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Meşhed Ziyareti

C. HEM MAL, HEM DE BEDENLE YAPILAN İBADETLER

2) Meşhed Ziyareti

A história da chegada, desenvolvimento e consolidação da prática do futebol no Brasil é, como toda narrativa de cunho coletivo, cercada de certa controvérsia, uma vez que é produto de várias versões contadas ao longo do tempo. A ciência da História, por exemplo, a vem contando a par de pelo menos três ângulos metodológico-conceituais diferentes. Isso implica maneiras diversas de abordagem de um mesmo tema e seu acolhimento sob grades teóricas diferenciadas, o que, no limite, se traduz sob a definição conceitual de três campos até o presente muito bem configurados quanto a este objeto de estudo: a historiografia oficial, que é aquela escrita do passado que se limita a pesquisar os acontecimentos a partir das fontes escritas produzidas pelas instituições com base no encadeamento lógico-causal dos seus conteúdos singulares; a história sociológica, que implica em dar ao fato social uma dimensão diacrônica, sem abandonar os princípios teóricos da sociologia que foram sendo incorporados a partir da contribuição comteana à filosofia da ciência; e a história social, que enfatiza a predominância do social em face do individual, optando pelo estudo do coletivo e das relações sociais como elementos representativos da experiência humana no tempo.

Pelo ângulo da historiografia oficial, a versão mais conhecida e consagrada da introdução do futebol no Brasil é aquela em que aparece o nome do brasileiro filho de ingleses, Charles Miller, como o pioneiro da inserção do jogo na nossa pátria. Miller ao retornar da Inglaterra onde fora estudar, trouxe na bagagem duas bolas de futebol, um livro de regras e o material necessário para a prática do jogo a que tomou a missão de difundir entre os seus colegas paulistanos lá por volta de 1894.

Preferimos, todavia, adotar para este trabalho, mesmo nesse campo historiográfico, a versão que nos parece mais próxima da verdade histórica, tanto no apoio metodológico que ela tem de amplo material documental factualmente verificável quanto na sua validade interpretativa plenamente convincente. Por esta versão que adotamos, os primórdios do futebol no Brasil compreendem inicialmente as datas entre 1879 e 1894 (SANTOS NETO, 2002, p. 15), quando padres jesuítas do Colégio São Luis de Itú, São Paulo, em consonância com as demandas de uma reforma na instrução pública sob responsabilidade do Império21 empreenderam uma reformulação educacional naquele estabelecimento de ensino na qual incluíram a prática do futebol, o que se deu em duas fases:

21 Ver discussão do parecer a este respeito, intitulado “Reforma do Ensino Primário e das Instituições Complementares de Instrução Pública”, do deputado Rui Barbosa, apresentado à Câmara do Império em 1882, em PEREIRA (2000, p. 42) – listado na bibliografia ao fim deste trabalho.

Até 1887, padres e alunos jogavam juntos. Mas não praticavam o chamado association football, que pressupõe a formação de dois times e a existência de um conjunto de regras, mas sim um bate bola na parede, chamado de “bate bolão”. Isso fazia parte de uma estratégia gradual de apresentação do esporte aos alunos. [...] Então, em 1894, teve início o mandato do novo reitor, o padre Luís Yabar. [...] A partir daí, o futebol deixou de ser uma brincadeira de chutes na parede e se aproximou do jogo que conhecemos. [...] Os times uniformizados começaram a ser compostos por 11 jogadores, a dispor de um campo adequadamente dividido e de traves de madeira delimitando os goals. [...] Os jogos eram geralmente realizados em Vila Maria, uma chácara pertencente ao colégio, e, entre 1894 e 1895, os jesuítas estabeleceram o título simbólico de campeão de futebol para o aluno que mais se destacasse durantes as partidas (SANTOS NETO, 2002, p. 19-30).

Esses pormenores da chegada do futebol no Brasil são contados com detalhes pelo historiador José Moraes dos Santos Neto num trabalho documentado e rigoroso que tem como objetivo evidente discutir os meandros contextuais que levaram a se formar em torno da figura de Charles Miller uma “história oficial interessada pelas elites” do esporte mais querido dos brasileiros.

Sobre este aspecto do seu trabalho conclui taxativamente o autor:

Não foi Charles Miller o responsável pela introdução do esporte no país e nem por sua popularização; aliás, algo assim jamais ocorre exclusivamente por iniciativas individuais. [...] Portanto, no que se refere à paternidade do futebol brasileiro, não é preciso nenhum exame de DNA para se concluir que o pioneirismo de Miller reside no fato de ter iniciado a prática do futebol dentro de um clube, estimulando os outros a praticá-lo também. Com isso, teve início um segundo momento do processo de introdução do futebol em nosso país. O esporte saiu dos colégios, assumiu um caráter explicitamente competitivo (o que decerto tornou mais difundido o conhecimento de suas regras e mais rigorosa a observância das mesmas) e ganhou a posição de esporte preferido da elite paulistana (SANTOS NETO, 2002, p. 30).22 Quanto a uma possível história sociológica do futebol brasileiro, dentre os vários posicionamentos postos à luz no difícil enfrentamento do tema da significação social deste esporte para o País, assumiremos aqui a defesa de um dos seus ângulos de abordagem a nosso ver mais produtivos no tocante também à sua pertinência analítica e validade dos resultados. Entre a visão culturalista e tradicional de inspiração freireana com base documental na obra do jornalista Mário Filho (O negro no futebol brasileiro) e a postura pretensamente cientificista (antitradicionalizante) de Antônio Jorge Soares (Futebol, raça e nacionalidade no Brasil: releitura da história oficial), optamos por adotar como apoio teórico uma visada que,

22 Na história dos primórdios da introdução do futebol no Brasil, é importante destacar também a figura de outro brasileiro filho de europeu: Oscar Cox, que está para a história da introdução do futebol no Rio de Janeiro assim como Charles Miller está para a de São Paulo, figurando os dois, por conseguinte, como grandes pioneiros da difusão do esporte bretão no Brasil. Sobre a importância de Oscar Cox nesse processo consultar: Pereira (2000, Cap. 1. p. 21/86). E sobre a versão que destaca a figura pioneira de Charles Miller, embora já admitindo a presença também de instituições educacionais católicas de Petrópolis, no Rio de Janeiro, consultar também “O futebol no Brasil”. ROSENFELD, Anatol. Revista Argumento, n. 4, Paz e Terra, 1973, Rio de Janeiro, p. 62/66. Ainda sob este aspecto do pioneirismo dos jesuítas na difusão do futebol no Brasil, consultar ainda DUARTE (2004, p. 219- 220).

confrontando as duas anteriores, se define por negar que a cultura seja um campo de construção de harmonias e consensos e sim “um meio de efetivação de disputas e embates entre diferentes práticas e tradições, [que] procura na experiência de sujeitos diversos as múltiplas possibilidades de significados que se engendravam no próprio processo de construção da nacionalidade” no Brasil do início do século XX (PEREIRA, 2000, p.18).

Essa postura teórica é brilhantemente sustentada pelo historiador Leonardo Affonso de Miranda Pereira no seu livro já citado, e por partir da leitura atenta dos seus antecessores na pesquisa do tema, cremos que é também, junto com a de Waldenyr Caldas (1990, p. 19-29), que procurou “entender com clareza a trajetória desse esporte em nosso país, bem como analisar as causas e os fatores que o transformaram numa exceção muito distante da realidade dos outros esportes no Brasil”, a mais apropriada para o campo dos estudos históricos do futebol, justamente por relacionar os fatores condicionantes do tempo com os vetores condicionantes do espaço social em que se deram as verdadeiras batalhas históricas iniciais do jogo preferido dos brasileiros.

E aqui, mais uma vez, o aspecto metonímico está presente na trama histórica desse esporte de forma exemplar: ao se debruçarem sobre períodos específicos da trajetória do futebol em cidades como o Rio de Janeiro (Leonardo Pereira – período de 1902 a 1938) e São Paulo (Waldenyr Caldas – época entre 1894 e 1933), os dois historiadores acabaram por formar um extenso painel analítico do futebol brasileiro extensivo a todo o País, no que ele tem de simultaneamente abrangente e pontual.

De outra parte, como dissemos acima – quando estudamos o processo de chegada, efetivação e consolidação da prática do futebol no Brasil, analisado, por exemplo, por uma disciplina como a História Social –, verificamos que os significados que a nossa sociedade foi atribuindo ao jogo ao longo do tempo (sociedade extremamente heterogênea do ponto de vista étnico e fortemente desigual no âmbito tanto social quanto econômico e político) têm expressado também a dimensão metonímica a que aludimos antes, embora considerada esta agora pelo seu viés temporal.

Esse processo, que corresponde mais ou menos ao conjunto das representações sociais que fazemos hoje do futebol brasileiro para nós mesmos, é, no seu cume, assim definido pelo historiador Leonardo Affonso de Miranda Pereira:

Ao transformar o esporte em uma prática definidora da cultura local, esse processo faz os brasileiros se auto-representarem como os mestres supremos do futebol – a partir da suposição de um talento para o jogo que, aparecendo como uma característica quase natural, confirmaria e daria um sentido inquestionável ao sentimento de identidade que une os habitantes do país (2000, p. 14).

Embora relativamente verdadeira, essa visão totalizadora que temos do futebol brasileiro como um campo cultural em que expressamos uma reconhecida hegemonia internacional23 foi sendo construída de forma não tão pacífica ou eminentemente lúdica quanto parece, tendo sido também a sua formulação metonímica interna a marca que lhe deu o tom preponderante. Isto é: também nesta narrativa sobre o futebol estruturada pela ciência da História, foi sempre a prevalência circunstancial das partes (a elite sobre o povo, os ricos sobre os pobres, os brancos sobre os negros, os ociosos sobre os trabalhadores etc.) que, resultando de décadas de tensões e embates dentro e fora do campo, historicamente construiu essa noção integradora que temos hoje da pátria em chuteiras.

O campo do futebol,24 assim – se definindo literal e metaforicamente como um espaço de lutas e batalhas em que o povo brasileiro foi processualmente se envolvendo na construção renhida de uma identidade em que se reconhecesse enquanto nação específica e singular –, erigiu-se, no Brasil, como uma arena privilegiada para, através da experiência de muitos sujeitos que, por décadas, disputaram em torno de uma bola muito mais do que um jogo, realizar uma espetacular “virada de mesa” na sua história cultural.

História essa que na visão de Leonardo Pereira compreende quatro momentos distintos que aqui procuraremos sintetizar e analisar sob a ótica do código de comunicação que o jogo de futebol encerra:

1) inicialmente, o da imagem de um jogo de elite, reafirmada pelos seus próprios admiradores que se reuniam nos recém-fundados clubes da Zona Sul do Rio de Janeiro; 25

23 Único país do mundo a participar de todas as edições do Campeonato Mundial de Futebol (a Copa do Mundo), desde a sua criação em 1930, o Brasil se orgulha de ser o recordista de títulos da competição, tendo sido campeão em 58, na Suécia; em 62, no Chile; em 70, no México; em 94, nos Estados Unidos, e 2002 no Japão e na Coréia do Sul. Além dos cinco títulos, o Brasil chegou a outras duas finais. Em 1950, quando a copa foi disputada no Brasil e a Seleção perdeu para o Uruguai por 2 a 1, e em 1998, na França, quando perdeu para os franceses por 3 a 0, no Stade de France, em Saint Denis. O Brasil conta ainda com dois terceiros lugares. Eles ocorreram em 1938, também na França, quando o Brasil foi derrotado na semifinal pela Itália, e em 1978, na Argentina, quando o Brasil foi superado pela dona da casa no saldo de gols e depois venceu a Itália na disputa dos terceiro e quarto lugares. Em 1974, na Alemanha, o Brasil ficou com um quarto lugar, perdendo na semifinal para a Holanda e depois para a Polônia. Assim, em nove das 19 Copas disputadas, o Brasil esteve entre os quatros primeiros colocados, o que significa o melhor retrospecto em mundiais de todos os países que já o disputaram. O Brasil, portanto, entra para a história como o país de melhor retrospecto em copas do mundo no Século XX.

24

A expressão aqui deve ser entendida na acepção em que é utilizada pela conceituação de campo social feita por Pierre Bourdieu. Isto é: “O campo consiste no espaço em que ocorrem as relações entre os indivíduos, grupos e estruturas sociais, com uma dinâmica que obedece a leis próprias, animadas sempre pelas disputas ocorridas em seu interior, e cujo móvel é invariavelmente o interesse em ser bem sucedido nas relações estabelecidas entre os seus componentes seja no nível dos agentes, seja no nível das estruturas”. Cf. BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 59-74.

25 Ver análise histórica semelhante aplicada ao caso da cidade de São Paulo em CALDAS, Waldenyr. O pontapé inicial: memória do futebol brasileiro/1894-1933. São Paulo, Ibrasa, 1990. Todo o volume.

2) depois, o da imagem de um jogo popular em que se tornava cada vez mais evidente a participação dos negros e operários que se tentava excluir no momento anterior e que se afirmava pelo crescente entusiasmo gerado pelos jogos da Seleção Nacional, formada ainda somente por jogadores do Rio e São Paulo (momento da construção do futebol como elemento representativo da nação: de um nacionalismo futebolístico, por assim dizer);

3) em seguida, o da imagem da consolidação de um tipo de nacionalismo não mais inocente (embora irmanados na torcida pela representação maior da mesma Pátria – a Seleção Brasileira de Futebol – os torcedores e jogadores diversos emprestavam significados sociais diferentes a este gesto) e sim marcado pela apropriação, no seu universo vivencial (no trabalho e no lazer) da imagem positiva criada em torno do jogo, cujos significados agora poderiam ser colocados a serviço de suas próprias causas;

4) e, por último, a fase da transformação do jogo de futebol na força motriz do sentimento nacional que hoje é a ele associado. Ou seja: a imagem da “virada de mesa” na sua história social em que de um jogo de classe (de um grupo apenas, a elite) ele passa a ser um jogo de representação de todos.26

Nesse ponto, todavia, marquemos aqui uma questão de método, o que implica, com efeito, considerando os seus desdobramentos últimos, no mérito da questão. Dissemos antes que vamos considerar o futebol, neste estudo, como sendo ele mesmo uma narrativa que envolve a realização de dois discursos simultâneos e complementares (o discurso não verbal, corporal-gestual do jogo em si e o discurso lingüístico representativo desse mesmo jogo) compondo uma narrativa complexa de caráter eminentemente simbólico que o define também

26 Acreditamos a este propósito, e em consonância com alguns elementos das matrizes formadoras da cultura brasileira, que há aqui uma reviravolta de tipo carnavalesca e antropofágica no processo. Carnavalesca porque verificamos na sua efetiva realização aquilo que o pensador russo Mikhail Bakhtin denominou de carnavalização da cultura, isto é, a aplicação da lógica do carnaval à esfera cultural como um todo: “As leis, proibições e restrições, que determinam o sistema e a ordem da vida comum, isto é, extra-carnavalesca, revogam-se durante o carnaval: revogam-se antes de tudo o sistema hierárquico e todas as formas conexas de medo, reverência, devoção, etiqueta etc., ou seja, tudo o que é determinado pela desigualdade social hierárquica e por qualquer outra espécie de desigualdade (inclusive a etária) entre os homens”. Cf. BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro; Forense, 1997, p. 122; e antropofágica porque o fenômeno parece ter espontaneamente obedecido aquilo que Oswald de Andrade postulou para a atitude geral da cultura brasileira moderna frente ao estrangeiro, no seu conhecidíssimo Manifesto Antropófago, de 1928. Se não, vejamos, em alguns dos seus itens enunciativos: “Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. [...] Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço, continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil. Uma consciência participante, uma rítmica religiosa. [...] Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo”. Cf. ANDRADE, Oswald. A utopia antropofágica. 2. ed. São Paulo: Globo, 1995, p. 47-9. Os trechos grifados por nós no texto oswaldiano tem o intuito de sublinhar as correspondências entre seus enunciados e o que ocorreu efetivamente com o nosso futebol neste contexto em questão.

como um código polissêmico de comunicação.

Pois bem. A história social do futebol brasileiro (suas diferentes abordagens por diferentes autores) 27 será vista aqui como esse segundo elemento, ou seja, uma narrativa sobre o jogo que por sua forma de construção e estruturação pretende legitimar-se como um discurso cientificamente válido. Aqui, a disputa dos sentidos que o jogo foi adquirindo para o povo brasileiro ao longo dos anos, na busca de uma identidade para se contrapor ao estrangeiro, é o que esta narrativa tenta apanhar com a ajuda de seus próprios métodos de abordagem, todos eles, ressalve-se, nem sempre auto-justificáveis teoricamente quando confrontados entre si. Daí que longe de ser consensual, esta história também pressupõe enfrentamentos vários do campo científico.

Embora o historiador Leonardo Affonso de Miranda Pereira tenha pretendido em seu extenso estudo deslocar, com a sua metodologia de análise histórica, o ponto de vista sobre o tema do futebol – da focalização em Mário Filho sobre a forma inicial (depois revertida) pela qual a presença de negros e pobres foi percebida pelas elites como inconveniente à prática deste esporte no Brasil, passando pela visão de alguns historiadores que viram a popularização do jogo no país apenas como um meio de controle social do mundo do capital sobre o mundo do trabalho (um instrumento de alienação);28 adentrando ainda uma abordagem feita pelos intelectuais do início do século XX (literatos, jornalistas, médicos, educadores etc.) que creditavam ao futebol funções sociais distintas e até inconciliáveis: uma que vislumbrava um possível mecanismo regenerador da raça brasileira, e outra que lhe atribuía a responsabilidade pela perpetuação da desigualdade social e racial, em função da separação entre os brasileiros por causa do caráter de disputa associado ao jogo –, e, por fim, seu estudo centrando o foco nos verdadeiros sujeitos do processo, os torcedores, jogadores, populares, trabalhadores, esportistas, enfim, aqueles anônimos que “se limitavam a torcer, das

27 Nesse caminho de análise do futebol brasileiro, embora não sendo todos oriundos do campo da História, mas acabando por não fugir de todo da sua grade metodológica de abordagem, ver, por exemplo, autores como RODRIGUES FILHO, Mário. O negro no futebol brasileiro. 4. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2003; LEVER, Janet. A loucura do futebol. Rio de Janeiro: Record, 1980; RUFINO DOS SANTOS, Joel. História política do futebol brasileiro. São Paulo: Brasiliense, 1981. (Col. Primeiros Passos); SANTOS NETO, José Moraes dos. Visão de jogo: primórdios do futebol no Brasil. São Paulo: Cosac & Naify, 2002; e FRANZINE, Fábio. Corações na ponta da chuteira: capítulos iniciais da história do futebol brasileiro (1919-1938). Rio de Janeiro: DP&A, 2003, entre outros. 28 É este o ponto de vista sob o qual o historiador Joel Rufino dos Santos aborda a lógica das origens da

popularização do futebol no Brasil. Estudando o fenômeno nas duas principais cidades brasileiras, o Rio de Janeiro e São Paulo, este autor quer fazer crer que nos dois casos a popularização do jogo se deu principalmente como resultado direto da intervenção dos patrões, das autoridades e do poder público. Assim, este esporte assume, na obra citada, o caráter de uma” invenção maquiavélica, um eficaz e inescapável meio de controle sobre as classes populares”. Essa visão, obviamente, já foi contestada por toda a historiografia posterior sobre o futebol brasileiro. Cf. por exemplo, PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro – 1902-1938. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p. 203-4 e CALDAS, Waldenyr. O pontapé inicial: memória do futebol brasileiro/1894-1933. São Paulo, Ibrasa, 1990. p. 19-29 e150-194, entre outros.

arquibancadas ou das gerais, pela vitória de um time no qual viam a representação da própria nação” (PEREIRA, 2000, p. 17), – é aos escritores que pretendemos retornar nesse nosso trabalho, mesmo que por via transversa: agora não mais através das representações que eles criaram do futebol pela discussão pública dos seus projetos de nação, mas, sim, por meio da elaboração ficcional de fundo estético que tem na unidade ontológica básica do processo, o

Benzer Belgeler