BÖLÜM VI SONUÇ VE ÖNERĠLER
Fotoğraf 4.5. Mini slamp testi
As novas tecnologias da comunicação constituem uma ferramenta crucial para o jornalismo actual, sendo impossível conceber hoje uma qualquer redacção sem bons recursos informáticos ligados por banda larga à Internet.
A noção de que os jornalistas do futuro serão uma espécie de McGyver, homens ou mulheres de mil e um recursos, trabalhando sozinhos, equipados com uma câmara de vídeo digital, telefone satélite, portátil com software de edição vídeo e html, e ligação sem fios à Internet, como o apresenta Anabela
Data Mininge um novo jornalismo de investigação 167
Gradim13, é uma visão futurista do backpack journalist,14criticável,15 e que
não esgota, nem preenche, de modo algum, as potencialidades dos novos mé- dia. Não é que não haja espaço, para esse tipo de jornalista, mas será apenas um jornalista de factos ou de notícias de ordem inferior e nunca de notícias de ordem superior.
O que a possibilidade e a exequibilidade da mineração de dados nos mos- tram é a necessidade de formar jornalistas que integrados em equipas multi- disciplinares de informáticos, especialistas de estatística e de hermenêutica de dados, saibam detectar o valor noticioso das relações e dos padrões extraídos da massa imensa de dados, coligidos a acumulados a uma rapidez estonteante. Teremos, tal como já temos hoje, jornalistas de rua e jornalistas de secretária, sendo os primeiros de facto os tais backpack journalists e os segundos in- vestigadores de factos complexos, descobrindo relações importantíssimas de um ponto de vista jornalístico entre ocorrências de uma absoluta trivialidade quanto encaradas isoladamente.
A pergunta que se coloca neste ponto é se o jornalista não se limita apenas a uma posição passiva, justamente pela natureza da mineração de dados. Com efeito, sendo esta de natureza indutiva, puramente automática, as relações tra- zidas à luz pelos algoritmos de pesquisa são independentes da actividade do jornalista. Como chamar então jornalismo de investigação ao jornalismo as- sente na mineração de dados? Tal como a investigação na vida real parte de factos observados, assim também as relações apuradas algoritmicamente servirão de ponto partida para a investigação no âmbito do jornalismo de mi- neração de dados. Cabe ao jornalista dar-se conta de num e noutro caso, nos eventos ocorridos na vida do dia a dia ou nas relações extraídas dos dados in-
13- Anabela Gradim, “O jornalista multimédia do século XXI” em Fidalgo A. e Serra P.,
orgs., Jornalismo Online, pp. 117-134.
14 In Jane Stevens, posted: 2002-04-02 modified: 2002-04-03 , “I am a backpack jour-
nalist. I use a video camera as my reporter’s notebook. I can put together multimedia sto- ries that include video and audio clips, still photos grabbed from the video, as well as text. I can put together graphics information for Web designers. I can throw together a simple Web page. I can’t do Flash yet, or simple graphics but they’re on my list because they’re handy skills to learn. I can do a little muckraking, if needs be, as well as write a broadcast script and a print story. I’d rather be called Maxine Headroom than Martha Stewart. Em http://www.ojr.org/ojr/workplace/1017771575.php, consultado em 2005/10/16.
15Martha Stone, “The Backpack Journalist Is a "Mush of Mediocrity", em
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formáticos, do que é e não é notícia. Tanto esses eventos como essas relações são independentes do jornalista ou da sua percepção, mas a percepção deles como matéria de notícia é do foro jornalístico, exige sensibilidade jornalística e, normalmente, uma investigação posterior para a respectiva contextualiza- ção. Ou seja, a investigação é feita a partir da observação do que aconteceu realmente ou do que foi apurado pela mineração.
A mineração de dados constitui um domínio do jornalismo de investiga- ção a vários níveis. Num primeiro momento por exigir percepção jornalística, para apurar de entre as relações extraídas dos dados quais as que são e quais as não são objecto de notícia. E depois para saber como investigar o enqua- dramento jornalístico respectivo. Em princípio, face a um facto inesperado – que é obviamente sempre uma relação inesperada – o jornalista terá de pro- ceder a uma confirmação, que poderá ser feita através de uma query ou de uma OLAP. Quer isto dizer que, num segundo momento, há efectivamente uma investigação activa, pesquisando outras relações que confirmem ou re- batam a primeira relação e a contextualizem, dando-lhe um maior ou menor alcance. Há aqui também um verdadeiro jornalismo de investigação, de coca bichinhos, de procurar novos elementos a partir da nova e inesperada relação revelada pela mineração de dados. Para isso o jornalista terá de ter a bas- tante formação informática para trabalhar conjuntamente com informáticos e analistas de dados.
O jornalismo de investigação no futuro não contará apenas com os jorna- listas que, na tradição romântica, vão para a rua, arriscam a vida em situações de perigo, mas também com os jornalistas que, prosaicamente sentados frente a um computador, detectam e investigam novos factos fornecidos pela aná- lise de dados. Para a nova área de investigação serão necessárias as mesmas qualidades que para as áreas tradicionais, nomeadamente formação, treino, perseverança, agudeza de raciocínio e, além dessas, as qualidades de um bom informático, lógica apurada e procedimentos sistemáticos. Tendo em conta que a vida contemporânea se organiza cada vez mais mediante a recolha e tratamento de informação, é de admitir que o jornalismo de investigação do futuro incida também sobre a nova realidade da informação recolhida e orga- nizada em bases de dados.