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Pseudo II. Mertebe Adsorpsiyon Hız İfadesi: Eğer adsorpsiyon hızı ikinci mertebendense, pseudo ikinci mertebeden kinetik hız ifadesi,

4. MATERYAL VE METOT

O Grupo 1, referente a imagens publicadas no perfil @igerspoa, nos apresentou representações da cidade bastante conhecidas. O pôr do sol está presente em todas as imagens à exceção da Imagem 2, em que aparecem o céu, limpo de nuvens, predominantemente azul, e o Guaíba, outro emblema urbano, bastante associado ao pôr do sol. O sol poente não é um tema exclusivo dos fotógrafos do Instagram. Ele aparece em cartões-postais, em peças publicitárias e outras produções midiáticas. Tampouco a adoração pelo pôr do sol é um fenômeno local. Se procurarmos a tag #sunset no Iconosquare, encontraremos mais de 45 milhões de imagens. Em 2006, Penelope Umbrico realizou um trabalho com fotos de pôr do sol que encontrou no Flickr por meio da tag sunset. Primeiramente, encontrou 541.795 imagens. Em 2007, já eram mais de 2,3 milhões e, menos de um ano depois, mais de 3,2 milhões. Em 2011, chegavam a quase 9 milhões (FONTCUBERTA, 2011).

A peculiaridade no caso de Porto Alegre é, conforme já citamos, sua localização geográfica, que permite que o sol se ponha em uma grande massa de água. O fenômeno deu fama ao pôr do sol dos porto-alegrenses, que gostam de bradar que tem o mais bonito pôr do sol do mundo, como vimos em algumas representações midiáticas da cidade e se confirmou na análise desse primeiro grupo.

Outra peculiaridade das imagens no Instagram em relação a outros registros de pôr do sol é que, com a instantaneidade à que o aplicativo convida os usuários, essas cenas são compartilhadas em tempo real e se tornam um laço momentâneo em que conversações giram em torno dessas imagens. O pôr do sol se transforma em um ritual dos fotógrafos de Instagram. Eles publicam sua foto sabendo que vários outros usuários publicarão imagem semelhante naquele momento, talvez pelo desejo de pertencer a uma comunidade, seja o @igerspoa, seja o grupo daqueles que tiram foto do pôr do sol e demonstram assim alguma coisa em comum, ao menos naquele fugaz momento em que o sol se põe.

O Grupo 1 nos fala muito sobre características do imaginário pós-moderno conforme Maffesoli o entende. Ao propor encontros presenciais, a comunidade evidencia a importância dos laços entre os usuários. Enquanto milhares de pessoas se unem na comunidade virtual,

quando é proposta uma reunião presencial, são poucos que aparecem, poucos em relação ao número de membros que aquela comunidade tem. Se Maffesoli está certo em suas afirmações sobre o neotribalismo, podemos supor que a empolgação vista nos comentários superelogiosos é um exemplo de como os laços nas comunidades pós-modernas são aparentemente intensos, porém fugazes. As conversações no Instagram são breves, a comunicação se dá basicamente por imagens, os textos servem para acompanhá-las, e não o contrário. Tal comunicação, por mais breve que seja, também serve de cimento social, como diria Maffesoli. Também são exemplos de laços associativos, em geral, mais fracos, como vimos no subcapítulo sobre redes sociais online. Os laços associativos são aqueles estabelecidos em torno de um sentimento comum, não pressupõem muita interação.

E o que esse grupo nos diz sobre o imaginário de Porto Alegre? Os temas recorrentes são velhos conhecidos das representações da cidade: o pôr do sol, o Guaíba, a arquitetura do Centro Histórico. É importante lembrar que as fotos publicadas no @igerspoa passam por uma curadoria. O aplicativo permite que os usuários compartilhem o seu olhar sobre o mundo, ou, no nosso caso, sobre Porto Alegre. Mas, no caso específico do grupo Igerspoa, esses olhares passam pela aprovação dos administradores do perfil, evidenciando uma certa relação de poder entre os membros, embora seja considerado também o número de likes para se eleger o destaque do dia, conforme uma enquete publicada na página do Facebook do grupo.

As cenas coletadas são cotidianas, não destacam grandes eventos ou grandes obras urbanas – com exceção do estádio de futebol que passou por recente reforma por ocasião da Copa do Mundo de 2014. Há cenas de lazer como as da última foto, em que aparecem um cachorro passeando, um barco a vela e pessoas tomando chimarrão. Contudo, na maioria das fotos, não há pessoas, a cidade reina como cenário suficiente, uma cidade de belezas naturais, principalmente.

Como vimos, para Maffesoli, o cotidiano é a matriz sobre a qual se fundam os grupos pós-modernos. São os elementos simples, emocionalmente comuns a todos. E o que é comum a todos no caso do Grupo 1? Porto Alegre e seus emblemas, como o pôr do sol, o Guaíba, o chimarrão. E mais: identificamos também um sentimento positivo sobre a cidade, em torno do qual os usuários vibram juntos. É o imaginário da cidade, presente nesses emblemas urbanos, que permite essa vibração comum, essa comunicação. “A palavra comunicação também serve para encarnar o retorno dessa velha ideia que é o imaginário, ou seja, o fato de que se vibra com os outros, em torno de alguma coisa, seja qual for essa coisa” (MAFFESOLI, 2003, p. 14).

Como Maffesoli antecipou sobre as comunidades na pós-modernidade, este grupo está unido por uma estética e uma ética particulares. A ética diz respeito às leis do grupo, como as regras das seleções das melhores fotos e o funcionamento do grupo por meio das hashtags. A estética está relacionada ao que é emocionalmente comum a todos no grupo, o imaginário em torno da cidade, essa aura estética, conforme Maffesoli (2010), pela qual os usuários se reconhecem parte de uma mesma comunidade. Talvez a tese de Maffesoli justifique a recorrência de emblemas consolidados como o pôr do sol, pois assim os porto-alegrenses se identificam, se conectam em torno da cidade, além das peculiaridades das imagens – como o uso de filtros, de hashtags – que os fazem reconhecer-se como usuários de uma mesma plataforma.

Por fim, gostaríamos de apontar outra peculiaridade neste grupo de fotos. Não encontramos nenhuma imagem negativa de Porto Alegre, nem nas fotos nem nos textos, nada que aponte para algum dos tantos problemas sociais presentes em qualquer grande cidade, como engarrafamentos ou poluição, por exemplo. Uma explicação possível pode ser a própria plataforma, que, como vimos no capítulo 4, estimula a produção e o compartilhamento de belas imagens.

Assim, a partir da análise do Grupo 1, acreditamos que o Instagram apresenta características das tecnologias do imaginário (SILVA, 2012), como uma fonte que abastece e, ao mesmo tempo, reflete o imaginário de uma cidade, apesar de que se trata apenas de uma parte desse imaginário, apenas da parte bela de Porto Alegre. A seguir, damos sequência à análise de imagens, dessa vez, com fotos coletadas a partir da tag #portoalegre.