D. SEMBOLİZM
III. MODERN ARAP EDEBİYATI’NDA YER ALAN BAŞLICA EDEBÎ
A Constituição Federal da República de 1988 não definiu quem é pessoa portadora de deficiência, ou seja, não afirmou quais pessoas se enquadrariam neste perfil, deixando a questão em aberto, sendo necessário, portanto, uma conceituação infraconstitucional baseada nos princípios constitucionais.
Buscando definições de dicionários, temos que Aurélio Buarque de Holanda Ferreira define deficiente como falto, falho, carente: incompleto, imperfeito. Por outro lado, no Dicionário Houaiss da língua portuguesa, tem-se: deficiente, adj. 1. Que tem alguma deficiência; falho, falto. 2. Que não é suficiente sob o ponto de vista quantitativo; deficitáro, incompleto 3. [...] 4. Aquele que sofre ou é portador de algum tipo de deficiência.
A Lei brasileira 7.853/89, regulamentada pelo Decreto 914/93, instituiu a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, definia a deficiência como:
Art. 3 - (...) Aquela que apresenta, em caráter permanente, perda ou anormalidade de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano.
Por outro lado, o Decreto 3.298/99 adotou a conceituação da Organização Mundial de Saúde (OMS), estabelecendo um conceito para deficiência e outro para incapacidade. Definiu, portanto, que deficiência é “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano” e incapacidade é “uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida.”
A Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência, mais conhecida como Convenção da Guatemala, internalizada no Direito brasileiro pelo Decreto nº 3.956/01, determina que o termo deficiência significa uma restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social.
A Lei Orgânica de Assistência Social, Lei 8.742/93, preceituava em seu antigo art. 20, § 2o, que a "(...) a pessoa portadora de deficiência é aquela incapacitada para a vida independente e para o trabalho".
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência determina que pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.
Ressalta Lígia Assumção Amaral (1995, p. 61-62) que a presença da deficiência nem sempre se relaciona com a existência de uma enfermidade, portanto, não se pode concluir que o indivíduo portador de deficiência seja necessariamente doente. Neste sentido, observe-se:
A um estado de “normalidade” corporal, de saúde corresponde, em termos médicos, um estado pré-patogênico. Uma vez instalada a patologia (quer seja decorrente de doença propriamente dita, de alteração genética, de acidente, etc.) três são os caminhos possíveis: morte, cura (e então a volta ao estado de saúde) ou a instalação de seqüelas. Portanto alterações corporais, co- definidoras de deficiência física e sensorial e, às vezes de deficiência mental, não são mais doenças necessariamente, embora mantenham com as mesmas vários pontos de tangenciamento: recursos disponíveis, atendimento profissional e – em especial – atitudes sociais frente a elas.
De acordo com os variados conceitos de deficiência expostos acima, pode-se constatar que a deficiência pode ser analisada por dois prismas distintos, o modelo médico e o modelo social.
O modelo médico foi aquele tradicionalmente adotado em documentos legais e em ações de proteção do portador de deficiência. Este modelo relaciona a
deficiência como uma questão individualizada de seu portador, sem considerar sua contextualização com os elementos exteriores.
Por outro lado, existe o modelo social, pelo qual o a questão da deficiência não recai especificamente no corpo do deficiente, mas na sua relação com a sociedade, bem como sobre a sua capacidade de desenvolver-se sozinho.
Neste sentido determina Luiz Alberto David Araujo (1997, p. 12), em sua festejada obra “A Proteção Constitucional das Pessoas Portadoras de Deficiência”:
O que define a pessoa portadora de deficiência não é falta de um membro nem a visão ou audição reduzidas. O que caracteriza a pessoa portadora de deficiência é a dificuldade de se relacionar, de se integrar na sociedade, O grau de dificuldade de se relacionar, de se integrar na sociedade, O grau de dificuldade para a integração social é que definirá quem é ou não portador de deficiência.
Acerca do modelo social, Cláudia Werneck (2000, p. 33) expõe que:
De acordo com o modelo social, a deficiência é a soma de duas condições inseparáveis: as seqüelas existentes no corpo e as barreiras físicas, econômicas e sociais impostas pelo ambiente ao indivíduo que tem essas seqüelas. Sob esta ótica, é possível entender a deficiência como uma construção coletiva entre indivíduos (com ou sem deficiência) e a sociedade.
Assim, tem-se que o meio social do indivíduo é fator determinante de seu enquadramento ou não de portador de deficiência. Portanto, segundo Luiz Alberto David Araujo, o meio social complexo será mais rigoroso com o indivíduo, exigindo-se mais na adaptação social, principalmente no que concerne ao deficiência mental. Por outro lado, em sociedades mais simples, como nas pequenas comunidades agrícolas, o indivíduo poderá se integrar com maior facilidade.
4.4 Conceito de deficiência para a concessão do benefício assistencial de prestação