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Millî Mücadele Dönemi Türk Deniz Havacılığı

Makriköy 62 Ahz-ı asker Şubesi’nden, vapur İskelesi Caddesi’nde

5. Millî Mücadele Dönemi Türk Deniz Havacılığı

“M - de mãos:

Mãos calejadas, mãos doridas, mãos geladas Mãos macias, mãos torturadas, mãos estimadas Mãos sábias, mãos cuidadosas

Mãos fortes, mãos delicadas Mãos precisas, mãos rigorosas

Mãos que cumprem, que fazem, que constroem Mãos criativas, plenas.

Mãos cheias, redentoras. Anónimas mãos de gente Que olha a vida de frente Mãos sem preço.

Mãos Preciosas. As vossas,”143 Ana Pires

101 Este poema de Ana Pires define o artesão em toda a sua plenitude, assim como a Mãos é o espelho que reflecte a conjuntura do sector das artes e ofícios, nos últimos treze anos.

Orgulho-me de ter no meu humilde espólio literário os trinta e três números da revista Mãos, que adquiri durante a investigação para esta dissertação. É, sem dúvida, uma das melhores publicações que já tive oportunidade de ler, porque para além de contar a história do artesanato em Portugal, nos últimos treze anos, fá-lo com alma, dedicação e empenho.

Segundo Ana Pires (2006: 4) “foi em Novembro de 1996 que, numa edição da Manifesta ocorrida em Tondela, realizada pela Animar, o projecto da revista viu a luz do dia.” Foi editada pela primeira vez em 1997, tendo como berço as entidades: CRAT, CEARTE e CCRC, a que mais tarde se juntaram o PPART e o CRAA. A Mãos começou por ser uma publicação trimestral, mas ao longo dos anos, muito devido à falta de apoios financeiros passou a semestral. Desde então, tem como directora Ana Pires e entre os muitos colaboradores do Conselho editorial destacam-se, ao longo dos anos, Catarina Providência, Delfim Santos, Fernando Gaspar, José Portugal, Luís Rocha, Graça Ramos e Alexandra Andrade.

Para Ana Pires (2002: 3), “algures, entre a revista de ciências sociais e o magazine de “bricolage”, existe um ponto de equilíbrio possível, o lugar geométrico que a Mãos, desejavelmente, pretende ocupar”.

A Mãos é uma revista de debate, aborda assuntos de qualidade e que são muitas vezes esquecidos. Reflecte sobre os problemas e desafios que se colocam ao artesanato; dá a conhecer o trabalho de muitos artesãos e personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do sector das artes e ofícios. Na revista são divulgadas, também, apoios à criação de empresas, informações sobre a legislação do sector e as novas formas de ajudar os artesãos. “Com mais de dez anos de existência, esta revista constitui um fórum de debate dirigido a todos aqueles que, prezando a cultura tradicional, olham igualmente com interesse os novos rumos que se ensaiam nas artes e ofícios”144.

A revista está organizada de uma forma muito acessível e que motiva a leitura. Tem rubricas como: Ponto de partida; O nome e o rosto; Mãos à obra; Consultório; Mãos de

102 mestre; De mão em mão; Mãos no teclado; Em boas mãos e Agendas de feiras, eventos, exposições, cursos, oficinas, ateliês.

Devido à escassa bibliografia que existia e ainda existe sobre artesanato, a revista Mãos passou a ter, a partir do 10º/11º número, uma rubrica denominada “Tinta permanente” dedicada ao acompanhamento do que se vai editando e descobrindo sobre o artesanato. Assim, a revista, dá voz às personalidades que reflectem, desenvolvem e se preocupam pelas questões que afligem o sector.

Todos os números da revista são temáticos e abordam assuntos tais como: cerâmica, o brinquedo, a comercialização, restauro, têxteis, metais, ofícios urbanos, associativismo, inovação, periferias, desafios, festa, cerâmica contemporânea, artesanato no feminino, feiras, certificação, saberes, madeiras, papel, fronteiras, entre outros.

A Região Autónoma dos Açores passou a integrar o colectivo de instituições responsáveis pela edição da revista Mãos, através do CRAA (Centro Regional de Artesanato dos Açores), a partir do décimo quarto número, em 2001. O CRAA é dirigido por Alexandra Andrade e está sob a dependência directa do Gabinete do Secretário Regional da Economia. Infelizmente a Região Autónoma da Madeira não faz parte do editorial da revista Mãos. Quando questionei a Presidente do IVBAM sobre este assunto, Paula Cabaço lamentou este facto e achou que seria importante para o artesanato madeirense estar representado na revista, no entanto “embora essa situação tenha já sido equacionada internamente, é da opinião do IVBAM que, face aos recursos disponíveis, nomeadamente humanos, existem outras questões sobre a dinamização do artesanato na RAM que devem ser organizadas numa fase anterior a essa elaboração”145.

Não existe um único artigo dedicado exclusivamente a algo produzido na Madeira, em 33 números da revista, infelizmente. A RAM só é referenciada por alto em alguns números dedicados aos têxteis: no nº 5: “Tudo o que foi dito da vantagem de se criar uma “marca colectiva com indicação de proveniência” (…) à semelhança do que acontece com o Bordado da Madeira, cujo dito “selo de garantia” não é mais que a respectiva marca – MCIP – detida por uma entidade, o Instituto do Bordado, Tapeçaria e Artesanato da Madeira” (Ana Pires, 1998: 4). No nº 20: “Madeira, Açores, Lixa, Viana, Guimarães, Tibaldinho, Nisa, Castelo Branco e Arraiolos são nomes que (…) designam produções dos vários bordados portugueses” (Ana Pires, 2003: 7). E no nº 23: “Bordar em Português nas

103 Regiões Autónomas”. Este artigo fala da História do bordado Madeira, do bordado dos Açores e dos respectivos processos de certificação (Ana Pires, 2003: 8-11).

Uma última observação ao design da revista, que foi evoluindo, de ano para ano, e que surpreende o leitor positivamente, motivando a leitura e a descoberta de novas informações sobre o sector das artes e ofícios146. É possível consultar alguns artigos da Mãos através da Internet no site do PPART147.