• Sonuç bulunamadı

ve emeklilik sektörünü küresel rekabette hak ettiği konuma

Belgede 2020 Faaliyet Raporu (sayfa 99-113)

São múltiplas as teorias que põem em relevo a natureza tridimensional da experiência jurídica, nela discriminando três “elementos”, “fatores” ou “momentos” (a diversidade dos termos já denota as diferenças de concepção), usualmente indicados com as palavras fato, valor e norma104. Analisemos algumas dessas teorias para, ao fim, apontar aquela que se identifica com o pensamento de Reale.

3.2.1 A Tridimensionalidade genérica e abstrata do direito

Destacam-se a posições de Emil Lask e Gustav Radbrucj, mestres da Escola Sud-Ocidental Alemã, que recorreram a um elemento intermédio ou de ligação posto entre os valores ideais e os dados da experiência jurídica: esse ponto de conexão entre a realidade empírica e o ideal do Direito seria o mundo da cultura ou da história, isto é, o complexo de bens espirituais e materiais constituído pela espécie humana através

101REALE, Miguel. Teoria Tridimensional do Direito. 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 1994, p.21. 102 Ibidem, p.22.

103

Idem.

dos tempos105. Plano do valor ou do dever ser, plano da realidade causalmente determinada e plano da cultura ou do ser referido ao dever ser, eis aí assentes as bases de um tipo de tridimensionalidade, segundo três ordens lógicas distintas, correspondentes, respectivamente, a juízos de valor, juízos de realidade e juízos

referidos a valores106. Destarte, procuravam Lask e Radbruch superar a antinomia posta entre a historiciedade de um valor transcendental (do qual o jusnaturalismo pretendera deduzir artificialmente todo o sistema das normas positivas) e o mero significado contingente das relações de fato, insuscetíveis de compreensão de validade universal, como sustentavam os positivistas107.

Lask e Radbruch apontavam cômoda distribuição de pesquisas entre o

filósofo, o sociólogo e o jurista, o primeiro incumbido de estudar a transcendentalidade dos valores jurídicos, ou os valores jurídicos em si mesmos, com a consequente redução da Filosofia do Direito numa Axiologia Jurídica Fundamental, o segundo, com a tarefa de indagar das leis que regem as estruturas e os processos fáticos do direito, isto é, o direito como fato social, nos quadros da Sociologia e o terceiro, finalmente, empenhado na análise do Direito enquanto realidade impregnada de significações normativas, segundo os cânones da Jurisprudência ou Ciência do Direito,

distinta pela especificidade do método jurídico-dogmático108. Desdobra-se, nos

raciocínios de Lask e Radbruch, de maneira mais nítida neste último, o que Miguel Reale denomina Tridimensionalidade Genérica ou Abstrata do Direito, visto como a análise ôntica do fenômeno jurídico que os conduz a conceber, abstrata e separadamente, cada um dos três elementos encontrados, fazendo corresponder a cada um deles, singularmente considerado, respectivamente, um objeto, um método e uma

ordem particular de conhecimentos: a Ciência Integral do Direito seria obtida graças à integração dos três estudos(na forma apontada por Lask), ou em virtude de simples justaposição de três perspectivas entre si irreconciliáveis e antinômicas (como na visão

105 REALE, Miguel. Teoria Tridimensional do Direito. 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 1994, p. 24. 106 Ibidem, p.23.

107

Ibidem, p.25. 108 Idem.

de Radbruch)109. Ainda no campo do tridimensionalismo genérico, interessantes são as palavras de Josef L. Kunz, que, segundo Miguel Reale, evidenciam sobremaneira as características de tal espécie de tridimensionalidade:

Eu sempre defendi a opinião – escreve Kunz – que há três ramos da Filosofia do Direito e que esses ramos existem atualmente: o Analítico (que inclui a Teoria Jurídica Pura), o Sociológico e o Axiológico(Direito Natural). A Escola Analítica é de maior importância para o Juiz, o Advogado e o Jurista teórico: concebe o direito como norma, como sistema de normas, de um ponto de vista analítico, teórico, formal, construtivo. Porém, para compreender o direito, em toda a sua complexidade, não é menos necessário estudá-lo do ponto de vista sociológico e axiológico. O enfoque sociológico do direito é uma ciência causal: mais do que o direito mesmo, examina a sua criação, e esta é, naturalmente, um fato histórico, social e político: pertence ao reino do ser, enquanto as normas criadas em tal processo se acham inseridas no reino do dever ser. A filosofia sociológica considera também a efetividade do direito, e aqui se trata igualmente de investigações causais. A filosofia jurídica axiológica, de seu lado, critica o direito e toma como parte dessa crítica uma série de normas extrajurídicas: o Direito Natural não é direito, mas sim Ética. Esta tripartição, desejo acrescentar logo, corresponde às ideias de Verdross, que reconheceu a necessidade de combinar as três direções, não obstante as suas grandes diferenças metodológicas, para compreender o direito em toda a sua complexidade110.

3.2.2 A Tridimensionalidade Específica

Afirma Miguel Reale que era natural que, num dado momento dos estudos, parecesse insustentável a posição correspondente à uma concepção tridimensional genérica ou abstrata, vacilante entre uma justa posição extrínseca de perspectivas e uma confessada antinomia ou aporia entre os três pontos de vista possíveis suscitados pela experiência do Direito. Foi por volta de 1940 que surgiram as primeiras tentativas no sentido de se mostrar a ilogicidade das teorias que, apresentando a realidade jurídica como sendo constituída de três elementos, isto não obstante, continuavam a

109 REALE, Miguel. Teoria Tridimensional do Direito. 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 1994, p. 25-26. 110 KUNZ, Josef L. La Filosofia Del Derecho de Alfred Verdross, 1962, p. 213. Apud REALE, Miguel. Teoria

conferir plena juridicidade a cada um deles, abstraído dos demais111. Tal concepção (tridimensionalidade específica) cessa de apreciar fato, valor e norma como elementos

separáveis da experiência jurídica e passa a concebê-los, ou como perspectivas ou

como fatores e momentos “inilimináveis” do Direito: é o que Reale denomina

“tridimensionalidade específica”112.

Mesmo o tridimensionalismo específico oferece múltiplas e até mesmo contrastantes formulações, de tal sorte que uma doutrina não pode se distinguir das demais pelo simples afirmar-se de uma tricotomia essencial113. Jerome Hall, após considerar profunda a compreensão dos “realistas” norte-americanos quando reclamavam uma base fática para as ciências sociais, afirmava que, segundo uma perspectiva sociológico-humanística, o Direito não é puro fato, mas um tipo distinto de realidade social: uma certa conduta que representa a fusão de ideias legais (normas) com fatos e valores. O problema que fica em aberto consiste em saber como é que os três elementos(fato, valor e norma) correlacionam-se na unidade essencial à

experiência jurídica, pois sem unidade de integração não há “dimensões”, mas simples

“perspectivas” ou “pontos de vista”, sendo que, conforme ensinamentos de Reale, é só graças à compreensão dialética dos três fatores que se torna possível atingir uma compreensão concreta da estrutura tridimensional do Direito, na sua natural temporalidade114.

111 REALE, Miguel. Teoria Tridimensional do Direito. 5ª edição. São Paulo: Saraiva, 1994, p. 38-39. 112 Ibidem, p. 48-49.

113

Ibidem, p.49. 114 Ibidem, p. 50.

Belgede 2020 Faaliyet Raporu (sayfa 99-113)