2. KADIN GĠYĠMĠ VE MODA TASARIMI
2.11. Modanın Tarihçesi
Levinson comenta que, em razão da circularidade e fluidez presentes durante o desenvolvimento da personalidade da criança, os testes psicológicos se revelam como instrumentos limitados na avaliação psicológica. Podem eles nos dar pistas sobre a inteligência, habilidades escolásticas, e traços de personalidade; todavia não são capazes de nos revelar como esses traços e habilidades são usados no quotidiano ou que papéis a criança desempenha na constelação familiar (1969, p. 51, tradução nossa).
O psicodiagnóstico ideal seria obtido caso fosse possível ao expor a criança às pressões do dia-a-dia fazer-se mostrar claramente seu comportamento e mecanismos de defesa. Ainda é importante saber se a criança já internalizou ou não a queixa apresentada pelos pais. Desse modo, com crianças de tenra idade o animal de estimação pode nos fornecer pistas valiosas (LEVINSON, 1969, p. 51, tradução nossa).
Diante do psicólogo, a criança suspeita de tudo, esperando o pior desse encontro. Ela fará de tudo para evitar o comportamento pelo qual ela sabe ser o motivo da sua ida ao consultório. Aliás, ela pode ser ameaçada pelos pais ou por outras figuras de autoridade que, se não mudar de comportamento, será levada ao psicólogo. E outras fantasias podem rondar sua mente acerca da figura do psicólogo: pode achar que este tem a capacidade de ler sua mente (LEVINSON, 1969, p. 51).
Citando Anna Freud35, Levinson comenta que os psicólogos de crianças têm demonstrado que os métodos usados com adultos devem ser drasticamente modificados quando aplicados a crianças. Uma variedade de razões36 indicam que o brincar tem se
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FREUD, A., The psychonalytical treatment of children. Parts 1 and 2. London, Imago Publishing Co., Ltd., 1951.
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mostrado o melhor dos meios para se estabelecer comunicação com a criança. Quando a atenção da criança se faz prisioneira de um brinquedo, ela por alguns instantes esquece-se de seus medos em relação ao terapeuta e acaba descontraindo. Então, menos provavelmente a criança passa a criticar suas respostas ou dissimular seus sentimentos. Ainda, a maneira pela qual a criança se relaciona e considera o brinquedo pode fornecer pistas importantes para o observador (1969, p. 52, tradução nossa).
Durante a sessão, os psicólogos buscam apreender os dados fornecidos pela comunicação não-verbal. Entretanto, o imperativo do psicodiagnóstico infantil é a oportunidade para a observação (LEVINSON, 1969, p. 52, tradução nossa). Segundo Haworth37 e Rabin38, a sessão com o brinquedo facilmente pode ser mais eficaz que o CAT; de acordo com Klopfer & Davidson39 e Rabin40, mais do que o Rorschach (em LEVINSON, 1969, p. 52, tradução nossa). Levinson sublinha que uma hora extra numa sessão com brinquedos pode evitar sérios erros diagnósticos e poupar muitas horas de terapia (1969, p. 52, tradução nossa).
Embora a sessão de brinquedo possa ser valiosa, seu êxito depende da intensidade com que a criança mostra interesse e se torna envolvida com o brinquedo ou com a atividade. No entanto, a resposta da criança é quase certa e mesmo mais reveladora quando seu companheiro de brinquedo é um animal de estimação. Isso se deve ao fato de o uso de animais de estimação como co-terapeutas oferecer uma forma quase ideal para se observar a criança em atividade, sem defesas. Para Levinson, os animais de estimação são úteis tanto no psicodiagnóstico como na entrevista (LEVINSON, 1969, p. 52, tradução nossa).
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HARWORTH, M. R. The CAT: facts about fantasy. New York, Grune & Stratton, 1966.
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RABIN, A. I. (Ed.) Projective techniques in personality Assessment. New York, Springer, 1968.
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KLOPFER, B., and Davidson, H. H. The Rorschach technique: an introductory manual. New York, Harcourt, Brace & World, 1962.
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Levinson (1969, p. 52-53, tradução nossa) cita algumas das vantagens em utilizar-se de animais domésticos no diagnóstico:
1) o animal torna-se parte de um procedimento padronizado; e regras informais podem surgir no que tange qual o comportamento esperado. Além disso, a reação da criança vem a ser idiossincrática;
2) com esse procedimento, pode-se obter indicadores fidedignos sobre os pensamentos da criança em relação ao seu padrão de comportamento bem como sobre os papéis exercidos por ela na constelação familiar. Pelo fato de o psicólogo inserir o animal apenas para se “obter prazer”, pode ser possível a crianças de todas as idades tranqüilizarem-se e relaxarem ao brincar com um cão ou um gato. Conseqüentemente, o fato ameaçador que subjaz à investigação realizada pelo psicólogo é esquecido pela criança, dispersando-se as tensões. Ainda, a presença de um animal de estimação é particularmente útil nos casos em que a criança não é cooperativa talvez pelo fato de estar com medo do entrevistador ou porque ela está apresentando um comportamento aprendido em casa.
3) Por meio da entrevista em que se brinca com o animal de estimação, o psicólogo pode esperar encontrar respostas para as perguntas: “a criança pode se relacionar com o terapeuta? Em que nível? Quais seriam os conflitos latentes que a criança observa em casa? Existem limites egóicos sólidos? Qual o limite de tolerância à frustração da criança? Ela pode explodir em fúria em relação ao animal ou em relação a sua própria
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inabilidade em dominá-lo? O brincar revela insinuações neuróticas ou psicóticas? Como a criança dirige seus impulsos instintivos?
4) É possível, pela observação do tipo de atividades que a criança escolhe para envolver-se com o animal, obter-se algumas pistas em relação à função do brincar passivo e agressivo na economia do organismo da criança. Como exemplo, Levinson cita que uma criança pode perceber seu co-terapeuta, um collie chamado Jingles, como um animal agressivo ou perceber equivocadamente a postura do cão como ameaçadora. Isso pode decorrer de a criança sentir suas tendências agressivas revolvendo- se no seu interior, estando ela sem condições de controlar tal desconforto. Isso também pode indicar que a criança percebe o mundo como um lugar perigoso.
5) Outrossim, é significativa a maneira como a criança percebe e reage ao desalinho do animal, a perda de pêlos pelo consultório. A criança se agrada ou se revolta ao observar isso? Levinson cita um caso em que uma criança cuja mãe teve dificuldades em seu treino à toalete tinha pavor de sujeira e era excessivamente limpa. A criança gostava de alimentar o cão com guloseimas em seu prato, brincava com os pêlos esparsos e ainda lavava os pratos usados na sessão.
Empregando animais domésticos na avaliação de crianças pequenas, Levinson criava uma situação especial para a entrevista a ser realizada com crianças de 3 ou 4 anos. Usando a facilidade peculiar a essa fase de viver segundo a fantasia, dizia-lhes que seriam entrevistadas por um cão, ao que prontamente entravam no espírito do jogo,
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esquecendo-se que estavam sendo avaliadas. Com esse recurso, é possível extrair informações que não poderiam ser obtidos de outra maneira. Vale lembrar ainda que quanto mais dócil for o examinador, mais espontânea será a reação da criança (1969, p. 53-54, tradução nossa). Citando Murphy & Krall41, diz que se, por outro lado, o psicólogo interferir e tornar-se enérgico para com a criança, essa atitude alterará “a psicodinâmica da situação e conseqüentemente alterará o brincar” (em LEVINSON, 1969, p. 54, tradução nossa).
Vejamos como Levinson (1969, p. 54, tradução nossa) estabelecia o rapport com a criança, de modo a conseguir dar andamento à entrevista:
Uma técnica bem-sucedida para o emprego de um cão como uma ‘ferramenta’ para entrevista com crianças pré-escolares geralmente se inicia por sentarmos os três à mesa, de maneira informal. Um ‘ritual’ flexível é seguido. Primeiro, o cão ‘dá um aperto de mão’ com a criança, na introdução. Então o cão ‘sussurra’ no ouvido do psicólogo que a maioria das crianças tem segredos que elas habitualmente compartilham com ele (o cão). A culpa por revelar segredos da família pode portanto ser evitadas. O psicólogo diz à criança que o cão deseja saber, e a criança diz ao cão a informação solicitada. Em cada caso, o terapeuta comporta-se apenas como agente ou intermediário, retransmitindo a mensagem para o cão ou para a criança, tendo o cuidado de expressar que ‘Jingles disse’ – ou ‘Johnny42 disse’.
Continua Levinson dizendo que muitas perguntas podem se feitas à criança dessa maneira. Em seguida ele perguntava a criança se ela tinha um animal. Se a resposta fosse positiva, perguntava “de que tipo”. Prosseguia o questionário tentando arrancar informações sobre como foi obtido; quem da família desejou-o como companheiro; quem cuida dele; o que as pessoas da família e especialmente a criança sente em relação a ele. No caso de a criança não ter um animal, perguntaria se teve um e, se sim, o que aconteceu com
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MURPHY, L. B., and KRALL, V. Free play as a projective tool. In RABIN, A. I., and HAWORTH, M. R.
Projective techniques with children. New York, Basic Books, Inc. 1968.
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ele; se a criança nunca teve um animal de estimação, perguntaria qual tipo de animal gostaria de ter (1969, p. 54, tradução nossa).
Após esse questionário, Levinson, adotando o método de conclusão de
estórias, de Lansky43, baseando-se nos fatos obtidos, inseria a “conclusão da estória”. Para ilustrar, apresentamos a própria descrição do autor:
O psicólogo avisava Johnny que ele ia ouvir uma estória e continuaria a dizer a Johnny uma estória baseada tanto quanto possível nas circunstâncias do caso. Se os fatos obtidos ou até então conhecidos por Johnny são insuficientes, o psicólogo terá que inventá-los ‘intuitivamente’. Nesse ponto o terapeuta pararia e pediria a Johnny que completasse a estória. A maioria das crianças entram no jogo voluntariamente e consideram- no engraçado. Dos finais por elas fornecidos, muitas vezes um pode reconstruir uma importante situação de relação familiar tanto quanto a dimensão das expectativas da criança. Muito freqüentemente Johnny completará a estória com detalhes de um incidente ou incidentes de sua própria vida (1969, p. 54, tradução nossa).
Para ilustrar uma conclusão de estória, resumimos o caso de Edward, relatado por Levinson (1969, p. 54-56, tradução nossa). O garoto tinha um enorme medo de gatos, tanto que pedia para que Johnny fosse retirado do consultório. Levinson contou-lhe uma estória em que um garoto que somente queria muito ter um gatinho, mas seu pai não o permitiu – numa entrevista anterior, o menino disse que seus pais permitiriam que ele tivesse um animal de estimação, mas ele não queria. Resumidamente, a estória contada por Levinson tratava de um garoto (David) que queria demais um gatinho. Ao visitar um amigo, este ofereceu a David um dos filhotes de uma ninhada, caso prometesse que cuidaria muito bem do filhote. David ficou tão entusiasmado que se esqueceu de pedir permissão para sua mãe.
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LANSKY, L. M. Story completion methods. In Rabin, A. I. (Ed.) Projective techniques in personality
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Levou o gatinho debaixo de sua jaqueta. Ao chegar em casa, encontrou sua mãe muito ansiosa, pois ele havia chegado muito tarde. Neste ponto, o autor parou e pediu que o garoto concluísse a estória. Brilhantemente Edward continuou a estória: a mãe de David ficou furiosa quando viu o gatinho e disse ao filho que teria que levá-lo de volta na manhã seguinte. Ao perguntar a razão da negativa, a mãe disse que os gatinhos são muito sujos e eles têm pulgas. O garoto perguntou à mãe o que eram pulgas, ao que ela respondeu que são micróbios. Edward parou a narrativa, e Levinson perguntou-lhe se o filhote foi devolvido na manhã seguinte. Então o menino respondeu muito triste que não e começou a chorar. O psicólogo questionou por que ele estava chorando, obtendo como resposta que David havia matado o gatinho, aplicando demasiadamente inseticida sobre o mesmo. Levinson questionou o que David fez então. Edward concluiu que o garoto pediu à mãe que chamasse um médico, mas ela disse que o gatinho já estava morto, que ele provavelmente tivesse morrido devido a alguma doença que pegou ao remexer o lixo.
Levinson (1969, p. 56, tradução nossa) observa que esse relato vinha a ser o que Edward narrou como um evento de sua própria experiência; um evento que o chocou demasiadamente, deixando-o com terríveis sentimentos de culpa. O fato também revelou a profundidade da fobia de sujeira experimentada pela mãe do garoto, bem como sua insensibilidade para com as necessidades dele.
A respeito do uso da técnica “conclusão de estória”, Levinson comenta que não se limita apenas a crianças pequenas, podendo ser aplicada a quase todas as faixas etárias, cuidando-se naturalmente com o conteúdo e a maneira de apresentação (1969, p. 56, tradução nossa).
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Levinson (1969, p. 57, tradução nossa) observa que a amplitude das técnicas diagnósticas envolvendo animais domésticos aumenta na medida em que se eleva a idade do paciente, devendo o psicólogo avaliar suas aplicações.
Os animais também podem auxiliar o terapeuta a descobrir quais são os temas da fantasia dominante da criança, fornecendo atalhos surpreendentes para atingi-los. Levinson usava de um expediente para tanto: perguntava aos seus jovens pacientes sobre o que Jingles sonhava; desse modo obtinha inúmeras estórias de sonhos, geralmente os dos pacientes (1969, p. 57, tradução nossa).
Na busca pelos temas das fantasias dos infantes, naturalmente devemos nos interessar sobretudo acerca do que a criança sente a respeito de seus pais e que papel eles têm em suas fantasias, do que se de fato o que ela diz é real (LEVINSON, 1969, p. 57, tradução nossa).
Interessantemente, um dos mais incomuns aspectos do uso de animais domésticos em psicoterapia é o desenvolvimento da sessão terapêutica peripatética. Sempre que a situação e o rapport indicavam, Levinson gostava de caminhar com seus pacientes acompanhados de seu cão. Durante esses passeios, inumeráveis aspectos da personalidade revelam-se. Dessa maneira, a primeira situação que se coloca geralmente é “quem conduzirá a guia do cachorro?”. Outras situações interessantes poderiam ocorrer:
Como a criança aceita essa responsabilidade? Ela vai manter e prosseguir com isso? Ela logo se cansará? Ela vai largar a guia? Quais traços de maturidade e imaturidade serão mostrados nessa função? Como ela reagirá quando o cão urinar? defecar? Como a criança reagirá a uma inesperada aproximação de um outro cão? (LEVINSON, 1969, p. 57, tradução nossa).
Para aproximar as crianças dos animais e desenvolver a relação entre eles, Levinson (1969, p. 57-58, tradução nossa) encontrou nos alimentos um meio poderoso. Em
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seu consultório havia um refrigerador com um conveniente suprimento de doces, bolos, leite e ovos. Numa prateleira, havia alimentos para os animais. Na terapia com adultos dependentes os alimentos também eram empregados. Por meio da atividade de preparar os alimentos, obtinha várias informações. Levinson (1969, p. 58, tradução nossa) afirma que, em relação aos problemas da criança e suas estruturas defensivas, essa atividade proporciona um material projetivo com pistas mais seguras do que o C.A.T ou o Rorshach. Crianças que normalmente não aceitariam os alimentos oferecidos por estranhos – um traço patognomônico de desconfiança desmedida – ficavam felizes e envolviam-se na tarefa de alimentar os animais. Durante o preparo do alimento, o ato da refeição e a posterior limpeza dos utensílios, tornava- se possível compreender as atribuições da família da criança. Era uma oportunidade também para observar se a criança se dispunha a compartilhar o alimento com o terapeuta ou com o animal co-terapeuta; se havia a atitude para pôr as coisas em ordem, se se sentia culpado caso fizesse bagunça e se tratava de projetar isso sobre o animal. Tal atividade ainda oferecia respostas para as seguintes questões: apraz à criança regredir e desempenhar o papel de criança que é alimentada sem ajudar na preparação da refeição? Ela come o alimento que não aprecia e impõe a mesma mortificação ao animal, requerendo que coma o alimento desagradável?
Quanto à espécie escolhida pela criança, Levinson (1969, p. 59, tradução nossa) encontrou dados concordantes aos achados por Hammer44. A escolha do animal com o qual a criança se identifica depende dentre outras variáveis da sua estrutura defensiva e da natureza de seu problema. Nos casos em que os animais escolhidos são domésticos como gato, cão e cavalo, a criança sofre de um transtorno comportamental suave. Todavia, severos
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transtornos sociais e emocionais acompanham aqueles que se identificam com predadores ferozes e poderosos.
Diante da tarefa de realizar um psicodiagnóstico, a sessão com animais de estimação proporciona ao psicólogo uma oportunidade para observar a criança numa situação natural. Logo, é possível uma apreciação mais eficaz de como a criança atua e quais suas defesas egóicas a que recorre. Por exemplo, crianças inseguras pedem permissão para brincar com o animal. Por outro lado, há aqueles que enfrentam a situação e aceitam naturalmente. Ainda é importante observar com que rapidez a criança se adapta ao animal e se ela reage de outra maneira em relação a animais diferentes. (LEVINSON, 1969, p. 59, tradução nossa).
Levinson (1969, p. 59, tradução nossa) comenta que crianças pequenas podem ficar de gatinhas e imitar o cachorro, sendo este um comportamento não raro, pois durante a brincadeira geralmente pretendem ser um animal; aliás, falam a seus animais e os consideram como se fossem seres com o mesmo status na natureza – como Freud já havia observado. Já esse tipo de comportamento sendo demonstrado por uma criança mais velha indicaria conflitos emocionais e confusão (LEVINSON, 1969, p. 59, tradução nossa).
Outro ponto a considerar é se a criança toca o animal, sendo que a parte tocada pode ser um indicativo muito significativo. Como, por exemplo, a criança tocar o pênis do animal. Da mesma forma, pistas a respeito dos conflitos vivenciados pela criança podem ser demonstrados pela evitação do animal. Talvez o fato de não tocá-lo seja decorrente do medo de um ser desconhecido, como também pode ser a preocupação de que suas mãos se tornem instrumentos agressivos que poderiam ferir o animal. Um outro fator diagnóstico pode ser notado na súbita interrupção da brincadeira, de modo que a criança não consegue continuar a diversão (LEVINSON, 1969, p. 59-60, tradução nossa).
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Levinson (1969, p. 60, tradução nossa) ainda aponta outras questões que podem nos revelar outros sinais patognomônicos:
A criança dirigiu inconscientemente sua agressão em relação ao animal ou ao terapeuta? Ele se sentiu culpado? O que ele fez para resolver a situação? Por outro lado, a franca agressão direcionada ao animal implica patologia. Uma criança que insiste em chutar o cão ou puxar o rabo do gato ou discretamente tentar matar um dos peixes do aquário apresenta-se como um quadro anormal. Algumas vezes sinais patognomônicos de severos desajustamentos e mesmo psicose infantil se tornam evidentes.
Quanto aos indícios prognósticos, Levinson (1969, p. 60, tradução nossa) comenta que uma criança que ao ver o animal responde amistosamente a sua tentativa de estabelecer contato é um dado que indica a recuperação e a probabilidade de êxito no tratamento. Ainda, de um modo geral, tem boas chances os casos de crianças que se identificam com o animal, mas que ainda se sentem com medo dele. Já a criança que não hesita em acariciar o animal, podendo assim indicar sua necessidade por afeto, revela-se como um dos casos terapêuticos mais promissores. Entretanto, os casos de crianças que se retraem diante de um amistoso e inofensivo animal, de certo modo, revelam um retraimento da estimulação ambiental, de modo que podemos inferir que a visão da criança a respeito do mundo é de este ser hostil.
O animal ainda pode ter uma importante função no diagnóstico das relações familiares. Citando Friedman45, Levinson assim se expressa:
A presença do animal doméstico no lar é freqüentemente vantajosa na formação de uma relação com um membro familiar psicótico, retraído, ou nos diagnósticos para se compreender as relações familiares. Os animais de estimação revelam reações comportamentais que são extensões de reações comportamentais dos membros da família. Os animais domésticos são muito sensíveis aos estados emocionalmente carregados da família.
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FRIEDMAN, A. S. Implications of the rome setting for family treatment. In Friedman, A. S., et al.
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Levinson permitia que a criança trouxesse seu animal doméstico para a sessão psicoterápica, pois dessa oportunidade podem ser extraídos dados para o diagnóstico. Cita um caso relatado por Pearson46, em que uma criança enurética que pensava a urina ser venenosa, cujo animal trazido para a sessão era um pássaro que ela chamava de “Pee Wee”, termo por ela utilizado para se referir a “urina” (LEVINSON, 1969, p. 61, tradução nossa).
Levinson também tratava de adultos, utilizando animais como co-terapeutas. No entanto, abordar esse tópico foge do objetivo atribuído a este trabalho.
A terapia orientada por animais47 parte do princípio de que para a criança é mais fácil projetar seus sentimentos insuportáveis sobre um animal, além de este ter a faculdade para prover, em certa medida, a necessidade de afago, companhia e aceitação incondicional. E, durante a terapia, o animal ainda possibilita a oportunidade para a criança sentir-se a dona da situação (LEVINSON, 1969, p. 67, tradução nossa).
Levinson observa que as crianças que demonstram melhores respostas a essa