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1.4 Program, Plan, Planlama ve Stratejik Planlama

1.4.2 Misyon ve Vizyon

Na implementação do projeto pedagógico de educação rural em Minas Gerais, estavam presentes, principalmente, o então Secretário da Educação do Governo Milton Campos Abgar Renault e a professora Helena Antipoff. Em palestra proferida na 10ª Conferência Nacional de Educação (1950), Antipoff afirmou:

Conseguindo uma ampla verba orçamentária para ocorrer às despesas do ensino, em zonas rurais, e do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos doações elevadas, pelo Fundo Nacional do Ensino Primário, para a construção de prédios escolares (688 escolas rurais) e para auxiliar na realização de cursos para professores rurais, acha-se a Secretaria de Educação entre 1948 e 1950 com uma base suficiente para empreender um trabalho sistemático no setor do ensino em zonas rurais (COLETÂNEA, 1992, p.71).

Abgar Renault assumiu o cargo de Secretário da Educação do Governo Milton Campos, em dezembro de 1947, após renúncia do então Secretário Mário Brant. Bacharel em Direito

(1924), ocupou diversos cargos políticos: foi deputado estadual pelo Partido Republicano Mineiro (1927), Secretário do então Ministro da Educação, Francisco Campos (1930), assistente do Secretário de Educação e Cultura do Distrito Federal (1935), diretor do Departamento Nacional de Educação (1938), entre outros. Concomitantemente, era professor de Português, na Escola Normal Modelo, e de Língua e Literatura Inglesa, no Ginásio Mineiro (1927) e na Faculdade de Filosofia da Universidade Minas Gerais (1947). Ocupou o lugar de diretor do Colégio Universitário da Universidade do Brasil (1938). Na década de 1950, foi presidente da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais de Minas Gerais (CRPEMG), além de representante do Brasil em diversos Congressos internacionais sobre educação.57

A melhoria das condições educacionais nos meios rurais se apresentava como uma preocupação do atual Governo. Segundo Milton Campos, em mensagem à Assembléia Legislativa, em 1948, “o ensino rural avulta de tal forma que deve constituir a primeira preocupação governamental em matéria de educação e ensino” do Estado (MENSAGEM..., 1948, p.229). Para implementar um plano de educação nos meios rurais, buscou-se conhecer aquela realidade educacional, a partir da realização de um diagnóstico da situação escolar primária nos meios rurais. Desse modo, a professora Marieta Aguiar seria a responsável, em nome da Secretaria de Educação, por enviar cartas aos professores de escolas rurais, na tentativa de aproximá-los do Governo e de conhecer melhor as escolas e seu funcionamento. Segundo Aguiar, foram recebidas mais de 1.000 respostas, “todas elas dolorosamente reais, repassadas de sentimento de patriotismo e sacrifício”. Em texto publicado no boletim Escola Rural, Marieta Aguiar apresenta os dados estatísticos sobre as condições das escolas rurais, elaborados a partir das cartas das professoras:

A respeito de instalações de água, luz e rádio, o resultado é o seguinte:

Água – Em 2.690 unidades ao 239, quer dizer, 8,8% possuem água corrente. Haverá ao

menos nessas escolas água potável para beber e fossas secas? Eis o que é preciso realizar, no mínimo.

Luz – Em 2.690 unidades só 548, quer dizer, 20% possuem luz elétrica.

Rádio – Quanto ao Rádio, só perguntamos se podem ouvir uma vez por semana e a

resposta total foi: - em 2.690 unidades, 482 positivas, isto é, 17,9%. A preferência é dada aos sábados à noite.

Do material didático gratuito em 2.690 unidades, há apenas 609 que declaram ter recebido em 1947, ou seja, 22,6%.

Visitas de assistência – Mesmo uma vez por ano, em 2.690, só houve 502 visitas, ou

sejam 19%.

Assistência religiosa sob a forma de comunhão geral, ao menos uma vez por ano, em

2.690 verificou-se 690, ou seja 26%.

Tempo de serviço – De mais de 5 anos, em 2.690, 590 professoras, isto é, 21,9%.

Sobre Caixas Escolares, Clubes Agrícolas, Associação de Pais, etc, respostas todas negativas (ESCOLA RURAL, 1949, p.43-44).

Além da precariedade da estrutura física e material das escolas, orientadores de escolas rurais de 23 municípios conveniados, durante a 3ª Quinzena de Estudos58 realizada na Fazenda do Rosário, em 1953, assinalaram a falta de preparo dos professores, a pobreza dos alunos e a incompreensão dos pais na realização de atividades agrícolas nas escolas, como empecilhos para o desenvolvimento da educação rural nos municípios mineiros. Segundo os orientadores, os principais problemas eram:

A) a dificuldade de ordem material – prédios escolares em mau estado de conservação ou mesmo totalmente impróprio para o ensino; falta de água, de área coberta para recreação, de terreno para atividades agrícolas, de privadas; falta de transporte; invasão de formiga; grande falta de mobiliário escolar (as crianças ajoelhadas no chão, escrevem nos bancos, “criando calos nos joelhos”), de quadros negros; falta de material escolar, de remédios para socorros de urgência, de filtros para depósito de água, de vasilhame para merenda, de ferramentas agrícolas e de carpintaria.

B) Em relação ao aluno: a) extrema pobreza de muitos, faltando-lhes alimento, vestuário, e ainda a freqüência diminuída na ocasião dos plantios e da safra; b) dificuldades provenientes do atraso do meio rural: incompreensão e ignorância dos pais, falta de cooperação por parte da população, não apoiando as formas renovadas do ensino, e as instituições escolares como os Clubes Agrícolas, Trabalhos Manuais, Excursões, etc; c)

falta de cooperação, atraso dos pagamentos, demora com a renovação dos contratos,

transferência do professorado, falta de programas e de orientação mais seguida; divergências de pontos de vista entre inspetores e orientador escolar; d) mau preparo do

professorado rural e ausência de uma seleção profissional adequada ao meio. Foi este

fator considerado entre os mais responsáveis pelas falhas do ensino rural, baixa freqüência escolar e insignificância das promoções (MENSAGEIRO RURAL, mai. 1953, p.1).

As professoras primárias, em cartas enviadas ao boletim Escola Rural e ao jornal Mensageiro Rural, também enfatizavam a “incompreensão e ignorância” dos pais. A professora Nair Peleteiro Garcia, aluna do 3º Curso de Aperfeiçoamento para professores rurais, relatou que após criar um Clube Agrícola na sua escola, surgiram as primeiras dificuldades:

58 A Quinzena de Estudos era uma reunião anual de orientadores de escolas rurais, realizada na Fazenda do Rosário.

Convocados pela Secretaria de Educação, durante quinze dias, os orientadores se reuniam para debater sobre as questões da educação nos meios rurais. Temos notícias da realização de cinco Quinzenas de Estudos, a primeira delas teria sido realizada em 1951.

falta de dinheiro, de material, oposição dos pais, alguns levando queixas ao Prefeito, outros dirigindo-me bilhetes como este: “Dona Professora: o meu filho só vai aí na sua escola para aprender a ler, escrever e fazer contas; não quero que ele vá aguar horta e capinar; isto ele faz em casa; se ele continuar a trabalhar, não deixo ele voltar ai mais” (ESCOLA RURAL, 1949, p.55-46).

Como modificar, então, a precariedade da escola rural e a “mentalidade” dos habitantes do campo? Como superar o suposto atraso do meio rural e de sua população? Para Abgar Renault, os professores seriam responsáveis por essa “missão” – levar à população rural um “elemento vigoroso de criação e propagação de hábitos novos” (ESCOLA RURAL, 1949, p.6).

1.4. Por uma sociedade civilizada: educação e representações acerca dos habitantes dos

Benzer Belgeler