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As salas em contextos de Educação Pré-Escolar (EPE) devem ser espaços de aprendizagem ricos em estímulos, cor, organização e conforto, pois, deste modo, as crianças podem aprender de forma harmoniosa e segura. Neste sentido, a sala, como espaço pedagógico, é, de acordo com Oliveira-Formosinho (2007), um espaço de:

ser e estar, pertencer e participar, experienciar e comunicar, criar narrar (…) um lugar para brincar e trabalhar. (…) Para acolher diferentes ritmos, identidades e culturas. Um espaço de escuta de cada um e do grupo, um espaço sereno e amigável e transparente (p.11).

Figura 39 - Planta da sala verde

A sala verde (ver figura 39) encontra-se dividida por áreas: área da casinha/faz-de-conta (2), dos jogos e construções (3), a área do acolhimento/tapete (4), área da pintura/expressão plástica (5) e por último área da biblioteca (6), a organização destas áreas considera as necessidades das crianças e do grupo. Da sala verde constam ainda três grandes janelas que possibilitam arejamento e luz solar, estando cada uma das janelas apetrechada com um estore que torna a sala mais escura na hora da sesta.

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O quadro cinco pretende demonstrar, de uma forma geral, os materiais que constam de cada área da sala verde. Salienta-se ainda que a sala se encontra organizada de acordo com o modelo de HighScope. Neste contexto, as crianças tiveram a oportunidade de serem elas próprias a escolherem os materiais que desejavam manipular. Portanto, fomentou-se, ao longo da intervenção pedagógica, a liberdade de escolha, pois, através dela, “as crianças aprendem mais sobre aquilo que lhes interessa, sobre as questões a colocar, as contradições a resolver e quais as explicações a aceitar” (Hohmann & Weikart, 2003, pp.36-37).

Quadro 5 - Áreas e materiais que compõem o espaço da sala verde

Áreas Materiais

Área da casinha/faz- de-conta

-Armários;

-Materiais de cozinha (panelas, talheres, pratos, copos)

-Cama pequena; -Bonecas e peluches; -1 Mesa e 4 cadeiras

Área dos jogos e construções

-Estante com 4 prateleiras;

-Jogos (legos, sequência, puzzles)

-Materiais de construção (martelo, alicate); -Escavadora Área da pintura/expressão plástica -3 Mesas redondas; -22 Cadeiras;

-Armário com diversos materiais (pincéis, tintas, recipientes);

-Armário com Folhas de papel, cartolinas; -Estante com 4 prateleiras, divididas

respetivamente com caixas de lápis de cor de pau, feltro e cera;

-Lava mãos; -Sabão; -Toalha

Área da biblioteca -Estante com várias prateleiras;

-Livros

Área do

4.2.3 Grupo de crianças da sala verde

Este grupo é constituído por treze crianças do sexo masculino e seis do sexo feminino, perfazendo um total de dezanove crianças, como se pode (ver pela figura 40).

Importa mencionar que sete crianças nasceram em 2008, seis em 2009 e oito em 2010. Destas dezanove crianças, treze encontram-se a frequentar esta escola pela primeira vez. Verificou-se, assim, que este grupo de crianças têm idades compreendidas entre os três e os seis anos.

Figura 40 - Gráfico do género das crianças da sala verde

O grupo de crianças da sala verde pertence, na sua maioria, à freguesia de São Martinho, com exceção de duas crianças que residem na freguesia de Santo António, uma na freguesia do Arco da Calheta e duas no Concelho de Câmara de Lobos. Salienta-se ainda que a maioria das crianças frequenta pela primeira vez esta escola. De acordo com a educadora cooperante, a adaptação das crianças ocorreu de uma forma natural, bem como a readaptação dos que já a frequentavam. Considera-se assim, que todas as crianças se encontram bem integradas no grupo. Relativamente às áreas, nota-se que as crianças evidenciam preferência pelas áreas do “faz de conta” e “jogos e construções”.

No que concerne as áreas de conteúdo, importa elencar as competências já adquiridas pelo grupo de crianças da sala verde. Estas áreas de conteúdo possibilitam ao (à) educador (a), e de acordo com as Orientações Curriculares para o Pré-escolar (OCPE), utilizá-las como referência no planeamento e avaliação das situações e oportunidades de aprendizagem. Portanto, o processo pedagógico carece de uma organização intencional e sistemática, para que o educador possa avaliar o seu trabalho, assim como a sua influência nas aprendizagens das crianças. Sexo Masculino 68% Sexo Feminino 32%

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No seguimento destas ideias, interessa referir que, durante o estágio pude observar e adquirir informações relatadas, quer pela educadora cooperante quer pela professora de música, professor de inglês e professor de tecnologias de informação e comunicação (Tic). Contudo, a cooperante facultou dados para que pudesse definir o grupo relativamente às suas competências em cada área e domínio. Estas “diferentes áreas de conteúdo” partem do nível de desenvolvimento da crianças, da sua atividade espontânea e lúdica, estimulando o seu desejo de criar, explorar e transformar para incentivar formas de acção reflectida e progressivamente mais complexa” (Orientações Curriculares para a Educação Pré -Escolar, 1997, p. 48).

Partindo, assim, das áreas de conteúdo e respetivas competências do grupo, passo a elencar cada uma delas de forma sucinta. Assim sendo, na área de Formação Pessoal e Social, a maioria das crianças revela gosto pelas brincadeiras e manifesta um bom relacionamento com as outras crianças. No entanto, algumas apresentam dificuldades na partilha de brinquedos/objetos, denunciando assim, um grande sentimento de posse, o que faz desencadear situações de conflito. Têm ainda dificuldades em assumir algumas regras, nomeadamente, a capacidade de aguardar a sua vez para poderem falar, numa situação de diálogo individualizado ou em grupo. Ao mesmo tempo, em termos de comportamento as crianças da faixa etária mais reduzida fazem quando são contrariadas.

Em questões relacionadas com a higiene pessoal, a maioria das crianças já consegue fazer o controlo dos esfíncteres, mas, pontualmente e durante o sono diário, algumas urinam na roupa. As idas à casa de banho já fazem parte das rotinas de cada criança, não havendo necessidade de lhas relembrar. Destaca-se um menino de quatro anos, que algumas vezes, defeca nas calças e não comunica esse facto a ninguém. São capazes de despir roupas mais simples, como meias e casacos, revelando, no entanto, algumas dificuldades em abotoar. Sabem tirar e calçar os sapatos, mas revelam dificuldade em apertar os atacadores, solicitando para o efeito a ajuda do adulto. A maioria das crianças revela autonomia a nível da higiene pessoal.

Já a nível das refeições, algumas necessitam pontualmente de ajuda. Constata-se que as crianças mais pequenas ainda não sabem manusear a faca e o garfo em simultâneo. Não demostram iniciativa para proceder à arrumação dos materiais utilizados em cada área depois de finalizarem uma atividade. Para o efeito, é necessário relembra-lhes dessa necessidade. Manifestam interesse e expressam as suas preferências na escolha das atividades a realizar na sala.

Quanto à área de comunicação e expressão motora, as crianças, a nível de motricidade global, conseguem comer com agilidade, apresentando, no entanto, algumas necessidades de

melhorar a sua capacidade de equilíbrio. Porém, conseguem subir e descer cadeiras, mesas e escadas, evidenciando vontade de explorar as possibilidades motoras do seu corpo. No que se refere à motricidade fina, o grupo de crianças mais velhas (cinco e seis anos) faz a preensão do lápis, embora os mais novos apresentem dificuldades em fazê-lo corretamente. Conseguem também fazer construções com legos e o geoplano. A nível do recorte, as crianças mais pequenas de três anos revelam algumas dificuldades, nomeadamente na forma como se deve manusear a tesoura e na precisão do recorte.

No âmbito da expressão musical, a sua maioria das crianças consegue memorizar e reproduzir canções simples, apesar de a timidez evidenciada por algumas as tornar pouco percetíveis, não sendo possível ter a certeza de que realmente já são capazes de memorizar uma canção.

Na expressão plástica, gostam de realizar atividades revelando preferência pela plasticina. Gostam também de realizar atividades de desenho e pintura livre. Utilizam e reconhecem as técnicas usadas, mas algumas crianças revelam dificuldades no seu domínio.

Em atividades de expressão dramática, sabem realizar pequenas coreografias e danças, embora algumas crianças manifestem certa inibição. A nível de canções, verificou-se que também gostam de participar em atividades musicais e manifestam interesse em observar/explorar histórias.

No domínio da linguagem oral, e na abordagem à escrita, considera-se que a maioria dos elementos do grupo de crianças, articula bem as palavras, com exceção de dois meninos de três anos, que apresentam dificuldades.

Quanto ao domínio da matemática, a maioria das crianças reconhece as cores e as formas geométricas simples. Algumas crianças mais velhas não só identificam algumas posições, face a elementos de referência, como também conseguem fazer comparações entre objetos, nomeadamente, quanto aos seus tamanhos, comprimentos, alturas e grandezas. São ainda capazes de classificar objetos pelas suas caraterísticas, ou seja, pelo seu tamanho e cor, apresentando as de menor idade (três e quatro anos) maiores dificuldades em relação à forma ou espessura. Demonstram capacidade em memorizar pequenos acontecimentos/situações e histórias. O grupo, na sua maioria, já consegue nomear alguns dias da semana.

No âmbito da área dos jogos e construções, evidenciam gosto em realizar jogos, como puzzles e tangram, entre outros, procurando ultrapassar as dificuldades com que se deparam individualmente. Constatei que, relativamente ao tangram, as crianças demonstravam gosto em manuseá-lo, mesmo sem compreender a sua funcionalidade.

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Por último, e quanto ao domínio do conhecimento do Mundo, as crianças apresentam curiosidade pelo espaço e pelos acontecimentos que vão surgindo, evidenciando, por isso, gosto em explorar novos espaços. Demonstram também interesse e vontade em participar em situações de caráter tradicional e festivo.

Relativamente aos dados referentes às habilitações literárias dos encarregados de educação das crianças da sala verde verifica-se no seguinte gráfico que o grupo dominante é o ensino básico do 2.º ciclo (53%), em seguida, está o ensino secundário (22%), e, em níveis mais baixos, estão a licenciatura (5%) e o ensino básico de 1ºciclo (3%) (ver figura 41).

Figura 41 - Gráfico das habilitações literárias dos encarregados de educação

Quanto às condições de empregabilidade dos encarregados de educação (EE) das crianças da sala verde, verifica-se, pela análise da tabela quatro, que a maioria está empregada 76 %, enquanto 19% encontra-se desempregada.

Tabela 4- Condição dos encarregados de educação (EE) perante o trabalho

licenciatura 5% Secundário 22% Ensino Básico 3.º Ciclo 17% Ensino Básico- 2.º Ciclo 53% Ensino Básico- 1.ºCiclo 3%

Habilitações literárias dos encarregados de educação das crianças da sala verde.

Condição dos EE perante o trabalho

Condição Total em número Total em percentagem

Empregado(a) 29 76%

Desempregado(a) 7 19%

Doméstico (a) 2 5%

Tabela 5-Horário de atividades da sala verde