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DENTAL DOKU VE MATERYALLERIN AŞINMA DAVRANIŞLARI

1.1. Aşınma mekanizması

1.1.1. Adeziv Aşınma

Identidade Preciso ser um outro para ser eu mesmo Sou grão de rocha Sou o vento que a desgasta Sou pólen sem insecto Sou areia sustentando o sexo das árvores Existo onde me desconheço aguardando pelo meu passado ansiando a esperança do futuro No mundo que combato morro no mundo por que luto nasço Mia Couto

Ao iniciarmos este texto buscamos apreender as dimensões da situação feminina no contexto de mundialização do capital, através das dimensões do trabalho, escolarização e rendimentos. A pesquisa buscou demonstrar que, apesar do maior acesso às mulheres na esfera produtivas e da maior qualificação, as desigualdades salariais destas eram menores que o rendimento masculino. Assim, a análise evidenciou contradições diversas nas dimensões do trabalho feminino, retratando que, embora tenha se constituído no plano econômico a feminização do trabalho com maior acesso das mulheres aos mais diversos postos de trabalho, esse ingresso e permanência no mercado de trabalho não se deu com uma melhora na situação de vida das mesmas.

Ao contrário, as mulheres ocupam postos de trabalhos precarizados, terceirizados e informais, e ocupam em sua maioria, como demonstra os dados - sejam em âmbito mundial, nacional e local, como é o caso de Várzea Alegre – em postos de trabalhos considerados femininos, ou seja, menos valorizados. A existência de atividades ditas femininas ou masculinas não são resultados de um processo natural e/ou espontâneo, ao contrário, resultam da construção concreta das relações sociais, determinadas pelos interesses dominantes. E, uma das formas de expressão que determina as desigualdades nas relações sociais, especificamente a das relações sociais de gênero, é a divisão sexual do trabalho.

Observamos durante o texto que as relações sociais de gênero são engendradas pela divisão sexual do trabalho e se apresentam de forma hierarquizadas, desiguais, assimétricas, seja pela exploração capital/trabalho seja pela dominação masculina sobre a feminina e, expressam a articulação fundamental entre produção e reprodução social. Vale ressaltar que esta divisão é um processo histórico e metamorfoseia-se de acordo com a sociedade. Contudo, na sociedade capitalista ela tem o papel de assegurar os lucros do capital. Esses maiores lucros são possibilitados pela superexploração do trabalho, através da presença marcante das mulheres nas esferas produtivas, bem como pelo trabalho doméstico não remunerado e/ou mal pago.

Deste modo, a divisão sexual do trabalho tanto na esfera doméstica como na esfera produtiva expressa uma hierarquia de gênero, que influencia na qualificação do trabalho feminino, no sentido da desvalorização da força de trabalho e conseqüentemente uma acentuada precarização feminina no mundo produtivo. Isso ocorre porque como observamos a relação capital/trabalho incorpora uma hierarquia de gêneros, expressas em categorias como qualificação, responsabilidade, que não podem ser neutras a sexo, nem tampouco as classes. Assim, “a reprodução das relações sociais capitalistas de produção, também é a reprodução da divisão sexual do trabalho.” (NOGUEIRA, 2006, p.212)

Observa-se, também, que muitas das profissões contemporâneas foram criadas pelo capitalismo e são vistas como ocupações subordinadas, devido a baixa qualificação exigida, pelas jornadas parciais de trabalho, pelo baixo rendimento e por sua feminização. Deste modo, voltamos a reafirmar que a divisão sexual do trabalho não contempla nenhuma neutralidade.

Assim, a assimetria do trabalho feminino e masculino, por meio da divisão sexual do trabalho, não é segmentada apenas no que equivale ao sexo, mas na hierarquização. “A ideologia sexista” representada pelas instituições (Igrejas, escola, famílias) naturaliza o papel conservador atribuído às mulheres, representados nas qualidades, habilidades e “nas ‘missões sagradas’, como a maternidade, sendo estas inatas ao papel feminino, portanto, aparente mente, inquestionáveis (CISNE, 2012, p.134). E, é essa ideologia que faz com que muitas mulheres busquem carreiras extensivas às atividades domésticas, vinculadas a reprodução social.

Outra observação efetuada durante a pesquisa é que a interseção entre o trabalho e a reprodução serve ao capital não apenas pela exploração da força de trabalho feminina, mas porque as atividades desempenhadas pela força de trabalho feminina no espaço doméstico garantem a manutenção dos trabalhadores e trabalhadoras bem como a dos futuros trabalhadores. Deste modo, as atividades não remuneradas, relegadas ao espaço do lar como lavar, passar, cozir, tem papel fundamental na reprodução do trabalho, mantendo o seu próprio valor em patamares mais baixos.

Assim, a responsabilidade maior pelo âmbito do lar junto às atividades desempenhadas no trabalho assalariado no campo da produção expressa uma dupla jornada de trabalho e delas decorrem, além da exploração do capital, uma forte opressão de gênero. Essa relação de exploração e opressão ocorrem respectivamente e baseiam-se na articulação do trabalho assalariado feminino com as suas funções na reprodução.

Portanto, parece que o discurso dominante de acesso à igualdade entre homens e mulheres, seja por meios jurídicos ou por dados, torna-se destoante diante de uma leitura crítica sobre a situação feminina no mundo contemporâneo. Deste modo parece “irônico” conceber uma verdadeira igualdade dentro do sistema do capital, pois como falar de uma igualdade entre os sexos, se as mulheres ganham menos do que os homens, se seu trabalho é invisibilizado, principalmente se for executado no âmbito do lar? Como discorrer sobre uma possível igualdade, se apesar de serem mais qualificadas, encontram-se em trabalhos mais precários? Como abordar sobre as mulheres que exploram outras?

As respostas positivas a essa suposta igualdade somente seriam dadas se as análises sobre a situação feminina fossem efetivadas a partir do ponto de vista ideológico burguês que impute na população, através das redes de comunicação e das instituições, a idéia de que, atualmente, as mulheres ocupam postos antes masculinos, que estão mais qualificadas para o trabalho, que permanecem mais tempo no trabalho, que o crescimento da chefia familiar demonstra que a mulher possui rendimentos, que o acesso a titularidade feminina é uma grande conquista.

Deste modo, não se pode pensar no sistema do capital segundo o “princípio de igualdade real”, pois ele não consegue se manter em seu conjunto, “sem reproduzir, com sucesso e de maneira constante, as relações de poder historicamente especificas” (MÉSZÁROS, 2002, p.268 – 269). Essa estrutura de poder pode ser vislumbrada na família,

tem-se que a estrutura que tem mais domínio do capital sobre a sociedade é “perpetuação - e internalização – do sistema de valores profundamente iníquo, que não permite contestar a autoridade do capital”. pois, pensar a família que permite um comportamento não- conformista ,na base de um sistema de valores igualitários contra a subordinação, seria a derrocada do do ponto de vista capital. (Idem, p.271)

Para um bom funcionamento do sistema do capital a premissa da verdadeira igualdade é inaceitável, uma divisão sexual do trabalho menos desigual tende a permanecer não integrável na lógica dominante. Assim, a luta por uma divisão sexual do trabalho mais justa, remete a uma luta contra o próprio capitalismo. E esse embate tem como cerne a superação da família patriarcal que hierarquiza as relações

Assim, a questão da relação de poder não pode ser diluída na falsa noção de igualdade de oportunidade. “Implorar a um sistema de reprodução do metabolismo social perverso – baseada na perniciosa divisão hierárquica do trabalho – a concessão de oportunidades iguais para as mulheres”, é mistificar a existência de uma divisão sexual do trabalho igualitária (idem, ibidem, p.272). Dessa forma, a condição prévia para uma verdadeira igualdade dá-se na critica radical do funcionamento do sistema estabelecido e de sua estrutura.

Portanto, a conquista da igualdade de gênero, não poderá ser efetivada apenas no equiparação aos homens, ou seja, não será resultado apenas da emancipação feminina, mas sim articulada à luta de classes para que haja a conquista da sociedade livre e de seres humanos emancipados. Desse modo, faz-se necessário extinguir não só as desigualdades em que as mulheres encontram-se associadas, mas todas as desigualdades em que ela encontra-se associada, como as desigualdades de raça/etnia, geração e classe.

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