3.3 Temel Yüklerinin Daha Derindeki Taşıyıcı Tabakalara Aktarılması
3.3.1.3 Mini kazıkların tipleri ve yapım yöntemler
Encontrar o lugar histórico dos textos de Levítico 18,22 e 20,13 é essencial para a relevância de sua mensagem, bem como para compreender a influência sofrida no evento de sua redação. O momento encontrado para a construção do texto de Levítico, ou pelo menos o assim chamado “Código de Santidade” (17-26), é o cenário internacional de dominação persa e de reconstrução para a comunidade recém chegada da golá em Judá.
Ciro funda o primeiro Império com pretensões realmente universais, afirma François Castel.61 De fato, a imensidão do que fora construído pelo Império Persa é também admirada por Yohanan Aharoni, o qual escreve ser o Império Persa o maior e mais extenso Império do Oriente Médio. Com dimensões universais o novo Império toma automaticamente o que outrora pertencia ao Império Babilônico, inclusive a Palestina. Não existe nenhum dado histórico de lutas travadas entre os que habitavam na Palestina e os persas, afirma Yohanan Aharoni.62
Assim, passa a Palestina a pertencer a outro Império. A sociedade, geográfica e politicamente, não mudara em relação à dominação Imperial exercida, como por exemplo: pela Assíria e Babilônia. No entanto, é evidente a mão persa na estruturação das subdivisões que se apresentam. Hebert Donner escreve, fora Dario quem se ocupara dessa estruturação interna. Todo o Império estava dividido entre satrapias (do persa xshatrapavan: protetor do domínio), cada uma delas governada por um comissário persa. As maiores satrapias eram subdivididas
61 François Castel. Historia de Israel y Judá. 1998, p.142. 62 Yohanan Aharoni. The Land of the Bible. 1979, p.411.
em províncias, mais uma vez cada uma delas supervisionada por um governador. É sabido da liberdade que cada satrapia desfrutava de possuir seu governador local. A Palestina pertencia a satrapia chamada “Além do Rio”, um termo generalizado que reunia em si a Síria, a Fenícia e a Palestina. A região local de Judá, que tem interesse maior ao estudo, pertencia à província da Samaria.63
Quando Ciro toma a Babilônia ele não penas liberta aqueles que estavam em cativeiro como também os orienta e financia a reconstrução de sua estrutura religiosa na volta para casa. É interessante mencionar que os grupos que vão para o exílio são, em sua maioria, compostos de autoridades de Judá. Euclides Balancin escreve que quando os exilados saem, a terra não fica vazia, mas é ocupada por camponeses. A situação que permanece na terra é precária e de tristeza.64
Assim, tem-se o recém chegado grupo de ex-exilados em Judá. Estes quando iniciam uma nova vida na antiga pátria enfrentam diversas complicações sociais, mas principalmente religiosas, no que diz respeito aos usos e costumes daqueles que permaneceram na terra, fossem israelitas, judaitas ou não o livro do Levítico aparece como regulamentação legal para uma nova construção da sociedade com bases religiosas e extensas listas de orientações divinas, como observado nos capítulos seguintes. O que segue ajuda a compreender um pouco mais desse momento vivencial.
2. 1 O Império Persa
O cenário político internacional, para o período que corresponde à construção do texto de Levítico, segundo escrevem Erhard
63 Hebert Donner cita como referência as inscrições reais persas de Beshistun, Naqsh-i-rustan,
Persépolis, Susa e Heródoto III, 89ss. Também escreve que o território total fora dividido em 23 satrapias. Para o Oriente Próximo são importantes quarto satrapias: 1. Babairu: Babilônia/Mesopotâmia; 2. Atura: Síria (em aramaico imperial significa “trans-eufrates” Além do Rio; 3. Arabaya: Arábia do Norte e 4. Mudraya: Egito. Cada satrapia tinha que pagar tributos regulares e cuidar do sistema de correios. Herbert Donner. História de Israel e dos povos vizinhos. 1997, p.444.
Gerstenberger, Julius Wellhausenn e também Marcos P. M. da Cruz Bailão em sua tese de doutorado em 200165, é de dominação persa. Período que corresponde a 539 a 332 a.C., segundo Jorge Pixley, Marcos Bailão e também Yohanan Aharoni.66
Com a expansão do Império Persa, a queda da Babilônia já estava prevista. John Bright narra os pormenores da situação de conquista: “de um lado os persas em marcha triunfante, e de outro os moradores da Babilônia festejando sua libertação, em relação ao seu próprio soberano Nabônides.”67 Este havia retirado os deuses dos templos das cidades circunvizinhas e levado os mesmos para a capital, na Babilônia. Decisão que evidentemente não agradara os moradores locais que passam, por esse motivo e outros, a desgostar de Nabônides. O livro, Judá e Israel, textos do Antigo Oriente Médio narra os meandros da conquista persa, liderada por Ciro à Babilônia:
No décimo quarto dia, Sippar foi tomada sem combate. Nabônides fugiu. No décimo sexto dia, Gubaru, governador do país de Gutium e as tropas de Ciro entraram na Babilônia, sem combate (...) Nenhuma interrupção do que quer que seja teve lugar em Esagil e nos outros templos (...) No mês de arahsamu, no terceiro dia Ciro entrou na Babilônia. O estado de paz foi assinado na cidade, Ciro decretou o estado de paz para a Babilônia inteira (...) Os deuses no país de Babilônia que Nabônides havia feito descer para Babilônia retornaram aos seus santuários.68
65 Erhard Gerstenberger. Leviticus. A Commentary. The Old Testament Library. 1996, p.7, Julius
Wellhausenn. Prolegomena to the history of Ancient Israel. The classic and original statement of the
theory of “Higher Criticism” of the Old Testament. 1957, p.497, Marcos P. M. da Cruz Bailão.
“Doença Impura como Limite da Identidade Comunitária.” Tese de Doutorado: 2001, p.208ss.
66 Jorge Pixley. A História de Israel a partir dos pobres. 7ª Edição. 2001, p.91. E Marcos P. M. da
Cruz Bailão. “Doença Impura como Limite da Identidade Comunitária.” Tese de Doutorado: 2001, p.208. Yohanan Aharoni. The Land of the Bible. 1979, p.411.
67 Nabônides (556-539), escreve John Bright, contava naturalmente com o apoio dos elementos
dissidentes da Babilônia, talvez, sobretudo daqueles que sentiam o peso da terrível força econômica e espiritual dos sacerdotes de Marduk. Mas seu reinado trouxe grandes discórdias à Babilônia, citando Pritchard, em ANET, p. 305; Albright, em Basor, 120 (1950), p. 22-25, 1978, p.477. Acompanhando Tadmor H. A history of the Jewish people. 1976, p.165 que também escreve o mesmo.
68 VV.AA. Israel e Judá. Textos do Antigo Oriente Médio. 1985, p.90. Também, cilindros de argila
encontrados na Babilônia celebram a entrada de Ciro na capital quando restabelece o culto a Marduk como deus supremo, pois Nabônides havia preferido a Sin. “Marduk, o grande senhor, o que cuida das gentes, viu com alegria suas boas ações e seu reto coração. Lhe ordenou ir a Babilônia, lhe fez tomar o caminho da Babilônia, caminhou a seu lado como amigo e companheiro. Suas numerosas tropas, incontáveis como gotas de um rio, avançavam a seu lado com armas erguidas. Lhe fez entrar na Babilônia sem combate nem luta. Salvou da dificuldade a sua cidade Babilônia. Entregou em sua mão a Nabônides, rei que não o temia. Todas as gentes da Babilônia, a totalidade do país, da Suméria a
Semelhantemente narra-se, na língua acádica e em cilindro de cerâmica, o seguinte a respeito da entrada triunfal de Ciro na cidade Babilônia:
Eu, Ciro, o rei do império mundial, o grande e poderoso rei, o rei de Babel, o rei da Suméria e o rei de Acade (...), por cujo governo Bel e Nabu se afeiçoaram e cujo reinado desejavam para alegrar seu coração – depois de entrar pacificamente em Babel, sob júbilo e alegria, estabeleci a sede régia no palácio do soberano (...) Marduk, o grande senhor, alegrou-se com minhas boas ações. Ele abençoou graciosamente a mim, Ciro, o rei que o venera, e Cambises, meu filho biológico, assim como todas as minhas tropas. Em bem-estar nós vivemos alegremente diante dele (...) Sob a ordem de Marduk, o grande senhor, mandei que os deuses da Suméria e de Acade, os quais Nabônides tinhas trazido para Betel, causando a ira do senhor dos deuses, ocupassem de bem-estar uma morada agradável em seus santuários.69
Com toda a fragilidade do antigo Império Babilônico, é sob o comando do rei medo Ciro II, (559-530 a.C.) que os exércitos persas entram na capital Babilônia já sem forças para reagir em 539. O texto acima mostra as condições precárias de resistência babilônica, bem como o restabelecimento dos cultos nas cidades locais. Também, o texto de Isaías 45,1-4 narra o soberano Ciro entrando na Babilônia como libertador do antigo Judá exilado, outrora sob dominação babilônica.
A partir deste momento, tem-se, principalmente, no livro de Esdras, relatos da preocupação do rei Ciro em relação à reconstrução do templo em Jerusalém e, com isso, a devolução dos utensílios do templo, levados por Nabucodonozor, quando da investida babilônica à Judá. Não que essa preocupação se constituísse de grande importância para o imperador, mas sim que fazia parte de seu plano de governo observado a seguir. Esdras 1,2-4 constitui o decreto de Ciro para a construção do templo em Jerusalém. Semelhante acontece em 3,6-5 quando é Acádia, os príncipes e governadores se inclinaram a seus pés, beijaram seus pés e se alegraram por sua realeza.” François Castel. Historia de Israel y Judá. 1998, p.142.
mencionada a permissão do rei Ciro para a reconstrução do templo. Em 6,3-5 há, novamente, menção à reconstrução do templo, como também a devolução dos utensílios da “casa de Deus”.
O que se vê agora é uma sucessão de missões para a reconstrução do templo. O primeiro a ser enviado com uma delegação para Judá é Sasabassar 538 a.C., Esdras 1,5-11 e 5,13-15. Depois dessa campanha, Zorobabel e Josué são enviados em 250 a.C. a pedido de Dario, sucessor de Cambises, para serem acompanhados de uma maior delegação a fim de definitivamente povoar Judá - local geográfico de relevância estratégica em relação ao Egito. Depois disso, tem-se a missão de Neemias 445-430 a.C. e a missão de Esdras 458 a.C.
O regresso dos exilados para Jerusalém e Judá não ocorreu imediatamente em 538 a.C., mas apenas nos anos 20 do século VI, sob o comando do Imperador Dario I. Isto é inteiramente compreensível. Os exilados não podiam partir da noite para o dia e atropeladamente. O desligamento da Babilônia, onde entrementes já se criava a terceira geração, tinha de ser feito com cautela. Havia negócios a realizar, vínculos a desfazer, dificuldades a resolver. Euclides Balancin escreve que a vida não era fácil no exílio, mas que certamente os exilados de Jerusalém não foram jogados em masmorras ou prisões. Uns se tornaram comerciantes, até banqueiros, outros assumiram postos administrativos, e inclusive altos cargos.70
Também, Gerhard Von Rad escreve que fora um engano a associação do edito de Ciro com a volta dos exilados para Judá e que o Cronista já estava distante dos acontecimentos que marcaram o evento. Apesar das dificuldades de datação os dois autores se aproximam consideravelmente em suas propostas, Von Rad afirma que a datação da volta dos mesmos é muito difícil de situar, mas que possivelmente efetivou-se apenas em 529-522 com Cambises.71
Seguramente, o entusiasmo com o regresso manteve-se dentro de certos limites por parte de muitas pessoas que haviam se acostumado a
70 Euclides M. Balancin. História do povo de Deus. 1989, p.101-102. 71 Gerhard Von Rad. Teologia do Antigo Testamento. Vol.2. 1973, p.96.
viver ali. Por outro lado, às famílias que regressavam tinham de ser conferidas propriedades de terra na Palestina, se possível de acordo com a situação pré-exílica. Isso não era tão simples, pois durante o tempo do exílio, de modo algum fora uma terra baldia e desabitada, que se pudesse retomar como propriedade. Para tanto, o Imperador nomeia Zorobabel para supervisionar todo tipo de acerto a se realizar na terra.72
Essa dificuldade no retorno e na ocupação da terra teve, para a construção de Levítico, fundamental importância. As ordenações que se apresenta em Levítico, quanto as observações religiosas, nada mais sustentam do que a legitimação dos que chegam na terra, como sendo eles os possuidores da terra e não os que ficaram. Muito possivelmente tem-se, até mesmo que divina, a legitimação da herança dos exilados em relação à posse da terra.
As dificuldades de relacionamento entre os pequenos grupos na região era evidente. Geo Widen Gren escreve que a hostilidade entre Jerusalém e Samaria era sem dúvida um fator de conflito no período persa. Isso se dava mais por fatores políticos do que por religiosos, apesar de haver severas dificuldades religiosas entre ambos. Porém, observa-se o pensamento de Meyer que escreve: “houve grande ressentimento de Samaria por Judá ter sido tratada com especial atenção pelo governo persa quando da tomada do poder”.73 É bem verdade que textos bíblicos evidenciam o tratamento especial que Judá teve em relação a Samaria, o que mais chama a atenção, no entanto, é a disputa de poder dos dois grupos sociais que vivem em conflito em Judá.
Euclides Balancin, mais uma vez, apresenta essas dificuldades e escreve que a comunidade judaica reunida em torno de Jerusalém, depois do exílio, teve de enfrentar diversas dificuldades para sobreviver e se organizar. Os conflitos podem ser percebidos em três instâncias: 1) Com o poder central persa; enquanto demais povos conquistadores oprimiam seus subjugados, o Império Persa não agia assim, no entanto, vigiava com extrema cautela Judá. Sabe-se
72 Herbert Donner. História de Israel e dos povos vizinhos. 1997, p.465. Também, Euclides Balancin.
História do povo de Deus. 1989, p.100-103.
que Judá não se envolveu em rebeliões. 2) Com a província de Samaria; o governador instalado na Samaria era a mão estendida do rei para preservar o controle da região. Juntamente com um grupo de comerciantes ricos e influentes, o governador acusava constantemente a comunidade de Jerusalém de ultrapassar seus direitos dentro do Império. Os interesses eram de ordem econômica, evitar uma concorrência no território que pudesse impedir a exploração do comércio e da intermediação dos tributos da região. 3) Os conflitos surgidos dentro da própria comunidade; com a chegada dos exilados, há motivos de esperança, mas as coisas se complicam, pois o território não estava desabitado. Cria-se grandes disputas entre os que chegam, os camponeses da terra que ficaram e outros que ainda brigam pela terra.74
Todavia, sabe-se da dificuldade teológica, especialmente da reconstrução do templo, que envolvia Judá e Samaria. Gerhard Von Rad escreve que a desconfiança dos samaritanos fundava-se na ambigüidade da renovação cultual. O templo de Salomão era o santuário oficial da dinastia davídica, no entanto, Judá não era mais uma província autônoma, mas estava sujeita ao governador de Samaria. Aind a mais, os samaritanos não poderiam aceitar a reconstrução com tranqüilidade, pois, ao que parece, consideravam-se também adoradores de YHWH (Esdras 4,1 e ss). Por isso, a oposição dos samaritanos aos jerusalemitas tornou-se mais aguçada como a de um “direito contra outro direito”.75
Assim funcionavam as listas de prescrições sexuais dos capítulos 18 e 20 de Levítico, apresentavam a maior das diferenças entre os variados grupos étnicos na região, evidentemente a diferença está nos que observavam as listas de ordenações sexuais e os que não. Demais listas como as dos capítulos 18 e 20 perpassam todo o texto de Levítico.
Observa-se que todo Levítico é construído nesse ambiente, já não mais em uma identidade nacional israelita, mas sim, em um
74 Euclides M. Balancin. História do povo de Deus. 1989, p.107-108. 75 Gerhard Von Rad. Teologia do Antigo Testamento. Vol.2. 1973, p.97.
colonialismo judaico, dentro de diversos grupos étnicos, mas todos pertencentes à província de Samaria.76
2. 2 A política de dominação persa
É sabido da falta de consenso quando o assunto refere- se à vida social, política e religiosa de Judá no pós-exílio. No entanto, parece não haver dificuldades quando se menciona a política de dominação persa, especialmente com Ciro, mas também com seus sucessores, quando da conquista dos povos. Dentre suas atitudes parecia haver tolerância. Os soldados persas haviam sido orientados para respeitar a sensibilidade religiosa das pessoas e evitar aterrorizar as mesmas. Os deuses tirados dos templos nas províncias e levados para a capital por Nabônides, foram devolvidos por Ciro, como lido acima.77 Herbert Donner, acompanhando John
Bright, escreve de uma das marcas mais estridentes da dominação persa, no desejo de não cometer erros do passado, como fizeram os assírios e babilônios, a dominação persa é marcada pela simpatia com as culturas dominadas. Ele ainda escreve que, em contraposição com o Império Assírio que eliminava tanto quanto possível os povos subjugados, através de saques e destruição, deportações implacáveis, altos tributos, regime duro e tentativa de pacificar o Império por meio da violência, estava o Império Persa.78
Assim, como mencionado anteriormente, Ciro governava com política de dominação branda. Ou seja, era permitido aos povos conquistados, continuar observando seu culto, sua religião, sua cultura. Tanto Milton Schwantes como John Bright79 destacam com propriedade essa característica peculiar de dominação tão diferente dos demais impérios anteriores como assírio e babilônico que destruíam os povos conquistados e deportavam prisioneiros. Ciro, o grande
76 Norman K. Gottwald. Introdução Socioliterária à Bíblia Hebraica. 1988, p. 401. 77 John Bright. História de Israel. 1978, p.488.
78 Herbert Donner. História de Israel e dos povos vizinhos. 1997, p.445.
79 Milton Schwantes. Sofrimento e esperança no exílio. História e teologia do povo de Deus no século
libertador dos exilados, é por essa e outras razões aclamado pelo profe ta Isaías em 45,1 e ss.
No entanto, esse estilo de dominação jamais deixou de ser atenciosa e vigilante com as províncias jurisdicionadas. Tanto é assim, que recebe grande destaque a habilidade e competência de administração do Império. Bem como a instauração de um complexo esquema de comunicações e correios. É importante dizer que, toda liberdade garantida pela presença e autoridade persa nas províncias, cessava quando essa liberdade contestava a vontade do Império mundial.80 Também escreve John Bright que através de uma complexa burocracia, a maior parte dos altos oficiais de seu exército eram persas ou medos, mas quando possível dava responsabilidades a príncipes nativos.81
Contudo, nem sempre era como o Império desejava ou esperava. Há relatos de diversos focos de conflitos entre os repatriados, recém chegados da Babilônia e os atuais moradores. Se por um lado existia a mão do Império na vida diária do povo em Judá, bem como no estabelecimento sócio- religioso já definido pelos moradores da capital da província de Samaria, de outro lado havia o antigo sentimento de posse da terra daqueles que acabavam de chegar. Apesar desta informação não ser consenso entre estudiosos, ainda assim, Norman Gottwald escreve:
É evidente que a restauração da colônia de Judá prosseguia de maneira vagarosa. Em parte porque o Império estava envolvido em projetos de todo Império e em parte porque confiavam na liderança de Judá para a restauração da comunidade (...) A restauração judaica exigia harmonia dos interesses dos judeus palestinenses e dos judeus repatriados de Babilônia (...) Além disso, entre os judeus palestinenses existiam os que prestavam fidelidade à forma samaritana de religião judaica, que se desenvolvera entre os descendentes do anterior reino do norte de Israel.82
80 Milton Schwantes. Sofrimento e esperança no exílio. História e teologia do povo de Deus no século
VI a.C. 1987, p.117.
81 John Bright. História de Israel. 1978, p.490.
Vê-se no texto toda a fragilidade do momento sócio- político e religioso, o que faz ressaltar a habilidade do novo Império ao lidar com pequenas províncias, entretanto, províncias de grande interesse. Judá, apesar de pequena, figurava entre as de maior importância para o Império.
A posição geográfica de Judá lhe concedeu grande prioridade de atenção dos imperadores persas. Marcos Bailão menciona a existência de um certo remanejamento populacional. Instrumento usado pelos poderosos, inclusive os antigos, para que suas terras fossem defendidas por seus moradores, sempre em nome da ordem imperial. Nesse deslocamento, eram usadas pessoas de origens diferentes: presos de guerra, camponeses endividados e trabalhadores assalariados. Apesar de não haver contundentes provas de que Judá fosse objeto desse remanejamento populacional, quando os exilados são autorizados a sair da Babilônia, muito permanece sem resposta.83
A maior dúvida existente está na importância geográfica que Judá, província de Samaria, teria para o Império Persa. Apesar de não haver consenso, o que chama a atenção é a relevância de Judá frente às decisões do Imperador Ciro nos primeiros anos de seu reinado, questão levantada, entre outros, por Siegfried Herrmann.84 Apesar de toda controvérsia existente sobre o tema da