo traz a preocupação de se considerar tais elementos na tarefa tradutória, o que nos leva a concordar que o tradutor, embora considerado um expert no fazer tradutório (sob a ótica funcionalista), não reina soberano em seu texto, ao contrário, sobre este ele tem controle apenas parcial, assumindo o papel de um “gerenciador de dados”, ainda nas palavras de Azenha Junior (1991, p. 56).

Sob a ótica de que a assimetria exerce importante influência na obra, em muitos casos, é possível perceber as interferências das ideologias nos resultados finais. Na obra de Wohlgemuth (2006), é citado um exemplo de Gaby Thomson, que estudou o sistema literário infantojuvenil e o de tradução da Alemanha Oriental no período da criação do sistema socialista, que, em breve, a levaria para o regime comunista, em 1949. Segundo Thomson (apud WOHLGEMUTH, 2006), o objetivo do governo germânico era criar uma nova mentalidade que aceitasse, compartilhasse e defendesse a criação de um estado comunista.

Assim, por meio da educação “na direção certa”, a literatura para adultos, mas principalmente a infantil, tornou-se muito importante para o Partido Marxista e passou a ser estimulada e controlada com rigor: muito mais do que dar prazer, a literatura deveria promover a mudança de concepções e atitudes do povo em prol de um comportamento socialista. Para alcançar a meta, o governo, então como “iniciador” do processo tradutório, tratou de providenciar para os autores cuidados especiais, treinamento especial, benefícios sociais e promoção social. Mas é preciso ressaltar que havia um alto grau de supervisão e monitoramento pelo Partido no qual toda empreitada individual deveria ser submetida aos censores, que tinham o direito de interferir mesmo nas opiniões e nos julgamentos dos editores. Em relação aos livros traduzidos, a postura e as benesses eram as mesmas que havia para os autores: possibilidades de altos investimentos, mas pouca liberdade de escolha, pois os tradutores, para poderem gozar das prerrogativas oferecidas pelo governo,

deveriam manipular a tradução em favor das ideologias do Partido. Em resumo, nesse caso, a literatura não era uma manifestação cultural nem tampouco social, eram os interesses políticos que ditavam em qual direção a literatura deveria ir, ou seja, qual deveria ser seu escopo. No Brasil, o governo também se serviu da literatura e das traduções para expressar seus ideais políticos e sociais: nos anos do Estado Novo (1937 a 1945), na Era Vargas, a censura, a prisão, a violência, a destruição de obras de escritores dissidentes levaram editores “a concentrar suas atenções na publicação de livros de ciências, historiografia, didáticos, infantis e traduções de ficção estrangeira” (WYLER, 2003a, p. 111). As obras historiográficas, por serem consideradas patrióticas, tornaram-se um negócio vantajoso, haja vista terem passado a ser subsidiadas pelos órgãos responsáveis pela política cultural. Algo bastante curioso exposto pela autora é o fato de que os livros infantis, sendo considerados como obras inocentes, tiveram isenção da ação dos censores, fazendo com que escritores de literatura para adultos migrassem para essa via, tendo seus livros publicados sem nenhum problema. Podemos supor, a partir de então, ou que os censores pensavam mesmo que o livro infantil, por ser dirigido a um público ainda tenro e ingênuo, não carregaria nenhum perigo, pois, a priori, o enfoque político/social estaria ausente (e não subentendido) ou, talvez, os autores estivessem tão impregnados de censura que se autocensuravam, de fato, ao escreverem suas histórias. Independentemente do que seja, temos aí mais um exemplo de forças de poder oriundas da assimetria atuando sobre a literatura.

No entanto, o tradutor não é, por natureza, uma marionete nas mãos de seus patrocinadores. Na tentativa de influenciar o meio cultural e, principalmente, seus leitores, o tradutor busca uma forma de colocar em seu texto as críticas que achar pertinentes e coerentes com sua maneira de pensar. Coillie é claro ao falar disso:

[...] tradutores não são tão neutros quanto o termo mediador inicialmente parece sugerir. Os tradutores não ficam simplesmente entre o texto-fonte e o público do texto-alvo [...] eles são sempre uma parte intrínseca da própria negociação do diálogo e desempenham um frágil e instável meio de campo entre as forças sociais que sobre eles incidem, suas próprias interpretações do texto-fonte e o que eles próprios pensam sobre o público-alvo44. (COILLIE; VERSCHUEREN, 2006, Préface, grifo do autor)

44

“[…] translators are not as neutral as the term „mediator‟ initially seems to suggest. Translators do not simply stand „in between‟ source text and target audience... they are always an intrinsic part of the negotiating dialogue itself, holding a fragile, unstable middle between the social forces that act upon them, their own interpretation of the source text and their assessment of the target audience”. (COILLIE; VERSCHUEREN, 2006, Préface, grifo do autor)

Podemos citar como exemplo desta postura “crítica e participativa” a adaptação que Monteiro Lobato45 fez do livro Peter Pan, na qual critica, por meio dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo, os altíssimos impostos cobrados pelo governo, ou ainda, em sua tradução do livro de Hans Staden46, Wahrhaftige Historia, intitulado Meu cativeiro entre os selvagens do Brasil, na qual, por meio de adaptações de algumas passagens, questiona (NEUSS, 2008) a superioridade do europeu sobre os povos selvagens, e, mais tarde, na criação do livro Aventuras de Hans Staden, quando discute a forma de se narrar um fato histórico exemplificado nas palavras de seu personagem Pedrinho:

– Quer isso dizer que se os portugueses houvessem tratado com justiça os selvagens do Brasil eles seriam amigos – observou Pedrinho.

– Certamente – respondeu Dona Benta. – Mas os conquistadores do novo mundo [...] eram mais ferozes que os próprios selvagens. Um só sentimento os guiava: a cobiça, a ganância [...] e para o conseguirem, não vacilaram em destruir nações inteiras [...]

[...] – Mas como é então, vovó, que esses homens são gloriosos e a história fala deles como grandes figurões?

– Por uma razão muito simples: porque a história é escrita por eles. Um pirata quando escreve sua história está claro que se embeleza de maneira a dar impressão de que é um magnânimo herói. (LAJOLO; ZILBERMAN, 1987, p. 77, grifos nossos)

Pensando na recepção de uma obra, as histórias anticomunistas do autor italiano Giovanni Guareschi (Don Camillo47) são um bom exemplo de como a produção comercial, já com o público-alvo em mente, consegue manipular e redirecionar a obra com a qual está trabalhando. As histórias do padre Camillo tiveram grande aceitação nos Estados Unidos não por se tratarem de obra de grande valor literário, mas por ter sido feito, em suas traduções e edições, um grande trabalho de domesticação (VENUTI, 2002). Cortes de trechos de histórias ou mesmo de histórias inteiras, omissão de prefácio bibliográfico e também “encomenda” de um novo prefácio ao autor nos moldes sugeridos pela editora, substituição de trechos contendo o humor típico do autor italiano por expressões

45 John Milton publicou o artigo “The Political Translations of Monteiro Lobato”, que busca mostrar

como Lobato se utiliza da técnica do “recontar” com o objetivo de facilitar as inserções sobre suas opiniões políticas, econômicas e sobre educação.

46 Hans Staden: viajante alemão que narrou o período em que, no Brasil, esteve prisioneiro dos índios

tupinambás, no início do século XVI.

tipicamente americanas, enfim, qualquer coisa que pudesse atravancar a compreensão e aceitação imediatas da leitura pelo grande público foi evitada pela editora para tornar as histórias um grande sucesso de venda.

Encontramos, em trabalho assinado por Desmidt (2006), um exemplo de como a assimetria na tradução tem o poder de adaptar a obra para seu público. A pesquisadora examina como as várias traduções do livro sueco Nils Holgerssons underbara resagenom Sverige (A incrível jornada de Nils Holgersson pela Suécia) desviaram a obra de sua proposta inicial, em função do novo perfil de público e dos novos objetivos de leitura que a editora responsável pela publicação decidira privilegiar. Um livro, inicialmente de Geografia para crianças entre 9 e 12 anos, tornou-se, nas traduções holandesa e alemã, um livro direcionado para crianças com dificuldades em leitura, além de as versões que se seguiram às traduções adaptarem, livremente, os textos, segundo as razões pedagógicas que privilegiavam. Milton (2002, p. 93) resume a situação: “Obras clássicas traduzidas são adaptadas para se encaixarem em determinados mercados. A obra original será ou não cortada de acordo com o mercado visado pela tradução”.

A questão da domesticação, vista por alguns importantes teóricos48 como traição, seja ao original, seja ao autor, seja ao espírito, à letra ou ainda, e mais importante, à presença do tradutor no texto, abre espaço para a discussão sobre a adaptação, recurso tão usado na Literatura Infantojuvenil que, no entanto, ali não é criticado de forma tão atroz quanto o é na literatura para adultos. No caso da LIJ, o texto adaptado sofre modificações para melhor desempenhar o seu papel, quer seja o papel que lhe é natural ou o papel que lhe foi determinado – sua função.