HÜCRE ISKELETININ FONKSIYONLARI VE HASTALIKLARLA ILIŞKISI
2.AKTIN VE AKTIN-BAĞLI PROTEINLER
2.8. Miyozin ve Aktin
O Brasil insere-se na divisão internacional do trabalho como um país de economia dita “emergente”, em um dado contexto de mundialização do capital sobre o processo de financeirização. As desigualdades particularizadas surgidas no desenvolvimento carregam o processo de formação social do país, diferenciando-se na organização do trabalho e
redimensionando as relações econômicas, políticas e culturais frente a outros países (IAMAMOTO, 2007).
A partir de 1990, a moldura da economia e da política no Brasil foi delineada pelos governos brasileiros, a partir do ajuste neoliberal articulado às mudanças introduzidas nos processos produtivos a partir da denominada reestruturação produtiva, que se deu em âmbito mundial, mas foi composta por diversas particularidades em cada país. Tratava-se, portanto, de conformar a estrutura estatal aos ditames das mudanças ocorridas na estrutura produtiva, através da incorporação progressiva das tecnologias baseadas na microeletrônica, demandando uma racionalização político-ideológica que favorecesse ao mundo do trabalho em percurso.
O estado neoliberal teve como marcos de expansão o Consenso de Washignton14, que apresentou medidas de cunho neoliberal a serem adotadas em sua integralidade no Brasil, a partir dos anos 1990, dentre elas: redução de gastos públicos, reforma tributária, juros de mercado, câmbio de mercado, abertura comercial, desregulamentações econômicas e trabalhistas, investimento estrangeiro direto e privatização das estatais. O Estado deveria torna-se mínimo em termos de infraestrutura, organização e intervenção na realidade econômica.
Foi, nessa conjuntura, que Fernando Collor de Melo (1990 - 1992) inicia uma aceleração no processo de “reforma” do Estado, a partir de um conjunto de mudanças: privatização das empresas estatais, congelamento dos salários, ameaça de demissão dos funcionários públicos, dentre outros.
As reformas neoliberais preconizam o esvaziamento das lutas sociais e a redução do Estado com relação à responsabilidade perante as políticas públicas. Assim, esta lógica baseia-se nas reformas sem aumentar as despesas, afetando as políticas sociais voltadas para a classe trabalhadora, no tempo em que o aumento do desemprego estrutural e a desregulamentação dos direitos sociais eram o foco do capitalismo contemporâneo.
Essa “reforma”, na verdade, caracteriza-se como uma contrarreforma, pois não garante direito, e sim diminui, privatiza os setores de direitos conquistados pela classe trabalhadora tais como a saúde, educação, telecomunicações, responsabilizando a sociedade civil, em nome da solidariedade, a contornar as refrações da questão social.
14 No contexto do reganismo e do tatcherismo em 1989, máximas expressões do neoliberalismo, reuniram-se em Washington entidades de caráter privado, diversos economistas latino-americanos, funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Governo dos EUA, visando avaliar as reformas econômicas em curso na América Latina.
Em decorrência do impeachment, Collor de Melo fora impedido de dar continuidade à proposta de reformas de cunho neoliberal, que seguiu de forma mais lenta no governo de Itamar Franco, mas que atingiu seu apogeu no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC).
A era FHC (1993 - 2001) trouxe um ajuste radical na estrutura estatal, principalmente no que concerne aos direitos sociais. O que aconteceu neste período foi um processo de regressão ainda mais severo. A privatização de empresas públicas e a reforma previdenciária15 foram emblemáticas na tendência de tornar mínima a atuação do Estado de direito sob a égide da competitividade e do individualismo em contraposição à perspectiva socialdemocrata expressa constitucionalmente.
[...] daí decorrem fortes impedimentos para o avanço da democracia. Na América Latina, por exemplo, assistiu-se a praticas políticas extremamente nefastas, que variavam da ‘fujimorização’ peruana até o Estado de legalidade formal de Fernando Henrique Cardoso, no Brasil, por meio das excessivas medidas provisórias. Estes exemplos, há um sem-número de outros, confirmam que, se houve regressão das formas abertas de ditadura e de muitos países do mundo nos últimos anos, existem enormes dificuldades de consolidação de regimes realmente democráticos. (BEHRING, 2008, p. 61).
As políticas sociais, na conjuntura político-econômica, foram retratadas, submetidas à política econômica, perpassando por processo de privatização, corte de gastos sociais públicos e sem redução da desigualdade social. Isso ocorre devido à reforma dos sistemas de proteção social que sob a ótica neoliberal, que se configuram através de elementos estruturais, como a privatização de setores de direito como educação, trabalho e renda e saúde. Estas políticas têm características próprias das exigências do sistema, que são a descentralização e a focalização (BEHRING e BOSCHETTI, 2007).
Desta forma, a correlação das medidas neoliberais e de reestruturação produtiva incidiu no agravamento sistêmico das condições de trabalho, aprofundando os mecanismos de extração de mais-valia na tentativa de manter os níveis de acumulação capitalista, mesmo que, para isso, a situação da classe trabalhadora se tornasse mais grave e que fossem aprofundadas a dependência do capital estrangeiro e a subordinação aos ditames de controle das instituições internacionais.
15 “A Previdência Social foi transformada em grande vilã da crise fiscal brasileira e modificações apontaram na direção de reduzir os encargos do Estado com o pagamento das aposentadorias e pensões, favorecendo o mercado de previdência. A saúde também seguiu a lógica de redução do atendimento e favorecimento do mercado de planos de saúde. A área assistencial sofreu com corte de recursos para atender o ajuste fiscal e a tendência universalista expressa na constituição de 1988 deu lugar a uma focalização restritiva” (LINHARES, 2005, p. 37).
A reestruturação produtiva convergiu para essa desestruturação à medida que impõe a absorção de um novo modelo produtivo, para uma estrutura capitalista que sequer conseguiu se adequar ao modelo fordista por completo. No caso brasileiro, pelo menos em sua fase inicial, não engendrou altos padrões tecnológicos, assumiu, ao invés disso, um caráter organizacional, muito mais relacionado à implantação de técnicas gerenciais e de planejamento produtivo.
Com o cenário que se desenhou a partir dos anos 1980, e se exacerbou nos anos 1990 – caracterizado por uma crise econômica sem precedentes, com adoção de políticas neoliberais de estabilização da economia, um colossal exército industrial de reserva com baixo grau de escolaridade e despreparado para absorver as imposições da reestruturação produtiva e uma burguesia industrial que ambicionava amortecer os impactos da crise a fim de manter suas taxas de lucratividade – foram postas as condições essenciais para desestruturação do mercado de trabalho brasileiro.
O mundo do trabalho foi atingido não apenas numa perspectiva quantitativa, com a ampliação do desemprego, mas também a precarização das relações trabalhistas, através da desvalorização dos rendimentos do trabalho, e pela diminuição das despesas trabalhistas com o emprego formal.
Deste modo, a flexibilização das relações de trabalho se apresentam através da terceirização e da precariedade, em que os vínculos trabalhistas tornam-se mais frágeis, com facilidades legais na contratação e demissão da mão de obra, alta rotatividade, instabilidade e insegurança do trabalho e desprovidos do potencial organizativo/reivindicativo característicos do emprego estável.
Assim, a breve panorâmica histórica aqui desenvolvida pretendeu oferecer elementos considerados significativos para caracterizar o mundo do trabalho que atingem, no capitalismo contemporâneo, características de heterogeneidade e de fragmentação da classe trabalhadora, afetando diretamente o contingente feminino. Desta forma, no capítulo seguinte, verificaremos como essas mudanças apresentam os determinantes do trabalho feminino sob a égide do capitalismo contemporâneo.