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Mevcut Yol Ağlarının Görsel Kalite Değerlendirilmesi

2. MATERYAL VE YÖNTEM

2.2. YÖNTEM

2.2.1. Korunan Alanlarda Yol Ağı Planlama Aşamasında Görsel Kalite

2.2.1.1. Mevcut Yol Ağlarının Görsel Kalite Değerlendirilmesi

Como aponta Tiedmann, os delitos econômicos são delitos especiais.60 Dessa forma, o

que definiria o crime que acontece no interior do direito penal econômico seria principalmente a violação da confiança. Os criminosos do colarinho branco desenvolvem sua atividade delituosa de forma muito diferente do criminoso comum, já que, para além de quase nunca

59 HASSEMER, Winfried; MUÑOZ CONDE, Francisco. Introducción a la criminologia. Valencia: Tirant lo

Blanch, 2001. p. 23.

recorrerem à violência, utilizam-se de artifícios peculiares relacionados ao aproveitamento dos vínculos de confiança, que vão se multiplicando ao passo em que as relações sociais e econômicas tornam-se mais complexas, e à burla pelo emprego fraudulento de conhecimentos muito específicos e refinados. Dessa maneira, as formas de controle social aptas a surtir algum efeito preventivo deveriam concentrar seus esforços na análise dos meios que levam àquela violação da confiança.61

O crime que ocorre no contexto do direito penal econômico situa-se em um campo particularmente fértil, encontra-se na problemática da omissão. O comportamento socialmente esperado, porque é axiologicamente relevante, e que tende a evitar um resultado proibido, não sendo efetivamente praticado, merece uma censura ético-jurídica. O direito penal econômico é um dos domínios de eleição dos delitos por omissão, desde que se tenha como base, como parece dever se ter, que o direito penal econômico interventor quando não se cumpre certas regras. Ou seja, quando se omitem certos comportamentos legalmente exigidos é então que uma importante área do direito penal econômico se faz sentir. E a omissão que implica a violação de um dever jurídico é, como se sabe, extraordinariamente sensível nos crimes negligentes, que são, por sua vez, também significativos na fenomenologia da criminalidade econômica62, segundo Manuel da Costa Andrade e José de Faria Costa.

Figueiredo Dias63 infere que ao nível do agente, as especificidades resultarão,

sobretudo, da circunstância de os tipos de ilícito se apresentarem no direito penal secundário, as mais das vezes, como delitos de dever, na sua subespécie de delitos específicos. Isto é, como delitos aos quais é consubstanciada a violação, para além do dever geral que encontra-se na base de qualquer tipo de ilícito, de um dever específico anterior (e, em regra, também exterior) à norma penal, e cujos destinatários se caracterizam por uma especial relação, via de regra, de tipo profissional, com o conteúdo ilícito do fato. Reforça- se, assim, a necessidade de adotar nesse campo um conceito restritivo de autoria, ainda quando no direito penal clássico pudesse aceitar-se o conceito extensivo. Esta especificidade dogmática do direito penal secundário detém, de resto, a sua correspondência ao nível sócio-criminológico, enquanto traduz-se e se funda empiricamente nos variados papéis sociais dos agentes respectivos. Também nesse plano se não trata só do papel geral

61 FIGUEIREDO, Guilherme Gouvêa de. A teoria dos white-collar crimes, suas divergências conceituais e a

necessária reflexão sobre as técnicas de tutela. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, ano 20, n. 94, p. 428, jan./fev. 2012.

62 ANDRADE, Manuel da Costa; COSTA, José de Faria. Sobre a concepção e os princípios do direito penal

econômico: direito penal económico e Europeu: textos doutrinários. Coimbra: Coimbra, 1998. v. 1. p. 356.

63 DIAS, Jorge de Figueiredo. Para uma dogmática do direito penal secundário: um contributo para a reforma do

direito penal económico e social português. In: PODVAL, Roberto. (Org.). Temas de direito penal econômico. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2000. p. 49-50.

de desviante, mas do específico papel que ao agente advém da categoria social em que atua, ou seja, do seu específico “estatuto social” no qual o tipo de ilícito ancora-se, tal como comerciante, como operário, como contribuinte.

Outro ponto também deve ser observado acerca das características dos crimes envolvidos no contexto do direito penal econômico. Deve-se desde já sublinhar como aspecto determinante a complexidade e a opacidade, ou a “aparência externa de licitude”, das condutas criminosas resultantes. Com o desenvolvimento científico que é característica marcante do tempo presente, houve necessariamente uma repercussão no mundo das relações humanas e, por consequência, das atividades criminosas, com uma “especialização laboral com consequências decisivas para o objeto do estudo”. Portanto, com a exigência de conhecimentos muito específicos, várias atividades acabaram por tornarem insindicáveis por todos aqueles que não dominam o modus operandi dos novos experts. Por lógica decorrência, ocorre a falta de visibilidade social das condutas criminosas já que ocorrem, diferentemente do crime comum, distante dos olhos da sociedade e, pois, distantes de uma exposição relevante para efeitos de persecução penal.64

Característica desta espécie de criminalidade é o fato de via de regra, não haver necessidade em recorrer à violência para sua prática. Disso deriva, mais uma vez, a opacidade das condutas delituosas dessa natureza, por ser menos perceptível a existência de um conflito, o que, consequentemente, torna imperceptível a prática da infração e obstaculiza a intervenção penal.65

Segundo Fernando Andrade Fernandes66, os crimes praticados no interior do direito

penal econômico reportam-se a infrações de dever de cuidado e na acentuação da garantia da não ocorrência da defraudação normativa. Essa alteração do padrão tradicional de crime do direito penal clássico vincula-se, estreitamente, às mudanças ocorridas na configuração da sociedade.

Um dos pontos principais acerca do crime em si nesse contexto é que, aquele padrão do crime de resultado, comissivo e doloso se alterou para o crime de perigo, omissivo e, muitas vezes até, culposo.

64FIGUEIREDO, Guilherme Gouvêa de. A teoria dos white-collar crimes, suas divergências conceituais e a

necessária reflexão sobre as técnicas de tutela. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, ano 20, n. 94, p. 441, jan./fev. 2012.

65 Ibid., p. 442.

66 Posição assumida pelo professor durante aula da matéria “Política criminal e sistema jurídico-penal”

Benzer Belgeler