O CEAPE-MA fica sem controle, sem participação na gestão, sem investimento financeiro, transferindo 100% dos ativos relacionados ao negócio financeiro. Nesse cenário o CEAPE-MA sairia completamente do negócio de microfinanças, repassando sua carteira creditícia para um investidor estratégico e ficando somente como uma OSCIP prestadores de serviços não financeiros.
Por outro lado, esta opção traz como vantagens:
a) redução de riscos ao patrimônio dos Conselheiros, uma vez que uma instituição que não opera com crédito não demandará a busca incessante de empréstimos para garantir o funding necessário ao crescimento constante da carteira;
b) possibilidade de negociar com os investidores estratégicos uma doação à OSCIP, a título de encaminhamento de uma carteira de bons clientes e de disponibilizar no mercado pessoal experiente, capacitado e identificado com o setor microfinanceiro, o qual poderá ser absorvido de imediato pelo International Monetary Fund (IMF); além disso, há a possibilidade do investidor vir aproveitar a atual rede de agências/postos do CEAPE-MA (fatores que, conjuntamente, viabilizam um crescimento mais rápido e seguro ao novo entrante);
c) possibilidade de dedicação total, por parte da OSCIP remanescente, para o desenvolvimento de atividades de apoio e de capacitação aos empreendedores de baixa renda;
d) maior concentração de esforços no objetivo social da organização; e) por não participar na gestão da IMF, não ter a necessidade de nomear
conselheiros/gestores para compor a administração da nova instituição regulada;
f) poder negociar com o novo investidor aporte imediato de funding para evitar que o CEAPE-MA fique “estagnado”, enquanto tramita o processo de regularização da nova IMF, o que pode gerar alta desistência de clientes, além de poder projetar uma imagem negativa ao mercado.
Apresentam-se as seguintes desvantagens:
a) entrega de um trabalho exitoso de 21 anos a um novo ator de mercado; b) o possível efeito negativo para outras instituições de microfinanças e
para o setor microfinanceiro brasileiro;
c) perda da capilaridade desenvolvida com clientes antigos e novos da OSCIP;
d) a instituição remanescente, no caso a OSCIP sem atividade financeira, ficaria sem uma fonte segura de financiamento para a cobertura de seus custos, principalmente considerando-se que o público alvo ao qual se dirigirá vem das camadas de baixa renda e não têm condições financeiras para pagar o custo real dos serviços recebidos. Ademais, sabe-se que uma parceria com instituições governamentais, para executar programas de interesse do mesmo, é uma ação demorada e que deverá ser executada segundo os critérios do repassador de recursos;
e) forte impacto nos recursos humanos, uma vez que o quadro de pessoal será bem menor e não se sabe se a nova IMF os absorverá;
f) o patrimônio da OSCIP não pode ser “vendido”. Neste caso o que é passível de acontecer é a liquidação da operação do cliente com o CEAPE-MA e futuros empréstimos serem concedidos pela nova instituição;
g) o patrimônio do CEAPE-MA foi conquistado em parte pelos benefícios oriundos de sua figura jurídica – sem fins de lucro e credenciada como OSCIP. Entende-se que existe um risco na tomada de decisão de sair do mercado microfinanceiro, uma vez que poderão ser questionados os apoios diretos ou indiretos que foram recebidos por meio de entidades públicas para o desenvolvimento do CEAPE-MA (capacitação, participação em eventos, isenção de impostos, etc.), assim como a razão para a transferência desse ativo (cliente) para uma entidade
privada e que possua fins diversos da OSCIP, ou seja, fins lucrativos, sem o CEAPE-MA fazer parte dela;
h) os financiamentos que o CEAPE-MA possui com entidades financeiras, nacionais e internacionais devem ser quitados ou transferidos juntos, porém, essa passagem não depende apenas do CEAPE-MA, mas também da concordância da entidade financiadora, que, com a discordância, pode esvaziar os ativos do CEAPE-MA;
i) algumas questões jurídicas podem emergir desta possibilidade. Entretanto, segundo as informações recebidas até o momento, ainda não foi ainda efetuada operação similar no Brasil e são desconhecidas as implicações que serão geradas ao Conselho.
j) outro ponto importante a ser levantado é que, no caso de dissolução do CEAPE-MA, o que pelo entendimento havido é uma possibilidade, tendo em vista seu histórico de vínculo com a rede CEAPE, existe o risco de perda do patrimônio atual do CEAPE-MA, uma vez que a transferência de patrimônio usualmente é decidida pelo Ministério Público e não pela OSCIP em dissolução.
6.2 Cenário II
O CEAPE-MA fica com controle, com participação na gestão e com investimento financeiro. Daria continuidade ao trabalho de prestação de serviços não financeiros como OSCIP e ao trabalho de crédito através da participação da constituição da entidade regulada, o que demonstra o verdadeiro desenvolvimento de uma instituição de microcrédito. Nesse caso, o CEAPE-MA teria que assumir 51% de ações com direito ao voto.
O controle majoritário confere ao CEAPE as seguintes vantagens:
a) possibilidade de controlar a gestão da instituição e assegurar que a nova instituição não vá se distanciar do objetivo pelo qual a OSCIP fundadora foi criada e mantenha o atendimento aos clientes de baixa renda;
b) possuir as condições para ampliar a área de ação e de penetração da instituição, atendendo a um número maior de clientes, sem a diminuição de atividades e o constrangimento pela falta de funding;
c) fica mais garantida a absorção dos recursos humanos que hoje fazem parte dos quadros do CEAPE-MA;
d) assegurar que determinados serviços, como de capacitação e acompanhamento aos clientes, bem como o treinamento do pessoal da nova figura jurídica regulada sejam executados pela OSCIP remanescente mediante remuneração;
e) permitir um rendimento maior dos recursos investidos, viabilizando inclusive crédito para micro e pequenas empresas, de forma a aplicar parte dos resultados para capitalizar a nova IMF regulada, e parte para poder cobrir os custos da OSCIP remanescente;
f) abrir a possibilidade de recebimento de novo know how dos investidores por terem estas instituições interessadas em aportar capital na IMF uma larga experiência em microfinanças, em nível global, e que podem trazer muitos produtos microfinanceiros inovadores para a realidade brasileira;
g) a existência de um caminho aberto pelo Banco Central para que OSCIPs exerçam o controle em SCMs;
h) possibilidade de um grande ganho de imagem, tanto para o CEAPE- MA, como para a comunidade microfinanceira nacional, pela formação de uma IMF regulada sob o controle de uma OSCIP (caso de sucesso). Não obstante as vantagens apresentadas, neste cenário apresentam-se as seguintes desvantagens:
a) necessidade de maior aporte de capital inicial ou para a constituição por parte, apenas do CEAPE-MA;
b) o Conselho da OSCIP fica proporcionalmente responsável pelo montante do capital assumido na nova IMF;
c) possuir o controle de gestão, ou no caso de um exemplo, das ações com direito ao voto. Significa que os representantes do Conselho Deliberativo da OSCIP devem dar o aval para a nova IMF regulada de forma proporcional às ações desta, comprometendo, em caso de fraude/dolo ou culpa, o seu patrimônio. Por conta disso, cabe salientar que não são os conselheiros do CEAPE-MA os primeiros na lista de responsabilidades patrimoniais, mas os executivos que possuem a gestão diária da instituição e, somente após e na ordem já
especificamente demonstrada anteriormente, os demais gestores diretos e indiretos da IMF;
d) nem todos os conselheiros da OSCIP estão disponíveis a correr os riscos da instituição regulada;
e) a SCM não está autorizada a captar poupança ou depósitos à vista.
6.3 Cenário III
O CEAPE-MA fica sem controle, mas com participação na gestão e com investimento financeiro, caso encontre investidores que assumam maiores investimentos e tenha a expertise necessária, um Banco Múltiplo. Nesse cenário, assegura receitas para financiar as atividades não financeiras da OSCIP remanescente, além de que, com o ingresso de outros investidores, poderia melhorar os serviços financeiros ofertados para a camada da população de menor poder aquisitivo.
As vantagens deste cenário são:
a) exercer alguma influência para assegurar que a nova instituição não vá se distanciar do objetivo para o qual a OSCIP fundadora foi criada, ou seja, de apoio ao desenvolvimento dos pequenos empreendedores; b) ampliar a possibilidade de contar com um capital inicial maior. Se o
CEAPE-MA investe seus ativos líquidos totais, optando por uma participação menor, os outros investidores têm de assumir a percentagem restante;
c) possuir as condições para ampliar a área de ação e de penetração da instituição, atendendo a um número maior de clientes sem a diminuição de atividades e sem o constrangimento pela falta de funding;
d) influenciar para que determinados serviços como de capacitação e acompanhamento aos clientes, bem como o treinamento do pessoal da nova figura jurídica sejam executados pela OSCIP remanescente, mediante remuneração;
e) permitir um rendimento maior dos recursos investidos, viabilizando crédito para micro e pequenas empresas, de forma a aplicar parte dos resultados para capitalizar a nova IMF regulada, e, parte para poder cobrir os custos da OSCIP remanescente, caso necessário;
f) abrir a possibilidade de recebimento de novo know-how dos investidores, tendo estas instituições interessadas em aportar capital na IMF, uma larga experiência em microfinanças, em nível global e que podem trazer muitos produtos microfinanceiros inovadores para a realidade brasileira;
g) menor necessidade de aporte de capital em, por exemplo, ações com direito ao voto. Portanto, menor o risco para os Conselheiros do CEAPE -MA, uma vez que ficam mais afastados da gestão dos negócios.
h) permitir que os Conselheiros, que assim desejarem, participem da gestão da nova instituição e, para tanto, recebam contraprestação pelos serviços prestados ou capital aportado;
i) possibilidade de influência, o que permite uma maior condição de assegurar o aproveitamento dos recursos humanos do CEAPE;
j) possibilidade de um grande ganho de imagem, tanto para o CEAPE- MA, como para a comunidade microfinanceira nacional, pela formação de uma IMF regulada sob o controle de uma OSCIP (caso de sucesso); k) neste cenário, as responsabilidades dos conselheiros do CEAPE-MA
seriam bem menores em relação às do cenário anterior, mas ao mesmo tempo existiria uma possibilidade de influenciar na gestão.
As desvantagens deste cenário são:
a) OSCIP não possuirá o controle da instituição, assim como pouco influenciará nas tomadas de decisão;
b) os membros do Conselho continuam responsáveis pela cota parte da OSCIP na nova IMF, ainda que em menor proporção;
c) no caso de formação de uma SCM, esta não está autorizada a captar poupança ou depósitos.
6.4 Cenário IV
O CEAPE-MA fica sem controle, sem participação na gestão, mas com investimento financeiro, caso seja apenas um simples investidor, deixando a administração e o controle completamente nas mãos dos sócios ou daqueles que possuem ações com direito ao voto. Nesse caso o CEAPE-MA teria direito apenas aos dividendos.
Como vantagens, apontam-se:
a) possibilidade de maior ou total concentração de esforços no objetivo social para qual a OSCIP fundadora foi criada, ou seja, apoio ao desenvolvimento dos pequenos empreendedores;
b) intensificação do apoio à capacitação dos microempreendedores; c) possibilidade de retirar do Conselho do CEAPE-MA os riscos relativos
aos patrimônios pessoais dos conselheiros, tendo em vista que não seria do CEAPE-MA qualquer forma de gestão das atividades da nova IMF;
d) o CEAPE-MA terá retorno financeiro de acordo com o desempenho da nova IMF, por conta de que receberá dividendos sobre o capital investido, porém, sem a necessidade de participação na gestão.
E como desvantagens:
a) a OSCIP originária, o CEAPE-MA não terá nenhuma influência na nova IMF;
b) a garantia do atual patrimônio do CEAPE dependerá 100% da administração de terceiros;
c) possibilidade de grande impacto nos atuais recursos humanos do CEAPE-MA;
d) insegurança quanto à possibilidade da OSCIP vir a prestar serviços para a entidade regulada;
e) provável perda de contato com os clientes da IMF regulada, o que implicará maiores esforços para garantir demanda aos eventos promovidos pela OSCIP.
7 CONCLUSÃO
Como se pôde observar ao longo deste trabalho, há uma tendência cada vez mais crescente, por parte da sociedade em geral, que vem sendo impulsionada pelo crescimento econômico, no sentido de que as empresas adotem práticas responsáveis e se mostrem preocupadas com as camadas da população que não têm acesso ao crédito convencional. Nessa perspectiva, é que o CEAPE-MA vem atuando no mercado maranhense há mais de vinte anos.
É importante ressaltar, a esse respeito, que o Estado do Maranhão apresenta os maiores índices de pobreza do país e os piores índices de desenvolvimento humano. Diante dessa realidade, a instituição tem atuado no combate à pobreza e na geração de emprego e distribuição de renda à população de menor poder aquisitivo.
Diante desses resultados, conclui-se que o microcrédito constitui-se uma peça muito importante na vida das microempreendedoras, trazendo-lhes satisfação tanto no lado profissional, quanto no pessoal. No profissional, porque se tornaram profissionais independentes. No lado pessoal, porque eles têm a satisfação de se tornarem importante e reconhecidos, bem como de se sentirem úteis à família, visto poder contribuir para as despesas, além de ajudarem outras pessoas que vivem em situações piores.
As mudanças que a Instituição terá que fazer para melhorar sua posição no mercado e expandir sua área de ação são, necessariamente, implicações voltadas a outros aspectos da gestão institucional, da estrutura operacional, da metodologia creditícia, do desenvolvimento de produtos, das políticas de recursos humanos, do sistema de informação e das fontes de fundos.
De qualquer forma, a Instituição tem muitas vantagens e conhecimento profundo do mercado, condições acumuladas em todos estes anos de funcionamento, que a fazem uma instituição atrativa para potenciais investidores e, portanto, põe-na em vantagem para poder realizar um processo de transição para uma Instituição regulada. Nesse intuito, o CEAPE-MA almeja a transformação de uma instituição sem fins lucrativos para uma com finalidade lucrativa.
Analisados os cenários mencionados anteriormente e, mediante as considerações e propostas que abaixo serão vistas, chega-se a uma conclusão mais adequada ao momento atual do CEAPE-MA, levando-se em conta a legislação
financeira brasileira. Uma proposta que considera a grande preocupação dos membros do Conselho Deliberativo em relação ao fato de vir a ter comprometido o seu patrimônio pessoal e, as atuais ofertas, feitas de investidores interessados em criar, junto com o CEAPE-MA, uma nova instituição, entre os quais figuram o IFC, o BID, a Fundação BBVA da Espanha, o Grupo ACP do Peru, a Triple Jump da Holanda, entre outros, ou seja, de toda uma conjuntura de variáveis apresentadas.
Dessa análise dos possíveis cenários e com vista à compreensão destes, apresenta-se a seguir:
a) Cenário I: O CEAPE-MA fica sem controle, sem participação na gestão, sem investimento financeiro, transferindo 100% dos ativos relacionados ao negócio financeiro;
b) Cenário II: O CEAPE-MA fica com controle, com participação na gestão e com investimento financeiro;
c) Cenário III: O CEAPE-MA fica sem controle, mas com participação na gestão e com investimento financeiro.
d) Cenário IV: O CEAPE-MA fica sem controle, sem participação na gestão, mas com investimento financeiro.
A cerca dos cenários analisados, depreende-se que não há possibilidade dessa transformação de uma empresa sem finalidade lucrativa para uma com fins lucrativos. A instituição não possui interesse em romper definitivamente com a rede CEAPE. Foi cogitado a ideia de extinguir o atual CEAPE-MA e repassar seu patrimônio para uma nova OSCIP, a ser constituída de forma paralela à SCM, mas conforme o inciso IV do art. 3° da Lei 9790/99, fic a claro que, em caso de dissolução da entidade, o patrimônio líquido será transferido para outra pessoa jurídica, qualificada nos termos dessa mesma Lei.
Verificou-se, também, a inexistência de uma legislação clara quanto à transferência de sua carteira creditícia para uma organização regulamentada que visa o lucro. Percebe-se que o CEAPE-MA investiu muito no seu quadro de funcionários que poderiam não ser absorvidos pela nova instituição. Além disso, a Instituição é respeitada em âmbito nacional, servindo de referência para outras OSCIP da rede CEAPE. Não obstante, antes de qualquer tomada de decisão quanto aos cenários, formas legais para uma instituição, existe a necessidade de saber se a instituição possui o interesse ou não de obter o controle sobre a nova instituição financeira.
Logo, a alternativa seria o CEAPE-MA criar um Banco de Microcrédito, regulado pelo Banco Central do Brasil (BACEN). Contudo, dada a falta de uma legislação específica e por se tratar de algo inovador aqui no Brasil, é necessário que o BACEN expeça normas que regulamentam a criação desta nova instituição.
Nesse sentido, já foi encaminhada uma proposta ao BACEN, que se mostrou bastante interessado no caso, suscitando a expectativa de que, até dezembro, este órgão crie essas normas de regulamentação para que seja criado o primeiro Banco de Microcrédito no Brasil.
Destaca-se, ainda, que em países como o Peru já existe o MIBANCO, cujo compromisso é contribuir ativamente para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas (MPEs) e setores da população com menos recursos econômicos, respeitando o quadro legal e cuidados ambientais.
Nesse sentido, propicia acesso ao crédito para os setores sociais que dantes eram excluídos e oferece serviços e oportunidade de desenvolver o negócio. Com isso, proporciona, também, acesso aos serviços básicos, como educação, saúde e moradia adequada, resultando em uma melhor qualidade de vida. Seguindo esse exemplo, o CEAPE-MA aguarda a expedição das normas do BANCEN para criar este mesmo tipo de instituição financeira aqui no Brasil.
Ademais, as intenções do CEAPE-MA, como uma instituição lucrativa, são de promover o desenvolvimento econômico e social do Estado do Maranhão, sem sair do foco de sua estratégia de emprestar dinheiro às pessoas que não tem acesso ao crédito convencional.
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