KURUMSAL YÖNETİM UYUM RAPORU
3. MENFAAT SAHİPLERİ
Parte-se do conceito denotativo de “poder” no sentido de “ter a faculdade
ou a possibilidade de”, “possuir força física ou moral”, “ter autorização para”, “ser capaz de”199 a fim de se encontrar, via interação com a teoria geral do direito, o conceito jurídico de poder, que afirmarmos ser a faculdade, permitida por norma jurídica vigente, do detentor do poder de impor a sua vontade à outrem (sujeito passivo do poder), dentro dos contornos impostos pelo Direito Positivo.
199 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Versão eletrônica disponível em:<http://houaiss.uol.com.br>. Acesso em: 23.set. 2011.
No campo do Direito, não só a existência do poder emerge de uma norma jurídica, como também o exercício de tal poder deve seguir os contornos normativos (em especial o conteúdo das normas jurídicas que fixam “liberdades” ao cidadão e aquelas que protegem a “privacidade, a honra e a intimidade” do mesmo).
Especificamente no campo do direito material do trabalho, a doutrina é majoritária no sentido de fixar o poder empregatício como o conjunto de prerrogativas
com respeito à direção, regulamentação, fiscalização e disciplinamento da economia interna à empresa e correspondente prestação de serviços200, originando-se não só das normas jurídicas trabalhistas (em especial e conceitualmente, dos artigos 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho), mas também do exercício da “livre iniciativa”
(entendido como faculdade do empresário – no sentido de aquele que exerce atividade
econômica– organizar a sua atividade da forma que melhor lhe aprouver, obedecendo
aos contornos das normas jurídicas de liberdade e proteção da privacidade, intimidade, da imagem, e da honra dos seres humanos, bem como zelando pela dignidade da pessoa humana) contemplada não só como fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1º, IV, da Constituição Federal de 1988), como também fundamento da ordem econômica constitucional (art. 170, caput, da Constituição Federal de 1988).
Não encontra diversidade na doutrina o entendimento de que o poder empregatício se desenvolve sob a forma de “poder diretivo”, “poder regulamentar”, “poder fiscalizatório” e “poder disciplinar”201 (a despeito de alguns doutrinadores,
200
DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 3ª edição. São Paulo: LTr, 2004, p. 629.
201 Sobre o tema, Maurício Godinho Delgado afirma que “O poder empregatício divide-se em poder
diretivo(também chamado poder organizativo), poder regulamentar, poder fiscalizatório(este também
chamado de poder de controle) e poder disciplinar” (Cf. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do
trabalho. 3ª edição. São Paulo: Ltr, 2004, p. 631) e Amauri Mascaro Nascimento ensina que “Poder de direção é a faculdade atribuída ao empregador de determinar o modo como a atividade do empregado, em decorrência do contrato de trabalho, deve ser exercida. O poder de direção manifesta-se mediante três principais formas: o
poder de organização, o poder de controle sobre o trabalho e o poder disciplinar sobre o empregado” (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho:
relações individuais e coletivas do trabalho. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 433). Délio Maranhão, apreciando o
poder empregatício como a contraface da subordinação do empregado narra que “A situação de subordinação é fonte de direitos e deveres para ambos os contratantes. Seja qual for a forma do trabalho subordinado, encontram-se, mais ou menos rigorosamente, exercidos de fato, mas sempre, potencialmente, existentes, os seguintes direitos do empregador: a) de direção e de comando, cabendo-lhe determinar as condições para a utilização e aplicação concreta da força de trabalho do empregado, nos limites do contrato; b) de controle, que é o de verificar o exato cumprimento da prestação de trabalho; c) de aplicar penas disciplinares, em caso de
como Amauri Mascaro Nascimento202 e Sergio Pinto Martins203 apontarem “poder diretivo” como sinônimo de “poder empregatício” e não uma das facetas deste. Outros,
como Maurício Godinho Delgado204, apontam o “poder diretivo” como um dos
prismas do “poder empregatício”, não havendo sinonímia entre este e aquele), no sentido de que, como ensina Délio Maranhão, a situação de subordinação é fonte de direitos e deveres para ambos os contratantes, sendo que, seja qual for a forma do trabalho subordinado, encontram-se, mais ou menos rigorosamente, exercidos de fato, mas sempre, potencialmente, existentes, os seguintes direitos do empregador: a) de
direção e de comando, cabendo-lhe determinar as condições para a utilização e aplicação concreta da força de trabalho do empregado, nos limites do contrato (o que caracteriza o poder diretivo); b) de controle, que é o de verificar o exato cumprimento da prestação de trabalho (o que caracteriza poder fiscalizatório) e c) de aplicar penas
disciplinares, em caso de inadimplemento de obrigação contratual (o que caracteriza o poder disciplinar). No que tange especificamente ao poder regulamentar, ensina
Mauricio Godinho Delgado que é “o conjunto de prerrogativas tendencialmente
concentradas no empregador dirigidas à fixação de regras gerais a serem observadas
no âmbito do estabelecimento e da empresa”205.
Dentre as facetas do “Poder Empregatício”, a que nos interessa efetivamente na presente tese é a de natureza fiscalizatória, descrita pela maioria dos
inadimplemento de obrigação contratual. Ao direito do empregador de dirigir e comandar a atuação concreta do empregado corresponde o dever de obediência, diligência e fidelidade (Cf. MARANHÃO, Délio; SÜSSEKIND, Arnaldo; TEIXEIRA, Lima; VIANA Segadas e TEIXEIRA, Lima. Instituições de direito do trabalho. 19ª edição. São Paulo: LTr, 2000, pp. 248-249). Sergio Pinto Martins ministra que “Como o empregado é um trabalhador subordinado, está sujeito ao poder de direção do empregador. O poder de direção é a forma como o empregador define como serão desenvolvidas as atividades do empregado decorrentes do contrato de trabalho... Compreende o poder de direção não só o de organizar suas atividades, como também de controlar e disciplinar o trabalho, de acordo com os fins do empreendimento (Cf. MARTINS, Sergio Pinto. Direito do
Trabalho. 23ª edição. São Paulo: Atlas, 2007, p. 193).
202 Vide NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho: história e teoria geral do direito do
trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 433.
203 Vide MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 23ª edição. São Paulo: Atlas, 2007, p. 193. 204
Vide DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 3ª edição. São Paulo: Ltr, 2004, p. 632. 205 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 3ª edição. São Paulo: Ltr, 2004, p. 632.
doutrinadores como “Poder Fiscalizatório”206 e conceituada como “conjunto de prerrogativas dirigidas a propiciar o acompanhamento contínuo da prestação de trabalho e a própria vigilância efetivada ao longo do espaço territorial interno”207,
prerrogativa de “verificar o exato cumprimento da prestação de trabalho”208 ou direito
de fiscalizar o trabalho do empregado que “estende-se não só como o trabalho é
prestado, mas também ao comportamento do trabalhador”.209
Tradicionalmente, a fiscalização, como bem acentua Mauricio Godinho
Delgado, ocorre no “espaço empresarial interno”210, entendendo-se este como espaço
físico de titularidade do Empregador, onde se encontram estruturados os meios de produção (chão de fábrica, departamentos administrativos etc) e cujo conteúdo é objeto possível do campo visual do Empregador ou de preposto seu. É exatamente esse “espaço empresarial interno” que, frente às novas tecnologias de vigilância (nessas incluindo-se os sistemas “Automatic Vehicle Location”), obteve uma natural amplitude. Não que haja uma modificação no conceito de espaço empresarial interno, mas a dimensão de tal espaço em muito multiplicou-se, atingindo campos inesgotáveis. Surgem, com as novas tecnologias de vigilância, os “espaços ampliados” cujas características são analisadas ainda neste capítulo.
206
Amauri Mascaro Nascimento utiliza a expressão “Poder de Controle” para identificar o quê aqui apresentamos como “Poder Fiscalizatório”. Vide NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho:
história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. São Paulo: Saraiva,
1997, pp. 433-434, onde consta: “O poder de controle dá ao empregador o direito de fiscalizar o trabalho do empregado. A atividade deste, sendo subordinada e mediante direção do empregador, não é exercitada do modo que o empregado pretende, mas daquele que é imposto pelo empregador. A fiscalização inerente ao poder diretivo estende-se não só ao modo como o trabalho é prestado, mas também ao comportamento do trabalhador, tanto assim que é comum a revista dos pertences do empregado quando deixa o estabelecimento”.
207
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 3ª edição. São Paulo: Ltr, 2004, p. 634.
208 MARANHÃO, Délio; SÜSSEKIND, Arnaldo; TEIXEIRA, Lima; VIANA Segadas e TEIXEIRA, Lima. Instituições de
direito do trabalho. 19ª edição. São Paulo: LTr, 2000, p. 248.
209 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho:
relações individuais e coletivas do trabalho. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 436.