BÖLÜM IV MĠNERAL OLARAK KATK KATKILI ÇĠMENTO ESASLI
5.2 Kullanılan Malzeme ve Yöntemler
A distinção de Meinong entre objectos de ordem inferior e de ordem superior pode perfeitamente ser aplicado às notícias e contribuir para um enriqueci- mento da Teoria da Notícia.
As notícias tratam de factos ou de ocorrências. São factos e não coisas os objectos das notícias, ou, dito na linguagem de Meinong, os objectos das notícias são obiectiva e não obiecta. Nem todos os factos ou ocorrências são noticiáveis; há factos triviais sem qualquer valor noticiável. O que determina a relevância jornalística de um facto são certas características que na siste- matização feita por Manuel Pedrahita são: a proximidade, a importância, a
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polémica, a estranheza, a emoção, as repercussões, a agressividade.10 Outros
autores elencam outros registos que fazem de uma ocorrência um aconteci- mento noticiável: o excesso,a falha e a inversão, referindo todavia que estes registos “não esgotam, no entanto, a gama dos acontecimentos notáveis e que é o próprio discurso do acontecimento que emerge como acontecimento notá- vel a partir do momento em que se torna dispositivo de visibilidade universal, assegurando assim a identificação e a notoriedade do mundo, das pessoas, das coisas, das instituições.”11
É de factos ou ocorrências que tratam as notícias, repetimos. Ora aqui temos de incluir as relações de factos entre factos e que constituem factos de ordem superior. A ocorrência de um furacão é de per se eventualmente objecto de notícia, mas sê-lo-á muito mais se a ele se associarem outros factos como inundações de cidades, devastação, calamidades sobre a população, deficiente reacção política e humanitária à catástrofe provocada. Normalmente o tema de uma notícia não é um simples facto, mas um complexo de factos que pode ser percebido como um facto complexo, nomeadamente, na hipótese referida, a impreparação ou a inabilidade de um governo para fazer face aos efeitos de um furacão. Por outro lado, o facto noticiável pode ser um facto complexo, cujos elementos sejam factos irrelevantes. A nomeação por um governante de um parente não qualificado para a administração de uma empresa estatal é um facto altamente noticiável assente sobre vários factos que, isolados, não são objecto de notícia: a nomeação, o parentesco, a não qualificação para o cargo, mas que ligados desta forma se transformam em elementos essenciais da notícia.
Cabe também aqui referir a distinção entre hard news e soft news ou en- tre notícias sérias e notícias leves, entendendo-se por notícias sérias as que “se referem à cobertura de acontecimentos envolvendo líderes políticos, ques- tões públicas substantivas, ou perturbações significativas na rotina da vida
diária, como um sismo ou um desastre de aviação”.12 Contudo, nesta distin-
ção importa-me sobretudo salientar que as notícias sérias incidem sobre factos
10 Manuel Piedrahita, Periodismo Moderno – Historia, Perspectivas y Tendencias, 1993,
citado em Anabela Gradim, Manual de Jornalismo, UBI, 2000, pp. 23-25.
11Adriano Duarte Rodrigues, “O Acontecimento” em Nelson Traquina, Jornalismo: Ques-
tões, Teorias e Estórias, Vega,1993.
12- Thomas E. Patterson, “Tendências do Jornalismo Contemporâneo” in Media e Jorna-
Data Mininge um novo jornalismo de investigação 165
mais complexos que as notícias leves, o casamento de uma pop-star com um jogador de futebol, os fait-divers de que cada se vez se alimentam mais as televisões, as rádios e os jornais num tipo crescente de infotainment.
A importância de um facto mede-se pelo seu contexto, na relação com outros factos. O ranking de um país numa lista de competitividade é um dado importante e merecedor de uma notícia de relevo. Os salários portugueses são o que são, mas são assunto noticioso se forem efectivamente (de facto) os mais baixos em termos absolutos na Europa e os mais altos se medidos em termos de produtividade. Se olharmos bem, verificamos que as notícias que contam são sobre factos complexos de tipo relacional. O défice de um orçamento é o que é, de 0%, 2,7% ou 6,2%, mas o que faz dele notícia é a comparação com compromissos macro-económicos assumidos, com défices passados, com os défices dos outros países, com tendências de subida ou de baixa. Mesmo o facto da conquista de uma medalha de ouro nos jogos olímpicos vê o seu valor de notícia variar consoante as relações que se estabelecerem. A conquista da medalha de ouro numa modalidade em que habitualmente se conquistam medalhas de ouro, não tem o mesmo valor de notícia que se for uma conquista inesperada. Aqui é o factor do inesperado, da novidade, que dá valor noticioso ao facto.
Ora se é relativamente fácil perceber os factos noticiáveis simples, a queda de uma avião, os efeitos de um tremor de terra de elevada magnitude sobre uma cidade, a tomada de posse de um presidente ou de um governo, bastante mais difícil é detectar factos complexos. É nestes casos que temos de falar de jornalismo de investigação. Casos de corrupção, jogos políticos de bas- tidores, o estado do sistema de saúde de um país, as performances do seus sistema educativo ou judicial, a eficiência ou ineficiência de serviços públi- cos, a cartelização de preços, são factos de alta complexidade que exigem uma investigação de fôlego.
A informação é hoje cada vez mais uma informação tratada. Não basta coligir o maior número de dados, é imprescindível saber lidar com esses da- dos, percebê-los, fazer a devida leitura e, assim, verificamos que os principais actores políticos e económicos recorrem a sofisticados sistemas de informa- ção. Os governos têm os seus Intelligence Services e os múltiplos Gabinetes de Estudos, e os grandes agentes económicos, da banca e seguros às cadeias de distribuição, têm economistas, advisers, que coligem e tratam informação
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indispensável à elaboração de estratégias de manutenção e conquista de mer- cados.
O que se verifica neste ponto é que, na sociedade de informação, os meios de comunicação estão a ficar para trás, arredados da informação séria, e a as- sumirem crescentemente a função de info-entertainers. A informação séria é por vezes então a que os verdadeiros agentes do mercado e da política, os players, lhe fazem chegar para seu benefício, fazendo dos órgãos de informa- ção correias de transmissão para o grande público.
A mineração de dados é uma forma de descobrir relações relevantes en- tre dados, relações por vezes completamente inesperadas e, por conseguinte, incontestavelmente de valor noticioso. O uso crescente que os players polí- ticos e económicos fazem da mineração de dados, aproveitando-se do conhe- cimento que a quantidade e a qualidade de um mole imensa de dados lhes oferece, obriga a que os órgãos de comunicação recorram a semelhantes tec- nologias a fim de manterem o passo na corrida à informação e não serem apenas moços de fretes dos recados que eles desejam passar para o público.