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Melittin and Cancer Treatment: Nanotechnological Perspective Aydan Fülden AĞAN1, Meral KEKEÇOĞLU2

A forma como se deu a liberação do crédito habitação não permitiu uma discussão articulada sobre o projeto de construção das casas no Assentamento Mário Lago. Assim, após o recebimento do recurso, cada assentado foi construindo do modo como entendia ser o mais eficiente. Não houve um acompanhamento técnico por parte do INCRA e isto trouxe sérios problemas, entre eles, o caso de um assentado que ergueu sua residência numa área escolhida, pelos assentados do MST, para a construção da futura escola do assentamento. Este fato revelou que a demarcação dos lotes não vinha sendo respeitada por alguns assentados ou não havia sido, corretamente, elaborada pelos técnicos do INCRA. Do ponto de vista ambiental, outro aspecto importante é que não houve um planejamento sobre a questão do abastecimento de água e coleta de esgoto das novas moradias.

Isto tornou-se um grave problema, pois, mesmo sem um sistema adequado de coleta de esgoto e de abastecimento de água, as novas residências foram ocupadas pelos assentados. Evidente que isto gera contaminação, tanto para o meio ambiente quanto para os homens, mulheres e crianças que habitam aquele espaço. Até meados de 2010, a questão do saneamento básico seguia indefinida, pois, os órgãos responsáveis ainda não haviam chegado a um consenso sobre a melhor solução. Cogitava-se, inclusive, interligar parte das residências do assentamento ao sistema de saneamento da rede urbana do município49.

49 A dificuldade desta proposta era que o Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (DAERP), legalmente, não podia atuar na zona rural. Importante ressaltar que mesmo diante deste impedimento legal, o DAERP, com uso de um caminhão pipa, vinha abastecendo parte das famílias com água para consumo doméstico. Algumas famílias utilizavam água de um poço perfurado pelo INCRA no Núcleo Dandara. No entanto, o DAEE constatou que a água deste poço estava contaminada por substâncias de origem orgânica. Para solucionar o problema do abastecimento de água, o INCRA comprometeu-se a perfurar mais alguns poços, todavia, isto só seria possível após o estabelecimento de um convênio entre o INCRA e o DAEE. Até meados de 2010, tal convênio ainda não havia sido firmado.

A construção das novas moradias também estava relacionada à questão da energia elétrica e esta, por sua vez, demandava uma melhor definição das vias de acesso, isto é, da construção das estradas no interior do assentamento; além disso, a companhia de energia elétrica da região exigia um padrão específico para a montagem dos equipamentos de medição de consumo. Sabendo desta exigência, alguns assentados se anteciparam e adquiriram os postes para instalação do medidor de energia. Ocorre que os coordenadores do Assentamento Mário Lago reivindicaram e conseguiram obter os benefícios do Luz para Todos, um programa do governo federal que fornece energia elétrica sem custos de instalação aos moradores de áreas rurais. Portanto, com relação à energia elétrica, alguns assentados acabaram prejudicados, pois gastaram mal seus recursos. Estes acontecimentos comprovam, mais uma vez, que a política de reforma agrária brasileira segue sendo feita de modo, absolutamente, fragmentado, desarticulado, especialmente, no que tange a implantação da infraestrutura dos assentamentos rurais.

Não obstante os problemas relacionados à infraestrutura do Assentamento Mário Lago, consideramos que o mais complicado seja a questão do tamanho das áreas destinadas à produção individual. Como foi mencionado, estas áreas não ultrapassam 2 hectares de terra e esta dimensão enseja dúvidas quanto ao futuro desenvolvimento econômico das famílias. Na verdade, os projetos produtivos dos assentamentos na antiga Fazenda da Barra estavam centrados nas áreas coletivas, no entanto, estas áreas acabaram não sendo privilegiadas em face da pequena adesão dos assentados dos três movimentos sociais ali presentes. Nas discussões sobre o TAC do Assentamento Mário Lago, está questão apareceu com nitidez.

Eu estou muito frustrado, porque o meu sonho, meu sonho quando nós começamos essa luta juntos, seria isso: uma agrovila com lote pequenininho para cada um ter aquela coisinha da subsistência ali da família só e a produção coletiva. Esse era o sonho de quem iniciou essa luta e era o sonho de vocês também porque nós conversamos muito isso no início. Mas ai as coisas vão se modificando, aquela história do individualismo que eu canso de falar com vocês, então cada um quer ter o seu lote, tudo bem, não dá ainda para mudar essa cultura nesse momento histórico, então, vamos lá. Agora, chegamos nisso aqui, o INCRA e Ministério Público estão fechando os olhos para aquela cláusula [uma das cláusulas do Pré-TAC], mas se a gente não chegar num consenso eu vou querer cumprir aquela cláusula (fala do representante da Promotoria de Conflitos Fundiários e Meio Ambiente de Ribeirão Preto a respeito do parcelamento das áreas individuais).

A definição (no papel) de que as áreas de produção seriam, majoritariamente, coletivas e de que as moradias deveriam ser construídas no sistema de agrovilas provou a sua ineficiência. Apesar desta e de outras contradições, grande parte dos assentados admitia que

as suas vidas haviam melhorado após a conquista da terra. Alguns assentados acreditavam que, solucionado o problema de abastecimento de água e energia elétrica, seria possível investir mais na produção. A este respeito, vejamos o depoimento de um assentado da área quatro.

Do lado de cima da minha casa eu vou fazer uma rua de café, uma de banana, uma de café, uma de banana; na parte de baixo, eu vou colocar uma granja de 1500 cabeças de frango semicaipira; no fundo será uma plantação de milho para cuidar da granja. Eu quero fazer também um plantio de mandioca e vou trabalhar com legumes com irrigação por gotejamento (Assentado do Núcleo Salete Strozaki – entrevista realizada em abril de 2009).

No entanto, o futuro do assentamento parecia bastante incerto, pois, em meados do ano de 2009, alguns coordenadores do MST manifestavam dúvidas quanto à viabilidade da matriz agroecológica. Nesta época, observamos também que, entre os assentados, não havia uma separação muito clara entre o conceito de agroecologia e agricultura ecológica.

Eu vou ser sincero, eu acredito que esse negócio de agroecologia hoje é, justamente, para quem tem dinheiro, condições de fazer. Isto envolve assistência técnica, infraestrutura. Então, isso que nós estamos fazendo é uma coisa para quem tem dinheiro, porque isso custa caro e nós não temos dinheiro para fazer isso. Talvez a gente não tenha pensado, não tenha discutido e planejado quais seriam as dificuldades. Não tem um planejamento estadual ou nacional para discutir essa questão da agroecologia. Nessa idéia de agroecologia, nós estávamos discutindo construção alternativa de moradias, mas isso também é para quem tem dinheiro ou tem tempo e nós não temos tempo. Nosso tempo é de produzir, nós não temos reserva, nós precisamos trabalhar de dia para comer de noite. Então, a agroecologia é um desafio que foi lançado para a comunidade, mas é muito difícil produzir ecologicamente, pois a terra está contaminada, a vizinhança joga veneno, não tem uma forma de proteger, não tem uma forma de punir. Então, como é que você produz ecologicamente? Outra coisa, você coloca: produção ecológica, mas onde é a comercialização ecológica dos assentados? (coordenador do Assentamento Mário Lago – entrevista realizada em agosto de 2009).

A fala deste coordenador expressa os atuais limites da transição agroecológica nesta região do Estado; ela é esclarecedora, pois, fundamenta-se no cotidiano, ou seja, nas experiências vividas dia a dia pelos assentados. A realidade concreta faz com que o mesmo não acredite tanto no potencial de transformação social da agroecologia. Em suas palavras:

Eu acredito que o movimento não está ganhando tanto com essa questão agroecológica, eu estou falando na realidade, na massificação. Hoje para a região trás prejuízo, porque as pessoas vão falar: isso custa mais caro, isso é mais difícil, se custa mais caro e é mais difícil, como é que você vai atrair

alguém? (coordenador do Assentamento Mário Lago – entrevista realizada em agosto de 2009).

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A análise feita por este coordenador expressa as dificuldades enfrentadas pelo MST na organização produtiva dos assentamentos agroecológicos localizados na região de Ribeirão Preto. Tal situação coloca a produção agrícola como um elemento central para uma reflexão a respeito do desenvolvimento – sustentável – dos assentamentos rurais nesta região do Estado.