BÖLÜM II. UYARLAMA ARAYÜZÜNDE TRAGEDYANIN İZDÜŞÜMÜ
2.1. Mitleşen Bir Tür Olarak Tragedya
Em setembro de 1966, começou o deslocamento dos guerrilheiros do sítio das Cabras para a Serra do Caparaó, nesse momento eram quatorze homens: os marinheiros Edival Mello, Jorge Silva e João Jerônimo chegaram depois. Do período da chegada dos militantes ao sítio, entre junho e julho, até o deslocamento definitivo para a Serra, em setembro, eram feitas incursões periódicas de reconhecimento do terreno e o retorno ao sítio, onde ainda podiam contar com um abrigo e melhor alimentação, coisa que mudou drasticamente quando passaram para o início das atividades na Serra do Parque Nacional do Caparaó.
Enfrentaram, durante cerca de seis meses, as adversidades da natureza (temperaturas baixíssimas, chuvas intensas, altitude e forte serração formada nas frias montanhas do Caparaó), que dificultaram as atividades. As longas caminhadas no sobe e desce das montanhas, o frio e a fome provocavam a exaustão física e o posterior desânimo.
A questão do abastecimento foi um outro problema enfrentado pelos guerrilheiros. A base da alimentação era o fubá, mas também consumiam frutas, mingau, leite condensado, chocolates e enlatados. Capitani (2005, p. 130) fala da fome e relata que às vezes comiam coisas que faziam mal, como umas batatinhas que encontraram em um capoeirão na Serra e serviam como comida de ratos. Porém,
conta que “a festa era grande quando caçávamos um jacu” e, segundo Avelino, “era sagrado, durava dois ou três dias, porque era usado só pra temperar o arroz”.
Como eram guerrilheiros preparando terreno para uma possível atividade precisavam estar em deslocamento contínuo para a construção de depósitos de armas, munições e mantimentos, além de proceder ao mapeamento minucioso de toda a região. Portanto, o guerrilheiro não pode sobreviver de caças, pois além de atrapalhar o curso das atividades, chama a atenção, expondo o grupo. Porém, diante da necessidade, às vezes se aventuravam na caça do jacu, ave típica da região.
Araken e Jelcy eram os que geralmente desciam às pequenas cidades do entorno do Parque em busca de alimentos. Contudo, a compra excedente de mantimentos, por pessoas estranhas à região, despertava a atenção e a curiosidade dos moradores locais e colocava em risco a segurança da guerrilha.
Entretanto, havia o abastecimento feito por um jipe, com placa de Nilópolis, enviado pelo apoio da guerrilha, localizado no Rio de Janeiro. O veículo era dirigido ora por Edson José de Souza, ora pelo capitão Juarez Alberto de Souza Moreira, que levavam mantimentos e deixavam em um local pré-determinado na Serra, junto com um recado, dando instruções e marcando o próximo ponto de encontro.
Assim, era feita a comunicação entre os guerrilheiros que estavam na Serra e o apoio no Rio de Janeiro. Apesar disso, a comida não era suficiente. Ex-guerrilheiros, como Avelino, Amadeu Felipe, Araken e Jelcy, relataram que houve períodos em que a fome foi tão grande que chegaram a comer ovos chocos de passarinho. Sobre a passagem do jipe, o Senhor Francisco Protázio relata que chegou a ver o jipe passar algumas vezes em sua propriedade, e em uma ocasião chegou até conversar com os guerrilheiros, sem saber do que se tratava, quando o veículo atolou em sua propriedade e os militantes foram pedir ajuda:
Passou esse jipe depois de uns três ou quatro dias, zoou, zoou, um barulho muito perto da minha casa. Mas era de costume esse jipe passar fora de hora. Um dia, quando estava clareando, fui até a janela e tinha dois caras. Foram os dois eu vi e conversei. Dois sujeitos simpáticos, com mais ou menos 38 a 40 anos, sem barba, jeitosos. Então eles me chamaram e eu fui lá. Os jipes tombados num “mocho” de esterco; e não rolou, só tombou e ficou aquele “mocho” dentro da capa do jipe. Falando meio diferente e tal,
“O senhor não arranja uma junta de boi?”, eu custei a entender... Como ele sabia que eu tinha boi? Como sabia? Uns homens estranhos. Falei: “Meu amigo, eu tenho uns bois, mas eu não posso amarrar boi nesse jipe. Se eu amarrar boi aí, vai arrastar, arrancar a capota do jipe todo”. Todos os dois se chamavam Armando, os dois simpáticos. E aí tudo bem, o jipe tombado, aí eu dei um grito e eles não queriam que chamasse mais gente. Eu dei um grito e juntou uns 10 homens rapidamente. “Dá uma mão para arrancar, tirar esse jipe aqui!” O jipe só tombou assim e entrou aquele mocho de esterco, entrou dentro da capota. Dei uma volta envolta do jipe, quando eu dei a volta eu dei um chute na placa barreada, e vi “Nilópolis, RJ”. Fiz que não vi. Destombemos, os companheiros chegaram rápido, distombemos o jipe e eles foram embora. E dali começou... eu denunciei. [...] Aí que veio esse
batalhão.57
Ainda segundo o relato de Francisco Protázio, após um tempo, a polícia chegou à região à procura do esconderijo de uns homens, e apesar de afirmar não saber o local, foi obrigado a acompanhar os policiais pela Serra. Ele narra que no caminho encontraram Luiz de Oliveira, que era o último morador antes dos limites do Parque, e os policiais cismaram que ele sabia do paradeiro dos homens. Reviraram sua humilde casa e bateram muito nele para contar algo que ele não tinha conhecimento.
A reposição de alimentos só foi regularizada após a visita de Amadeu Rocha à Serra, em janeiro de 1967, que passou a tarde toda em uma discussão com Amadeu Felipe. O teor da discussão é um mistério, já que nenhum outro guerrilheiro pôde participar da conversa.
Porém, logo após o episódio, foi instalado um armazém na cidade capixaba de Guaçuí, que era administrada pelo pai de Daltro, o senhor Afonso Celso Vechi Dornellas, e seu filho Luiz Carlos Dornellas. A partir de então, o problema de abastecimento foi resolvido. Intermediários subiam até a Serra, deixavam os alimentos em um local com um bilhete marcando o próximo lugar. Não havia contato direto; os mantimentos eram recolhidos pelos guerrilheiros durante a madrugada, como relata Hermes Machado Neto, que passou um curto tempo no armazém de Guaçuí, trabalhando como “sobrinho” de Afonso Dornellas:
Tinha os caminhos de comunicação. Tinha o Armazém de Guaçuí que era nosso. Então tinha um grupo de carvoeiros na Serra que era o contato. Tinham dois ou três carvoeiros com duas ou três mulas. Eu nem sei se esses carvoeiros eram de lá não. Eu só sei o seguinte: eram os pombos- correios, então eles faziam o carvão na serra e vendiam o carvão para nós.
57Depoimento concedido por Francisco Protázio. Pedra Menina, Dores do Rio Preto/ES, 05 de
Eles tinham que vender o carvão para o nosso armazém e se restabelecer no nosso armazém. Então na hora que eles traziam o carvão, eles levavam o mantimento para eles e a correspondência da Serra. Eles traziam e levavam. Só que lá na Serra, eles chegavam, deixavam em um determinado ponto e não tinham contato pessoal com guerrilheiro nenhum. Eles deixavam o malote e pegavam o malote.58
Segundo Costa (2007, p. 199), Amarantho chamou a atenção para a quantidade de ratos na Serra e frisou a falta de cautela que tiveram quanto ao armazenamento e preparo dos alimentos, pois os “alimentos ficavam no mato, com muita umidade” e “não era raro a gente ir aos esconderijos e encontrar sacos furados, com fezes e urina de ratos no meio”. Ainda acrescenta: “A gente pegava aquilo e, às vezes, malcozido, comia”. Tal descuido traria, em breve, sérios problemas para o grupo, como a contaminação de um guerrilheiro pela peste bubônica.
O dia a dia na Serra era exaustivo. De acordo com depoimento do comandante militar da guerrilha, Amadeu Felipe, o grupo deveria manter-se sempre em mobilidade, procurando fazer um reconhecimento topográfico da região. Cada um carregava cerca de 30 quilos de equipamentos na mochila. Procuravam não caminhar muito acima de dois mil metros de altitude, pois esses locais eram caracterizados pela vegetação rasteira, fato que poderia facilitar a descoberta dos guerrilheiros.
Araken contou que ele e o Amarantho procuravam manter o nível cultural do grupo, recitando poesias, contando piadas ou encenando pequenas peças. Amadeu Felipe relata em entrevista (Apêndice F) que cada guerrilheiro carregava consigo um livro sobre sociologia, filosofia ou política, que era revezado no grupo. Porém, segundo ele, houve ocasiões em que alguns jogaram os livros foram, a fim de diminuir o peso das mochilas, e que Josué Cerejo saía recolhendo os livros pelo caminho, dizendo que “podia ficar até sem comida, mas não sem livros”, e seguia acumulando peso, mas com uma pequena biblioteca em sua mochila.
As dificuldades enfrentadas pelos guerrilheiros na Serra, a relação das pessoas que estiveram no foco e as atividades culturais do grupo, bem como relatos de acampamentos e reuniões, podem ser observados no “Diário de Campanha” da
58Depoimento concedido por Hermes Machado Neto. Tijuca/RJ, 27 de novembro de 2013. Áudio e
Guerrilha do Caparaó59, escrito por Amarantho Jorge Rodrigues Moreira, entre 26 de novembro de 1966 a 18 de novembro de 1967. O registro não era feito por datas, mas por intertítulos, e Amarantho utilizou os codinomes dos companheiros na descrição dos acontecimentos, por motivo de segurança. O referido Diário foi apreendido com os remanescentes do movimento na prisão do dia 1º de abril de 1967. No entanto, seu texto foi publicado pela revista O Cruzeiro, na edição do dia 22/04/1967.
Os guerrilheiros mantiveram pouco contato com a população simples, religiosa, de economia agrária da região do Caparaó, que estava mais interessada em seus assuntos locais de trabalho e sobrevivência do que com a política nacional ou internacional, que tanto motivavam os guerrilheiros. Aliás, em vez de conquistar os moradores, a movimentação dos guerrilheiros gerou desconfiança nos habitantes, os quais, apesar de estarem alheios aos assuntos políticos nacionais, não foram isentos da propaganda anticomunista que foi amplamente difundida na época. A desconfiança e o medo se alastraram entre o povo humilde do entorno, e os próprios moradores denunciaram a presença de guerrilheiros na Serra.
Capitani (2005) relata que por duas vezes tentou contato com os moradores dos arredores do Parque, mas após conversa, constatou que o povo da região não era politizado, nem sequer sabiam o nome do governador do Estado ou do presidente do Brasil. Daí, concluiu que um sentimento de conformismo geral tomava conta dos moradores locais e que não queriam se envolver em qualquer tipo de movimento que atrapalhasse seu cotidiano.
Em fevereiro de 1967, o civil Hermes Machado Neto foi enviado à Serra do Caparaó com a missão de fazer um relatório sobre a segurança militar da guerrilha naquele local. Era uma missão encomendada pelo apoio do Rio de Janeiro, em especial, por Amadeu Rocha. Nenhum guerrilheiro sabia da tarefa de Hermes, que passou alguns dias na Serra, descendo logo para o Município de Guaçuí e se estabelecendo como sobrinho de Afonso Dornellas, responsável pelo armazém. Depois seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de apresentar seu relatório.
Hermes era um ex-funcionário da Caixa Econômica Federal de Porto Alegre que resolveu se juntar ao grupo brizolista no Uruguai. Fez treinamento guerrilheiro em Cuba e tinha regressado ao Brasil com a função de dar um curso de explosivos a alguns militantes em Nilópolis, no Rio de Janeiro. Depois de cumprir tal determinação, apareceu a missão do Caparaó dada por Amadeu Rocha, em fevereiro de 1967. Segundo depoimento de Hermes, seu relatório atestou a fragilidade da segurança e os vários erros que observou:
Aí o Amadeu [Rocha] disse assim: Você vai cumprir uma tarefa na Serra do Caparaó, uma tarefa muito especial, você vai lá e vai apresentar o relatório pra gente. Nós queremos saber: primeiro lugar, como é que está a segurança do grupo lá de cima e como é que eles estão cuidando do armamento. É sobre a segurança e o armamento que você vai me apresentar o relatório aqui. E eu fui, subi a Serra. [...] Então eu fui, eles sabiam que eu ia, mas não sabiam o que eu ia fazer. Achavam que era mais um membro lá. Nem o comandante da Serra [Amadeu Felipe] sabia o que eu ia fazer lá. Integrei ao pessoal da guerrilha. Lá em cima fui encontrar o Amarantho e o Capitani, que estavam em Cuba também comigo. Fiquei pouco tempo, recebi ordem, desci a Serra, fiquei um tempo no Armazém de Guaçuí e recebi ordem de retornar ao Rio. Cheguei aqui e apresentei o relatório pra ele: Eu disse: Oh, vai cair. Não lembro mais se cheguei a escrever alguma coisa, mas foi apresentado o relatório ao Amadeu Rocha. Eu falei, vai cair, tá na eminência de cair, porque a segurança é muito frouxa, há deslocamento de dia, à luz do sol e corre o risco de encontrar moradores. Parece que o armamento tá sendo bem cuidado, mas a segurança tá sendo muito relaxada. Cai, porque a segurança tá fraca, e eles estão subestimando a repressão. [...] Pra mim, parecia um piquenique aquilo. Na hora de botar segurança no acampamento era relaxado. [...] Eu achava que era tudo frágil. Tudo muito fraco lá. 60
A falta de ação militar trazia inquietação e discussão entre os guerrilheiros na Serra. Então, acabaram planejando uma ação prevista para ser efetuada na cidade mineira de Presidente Soares, hoje Alto do Jequitibá. Seria feita uma ação expropriatória nos bancos e o recuo para o Parque. Os guerrilheiros tinham a intenção de ocupar a cidade, prenderem a tropa, deixar um manifesto político e recuarem para a Serra, esperando que fossem atrás para atacá-los. O Subcomandante da Guerrilha, Araken Vaz Galvão, comenta as táticas de uma guerrilha:
O princípio básico da Guerrilha é quando o inimigo ataca, você recua, quando ele para, você fustiga, e quando ele recua você ataca. [...] Queríamos criar com isso um fato político, não um fato militar; e que na
60Depoimento concedido por Hermes Machado Neto. Tijuca/RJ, 27 de novembro de 2013. Áudio e
cidade poderia haver outro tipo de resposta. Quer dizer: lá tem um grupo de loucos, de malucos resistindo.61
Porém, a ação não ocorreu. Com todas as dificuldades e a falta de ação militar, as divergências no grupo se acentuaram e começaram a surgir as primeiras desistências. Para o comandante Amadeu Felipe, a falta de ação militar foi crucial para o desmantelamento do grupo:
A maior dificuldade foi a discussão política da permanência ou não aqui em cima. Havia pessoas na Serra que tinham vida clandestina, mas tinham muitos que não. Então se manter lá em cima tinha que se entrar em ação. Porque se não entra em ação, as pessoas que não tem vida clandestina começam a desenvolver a necessidade de voltar à cidade. Então, essa discussão foi feita na Casa de Pedra. Amadeu Rocha tinha vindo de Montevidéu, onde havia conversado com Brizola e a recomendação era que continuássemos sem ação. Ficar sem ação, foi quebrando o ânimo revolucionário das pessoas. Houve uma discussão séria e isso levava pessoas a desertar.62
Como afirma Capitani (2005, p. 131), “[...] as dificuldades provocaram uma seleção natural.” Alguns já não aguentavam o esgotamento físico, a falta de verbas, a carência de comida, as doenças que apareciam e principalmente a falta de ação militar. As desistências começaram no fim de 1966. Os civis Val de Souza, que por conta da idade avançada não estava conseguindo se recompor dos intensos deslocamentos, e Gregório Mendonça acabaram desistindo. Logo, o professor Alfredo Paiva e os sargentos Espinosa e Bertoncellos desceram a Serra. De acordo com Costa (2007), em janeiro de 1967, o sargento Daltro Jacques Dornellas abandonou o movimento a fim de acompanhar a gravidez da esposa.
Assim, alegando despreparo físico, desânimo com a falta de ação militar e questões pessoais e familiares, as desistências foram ocorrendo. No início de março de 1967, apenas dez guerrilheiros estavam na serra: nove ex-militares (três do exército, cinco da Marinha e um da aeronáutica) e um civil.
Além das desistências que traziam um abalo psicológico sobre os militantes, a convivência no grupo estava ruim e as divergências surgiram, com conflitos ideológicos e discordância de condutas e estratégias guerrilheiras. Segundo Avelino
61Depoimento extraído do Documentário CAPARAÓ. Direção e roteiro: Flávio Frederico. São Paulo:
Kinoscópio, 2006, DVD, 77 min. 62Idem.
e Amarantho, que tiveram treinamento em Cuba, algumas atitudes que o grupo vinha executando não condiziam com a de um grupo guerrilheiro e colocavam em risco a segurança da operação, como por exemplo, a lentidão dos deslocamentos, as marchas de dia, as descidas constantes nas cidades em busca de alimentos, o que atraía a atenção dos curiosos.
Costa (2007, p. 187) comenta que “[...] havia grupos dentro do grupo” e acrescenta que “quem conseguia manter o que restava de coesão ainda era Amadeu Felipe”. O autor relata que Araken e Daltro se desentenderam devido à questão da alimentação, quando Daltro teria comido chocolate e dado a algum companheiro sem a autorização do comando. Eles pararam de se falar, situação que perdura até os dias atuais. Claro que outros desentendimentos e acusações mútuas agravaram a situação entre os dois; porém, nos restringimos a constatar que a falta de comunicação entre eles pode ser apontada como uma das crises de relacionamento no grupo, que, entre outros conflitos, comprometeu a capacidade de articulação do movimento.
Avelino Capitani (2005, p. 137-138) apresenta duras críticas ao comando militar da guerrilha:
No princípio ninguém questionava a indicação de Amadeu e Araken para o comando inicial. A frente guerrilheira de Caparaó era uma expressão de um grupo de sargentos do Exército e da Aeronáutica, sendo natural que indicassem o comando e Brizola, como responsável do MNR, ratificasse. Mas o grupo tinha sofrido profundas modificações e a realidade já era bem diferente. Do grupo original de sargentos sobraram 4 e, no dia da queda, estavam apenas 2: Amadeu e Araken. O tempo já tinha feito uma certa seleção e era muito importante para o grupo, naquele momento e naquelas condições, eleger o comando que iria liderá-lo nos primeiros combates. Poderia ser até uma formalidade, mas psicologicamente Dara uma grande coesão interna e todos se sentiriam participantes e responsáveis por tudo. Amadeu tinha possibilidade de ser ratificado no comando, mas havia um certo consenso de que Araken não ficaria, pois tinha demonstrado muitas debilidades e cometido atos de irresponsabilidade.
Nessa altura, o grupo na Serra apresentava uma nítida divisão: havia desistências no lado dos sargentos do exército; porém, os cinco marinheiros permaneciam irredutíveis e persistiram nas montanhas até a queda da guerrilha. Capitani, em seu depoimento (Apêndice F), disse que havia a possibilidade da formação de uma segunda frente guerrilheira no Caparaó, que seria comandada por Jelcy Rodrigues Corrêa, e ambas agiriam mutuamente. No entanto, apesar da divisão da área que
cobririam, poderiam interagir quando necessário. Em seu livro, Capitani (2005, p.137) reforça essa tese, afirmando que os planos “[...] incluía o desdobramento de duas frentes guerrilheiras, uma de costas para a outra, apoiando-se mutuamente”. Para tanto, esperavam a chegada de reforços para abrir a segunda frente, o que não se concretizou e a guerrilha caiu antes.